Mensagens de indignação coladas na Câmara Municipal

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Várias mensagens de protesto contra a situação do país, escritas em folhas A4, foram coladas na fachada da Câmara Municipal das Caldas da Rainha durante a madrugada de 25 de Abril.

Tá na hora CR” foi a inscrição colocada a encimar todas as outras folhas onde estavam escritas frases como “solidariedade é a resposta”, “Já chega” ou “Quero ficar no meu país, quero trabalhar”, entre outras, algumas das quais com um texto mais desenvolvido.

Foi colocado também um apelo para que mais pessoas afixassem cartazes com o que queriam expressar neste dia em que se celebra a democracia.

A acção foi desenvolvida por um grupo auto-denominado “Ta na hora CR” (que já tem página no Facebook), que enviou para a nossa redacção um email com fotografias do protesto. O nosso jornal tentou obter comentários dos elementos deste grupo, mas não conseguiu contactá-los antes do fecho desta edição.

Apesar de haver poucas pessoas na rua durante a manhã do feriado, houve algumas que se aproximaram para ler o que estava afixado. Maria Teresa, reformada que vive nas Caldas da Rainha, estava emocionada com o que leu quando falou ao nosso jornal. “É triste porque representa o mau estar das pessoas, ao fim destes anos todos”, afirmou. Com os olhos quase em lágrimas, a caldense, que nasceu em Moçambique, admitiu que não conseguiu ler todas as mensagens porque estava muito emocionada. “É triste que ao fim de 38 anos estejamos a viver nesta situação”.

Às 10h30, na mesma altura em que a Gazeta das Caldas fazia a reportagem sobre esta acção, o vereador Tinta Ferreira chegou sozinho à porta da Câmara e começou a retirar os cartazes, dizendo que era ilegal a sua afixação num espaço público.

Quando estava a ser fotografado a retirar as folhas, o autarca protestou e tentou proibir o jornalista de o fazer. Mas perante a insistência do autor deste texto em continuar a documentar o acto, o vereador acabou por afirmar que “perante estas circunstâncias, vou voltar a colocar e hão-de vir cá funcionários da Câmara”.

Mais tarde, perante mais jornalistas, Tinta Ferreira tentou dizer que tinha retirado um dos cartazes para ler melhor, mas confrontado com a verdade, acabou por admitir que os estava a retirar. “Não queria estar a ser identificado com uma interpretação errada porque não estou contra as mensagens. Estava a tirar aquilo porque não é possível ter este tipo de coisas num espaço público”, explicou.

O vereador disse que só estava “a limpar o espaço público” e que o faz sempre que acha necessário.

Há espaços próprios para este efeito, que a lei determina. Não podemos deixar que espaços públicos e privados sejam ocupados com manifestações desta natureza. Os espaços públicos têm que manter a sua dignidade, não podem ser afectados com este tipo de intervenções”, afirmou.

O vereador acabou por abandonar o local e foram dadas instruções a funcionários para “limparem o espaço”, apesar de ser feriado.

Pedro Antunes

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3 COMENTÁRIOS

  1. Acho que os locais próprios de insatisfação não passam pela Câmara Municipal… São essencialmente os Tribunais e a Assembleia da República, como consequência dos alegados conluios que minam a Democracia Portuguesa… À Justiça o que é da Justiça, à Política o que é da Política, mas em cargo algum (Magistrado ou Político) poderá haver impunidade e quase Soberania absoluta como, aparentemente, parece existir!

  2. Concordo com o Jorge Santos, mas isso não invalida a atitude de retirada dos cartazes, 25 de abril estás morto !