Jardim dos Amores vai nascer em Alcobaça com obras de Thierry Graça e Renato Franco

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alcobaçaAlcobaça vai ter a partir da próxima Primavera o Jardim dos Amores, com o qual espera reforçar a imagem de cidade do amor. Parte das esculturas que compõem esse espaço foram reveladas durante a Mostra de Doces e Licores Conventuais e são da autoria dos artistas Thierry Graça e Renato Franco.
Essas três esculturas já apresentadas ao público consistem numa ampliação em metal do coração que é símbolo do município de Alcobaça e dois tronos em pedra, que simbolizam a história de amor entre D. Pedro e Inês de Castro.
Os artistas, que realçam que trabalharam sempre em conjunto, explicam que optaram por dar volume aos entrelaçados do coração em vez de os manterem planos “porque fazia sentido”, atendendo ao local onde a obra vai ficar: na zona onde os rios Alcoa e Baça confluem. A ideia passou também por criar “um universo mais medieval”, explica Thierry Ferreira.
Já os tronos são em pedra dos Moleanos, escolhida para promover um produto da região e que saiu de uma profundidade de 70 metros.
Os tronos foram esculpidos de forma a dar a sensação que estão cobertos por panos, o que até criou alguma confusão nos primeiros contactos com a obra. “A ideia do pano faz pensar que os tronos são verdadeiros e até houve quem confundisse”, conta Thierry Ferreira. Com esta característica os artistas quiseram transmitir uma sensação de leveza e mudança.
Os dois tronos são muito idênticos, mas têm ligeiras diferenças entre eles. “Não os diferenciámos claramente com elementos femininos e masculinos, demos algumas nuances, convidando as pessoas a imaginar, e realmente as mulheres sentam-se mais num que noutro”, refere Thierry Ferreira.
Estas duas obras estiveram colocadas na praça do mosteiro nos quatro dias da mostra de doçaria conventual e fizeram muito sucesso. “Muitas pessoas aproveitaram para tirar ali fotografias que estão a circular pelo Facebook”, salientou na altura a vereadora da Cultura do município de Alcobaça, Inês Silva.
A ideia dos tronos é precisamente que os casais se sentem e tirem fotografias. Tendo isso em conta, Renato Franco salienta que foram tidos em conta factores como a durabilidade e a segurança, não só destas três obras, como dos cofres que também fazem parte do projecto.
Depois do evento de Novembro foram guardados nos armazéns do município, para rumar ao local definitivo mais próximo da inauguração do Jardim dos Amores, o que deverá acontecer na primavera.

Guardar o amor em Alcobaça
Na apresentação dos tronos e do coração, Paulo Inácio, presidente da autarquia, salientou que o projecto Jardim dos Amores pretende dar “algo inovador no contexto global” a Alcobaça, comparável aos cadeados do amor de Paris.
A ideia envolve o comércio e consiste na compra de cofres e das respectivas chaves – que serão colocados à venda no comércio local – para lá guardar mensagens de amor que podem ser depois revisitadas ou renovadas sempre que o casal assim o pretenda.
Tanto os cofres como as chaves foram também obra de Thierry Ferreira e Renato Franco. Os dois artistas dizem-se muito satisfeitos por terem sentido “necessidade pelas nossas capacidades”, e logo para uma obra que pretende ser icónica para a cidade.
Ambos elogiam a postura dialogante entre todas as partes durante os dois anos que o desenvolvimento do projecto durou, desde a apresentação das propostas até à conclusão do trabalho artístico, e também a visão de marketing do município que deve agora ser divulgada com eficiência.
“Foi um desafio fantástico”, refere Renato Franco, atendendo a que se pretende juntar arte com mobiliário urbano à volta da identidade e do património histórico de Alcobaça.
Os artistas elogiam a visão estratégica do município alcobacense no aproveitamento desse património histórico, e esperam que o exemplo seja seguido por outras autarquias. “A história da região é muito rica e este projecto é uma forma de combater a crise, tanto para o comércio local como para os artistas”, realça Renato Franco.

Jardim do Obelisco mais próximo da abertura ao público
No final do mês de Outubro os armazéns do Jardim do Obelisco foram demolidos, o que representou mais um passo importante para devolver à população o acesso àquele jardim.
Os edifícios consistiam no refeitório e lavandaria do antigo Lar Residencial de Alcobaça, que deixou de funcionar em 2012 pois mudaram de instalações.
O desmantelamento daquela estrutura faz parte de uma requalificação que visa tornar aquele no jardim preferencial do hotel de cinco estrelas que está previsto para uma das alas do mosteiro e cujo concurso público deverá avançar em 2015.
De resto, o Jardim do Obelisco terá acesso público e faz parte de um projecto de um percurso pedonal que o liga ao Parque Verde. Esse percurso já pode ser feito até ao exterior deste jardim.
Joel Ribeiro
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