Terminou no passado domingo mais uma campanha arqueológica subaquática no sítio dos Corticais, de onde têm sido retirados vários vestígios do período romano.
O sítio dos Cortiçais foi descoberto no início de 2004 pelo caçador submarino natural de Peniche, Luís Santos Jorge, enquanto fazia apneia naquele local e ali encontrou estranhos fragmentos de cerâmica, que mais tarde viria a saber tratarem-se de ânforas.
Ainda nesse ano o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) iniciou os trabalhos de investigação no local, fazendo as primeiras imersões de cartografia do sítio e avaliação do seu espólio arqueológico. Já em 2005 realizaram-se duas campanhas arqueológicas no local, com a presença de alunos da Universidade de Coimbra, com quem o GEPS firmou um Protocolo de Cooperação.
Estes trabalhos permitiram recolher mais de dois mil fragmentos de cerâmica, entre ânforas datáveis pelo investigador António Dias Diogo de um período entre o século I a.C. e I d.C., facto que indicia estar-se na presença de um contexto de naufrágio de época romana. Estas investigações permitem ainda “concluir da relevância deste contexto e consolidar o conhecimento sobre a presença romana no território a que hoje chamamos Peniche, trazendo mais dados aos já conhecidos pelos trabalhos desenvolvidos na Berlenga e nos fornos do Murraçal da Ajuda”, refere nota de imprensa da autarquia.
Os trabalhos terão continuidade ainda este ano, com a realização de mais duas campanhas arqueológicas subaquáticas nos Cortiçais, num projecto do CNANS, dirigido pelo arqueólogo Jean-Yves Blot, com o apoio do GEPS, alunos das Universidades de Coimbra e de Lisboa, Clube Naval de Peniche e o da Câmara Peniche.