“Caldas da Rainha: laboratório de desenho urbano” é o nome da exposição patente, desde 1 de Abril, na Galeria Osíris. Nesta mostra constam trabalhos de finalistas de Arquitectura que resultam de um protocolo entre a autarquia e a FACULDADE de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.
Os alunos vieram para o terreno onde desenvolveram vários exercícios para o centro histórico e para algumas zonas de expansão da cidade.
Tendo por base a ideia “Caldas, Cidade Termal” há nesta mostra, propostas com vários níveis de intervenção. Podem ser vistas ideias para requalificar o Mercado do Peixe, ligar a Praça da República à zona do Chafariz das Cinco Bicas, recuperar hóteis ou intervir na periferia da cidade.
Para o vereador do Planeamento Urbanístico, Jorge Mangorrinha, o acordo com esta universidade pretende “dar visibilidade à arquitectura enquadrando os trabalhos da autarquia e possibilitar aos jovens estudantes trabalhar sobre o território caldense”.
Entre as duas entidades há um acordo para a FACULDADE apoiar o projecto de candidatura da cidade a Património Mundial e ainda para a criação de novos instrumentos de planeamento como no plano de pormenor da área de expansão Oeste. Na segunda fase desta parceria, as entidades vão trabalhar na elaboração deste instrumento que, futuramente de acordo com o mesmo resposável “terá valor legal”. Trata-se, no fundo, de “abrir a gestão autárquica aos centros do conhecimento”, rematou o autarca.
A FACULDADE de Arquitectura possui vários acordos com outras câmaras sobretudo da área metropolitana de Lisboa. Estas parcerias são feitas através da Associação Francisco da Holanda que está vocacionada para a prestação dos serviços. “Nós envolvemos docentes, alunos e já arquitectos formados nestas parcerias. São equipas de trabalho que podem intervir no terreno”, disse Fernando Caria, presidente do Conselho Directivo da Universidade. Nesta parceria com as Caldas – que envolve uma centena de finalistas - pretende-se retirar “o cinzentismo com que se faz o nosso país e pensá-lo de uma forma mais liberta trazendo novos conceitos para a cidade”, disse Rui Duarte, coordenador de Projecto do 5º ano. Até ao final do ano lectivo os projectos vão prosseguir tendo em conta que “o universo da água pode ser o leitmotiv para a construção de uma ideia de cidade”.
“Não há regras nas periferias, ou se as há, não são cumpridas”
O arquitecto caldense José Duarte é um dos docentes envolvido nesta parceria. Defende que os alunos, mesmo quando dão largas à criatividade, têm que “construir projectos que sejam exequíveis, que não sejam demasiado caros ou utópicos e a Câmara ajudou-nos a criar essa situação”. Para a autarquia é bom ter estudantes a pensar na cidade a tempo inteiro pois surgem boas ideias e “há capacidade de as levar avante”.
A sua turma preocupou-se essencialmente com as zonas periféricas, que sofrem mais com falta de qualidade, já que a cidade “cresce de forma caótica e as periferias são as mais sacrificadas” pois “cada um faz aquilo que quer e não há regras, ou se as há, não são cumpridas ou simplesmente não são suficientes”. Como tal, os estudantes desenvolveram um conjunto de regras que condiciona a actuação futura dos projectistas e dos construtores “de uma forma aceitável que exigiria mais qualidade e boa arquitectura”, comentou José Duarte, que deixou o repto aos construtores para se juntarem a esta parceria que “terá bons resultados para todos”. Disse ainda que os projectos dos alunos são todos exequíveis e viáveis pois houve grande insistência nas condicionantes económicas.
Natacha Narciso
nnarciso@gazetacaldas.com
Susana Fernandes, 23 anos
“Pensámos em intervir no remate da Praça da República e ligar esta zona à do Chafariz das Cinco Bicas. No topo da Praça optei pela implantação de um edifício administrativo, de controlo da praça, e depois criar a continuação de percurso até ao Chafariz que culminaria com um espelho de água.
Nesta zona, o estacionamento passaria para o sub-solo e poderiam ser criados naquela zona, restaurantes e zonas de exposições onde pudessem haver e eventos relevantes”.
Cristiana Afonso, 25 anos
“A Praça da Fruta possui várias vivências. Durante o dia há a comercialização, à tarde as pessoas convivem e por ali passeiam. Criei módulos “mutantes” que serviriam de bancas de venda e que depois se podem transformar em bancos ou noutros objectos de apoio ao comércio local. Poderia haver à noite uma zona de esplanadas e bares apostando assim no regime de animação nocturna da Praça”.