Artistas brasileiros encantados com produção bordaliana

-> Publicado a 2 de Dezembro de 2011 . Na categoria: Cultura Destaque Painel . há uma resposta a este artigo.
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Fábio Carvalho quis ser fotografado junto a uma das funcionárias da fábrica que o está a ajudar a criar a sua peça

Fábio Carvalho e Tonico Auad foram os mais recentes artistas brasileiros que estiveram, durante o mês de Novembro, na Fábrica Bordallo Pinheiro para participar na iniciativa “16 BB – Bordallianos do Brasil”.

Vieram criar novas peças que serão postas à venda no próximo ano nos mercados português e brasileiro, internacionalizando a marca caldense do outro lado do Atlântico.

Fábio Carvalho, 46 anos, nem queria acreditar na oportunidade de vir à Fábrica Bordallo Pinheiro e ser um dos autores brasileiros a participar na iniciativa “16 BB – Bordallianos do Brasil”. Este biólogo que há 17 anos trabalha como artista plástico, é um conhecedor de cerâmica e além de ter feito investigação no Brasil, aprecia também o que se faz em Portugal “e pertenço e comunico com pessoas que gostam desta arte“, disse.

Este autor que frequentou bastante o Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, conhecendo bem a Jarra Bethoven, a grande peça que Bordalo levou para o Brasil e que acabou por oferecer às autoridades brasileiras. “Conheci primeiro o trabalho de Bordalo como caricaturista e cronista e só depois como ceramista“, disse o artista.

Na sua opinião, Bordalo Pinheiro foi um “homem incrível, muito moderno e que estava um século à frente do tempo dele”.

Nas suas obras, Fábio Carvalho, usa com frequência brinquedos de criança de guerra como tanques ou helicópteros que subverte unindo elementos femininos – como flores – a estes brinquedos marcadamente masculinos. “Nada pode ser tão demarcado, interessa-me questionar estes objectos“, contou o autor que está a trabalhar sobre uma obra de Bordallo Pinheiro, acrescentando-lhe a sua criatividade.

Tonico Auad é brasileiro mas vive e trabalha há vários anos em Londres

“Sou totalmente “viciado” em caulino”

Participar neste projecto é para Fábio Carvalho “uma enorme felicidade pois é um privilégio poder trabalhar com um acervo com quase 130 anos!“.

Na sua opinião, a iniciativa “16 BB – Bordallianos do Brasil” serve para unir os dois países pois na verdade “temos muitas ligações e é só querer encontrá-las, somos irmãos nos problemas e nas qualidades“, rematou este autor.

“É um privilégio poder trabalhar com moldes centenários”

Tonico Auad, é outro autor convidado, natural de Belém mas que vive e trabalha em Londres. Este artista plástico também estava a gostar de trabalhar com o património bordaliano acrescentando que fazer parte desta iniciativa era “uma oportunidade incrível“.

Até agora este autor – que expõe em Lisboa e Porto – só conhecia a obra de Bordalo de forma superficial e deixou-se encantar pois o trabalho bordaliano “é muito prolífico e em diferentes áreas. Como é que ele conseguiu uma produção nessa escala?”. Tonico Auad refere-se à grandiosidade de várias peças da sua produção “que não têm economia de tempo ou de esforços“. O artista plástico surpreende-se com o tempo e dedicação da sua equipa que lhe permitia a criação de obras realmente originais.

Sobre “16 BB – Bordallianos do Brasil” Tónico Auad diz que tem sido “excelente“, tem proporcionado trocas de experiências muito boas. “Todos sem excepção têm tido um grande entusiasmo e estão encantados com a obra de Bordalo“, contou o participante que está satisfeito também com o intercâmbio com os trabalhadores da fábrica.

Para a criação da sua peça Tonico Auad salientou o facto de poder trabalhar com moldes de peças que não estão em produção actualmente e é de facto “um privilégio poder trabalhar e interagir com moldes centenários”. Este artista plástico já tinha trabalhado em cerâmica há vários anos mas participar neste projecto em Portugal deu-lhe a oportunidade de voltar a laborar com esta tecnologia.

, disse este autor brincando com a facto de ser apreciador de cerâmica, que também colecciona. Conhece a produção brasileira e a portuguesa e conta que também é também fã de azulejaria.

“Foi uma ousadia da fábrica em ter contactado importantes artistas brasileiros e convidá-los para este projecto referente a Bordallo”, disse Elsa Rebelo, directora artística da fábrica. Na sua opinião, através deste intercâmbio “é possível encurtar o Atlântico”.

 Natacha Narciso

nnarciso@gazetacaldas.com

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Uma resposta

  1. Edson de Sousa Condelaque diz:

    E congratulante ver estas plataformas que visam trocar experiencias entre artistas de Portugal e Brasil. sugestoes: gostaria de ver estendidas estas inicitivas para paises dos PALOPS

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