Projecto para o Largo do Hospital Termal foi alterado

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O presidente da Câmara das Caldas da Rainha foi obrigado a intervir directamente nas obras que estão a ser feitas no largo do Hospital Termal, no âmbito do projecto do PROVER que está a ser desenvolvido pelo vereador Hugo Oliveira, para evitar que estas prosseguissem contra a opinião do Centro Hospital Oeste Norte (CHON).
Em causa estava o facto do projecto contemplar uma via automóvel que passava quase em frente da porta principal do Hospital Termal, o que foi contestado pelo Gabinete de Planeamento do CHON.
“Esta solução não cria um corredor de segurança em frente da porta principal do hospital, de modo a garantir o acesso de uma ambulância em situações muito urgentes e de meios de protecção civil”, refere um documento interno. (a que Gazeta das Caldas teve acesso)
Segundo o Gabinete de Planeamento do CHON, no projecto da autarquia “os estacionamentos são insuficientes e não têm a largura legal recomendada para ambulâncias”, para além de os pinos traseiros impedirem a circulação das macas. Nem sequer estaria previsto estacionamento para deficientes, o que seria ilegal.
“O aumento de tráfego junto da porta do Hospital Termal cria uma forte poluição acústica e de qualidade do ar, principalmente quando uma das vocações do hospital é o tratamento de doenças do foro respiratório”, acrescenta o documento, relembrando que anteriormente os carros passavam do outro lado do acesso principal e dirigiam-se ao Avenal, subindo a ladeira.
Na opinião dos técnicos do CHON, “toda esta intervenção assenta na criação de uma via automóvel, existindo alternativa, em detrimento de um edifício que é classificado como património histórico, e que mereceria, em último caso, ser valorizado com uma área de enquadramento adequada”.
Em alternativa, o CHON propôs que o tabuleiro da praça fosse feito num empedrado único, para facilitar a mobilidade, “e o acerto do arruamento e estacionamentos fosse feito através da delimitação dos mesmos por pinos metálicos já previstos”.

“Teimosia de funcionários” leva Fernando Costa a intervir

As obras começaram em Março e foram interrompidas na sequência das diligências do CHON, não sem antes haver polémica entre as duas instituições envolvidas.
O Gabinete de Planeamento do hospital apelou à intervenção de Fernando Costa, que terá visitado o local no início das obras e terá dado instruções às arquitectas do Gabinete de Regeneração Urbana da Câmara das Caldas para que estudassem o afastamento da via que estava prevista para junto da porta do Hospital Termal.
Só que no dia seguinte a essa reunião “às 8 horas da manhã, verificou-se que o empreiteiro estava a fazer a obra de forma célere, numa política de criar um facto consumado”, refere a nota interna do CHON.
A situação só seria resolvida depois de uma nova intervenção de Fernando Costa, que admitiu à Gazeta das Caldas que “houve alguma teimosia por parte das técnicas do Gabinete de Regeneração Urbana da Câmara”.
Segundo o edil caldense, “tive que intervir e pôr ordem no que estava a ser feito, e lamento esse tipo de atitudes dos funcionários da Câmara”.
As obras recomeçaram entretanto e serão tidas em conta as sugestões do CHON. Todo o tabuleiro do largo terá o piso em calçada grossa e a via para os automóveis será delimitada por pinos.
“Eu julgo que o projecto que as arquitectas da Câmara fizeram era muito bonito e virado para os peões”, referiu Fernando Costa ao nosso jornal, admitindo, no entanto, que a via proposta fazia com que o trânsito passasse demasiado perto da porta do hospital. Por outro lado, “estamos a discutir um local que serve de acesso a muitos doentes e de ambulâncias e por isso, mais importante que a praça ficar mais bonita, é a sua funcionalidade”, salientou.
O edil caldense também recordou que durante o período de discussão pública ninguém terá levantado problemas em relação ao projecto.
O vereador Hugo Oliveira lamentou que só depois das obras terem começado é que tenham sido levantadas estas questões, mas a verdade é que o Gabinete de Planeamento do CHON nunca foi consultado sobre o projecto e não existe nenhum parecer técnico daquela entidade.
Entretanto, a 15 de Março, a Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG) enviou um ofício ao CHON a pedir explicações pelo facto de estarem a decorrer obras dentro do perímetro de protecção da concessão da água termal, sem que esta entidade tivesse sido informada como está previsto na lei.

Pedro Antunes
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5 COMENTÁRIOS

  1. Mais uma vez se comprova que não existe estratégia nem plano para esta cidade. Este vereador mais uma vez mostra que não tem competência para este cargo e ainda queria ser presidente da câmara!? Deus nos livre… E estas arquitectas não são responsabilizadas por irem contra ordens directas? Também se tivessem vergonha já deviam ter apresentado a demissão. Mas na minha opinião o principal responsável é o presidente da Câmara que não tem uma linha de actuação para o concelho (ainda bem que se vai finalmente embora) e reuniu um executivo sem competência (como se vê por esta amostra de vereador que está a preparar um projecto há 3 anos que depois só dá asneira, correcções e emendas).

  2. Apoiado Andreia. Quando uma pessoa é vereador não por ter tido trabalho ou mérito pessoal mas sim por ter andado na jsd e por controlar aquele orgão, é claro que depois quem paga as asneiras e a incompetência são os caldenses. E a grande culpa é realmente do presidente da Câmara. Parece que já se está nas tintas para a cidade. Já só deve estar a pensar na reforma. Primeiro como é que deixa um vereador sem capacidade ficar encarregue de um projeto com esta importância e depois pela notícia parece que até os funcionários ligados ao vereador fazem o que querem nas suas costas. Está tudo ao desleixo

  3. Exmos comentadores, em primeiro lugar quando quiserem discutir as vossas ideias a porta do meu gabinete esta sempre aberta para vos receber. Em segundo lugar se quiserem dêem a cara para que eu nao fique com a ideia que são apenas uns “cobardes” que se escondem atras de um qualquer nome apenas com uma intenção que se percebe a léguas. Cresçam, aprendam e depois falem já com alguma maturidade que vos falta. Atenciosamente.

  4. Agora não se esqueçam de no próximo ano votarem novamente neste cacique e nos seus amigos. Já chega! Já deram cabo o suficiente desta cidade