Estalagem do Convento transforma-se em The Literary Man Óbidos Hotel

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FotoTelmoLivros copyA conhecida Estalagem do Convento está a ser transformada num hotel literário. The Literary Man Óbidos Hotel é o novo projecto que o casal Telmo Faria e Marta Garcia (filha do anterior dono da estalagem) está a desenvolver, juntamente com o Hotel Rio do Prado, no Arelho.
O investimento ultrapassa um milhão de euros e os responsáveis pretendem, desta forma, revitalizar o destino turístico Óbidos, dando-lhe um maior prestígio e atraindo as pessoas, não pelo preço mas pela qualidade da oferta.
As obras de remodelação já estão em curso e o hotel arrancará em inícios de Setembro com a nova marca.

Cerca de 40 mil livros chegaram num contentor a Óbidos na manhã de terça-feira, vindos directamente de Inglaterra. Livros de ficção, generalistas, infantis e clássicos da língua inglesa irão forrar as estantes que já estão colocadas no edifício histórico que, em inícios de Setembro, irá ostentar na frente a designação de The Literary Man Óbidos Hotel.
O convento datado de 1830, mas que com as conturbações liberais nunca chegou a receber nenhuma ordem religiosa, foi adaptado para a hotelaria na década de 70 por uma família francesa e depois adquirido por Luís Garcia, que o transformou num dos espaços mais emblemáticos de Óbidos. A necessidade de revitalização levou o casal Telmo Faria e Marta Garcia a arrendar o espaço e a apostar em algo contemporâneo, que aglutine as pessoas à volta da questão cultural e do livro.
Partem também do pressuposto que os hotéis não sejam apenas um “quarto para dormir e um sítio para tomar o pequeno-almoço no dia seguinte, mas um mix o mais integrado possível, com restaurantes, spa, zonas de lazer, actividades culturais”, explicou Telmo Faria à Gazeta das Caldas. O investimento neste projeto ultrapassa um milhão de euros, assumido pela empresa do casal, a Carbono 21.
Os quartos serão apetrechados com livros e alguns deles serão dedicados aos grandes escritores, como é o caso de José Saramago ou António Lobo Antunes. “Vamos fazer um convite à fundação Saramago para que uma suíte tenha toda a obra do prémio Nobel”, exemplificou, destacando que muitos turistas gostam deste escritor.
Nos primeiros passos do restaurante estão a fazer uma homenagem à obra “O Carteiro Pablo de Neruda”, em que as ementas são apresentadas dentro de um envelope e o empregado de mesa “veste a pele” do postino Mário. A ligação entre a gastronomia e a literatura é também feita através da recuperação de receitas do início do século XX ou de outras dos grandes escritores.
Esta renovação do espaço está a ser feita de forma gradual e os hóspedes convivem de perto, e são informados, das mudanças que ali vão ocorrer.
De acordo com Telmo Faria, a receptividade é bastante boa, com alguns deles a oferecer livros e outros, inclusive, ajuda no transporte das obras que chegaram no contentor para o hotel em Óbidos.
Nas obras de adaptação do edifício usam materiais reutilizados e técnicas antigas, como os revestimentos à base de cal com cimentos e as madeiras.
O The Literary Man Óbidos Hotel terá também uma classificação interna de uma para cinco estrelas, permitindo assim que casais, com poucos ou muitos recursos, possam coabitar dentro da mesma unidade, tendo quartos distintos em área e serviços. Os preços poderão oscilar entre os 80 e os 250 euros por quarto. O título, em língua inglesa, foi escolhido a pensar no “lado mais cosmopolita” que hoje o turismo tem. “Achámos que faria sentido criar uma espécie de figura, que é imaginária e que pode existir em qualquer um de nós, no sentido em que a vida de cada um pode ser uma história para contar”, explicou o empresário.

“Hotelaria deve apostar na criatividade”

O edifício tem 2200 metros quadrados que deverão ser decorados com cerca de 100 mil livros, fazendo dele um dos maiores hotéis literários do mundo. Além da possibilidade de compra de livros e de empréstimo, os responsáveis irão convidar as pessoas da região a partilhar as suas colecções, disponibilizando um local para que estas possam ser apreciadas.
Este projecto privado surge da iniciativa Óbidos Vila Literária, lançada em 2012 quando Telmo Faria era presidente da Câmara. O ex-autarca também participava no Folio como coordenador do festival, mas afastou-se para dedicar-se exclusivamente à recuperação desta unidade hoteleira.
O empresário defende que a hotelaria em Óbidos deve apostar na criatividade ao nível da oferta. “Ou faz diferente ou trabalha para um preço baixo e acaba por, a médio longo prazo, vir a definhar”, diz, lembrando que a Estalagem do Convento foi numa unidade líder no sector que começou a ter problemas porque deixou de ter uma estratégia assente na diferenciação.
“Gostava muito que este hotel fosse um exemplo de como se revitaliza para que outras pessoas também o possam fazer”, revelou, acrescentando que o destino Óbidos deve atrair as pessoas, não pelo preço mas pela qualidade da oferta.
Com duas unidades hoteleiras e 25 empregados, o empresário Telmo Faria diz mesmo que investe no concelho porque acredita no seu potencial e que o destino Óbidos pode ser bem sucedido do ponto de vista do turismo literário.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Boa Noite!
    Fiquei muito feliz e até comovida com a Notícia desta ideia tão interessante e tão nobre.A minha vida ficou “ligada” a esta Estalagem que escolhi em 06 de Agosto de 1977 para festejar o meu casamento!!
    A Estalagem, o jardim, a sala onde foi servido o banquete, tudo estava magnifico´.
    Foi,para os que tiveram a sorte de o privar,inesquecível.
    Guardo entre outras, a ementa que era simplesmente deliciosa e especial!
    Obrigada e Parabéns!!!