Encerrado desde Fevereiro do ano passado o Café Central vai reabrir uns dias antes do 15 de Maio com uma nova imagem e propondo-se criar uma nova dinâmica no centro da cidade.
O emblemático estabelecimento, que esteve em obras de remodelação nos últimos meses, manterá alguns elementos do antigo café – como o baixo relevo “unicórnio” de Júlio Pomar, as formas do tecto e das paredes – mas foi redecorado pelos jovens designers formados na ESAD, apresentando uma oferta de serviços e produtos inovadora: gelados, crepes doces e salgados, waffles, doçaria conventual e pastelaria fina. Não haverá prato do dia, mas poderão ser servidas refeições ligeiras à base de sopas, saladas, tostas e sandes. O horário de funcionamento estender-se-á das 8h00 às 24h00, todos os dias da semana. Na cave funcionará ainda uma galeria de exposições, com música ambiente e serviço de café.
No exterior será montada uma esplanada, com material totalmente amovível, com capacidade para mais de 30 pessoas, que no Inverno poderá ser fechada e no interior colocado aquecimento.
Café Central reaberto antes de 15 de Maio
O Café Central, fechado desde Fevereiro do ano passado, vai reabrir uns dias antes do 15 de Maio, o feriado municipal das Caldas da Rainha.
O emblemático estabelecimento, que esteve em obras de remodelação nos últimos meses, manterá alguns elementos do antigo café – como o baixo relevo “unicórnio” de Júlio Pomar, as formas do tecto e das paredes – mas foi redecorado pelos jovens designers formados na ESAD Luís Santos e Rui Diogo.
Terá serviços e produtos inéditos: A principal aposta serão os gelados, fabricados no próprio café, e terá ainda crepes doces e salgados, waffles, doçaria conventual e pastelaria fina. Não terá prato do dia, mas poderão ser servidas refeições ligeiras à base de sopas, saladas, tostas e sandes.
Haverá ainda alguma oferta ao nível dos sumos naturais e cafés aromáticos.
O café estará aberto das 8h00 às 24h00, sete dias por semana.
Na cave funcionará ainda uma galeria de exposições, com música ambiente e serviço de café.
No exterior será montada uma esplanada, com material totalmente amovível, com capacidade para mais de 30 pessoas. Dadas as características climatéricas caldenses, no Inverno poderá ser fechada e no interior colocados aquecimentos, a exemplo do que se faz no estrangeiro e em certas cidades já do nosso país.
Daniel Caetano, o gerente do espaço, viu a candidatura da reabertura do café aprovada pelo Centro de Emprego das Caldas da Rainha às Iniciativas Locais de Emprego (ILE), o que lhe permitiu concretizar este projecto e fazer do Central um estabelecimento de referência na cidade, quer ao nível da imagem quer em termos de produtos e serviços.
A proprietária do espaço, Luísa Pião, deverá colaborar no serviço do café, em que iniciou a sua actividade nas Caldas há exactamente dez anos.
A abertura do Central deverá promover a animação no “triste” Largo Dr. José Barbosa, que viu recentemente serem inauguradas duas lojas de roupa. Este largo foi empedrado há cinco anos e é esporadicamente lembrado para a realização de alguns concertos patrocinados pela autarquia, tendo sido perdida a proposta inicial.
Os últimos anos
O Café Central encerrou em Fevereiro último, depois de o seu interior ter sofrido uma explosão, o que motivou uma investigação da Polícia Judiciária, ainda sem resultados conhecidos. Tinha reaberto a 15 de Dezembro, pelas mãos de Isabel Souto, que arrendou o espaço, encerrando assim um ciclo de quatro anos em que esteve fechado.
Antes, já tinha encerrado em Março de 2001 quando foi vendido à Multiópticas, um negócio que foi depois inviabilizado pelo presidente da Câmara, Fernando Costa, o que originou um processo judicial.
O autarca opôs-se à mudança de ramo o que levou a empresa a recuar na intenção de comprar o Central, depois de já ter dado o sinal da compra e venda.
Depois, o café foi arrendado a um cidadão chinês, para ali montar a sua loja, e mais uma vez, o presidente da Câmara informou-o que o fecharia no dia seguinte à abertura como loja chinesa. Fernando Costa acabaria por passar uma licença ao chinês para vender na rua, junto à Praça da República, onde esteve um ano.
O Café Central está intrinsecamente ligado à história das Caldas e representa uma importante peça do património social e cultural da cidade.
No regime da ditadura, era conotado pela polícia política como local de conspiração da oposição e sempre esteve ligado a uma certa “elite pensante”, que organizava tertúlias e discussões no local. Supõe-se ser o café mais antigo das Caldas, por ter começado a funcionar no século XVlll. Mas terá sido na década de trinta que se tornou um dos locais de referência da cidade.
O seu dono, Franklin Matias Galinha, era dador de sangue, concessionário de jornais e tinha uma tabacaria, a Havaneza Caldense. Na edição de 24 de Junho de 1933 do semanário Gazeta das Caldas pode ler-se que “o Café Central acaba de inaugurar um altofalante no exterior do estabelecimento para músicas e notícia”.
Em 1947, depois de adquirir o café por 330 contos, Custódio Freitas chamou o seu amigo Júlio Pomar para fazer para o café o painel dos unicórnios, que ainda é o seu ex-libris.
Em 2001 voltou a fechar, depois de ter sido adquirido por Luísa Pião, que o manteve aberto seis anos. Neste período foi aventada a hipótese nunca concretizada de ser adquirido pela autarquia.
Rui Tibério
rtiberio@gazetacaldas.com
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