“Aulas na D. João assim não!” ou “Não temos condições, fechem os portões”, podia ser lido nos cartazes que os alunos da D. João II ostentavam numa manifestação que teve lugar no dia 21 de Novembro, quando estes se confrontaram com o agravamento da degradação dos equipamentos escolares na sequência das fortes chuvadas que ocorreram no início dessa semana.
Responsáveis da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) visitaram a escola nessa mesma tarde e garantiram o início das obras em Janeiro do próximo ano.
Cristiano Miguel e Luís Gonçalves, ambos de 15 anos e a frequentar o 9º ano, combinaram na noite de terça-feira (20 de Novembro) que na manhã seguinte, às 7 horas, iriam começar um protesto por causa da falta de condições na escola.
“Não tínhamos a noção que isto iria ganhar esta dimensão”, contava Luís Gonçalves, ao ver que os colegas dos vários anos se juntavam à sua luta. Este estabelecimento de ensino é frequentado por cerca de 900 alunos do quinto ao nono ano de escolaridade.
O jovem lembra que em cada ano que passa a degradação é maior e que, com as últimas chuvas, a escola ficou em pior estado. “O refeitório ficou inundado e parte dele teve que ser mudado para outro sitio, escorria água pelas paredes das salas e o sistema eléctrico falhou devido à água”, disse.
Também no pavilhão de jogos a situação é problemática, obrigando à colocação de baldes no recinto para aparar a água quando chove.
Os jovens reclamam que as obras estão prometidas há anos e até à data ainda não avançaram, pelo que pretenderam tornar público o estado da escola. Mais tarde os responsáveis D. João II foram informados por responsáveis da DREL que as obras deverão ter início em Janeiro.
Também a Associação de Pais da D. João II apoiou este “bloqueio às aulas” pois concorda com os motivos reivindicados pelos alunos.
Ina Vasquez, desta associação, reitera que a escola não possui condições para funcionar, lembrando que a estrutura os telhados é feita de amianto, “uma substância que é proibida já há muitos anos”. Destaca ainda que “chove nas salas de aula, no refeitório e no polivalente” e que “não há meio de ver esta escola com obras”.
Esta responsável informou ainda que os pais estavam a ponderar, caso não houvesse resposta breve, em tomar algumas medidas. “Tinham-nos dito que em Dezembro começavam as obras, mas o certo é que não se tem visto nada, nem mesmo em termos de medições”, disse Ina Vasquez. Se a situação se mantiver inalterada, diz, farão em Janeiro uma vigília de modo a alertar a opinião publica para esta situação.
Questionado sobre estes factos, o presidente do Conselho Executivo da escola, Gil Pacheco, remeteu as respostas para o Ministério da Educação.
Esta escola vem também referenciada na edição de Outubro da revista Proteste com dois maus exemplo ao nível do conforto térmico. As fotos da reportagem no terreno dão conta do “musgo nas paredes devido ao mau isolamento” e do “obscurecimento parcial com cortinas interiores”.