Microcrédito é solução para o arranque de pequenos negócios

Vera Mota e Edgar Costa, da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), uma entidade que pretende ajudar as pessoas que vivem na franja da exclusão e são mal recebidas pelo sistema bancário.
Tirar pessoas da subsidiação e torná-las autónomas através da criação de microempresas é um dos objectivos da ANDC (Associação Nacional de Direito ao Crédito) que financia projectos até 10.000 euros.
Desempregados, jovens que acabaram o secundário e até licenciados têm decorridos a esta fórmula que lhes permite dar o pontapé de saída para criarem o seu próprio posto de trabalho.
Um atelier de costura, um gabinete de estética, uma peixaria, uma oficina de bicicletas, uma lavandaria, uma loja de roupa. O financiamento pode ser de mil a dez mil euros (em alguns casos pode atingir os 12.500 euros, mas nunca mais do que isso). É com empréstimos desta natureza que algumas pessoas criaram as suas micro-empresas e estão hoje numa vida activa. Muitos recebiam subsídios de desemprego e eram um encargo para a comunidade, agora pagam impostos e contribuem para a comunidade.
Mas todos, sem excepção, recorreram à ANDC porque tinham sido excluídos pela banca comercial. Um dos requisitos para candidatar um projecto de microcrédito é não ter recursos próprios e não ter conseguido obter financiamento bancário. O objectivo da Associação é mesmo o de ajudar as pessoas que vivem na franja da exclusão e eram mal recebidas pelo sistema bancário.
“Se não tem acesso ao crédito bancário, pode ter direito ao microcrédito. Se já teve incidentes bancários é que é mais difícil” , explica Edgar Costa, gestor operacional da ANDC.
“Os nossos candidatos a micro-empresários podem ser desempregados ou terem um trabalho precário, podem ser imigrantes, podem já ter o seu próprio negócio e necessitarem de um reforço de capital, mas também podem ser jovens que, por exemplo, terminaram um curso técnico-profissional e cuja família não tem dinheiro para os ajudar a criar um negócio”, prossegue. E também há, claro, licenciados a recorrer à ANDC. “Cada vez mais”, diz.
Ser empreendedor e ter uma ideia de negócio são os requisitos essenciais para se candidatar ao microcrédito. Mas é necessário ter também um fiador que se responsabilize por 20% do montante pedido. A ideia, explica Vera Mota, técnica da ANDC, é que o candidato tenha alguém seu amigo que acredite o suficiente nele e no seu projecto ao ponto de ser seu fiador.
A ANDC não empresa o dinheiro. Quem o faz são os bancos com quem trabalha (CGD, BES e BCP). O empréstimo tem uma duração de quatro anos (48 meses) e a remuneração do capital, apesar de se tratar de um microcrédito, não funciona necessariamente com micro-juros. Estes são à taxa Euribor a três meses acrescido de spread de 2% ou 3% consoante o banco escolhido.
O que a ANDC faz é garantir ao banco a qualidade do projecto, no qual acredita depois de o ter analisado. “Os técnicos da associação percorrem o pais e vão aos locais falar com os micro-empresários prestando-lhes um apoio que, no fim de contas, é cem por cento personalizado”, explica Edgar Costa.
Até ao final do ano a ANDC espera concluir 170 novos projectos. Parece pouco, mas trata-se de trazer para a vida activa pessoas que viviam quase na marginalidade e que “deram o salto” através de pequenos negócios para os quais não dispunham do dinheiro para investir se não fosse o microcrédito.
É por isso que o IEFP (entidade estatal responsável pela gestão dos subsídios de desemprego) é a principal financiadora da ANDC. Sai mais barato ao Estado investir em micro-empresários do que continuar a subsidiar desempregados.
Mas grande parte do trabalho da ANDC é feito por voluntários – são técnicos superiores que analisam projectos e tratam também da parte administrativa e funcionamento da associação.
A maioria dos micro-empresários que recorrem a esta associação são mulheres (52,6%) e 64% dos projectos aprovados são-no a pessoas entre os 25 e os 45 anos de idade.
Em termos de habilitações literárias, cerca de 30% dos micro-empresários têm o ensino secundário, seguindo-se os que concluíram o 3º ciclo (23%), os que concluíram o 2º ciclo (15%), os que fizeram o 1º ciclo (14%) e os licenciados (12%).
O comércio por grosso e retalho constitui cerca de 38% dos projectos aprovados, seguindo-se o alojamento, restauração e similares com 14%.
Muhammad Yunus e o Banco da Aldeia
A ANDC inspira-se no movimento fundado pelo economista Muhammad Yunus, do Bangladesh, que em 2006 recebeu o prémio Nobel devido à criação do conceito de microcrédito que ele próprio aplicou no seu país com a criação do Banco Grameen (Banco da Aldeia).
A ideia era arrancar da pobreza extrema pessoas que não tinham dinheiro, mas possuíam o instinto para sobreviver se lhes proporcionassem um mínimo de recursos. Mais de 6 milhões de pessoas recorreram ao Banco Grameen, na sua maioria mulheres. Surpreendentemente, os pobres são muito honestos pois mais de 98% pagam na totalidade os empréstimos que pediram.
Em Portugal, e no caso da ANDC, essa taxa é de 92%. Também é certo que só 25% das pessoas que contactam a Associação passam à fase do financiamento, depois dos seus projetos serem amadurecidos com a ajuda dos técnicos da ANDC, mas depois disso só um número residual é que entra em incumprimento.
A associação é presidida pelo professor catedrático em Economia, Manuel Brandão Alves.
Carlos Cipriano
CAMILA MOREIRA – ALCOBAÇA
A loja de artigos de dança
Aos 27 anos de idade Camila Moreira conta já com uma vida inteira dedicada à dança, da prática ao ensino. Uma experiência que deu agora lugar a uma loja dedicada à dança e a tudo o que lhe diga respeito, em Alcobaça. Um sonho concretizado com a ajuda do microcrédito e que a brasileira, que escolheu Portugal para viver, quer ver crescer.
Com apenas 18 anos Camila Moreira despedia-se do Brasil, onde durante anos se tinha dedicado ao ballet clássico, e decidia vir para Portugal, para apostar na dança moderna a contemporânea. A companhia DançArte, em Palmela, foi a primeira a acolher a bailarina. Seguiu-se a CeDeCe – Companhia de Dança Contemporânea, na altura a residir em Setúbal.
Quando a CeDeCe se mudou para Alcobaça, Camila Moreira veio com a companhia. Em 2009 a bailarina acabou por viver uma nova aventura, indo para a Croácia, para trabalhar no Ballet Nacional, em Rijeka. E foi precisamente na Croácia, onde a oferta de artigos para os profissionais da dança era muito escassa, que Camila Moreira pensou abrir uma loja de artigos especializados. Foi também por esta altura que a bailarina conheceu o representante da SóDança, uma marca brasileira de artigos que têm a dança como tema central.
A aventura na Croácia acabaria por durar apenas dois anos e em 2010 Camila Moreira regressava a terras de Cister, para dar aulas na Academia de Dança de Alcobaça.
Foi então que se deparou com alguma dificuldade em encontrar na região roupa, artigos e figurinos para as suas alunas e o sonho de abrir uma loja que trazia na bagagem ganhou ainda mais força.
“Mas eu não tinha dinheiro para investir, então uma amiga falou-me do Microcrédito”, conta. Pouco tempo depois a bailarina fazia o plano do seu negócio e candidatava-se ao apoio do programa fundado por Mouhammad Yunus.
“O que me fez ir para o Microcrédito foi a possibilidade de fazer tudo por mim mesma, sem ter sócios, sem ter uma pessoa que me emprestasse dinheiro. Foi o poder fazer por mim mesma e pagar por mim mesma, são eles e eu. É tudo directo e fácil”, explica.
O crédito, de 4.000 euros, acabaria por ser aprovado em Julho passado. A 24 de Setembro, Camila Moreira abria a Demi-Plié – O lugar da dança, bem no centro de Alcobaça, no 1º andar do n.º 42 da Praça 25 de Abril (junto ao Mosteiro).
“Esta loja vem complementar a minha dedicação aos meus alunos. Eu só ponho aqui dentro aquilo que eu acredito que é bom, aquilo que eu usaria, aquilo que eu daria às minhas alunas. Não compro apenas o que me sai mais barato”, garante. A Demi-Plié vem também colmatar uma lacuna que havia na oferta de artigos de dança, que até agora só se encontravam nas Caldas da Rainha, em Leiria, ou Lisboa.
Do vestuário ao calçado, passando por acessórios como sacos e figurinos, a loja de Camila Moreira pretende ser um local onde se respire dança. Aos artigos indispensáveis para a formação e prática da dança, juntam-se alguns extras, como pin’s, porta-chaves, estojos, bonecos, cadernos, entre muitos outros, mas sempre com o mesmo tema. E muitas das coisas são importadas do Brasil, um local onde a bailarina garante que “se inventa tudo e mais alguma coisa que tenha a ver com dança”. Por isso mesmo, existentes apenas na loja de Alcobaça.
O ballet clássico é, para já, a área com mais oferta. Mas também se encontram artigos para outros géneros de dança, para ginástica e patinagem. Além disso, Camila trabalha com costureiras capazes de fazer qualquer fato ou figurino para qualquer tipo de dança. “Mais para a frente gostaria de ter artigos para todos os tipos de dança cá dentro”, diz Camila Moreira. Há mais salas na loja que podem ser ocupadas, mas para que este objectivo se possa concretizar, o negócio ainda recente tem que crescer.
Nestes primeiros tempos, e com os quatro mil euros de financiamento já investidos no espaço, Camila explica que é o salário como professora que garante o funcionamento da loja. Mas acredita que tudo vai correr bem com um negócio que o Microcrédito ajudou a montar.
Do programa salienta o “grande acompanhamento” que é prestado pelos responsáveis. “É muito bom trabalhar com eles, fui super bem recebida, deixaram-me super à vontade com tudo e eu acho fantástica a maneira como eles trabalham com as pessoas”, diz.
Joana Fialho
ANTÓNIO FERREIRA – CALDAS DA RAINHA
Um caldense nos caminhos do Alentejo
Ao 40 anos António Ferreira decidiu que era altura de deixar de trabalhar por conta de outrem e de se instalar por conta própria. Desde os 21 anos que era vendedor porta a porta na região do Alentejo. Numa carrinha transportava enxovais, electrodomésticos, tapeçarias, mobílias, roupas. O mercado alvo: uma população afastada dos grandes centros comerciais e que compra a prestações ao vendedor ambulante.
“Ouvi em conversa que havia isto do microcrédito e fui à Internet procurar. Contactei-os por mail e passado um mês tinha cá a Dra. Vera para falar comigo”, conta António Ferreira
O futuro microempresário já tinha uma carrinha, mas precisava de começar o negócio com material em armazém. O empréstimo foi de 5000 euros e não tardou dois meses a ser concedido. Na banca, conta, “não conseguia de maneira nenhuma”. Em 2009 a crise já espreitava e os bancos dificilmente emprestavam a quem não tivesse activos.
António Ferreira passou assim a circular por conta própria nos caminhos do Alentejo, continuando a pernoitar numa pensão de Beja e a assegurar um negócio que agora era seu.
Curiosamente a alma desta actividade de vendedor ambulante está, também, na concessão de crédito. Os artigos são vendidos a prestações e estas são religiosamente registadas nuns cartões que o vendedor e o comprador possuem até à última prestação.
“Raramente vendo a pronto. Uma máquina de lavar, um frigorífico, são sempre pagos a prestações. Mas primeiro é preciso conhecer as pessoas. Normalmente começa-se com um enxoval ou um jogo de cama para ver a cliente é de boas contas. E depois é que podemos vender electrodomésticos”. Fala a voz da experiência.
Para manter a actividade António Ferreira viu-se na necessidade de pedir mais um empréstimo através da ANDC. Foram mais 3000 euros, fundamentais para responder a necessidades de tesouraria.
“Eu tinha 25000 mil euros na rua, fiados, e mais 6000 euros a preço de custo em produtos no armazém”, conta. Uma situação não necessariamente má, posto que o móbil do negócio é a venda crédito. “Quem me dera ter 50.000 euros na rua. Era bom sinal!”
E porquê o Alentejo e não outras regiões mais próximas das Caldas?
“Porque as pessoas lá são mais certas. Pagam na data certa. Se digo que passo lá no dia tal, elas estão lá e pagam. Aqui, vou não sei quantas vezes ao mesmo sítio e tenho de lá voltar porque não são tão certas”
Entretanto António Ferreira trespassou o negócio. “Vendi a volta em Outubro”, contou. Um segundo casamento é uma oportunidade para mudar também de vida no âmbito profissional e este caldense de 42 anos quer agora estar mais perto da cidade que o viu nascer.
Continua a trabalhar como vendedor, mas noutro ramo e para uma empresa. Os 295 euros mensais que ainda deve são pagos todos os meses porque combinou com o “rapaz amigo” a quem “vendeu a volta” que este lhe entregaria os pagamentos referentes aos fiados que deixou no Alentejo.
“Os encargos de juros é mínimo. São 10 ou 11 euros por mês”, diz António Ferreira, que sublinha que abandonou a actividade “por motivos pessoais e não porque o negócio não funcionasse”.
Da ANDC só diz bem. “Para mim foi excelente. E recomendo. Desde que as pessoas tenham cabeça e saibam aproveitar, vale a pena”.
Carlos Cipriano
MAURO GRAÇA – VALADO DOS FRADES
O negócio das tintas e tinteiros para impressão
Quando decidiu recorrer ao Microcrédito, Mauro Graça, de Valado dos Frades, estava desempregado há um ano. Ao curso de Redes Informáticas seguiu-se um estágio, mas depois não conseguiu encontrar trabalho. Com uma filha, a situação de desemprego tornava-se ainda mais complicada. Foi então que surgiu a ideia de criar um negócio próprio.
Da pesquisa na Internet que permitiu saber mais sobre o programa à aprovação do empréstimo ainda decorreram alguns meses. A 5 de Abril de 2010 Mauro Graça dava início à sua actividade, na área de soluções para impressão e no apoio informático. “É uma área de que gosto e acho que faz sempre falta”, diz.
Através do Microcrédito, o valadense obteve um financiamento de 2.000 euros, que está a pagar mensalmente, com uma taxa de juro de 3%. Um apoio fundamental para esta nova fase da sua vida e cujos encargos garante serem “suportáveis”.
É através do site www.impressao-sucessiva.com que se desenvolve o negócio de Mauro Graça, que vende kits de recarga de tinteiros e tinteiros recarregáveis, sistemas de impressão contínua (CISS), kits de recarga de tonners, pó e chips para tonners e tintas para reabastecimento de tinteiros de qualquer marca. Artigos procurados, tanto por particulares como por empresários, de todo o país.
“A pessoa vai ao site, faz a encomenda, escolhe o método de pagamento e à partida a encomenda é expedida no dia da encomenda, salvo ruptura de stock”, explica o empresário. Entre as mais-valias do seu negócio aponta “os baixos preços dos tinteiros e dos tonners”. Além das soluções para impressão, este microempresario dá ainda assistência no arranjo de computadores.
Mauro Graça trabalha a partir de casa e sozinho, pelo menos por enquanto. “Tinteiros a 63 cêntimos é uma coisa que demora a ser conhecida, mas quando começar a sê-lo em força, talvez permita trabalho para mais gente”, acredita.
No futuro, este microempresário gostaria de abrir a sua própria loja. Isso ainda não é uma prioridade, mas nesse dia pode aumentar o montante financiado pelo microcrédito, até um máximo de dez mil euros. “Mas para isso preciso de bases financeiras que ainda não tenho”, diz.
Mais de um ano depois de ter iniciado o negócio, Mauro Graça não poupa elogios ao programa. “O Microcrédito demora o seu tempo a tratar-se, mas é o mais acessível, quer ao nível das prestações, quer do apoio que dão às pessoas”, diz o agora microempresário de 33 anos, realçando o acompanhamento que tem tido por parte dos responsáveis pelo programa.“Aconselho este programa a qualquer pessoa que queira abrir um negócio. Só o apoio e os juros que oferecem, diz tudo”, afirma.
Joana Fialho
HÉLDER ROSA – CALDAS DA RAINHA
O técnico da electrónica
“Foi através da comunicação social que ouvi falar do projecto desse senhor indiano [Muhammad Yunus], contactei a associação e disseram-me que tinha de elaborar um plano e deles depois davam-me o aval ou não”, começa por contar Hélder Rosa, 47 anos, natural do Montijo e residente nas Caldas da Rainha há sete anos.
Este técnico de electrónico, que estava desempregado, propôs-se criar uma empresa em nome individual para prestar assistência na sua área a empresas, sobretudo a hospitais, já que a sua especialidade era precisamente a dos equipamentos de diagnóstico.
“A associação [Nacional de Direito ao Crédito ] faz a intermediação entre nós o banco para facilitar o acesso e para os juros não serem tão elevados”, prossegue Hélder Rosa, que viu aceite o seu projecto em 2009. O financiamento de 5000 euros foi obtido e logo investido na criação da Heltrónica .
Só que as coisas não correram bem e a sua empresa só durou um ano. “Eu não tinha grande experiência nem grande jeito para o negócio. Toda a vida trabalhei como empregado e o que eu sei fazer bem é reparar equipamentos em clínicas e hospitais. Também faço trabalhos na linha castanha de electrodomésticos, televisões, plasmas, DVDs, LCDs…”. Hélder Rosa reconhece algumas falhas de gestão: “um erro que eu cometi foi trabalhar para clientes [hospitais] que pagam a dois anos e isso é fatal para um negócio pequeno como o meu”. Mas teve também algum azar: “na altura as pessoas tinham o hábito de não mandar arranjar nada e iam às grandes superfícies comprar novo, mas hoje, com a crise, já não fazem isso”.
A empresa não aguentou e Hélder Rosa “desfez” o negócio e passou a trabalhar à base de biscates. “Não dá para viver, é para sobreviver”, constata com alguma tristeza, sobretudo por ver que até tem um bom curriculum e é bom naquilo que faz. “Mas aos 47 anos é complicado arranjar um emprego…”No entanto, continua a pagar religiosamente os 120 euros mensais do empréstimo de 5.000 euros que obteve há dois anos e do qual a sua companheira foi fiadora.
Hélder Rosa já foi rico. Pelos menos comparado com os padrões de agora. “Fui chefe de oficina da CIE, uma das maiores empresas de electrónica de consumo. Tinha uma boa vida. Há 15 anos ganhavam 2500 euros por mês fora os biscates que davam mais 1000 euros. Posso dizer que pertenci à classe média alta”.
Mas as empresas, tal como os cavalos, também se abatem e aquela que era uma das cem maiores do país, fechou. “Há pessoas que não conseguem lidar com isso. Eu, felizmente, sim. Tenho uma mente sadia. Mas a minha história é vulgar. Há tanta gente com uma história igual…”.
O técnico de electrónica vive hoje de biscates e da ajuda da companheira, escriturária de profissão.
Voltando ao microcrédito. “É uma coisa muito positiva porque toda a gente merece uma oportunidade. A única falha foi não haver um melhor acompanhamento através de um economista que me aconselhasse. Se fosse hoje faria diferente. Mas agora não me concedem novo empréstimo. Não excluo a hipótese de arriscar outra vez porque aprendi alguma coisa.”
Carlos Cipriano






