Trabalho de investigação científica apresentado na China dá prémio a jovem caldense

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Filipa(3)Filipa Prudêncio venceu, em Pequim, o “Best Student Paper Award”, que premeia o melhor trabalho de investigação de um aluno de doutoramento numa conferência. O prémio de 1500 doláres (cerca de 1140 euros) foi-lhe entregue na 31ª URSI GASS – Assembleia Geral e Simpósio Científico da União Internacional da Rádio Ciência – conferência de nível mundial, que decorreu de 16 a 23 de Agosto na capital chinesa.
A caldense, de 28 anos, explicou à Gazeta das Caldas como este reconhecimento pode ser importante para a sua futura carreira, já que o principal objectivo de um doutorando é “ter o máximo de artigos científicos publicados em revistas e alguns prémios como este”, que podem ser decisivos no Concurso ao Ensino Superior Universitário, ao qual Filipa Prudêncio pensa candidatar-se, por ambicionar ser professora universitária.
“É muito difícil viver só da investigação em Portugal, porque há poucas condições, mas se eu conseguisse ser professora e, ao mesmo tempo, continuasse como investigadora, ficaria muito contente”, contou a jovem caldense, acrescentando que a candidatura a um pós-doutoramento também está dentro do seu leque de opções.
Ainda sobre o prémio, Filipa Prudêncio revelou como, na altura em que foi selecionada para integrar os 10 finalistas, não teve consciência da importância deste reconhecimento, pois era pouca a informação que tinha sobre a conferência URSI GASS, evento que se realiza com uma periodicidade de três anos e que é específico em electromagnestismo, embora abranja diferentes áreas científicas, como a Medicina, Biologia, Meteorologia, Astrologia e Radiocomunicação.
“Se a nomeação por si só já foi uma grande surpresa, quanto mais a vitória!”, exclamou Filipa Prudêncio. Quando recebeu o prémio, a jovem relembrou como se sentiu uma verdadeira criança pois estava realmente feliz, sem nervosismos, e só sabia dizer “I’m very happy, thank you” (“Estou muito feliz, obrigada”).

OS MEIOS TELLEGEN

O trabalho apresentado pela estudante – “The Most General Classes of Tellegen Media Reducible to Simple Reciprocal Media: a Geometrical Approach” – é um estudo teórico sobre os meios tellegen, que são meios não recíprocos e que não existem na natureza. A finalidade foi caracterizar estes metamateriais “de forma electromagnética, ou seja, perceber quais as suas propriedades e de que modo reagem ao contacto com a luz”, já que os efeitos produzidos são muitas vezes inesperados para o investigador.
Actualmente, Filipa Prudêncio trabalha no Instituto de Telecomunicações e, embora tenha nascido no Porto, foi logo com dois anos que se mudou para as Caldas da Rainha, onde fez todo o seu percurso académico. Durante o ensino secundário, sempre gostou de tudo um pouco, “desde Desporto, a Física e Matemática”, mas, com o objectivo de envergar por uma área em que pudesse conciliar as duas últimas disciplinas, acabou por optar pela licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, que concluiu, juntamente com o mestrado, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A sua tese do doutoramento será apresentada em Outubro ou Novembro.
Antes do sucesso no mundo académico, Filipa Prudêncio, a “Pocahontas do Surf”, já tinha dado provas do seu talento nesta modalidade, que ainda hoje pratica ao fim de semana, para “manter o equilíbrio”. Durante a licenciatura e mestrado, a caldense surfava regularmente porque ainda estava em competição. Contudo, como doutoranda, deixou de conseguir conciliar ambas as actividades, optando assim por dar prioridade à investigação.

Beatriz Raposo
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