Uma viagem ao som de Cole Porter a abrir o Jazz Valado

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Untitaled-1 copyA voz doce e harmoniosa de Cristina Branco e o mágico som do piano de João Paulo Esteves da Silva uniram-se no dia 7 de Abril para dar início à 19ª edição do Jazz Valado. A “Porter Night” recordou algumas das canções mais icónicas do compositor americano Cole Porter e “roubou” muitos sorrisos e uma valente salva de palmas aos cerca de 200 espectadores que estiveram presentes.

Os clássicos temas compostos por Cole Porter na primeira metade do século passado foram interpretados por Cristina Branco e João Paulo Esteves da Silva.
“Night and Day”, “I’ve got you under my skin”, “I get a kick out of you” ou “Let’s do it (let’s fall in love)” não podiam faltar, num concerto que começou com “Mrs. Otis”, canção que João Paulo Esteves da Silva definiu como “diferente de todas as outras, porque a letra é de uma violência terrível – sobre um crime amoroso seguido de linchamento – e a música é delicada e de uma enorme doçura”.
Ao som da música os espectadores abanavam a cabeça, sentados à mesa a comer amendoins e a beber um copo de vinho.
Os jogos de palavras e a harmoniosa melodia do compositor americano foram exemplarmente interpretados pelo duo português, que soube não se cingir ao já criado e lhe imprimiu o seu próprio cunho com os solos de piano de João Paulo Esteves da Silva.
O concerto foi dividido em duas partes e no final houve direito ao “Fado Menor” e a uma música de embalar do cancioneiro popular, antes de uma valente salva de palmas, de pé, dos 200 espectadores ao duo português.
No final do concerto, à Gazeta das Caldas, o pianista, que já várias vezes tocou neste festival, disse que este tem “um ambiente fantástico”.
 “Foi um concerto bonito, sentimos o calor do público, estava toda a gente a ouvir com prazer”, notou, antes de elogiar Cristina Branco, que “diz que não é especialista, mas canta isto muito bem”. A terminar, numa palavra, descreveu o concerto como “maravilhoso”.
Já a cantora Cristina Branco sublinhou “a casa cheia, com pessoas interessadas no que estávamos a fazer e que sabem ouvir”.
A artista confessou que cantar jazz é sair da sua zona de conforto – o fado – e que isso representa “o subir de um degrau” e “uma aprendizagem”.
Cristina Branco nunca tinha vindo ao Jazz Valado, mas já tinha ouvido falar muito e bem do festival. “Já conhecia sem nunca cá ter estado”. “O jazz está vivo, recomenda-se e as pessoas gostam, até porque é um festival que se faz há 19 anos”, concluiu.
De Alcobaça veio a jovem Vera Santos. Destacou “a qualidade do cartaz e o ambiente muito próprio deste festival”. Achou muito interessante que os artistas tenham tocado cancioneiro popular, o fado com piano e a forma como o duo fez “a ponte entre o fado e o jazz”.
“O reportório de Cole Porter é fantástico. O concerto foi muito bom”, exclamou Vera Santos.
Pedro Cartaxo, de Leiria, vem todos os anos ao jazz no Valado dos Frades. “O cartaz é sempre muito bem escolhido e previligia os conjuntos portugueses que às vezes são esquecidos”, disse. “O João Paulo Esteves da Silva é provavelmente o melhor pianista português da actualidade” afirmou, antes de terminar elogiando a organização e “o formato do festival dividido em duas partes, que permite gerir melhor os custos de quem quer assistir”.
Na sexta-feira o trompetista Gileno Santana apresentou Metamorphosis em quinteto e no sábado foram os Mano a Mano quem animou o serão.
O mentor desta iniciativa, Adelino Mota, salientou o papel dos 16 voluntários que tornam o evento possível.
À Gazeta das Caldas, num balanço do primeiro fim-de-semana da 19ª edição o maestro mostrou-se contente por terem sido “três concertos que musicalmente foram excelentes e que representaram três casas cheias”. O jazz regressa ao Valado dos Frades no início de Maio com Nanã Sousa Dias Quinteto (5 de Maio), César Cardoso Quarteto (dia 6) e Ricardo Toscano Quarteto a fechar o festival (sábado, 7 de Maio).g1 copy