A história de Pedro e Inês de Castro trazida à actualidade pela Storytailors

Publicado a 16 de Setembro de 2011 . Na categoria: Cultura Painel . Seja o primeiro a comentar este artigo.
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Se a história de Inês de Castro e D. Pedro se passasse nos dias de hoje, decerto tudo seria diferente. Longe das regras apertadas e dos costumes de há quase sete séculos atrás – com várias famílias reais a sobreviverem, sem grandes dramas, às traições e separações dos herdeiros do trono – o fim da aia de D. Constança não seria, com certeza, a morte (a não ser que a sua patroa, ou o sogro desta, tivessem um momento de desvario).
Mas o que vestiria Inês de Castro se vivesse nos dias de hoje? A resposta foi dada pela dupla Storytailors, na noite do passado dia 19 de Agosto, em plena escadaria do Mosteiro de Alcobaça, onde repousam, há 650 anos, os restos mortais da rainha póstuma.
Para João Branco e Luís Sanchez, os criadores da dupla, a versão contemporânea de Inês de Castro não se dissocia da mulher-mito que foi perpassando os séculos. E a Inês de hoje é ora sensual, ora romântica, ora destemida… e sempre misteriosa.
Pela escadaria da abadia cisterciense passaram mais de meia centena de propostas, compostas com peças recuperadas de colecções já apresentadas pela Storytailors, outras nunca vistas e algumas pensadas especificamente para este desfile. Propostas que não deixaram goradas as expectativas das mais de 6.000 pessoas (números apontados pela organização), que se deslocaram à zona do Mosteiro para assistir ao desfile daqueles que se apresentam como os “arqueólogos da moda” e que compõem sempre as suas colecções com ideias e elementos retirados às lendas, à História e aos mitos urbanos, entre outras fontes de inspiração.
O desfile, integrado nas comemorações dos 650 anos da trasladação de Inês de Castro de Coimbra para o Mosteiro de Alcobaça, permitiu aos criadores “um exercício criativo e libertador”. Para a dupla, Inês de Castro viveu como mulher apenas 30 anos, mas volvidos quase sete séculos, vive ainda como mito. “É essa mulher-mito que nos desafiámos interpretar, num meio fantástico, entre sonho e realidade”, garantiam João Branco e Luís Sanchez numa mensagem lida por Francisco Mendes, o apresentador de televisão que comandou as hostes do espectáculo em Alcobaça.
Mas nem só de moda se fez aquela noite, aberta com prata da casa. Luís Peças, o contratenor alcobacense que regularmente faz as delícias de muitos dos visitantes, sobretudo estrangeiros, que passam pelo Mosteiro de Alcobaça, interpretou uma ária de Haendel. Um tema que se pode encontrar no álbum que o alcobacense vai lançar no Brasil, país onde se tem apresentado amiúde.
A música continuou com a voz doce de Luísa Sobral. Ao longo de cerca de uma hora de concerto, a cantora deu a conhecer os temas do álbum “The Cherry on my Cake”, bem como outras composições que ainda não foram editadas. E porque a noite era dedicada a Inês de Castro, Luísa Sobral aceitou o desafio que lhe foi lançado pela Câmara de Alcobaça e compôs uma canção propositadamente para aquela noite. António Zambujo juntou-se à cantora para interpretarem um dueto onde o amor que uniu Inês e Pedro é encarado como um sonho para qualquer artista, seja ele poeta, cantor ou escultor, e onde se lembra que “Inês amou até morrer”.
Vestida pela dupla Storytailors, Luísa Sobral garantiu que a frente do Mosteiro de Alcobaça “é, sem dúvida, o palco mais bonito” onde já tocou e considerou que foi “um privilégio” estar ali.
O evento “Inês by Storytailors”, orçado em mais de 30 mil euros, foi comparticipado em 80% por fundos comunitários, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional. E terá sido o primeiro de muitos espectáculos que a partir deste ano deverão marcar a véspera do feriado municipal de Alcobaça, que se comemora a 20 de Agosto, dia em que no ano de 1153 falecia Bernardo de Claraval, um dos principais propagadores da Ordem de Cister e o mote da feira anual que todos os anos anima a cidade.
Francisco Mendes deixou mesmo a promessa de “mexer uns cordelinhos para que todos os anos a véspera do dia de São Bernardo seja noite de festa”. Uma intenção confirmada pelo presidente da autarquia alcobacense, Paulo Inácio, que quer que “o São Bernardo chegue à cidade, nesta praça que é de todo o concelho”. Mas se o que se pretende é que os alcobacenses se juntem em frente ao Mosteiro para celebrar esta data, nesta estreia as atenções estiveram viradas para os que vinham de fora. A socialite Lili Caneças e Ana Maria Lucas eram talvez as presenças mais conhecidas, e em lugar de maior destaque, numa plateia onde não faltaram responsáveis pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (que tutela o Mosteiro de Alcobaça) e pelas associações que evocam Pedro e Inês, bem como por muitas caras habituais das revistas cor de rosa.

Joana Fialho

jfialho@gazetacaldas.com

Nova identidade de Alcobaça apela ao romantismo e ao amor

O espectáculo de 19 de Agosto foi também a ocasião aproveitada pela Câmara de Alcobaça para apresentar a nova identidade do concelho. Depois da “Terra de Paixão” introduzida pelo executivo de Gonçalves Sapinho, é agora a vez do executivo de Paulo Inácio apostar numa nova mensagem: “Alcobaça, dê lugar ao amor”.
Se a mensagem remete para o amor de Pedro e Inês, a imagem junta elementos representativos dos dois amantes, dos seus túmulos e das rosáceas do Mosteiro, dos rios e dos pomares de Alcobaça. Uma aposta que pretende associar o amor eterno à imagem do concelho, trazendo “um novo glamour, um toque de modernidade”, considera o presidente da autarquia, Paulo Inácio.
Para a apresentação da nova identidade, que o autarca diz que não anula a anterior “Terra de Paixão”, foi exibido um vídeo promocional, onde um casal percorre algumas das mais belas paisagens do concelho.
J.F.

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