Um torneio medieval no qual se confrontaram os cavaleiros de Óbidos e os de Idanha-a-Velha - tendo saída os primeiros vencedores -, marcou a tarde do último dia do Mercado Medieval. Horas antes, dois actores da Companhia de Teatro Viv’arte aproveitaram para se casar (a sério) em Óbidos, realizando a boda neste mesmo mercado, revivendo assim um casamento na Idade Média, (exceptuando a troca de alianças, que não se fazia na altura).
A organização estima que 80 mil pessoas visitaram este evento, dos quais 50 mil foram pagantes.
Mercado Medieval vai extravasar as muralhas de Óbidos
Depois de dez dias de muita animação e gastronomia promovida pelo Mercado Medieval, Óbidos descansa. A lembrar o evento restam só as bandeiras no alto das muralhas. Para o ano haverá um novo “mergulho” na História, do qual já foram anunciadas novidades: o evento vai extravasar a Cerca do Castelo e invadirá a colina do lado oeste da vila.
A médio prazo está prevista a criação de um pequeno núcleo temático que ali esteja de forma permanente para que, segundo Francisco Salvador, da Óbidos Patrimonium, pois a vila “merece ter alguma coisa que nos lembre como se vivia nessa época”.
Um torneio medieval no qual se confrontaram os cavaleiros de Óbidos e os de Idanha-a-Velha - tendo saída a primeira vencedora -, marcou a tarde do último dia do Mercado Medieval. Horas antes, dois actores da Companhia de Teatro Viv’arte tinham-se casado (de verdade) e realizado a boda neste mesmo mercado, revivendo assim um casamento na Idade Média, exceptuando a troca de alianças, que não se fazia na altura. Os jovens escolheram este local para a cerimónia por o considerarem o “melhor mercado medieval do pais”.
Durante os 10 dias em que o Mercado decorreu foram vendidos 50 mil bilhetes, sem contar as crianças e as pessoas trajadas à época, pelo que o número de pessoas deverá rondar o do ano passado com 80 mil visitantes. Francisco Salvador destacou que em 2006 entraram mais pessoas com trajes medievais do que nas edições anteriores. “É normal que assim aconteça porque as pessoas adquirem um traje e depois voltam a usá-lo”, explicou.
Contudo, este número ficou aquém das expectativas da organização, que esperava superar o número de visitantes do ano passado. Tal ficou a dever-se, segundo Francisco Salvador, “ao primeiro fim de semana de intenso calor que afastou as pessoas durante o dia. No domingo passado estavam, talvez, metade das pessoas que aqui estão hoje”.
Este responsável destacou ainda que esta edição correu muito bem, sobretudo tendo em conta o “grau de satisfação com que o público sai daqui”. Realçou que a animação “foi muito bem coordenada, com imenso movimento e ritmo”, sublinhando a presença dos vários grupos musicais, nomeadamente dos catalães “Els Berros de la Corte”, que já participaram em eventos similares em Itália, França, Espanha, Bélgica e Portugal.
Este ano foi feito um novo cenário e Francisco Salvador considera que ainda há muitas possibilidades de inovação neste mercado. Já na próxima edição pretendem alargar o evento para o lado de fora da cerca, ultrapassando as muralhas. Este ano os torneios já se realizaram da parte exterior, na encosta e, de futuro, outras actividades ali se realizarão, dado que a zona intra-muros “não é suficiente para albergar, com condições, estes milhares de pessoas”.
E porque, sistematicamente, as caixas de multibanco de Óbidos têm esgotado a sua capacidade durante os dias de mercado medieval, a organização pretende colocar uma caixa multibanco dentro da cerca, devidamente camuflada, para responder à procura por parte dos visitantes. Nela, contudo, só haverá euros e não torreões...
A médio prazo está também prevista a existência de um núcleo temático, que ali esteja de forma permanente.
Colectividades satisfeitas com os resultados
Durante os 10 dias de mercado medieval o Grupo Desportivo e Recreativo de A-dos-Negros assou no espeto 23 porcos que depois vendeu em sandes ou pequenas doses servidas numa telha de barro. Igualou o número do ano passado e, de acordo com José Capinha, da direcção desta colectividade, o número não foi superado devido ao dia de chuva (terça-feira) que afugentou algumas pessoas do evento.
“O balanço é positivo”, afirma o responsável, que destaca nesta edição a vertente da animação que também “tem segurado as pessoas”. Por outro lado, a realização do cenário na entrada da cerca “melhorou bastante o aspecto do mercado”, conta o responsável.
Alem do porco no espeto, esta colectividade tinha também para oferecer aos visitantes filhós feitas na altura e café da avó. Este evento é actualmente a “principal fonte de receita da associação”.
Francisco Libório, presidente da Sociedade Filarmónica e Recreativa Gaeirense, disse que esta edição correu muito bem para esta colectividade. “Superámos o ano passado em relação a números”, salientou, desconhecendo ainda o resultado final pois faltava terminar o dia de domingo.
A trabalhar diariamente nesta tasquinha estiveram 23 pessoas. Gastaram cerca de mil quilos de farinha no pão com chouriço, com torresmos e para acompanhar a perna de porco assada, as espetadas e o frango assado.
Situados no mesmo espaço do ano passado, Francisco Libório considera que este ano houve mais animação naquele local. Realçou ainda que “o cenário está muito bem conseguido, o que também ajuda à vinda das pessoas”.
Este dirigente associativo criticou apenas o valor da entrada, três euros, principalmente durante os dias da semana, em que considera que podia ser menor. “Até para controlar um bocado as entradas ao fim de semana”, salientou o responsável que na sua barraquinha manteve os preços do ano passado.
Floriano Almeida, da Sociedade Musical e Recreativa Obidense, também se mostrou contente com este edição do mercado. Considera que foi semelhante à de 2005, embora tenham mudado de localização e pense que onde estiveram anteriormente seja uma zona mais central e de maior afluência. “Mas a escolha é feita por sorteio e, portanto, está tudo bem”, afirmou.
Nesta tasquinha as pessoas podiam encontrar vários tipos de carnes grelhadas, desde espetadas, bifanas, chouriço de carne a entremeada de vitela. Também a sopa, de vários tipos e feita na hora, tinha muita procura. Diariamente foi feita uma panela de 50 litros de cada tipo de sopa e esgotou sempre.
“Trabalho tivemos muito e agora vamos ver os resultados”, afirmou o dirigente associativo, realçando a colaboração prestada pelos elementos da direcção, alguns com as respectivas esposas, e dos jovens músicos que ali estiveram diariamente. “Sem eles era impossível conseguirmos estar cá, são de uma entrega de realçar”, afirmou.
Esta colectividade pretende continuar a participar no evento, justificando que é uma forma de angariar fundos. “As despesas são muito grandes e certas mensalmente e os lucros nem sempre aparecem, há toda a vantagem em que participemos nestes eventos para termos sempre um pé de meia que possa fazer face às despesas mensais”, concluiu Floriano Almeida.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetacaldas.com
Testemunhos
Balbina Oliveira, Palmira Martinho e Celestino Martinho (Lisboa)
“Está a ser muito giro, gosto da música e do comércio que aqui se encontra.
Para a malta nova que não conhece algumas das coisas que antigamente se faziam, é muito interessante e enriquecedor.
Estamos a passar o fim de semana em Ferrel e decidimos vir até Óbidos passear e deparámo-nos com este cenário. Devia era ser mais divulgado porque se soubesse antes já teríamos visto.
Foi a primeira vez que viemos, mas não foi, com certeza, a última. Para o ano cá estaremos.
Provámos sangria e café. Não vendem garrafas de água, só em copos de barro, acho que está muito bem feito”.
Maria Adelaide Henriques e Martim Henriques (Caldas da Rainha)
“É bonito. Dou valor a estes trajes e cenários antigos. É bom que se façam estas coisas para que as pessoas fiquem a conhecer como se vivia antigamente.
É o primeiro ano que cá vimos. A nossa filha veio cá e gostou tanto que nos disse para virmos conhecer. Também já jantámos e gostámos muito, é engraçado com o podemos comer sem utilizar os talheres.
Vale a pena voltar. Por vezes vamos para outros lugares à procura de “aventuras” e com coisas aqui tão perto e tão engraçadas”.
Patrícia Cruz e Luís Taborda (Lisboa)
“Vim na passada quinta-feira e gostei tanto que convidei o meu namorado para também vir conhecer. Acho que é de realçar neste mercado o espírito que aqui se vive. As pessoas estão todas alegres, não se importam de comer com as mãos e de apanhar frio para ver um espectáculo diferente e ter uma noite divertida.
Acho que está muito bem organizado, sempre com animações e música. Gostei muito do espectáculo com exibições de falcoaria e estamos agora à espera de ver outro. Já passámos pelas tasquinhas e achámos a gastronomia muito boa.
A vila nesta altura fica realmente diferente, acho que é uma festa a continuar”.
Clara Sousa (Caldas da Rainha)
“Acho que o mercado está muito engraçado e educativo, para mostrar como eram os tempos de outrora. Tenho vindo desde a primeira edição.
O facto de não se usarem talheres nas tasquinhas nem copos de vidro é muito engraçado e mostra o rigor que têm com as coisas.
Este ano não passei pelo cambista mas também acho que é muito gira a ideia de se trocarem as moedas de euro por torreões.
Acho que o preço não é caro, até porque o evento tem que se financiar, as coisas não podem ser grátis”.
Regina Camacho (França)
“Resido em França e venho passar férias em Portugal. Já o ano passado vim visitar o mercado medieval de Óbidos e como gostei, resolvi voltar. Cheguei no Sábado, e como sabia que terminava no dia seguinte, tive que vir logo porque tinha muita vontade de o visitar.
Gosto de ver porque tem a ver com história e cultura, coisas do passado, mas que fazem parte da nossa vida e, por isso, não as podemos esquecer.
É um ambiente muito divertido e enriquecedor”.