Júlio Silva comercializa mais de um milhão de codornizes por ano

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Júlio Filipe Lopes Silva, 53 anos, começou no negócio das codornizes há 30 anos. Na altura não mudou de ramo (criação de animais), mas mudou de produto. Criava coelhos, mas passou a dedicar-se a estas pequenas e frágeis aves, numa altura em que este mercado estava em ascensão.
“Foi um risco, mas resultou”, diz Júlio Silva, que para o efeito criou a empresa Aviário Cortiçadas, Lda., que já chegou a dar emprego a 26 pessoas quando dominava toda a fileira de produção – criação, abate e comercialização.  Hoje a ênfase é colocada na criação e comércio destas aves a uma média de 25 mil codornizes por semana, ou seja, mais de um milhão por ano.
O empresário não nega que já se viveram dias melhores nesta actividade. Ele próprio já chegou a vender mais de 2 milhões de codornizes por ano, mas depois do problema dos nitrofuranos o sector não se recompôs. E há também uma mudança de hábitos de consumo: “as pessoas não têm paciência para chegar a casa e cozinhar codorniz, procuram comida pré-preparada ou congelada”, conta.
Ainda assim, a Aviário Cortiçadas, Lda vai mantendo uma fiel carteira de clientes, todos armazenistas, que depois se encarregam de escoar as aves – mantendo-as sempre numa temperatura entre os zero e os quatro graus – para os supermercados, grandes superfícies e até lojas do comércio tradicional.
Júlio Silva não quer referir números sobre a facturação, mas conta que um quinto da produção é escoada congelada. Não é neste segmento que se ganha dinheiro, num negócio onde as margens são de cêntimos e que só é rentável em grandes quantidades (basta dizer que cada codorniz é vendida pelo produtor a um preço que oscila entre os 0,60 e os 0,68 cêntimos). Congelar significa aumentar os custos de produção devido ao consumo de energia eléctrica e diminuir o valor do produto final (uma codorniz  congelada vale menos do que apresentada em frio com um prazo de validade de dez dias), mas antes isso do que deixar as aves passarem das cinco semanas, tempo a partir do qual deixa de ser rentável sustentá-las pois comem mais ração do que aquilo que elas valem.
Uma pequena parte da produção – cerca de 4000 codornizes por semana – é também exportada para Angola, mas no mercado europeu, os portugueses não conseguem penetrar porque deparam-se com a forte concorrência dos espanhóis e dos franceses.

UMA CARNE SAUDÁVEL

Sem ser dramática, a situação do sector exige algumas medidas, uma das quais é uma forte aposta no marketing. O Festival do Landal é um bom exemplo de divulgação, mas é preciso fazer passar a mensagem daquilo que a codorniz tem de bom, para além do sabor – uma carne saudável, com elevado teor de proteínas e um volume de colestorel baixíssimo (apenas 60 mg). Numa altura em que as preocupações com hábitos alimentares estão tão na moda, esta poderá ser a saída para habituar os consumidores a optar por estas aves.
Outras soluções estão a ser desenvolvidas pela Interaves (Alenquer), que abate entre 120 a 150 mil codornizes por semana (numa facturação anual que Gazeta das Caldas estima ser de 3,2 milhões de euros), são os produtos gourmet. A empresa criou um segmento de mercado com maior valor acrescentado que são as codornizes gourmet, geneticamente diferentes das outras, com uma alimentação diferente e um manejo diferente durante a fase da criação e no abate. Em vez de as venderem em torno dos 60 a 65 cêntimos, estas codornizes já se aproximam dos 90 cêntimos a um euro e têm procura nos restaurantes de categoria superior e nas lojas gourmet.
Fernando Correia, da Interaves, conta que no Vila Jóia, no Algarve, considerado um dos 50 melhores restaurantes do mundo (possuidor de duas estrelas Michelin), faz parte da lista um prato de codorniz. Que seguramente terá sido criada no Oeste.
Esta empresa (que também comercializa frangos e perus) possui uma fileira de produção de ovos de codorniz, que é outro mercado que está em crescimento.

Carlos Cipriano
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