A Semana do Zé Povinho

Publicado a 17 de Novembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Zé Povinho está satisfeito com o facto do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor  (CEERDL) ter ganho o primeiro prémio BPI Capacitar 2012. Com o apoio monetário obtido, superior a 100 mil euros, pode esta prezada instituição caldense desenvolver ainda melhor o seu projecto de floricultura que dá cartas no mercado nacional, sobretudo na área das flores de corte, as coroas imperiais. Muita gente não sabe que este centro fornece, por exemplo, as cadeias Lidl e Pingo Doce e que a sua equipa de 14 colaboradores da floricultura integra nove com  incapacidades. O proporcionar emprego a estes elementos acabou por ser determinante para o CEERDL se sagrar vencedora do primeiro prémio (ex-aequo com o Centro Comunitário Paroquial da Ramada, de Odivelas) atribuído no âmbito da responsabilidade social do BPI.
Pelo esforço de sempre, pelo rigor e pela organização da instituição, Zé Povinho faz-lhe uma vénia e espera por muitos e mais projectos florescentes, como é este da floricultura.

Os leitores de Zé Povinho são os primeiros a não se surpreenderem com o facto de nos últimos meses as figuras escolhidas para a sua apreciação serem invariavelmente personagens de índole nacional e internacional. A tal não é alheio a crise económica e social que se vem agravando na União Europeia e muito especialmente em Portugal.
Daí que a escolha recaia com frequência em personagens que antes nem se ouviam falar no quotidiano da maioria dos portugueses, mas que determinam, dura e permanentemente, a vida dos portugueses do Minho à ilha do Corvo, como sói dizer-se.
Por tudo isto, Zé Povinho não ficou indiferente à visita de menos de seis horas a Portugal da chanceler alemã Ângela Merkel na passada segunda-feira, durante a qual garantiu que “Portugal vai conseguir cumprir o memorando de entendimento com a troika”. Ora acontece que em Portugal não há mais do que uma mão cheia de comentadores, especialistas ou responsáveis que o diga. Zé Povinho não se espanta que a chanceler alemã diga isso, porque é a mesma pessoa que despudoradamente afirma que “a política económica é 50% de Psicologia” e que “aquilo que nós temos é falta de confiança».
Pena que o primeiro-ministro português, Passos Coelho, esteja tão cego, surdo e mudo. Em vez de mostrar de alguma forma a trágica situação e, que o país e os portugueses estão a atravessar, prefere congratular-se perante a chanceler que demorou apenas dois anos a fazer aquilo que se previa demorasse seis.
Se este político acha que este é realmente o “único caminho possível”, provavelmente estará jogar a sua cabeça, uma vez que se ocorrer o que a grande maioria antecipa, ele não poderá mais manter-se no posto de primeiro-ministro e nunca terá a estátua que o seu secretário de Estados dos Transportes, Sérgio Monteiro, lhe augurou.
A verdade é que Portugal caminha a passos largos para um beco sem saída.
Por isso, e dados os sacrifícios gigantescos a que Merkel e Passos Coelhos estão a condenar o povo português, Zé Povinho não pode deixar de os acusar de tanta insensatez e insensibilidade social.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 11 de Novembro de 2012 . Na categoria: Crónicas semanais . há uma resposta a este artigo.

Zé Povinho impressionado com o decurso da campanha eleitoral nos EUA, terra do seu aparentado Tio Sam, que terminou na noite de terça-feira com o apuramento dos resultados.
Para Portugal e para a Europa o resultado não podia ter sido melhor, uma vez que a maioria dos europeus era unânime de que a reeleição de Barak Obama podia constituir uma boa notícia.
Mas Zé Povinho ficou ainda mais sensibilizado ao ouvir o discurso de vitória de Obama, que soube reconhecer o valor dos seus adversários e comemorou-a sem recriminações contra os outros intervenientes e mobilizando todos para os desafios que se impõem. Quanto era bom ver esse tipo de procedimento amiúde em Portugal!
Para mais, nesse discurso lançou desafios ao povo americano para a recuperação da crise em que o país está mergulhado, sabendo que esta também é causa e efeito da crise global, pelo que é com expectativa que se espera que a retoma americana possa ajudar à resolução da crise.
Mas nas palavras mobilizadoras de Obama viu-se a grande ênfase dada à necessidade de reforçar a capacidade inovadora e empreendedora do seu país, bem como à continuação do processo de recuperação económica que passa, na opinião dos democratas, por um papel activo e interventivo do Estado, mas não esquecendo o que cabe aos outros actores, nomeadamente às empresas e aos cidadãos.
Se bem que há quatro anos Barak Obama tenha aberto expectativas excessivas que não pode ou conseguiu concretizar, talvez desta vez, com maior experiência e resolvidos bastantes dos problemas que enfrentou em 2008 (quando se saía da maior crise económica depois da grande depressão de 1929), se possa agora dar um verdadeiro alento à sua economia e consequentemente, à economia global.
Finalmente Zé Povinho espera que a Europa saiba ler nos desígnios expressos pelo povo norte-americano, desafios que poderiam ser experimentados também no velho continente, que nos últimos anos tem dado de si uma pobre imagem acerca do saber por onde vai ou quer ir. Por isso saúda a vitória de Barak Obama na expectativa de que a mesma sirva de lema para as mudanças que a Europa terá que fazer rapidamente, antes que se assista à sua derrocada.

Não adianta argumentar que foram dezenas, que foram todos os deputados da Assembleia da República eleitos pelo PSD e pelo CDS/PP (com a excepção de um) a votar favoravelmente o Orçamento de Estado. Para o caso, Zé Povinho revela a relação de proximidade e pede meças aos ilustres deputados das Caldas da Rainha que frequentam os corredores do Palácio de S. Bento.
A verdade é que Maria da Conceição e Manuel Isaac votaram num orçamento que ninguém acredita (nem eles próprios) que se vai cumprir. Um orçamento que condena Portugal a um progressivo empobrecimento, com consequências catastróficas para milhões de portugueses.
Zé Povinho já sabia que estes dois deputados não têm especial vocação para heróis (a coragem não é o seu forte), o mesmo é dizer, para mártires, porque rapidamente seriam triturados pelos seus próprios partidos. Obedientes, seguiram a disciplina partidária. Obedientes, seguiram as indicações dos seus líderes que, também obedientemente, seguiram as ordens da troika e de Merkel que, por sua vez, obedientemente, seguiram os ditames do capital financeiro, os ditos “mercados”, que não têm rosto e têm vindo a espalhar austeridade e rupturas sociais em vários países.
No meio disto tudo, o que contam afinal, dois deputadozinhos de segunda linha, que nem sequer são conhecidos a nível nacional? Não é para serem críticos, activos, reflexivos e participantes que eles estão no Parlamento. É para serem robots e votarem de acordo com os seus partidos.
Só que esta votação do Orçamento é demasiado séria e Zé Povinho não queria estar na sua pele ao sentirem-se cúmplices deste assalto fiscal que está a ser feito aos portugueses.
A partir de agora qualquer caldense tem o direito de abordar na rua – civicamente – os deputados Manuel Isaac e Maria da Conceição Pereira e perguntar-lhes se concordam com o “enorme aumento dos impostos”, com os cortes nas prestações sociais e com um orçamento que até reputados e insuspeitos especialistas dos seus partidos garantem ser incumprível e pernicioso para a economia nacional.
Zé Povinho não vai tão longe como o seu criador, Rafael Bordalo Pinheiro, que no seu tempo chamava bácoros aos que mamavam na Grande Porca da política, mas acha que é tempo de os deputados serem eleitos em círculos uninominais e possam ter a sua autonomia sem fazer estas tristes figuras.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 28 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Foi com regozijo que Zé Povinho soube que o comissário Nuno Carocha vai voltar a comandar a PSP das Caldas da Rainha numa altura em que a segurança assume um cada vez maior papel na cidade.
Há pessoas que fazem a diferença nos cargos que ocupam. Este oficial, quando passou pela PSP das Caldas há alguns anos, soube fazer essa diferença. Ainda como jovem sub-comissário, trouxe um novo alento à acção da polícia caldense e avançou com vários projectos que se distinguiram pela inovação.
Sensível ao que preocupa a população, o comissário Nuno Carocha irá com certeza ter uma atitude diferente daquela que nos últimos anos a PSP teve em relação às Caldas da Rainha.
Zé Povinho quer ver mais polícias a andar a pé pela cidade, um maior investimento na investigação policial e uma cultura de prevenção forte. Será importante também a relação da PSP com as entidades locais – inclusive a comunicação social – para que todas possam contribuir para um sentimento de maior segurança. Por tudo isto, seja bem vindo senhor comissário.

Em grande número de países desenvolvidos, como em certas instâncias supra-governamentais como a União Europeia, é usual existirem lobbies devidamente registados e reconhecidos que têm um acção mais transparentes junto dos órgãos decisórios.
Em Portugal essa prática nunca mereceu a devida atenção, exercendo-se o lobbiismo de forma encapotada e meia clandestina, ou na pior das hipóteses, através do sistema do amiguismo ou das cunhas.
O primeiro-ministro, Dr. Passos Coelho, foi interceptado fortuitamente numa conversa com o banqueiro José Maria Ricciardi, do BESI, que estava sob escuta judicial por razões ligadas ao processo Monte Branco.
Segundo os media, esta conversa não terá tido qualquer repercussão em termos de responsabilidade criminal, uma vez que o banqueiro apenas queria manifestar a sua discordância com a escolha pelo Estado português da empresa norte-americana Perella como consultora do Estado para as privatizações da EDP e REN.
Segundo o Dr. José Maria Ricciardi “para que não fiquem dúvidas (…) reafirmo que transmiti a vários membros do Governo a minha discordância pelo facto de o Estado ter contratado a firma norte-americana Perella por ajuste directo, quando se exigia, na observância do rigor e da ética, que se elegessem as assessorias financeiras através de concurso público”.
Naturalmente que o presidente do BESI tem todo o direito de manifestar publicamente a sua discordância com a decisão do governo sobre esse concurso, mas não deve é fazê-lo no segredo de telefonemas particulares com responsáveis governamentais.
O Dr. Ricciardi diz que falar com um governante “não é ilícito, nem irregular ou sequer censurável”. É claro que não, desde que qualquer português pudesse fazer o mesmo. Mas o banqueiro sabe que não é assim e que ele tem acessos privilegiados que o comum dos cidadãos não tem.
Para Zé Povinho seria mais lógico que em momento oportuno tomasse posição pública sobre o assunto, assumindo as devidas consequências, em vez de tratar estes assuntos de uma forma que indicia acesso privilegiado aos membros do governo, que a maioria dos portugueses, que têm os mesmos direitos, não dispõem. Por isso, por mais que brade aos céus, o banqueiro incorreu numa falta que Zé Povinho condena.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 21 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . há uma resposta a este artigo.

Zé Povinho é muito sensível a todos aqueles que sugerem passos positivos para o povo português e semanalmente encontra apelos e propostas para inverter o curso dos acontecimentos que se têm vivido nos últimos meses e anos.
Na última semana viu-se a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, reconhecer os erros de análise da sua própria organização em relação às decisões que foram impostas pela troika. Essas medidas de austeridade impostas aos países em assistência (como Portugal) não têm, contrariamente ao que se pensava, um efeito de 0,50 euros por cada euro de redução, mas um impacto muito maior, entre 0,90 e 1,70 euros. Por isso, a insigne directora, sugere que sejam concedidos a esses países mais anos para a sua recuperação (hipocritamente, o ministro Vítor Gaspar ironizou que não tinha compreendido bem isso e que teria de averiguar se era mesmo verdade ou se não passava de uma insinuação do economista nobel Paul Krugman, que tem sido crítico destas políticas).
Outra personalidade, esta nacional, que se pronunciou grave e tardiamente sobre o assunto, foi o actual Presidente da República, professor Cavaco Silva (cujas declarações também foram minimizadas pelo ministro Gaspar) que defende que “nas presentes circunstâncias não é correcto exigir a um país sujeito a um processo de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objectivo de défice público fixado em termos nominais.”
O professor Cavaco Silva ainda acrescentou que “devem ser definidas políticas que garantam a sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo e deixar funcionar os estabilizadores automáticos”.
Finalmente Zé Povinho ainda se revê nas declarações do anterior Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio que, em entrevista à SIC Notícias, também criticou duramente as medidas orçamentais anunciadas. “Já toda a gente percebeu que a austeridade rebenta com o país, com os portugueses e a sua esperança, com os direitos e até com a própria democracia”, disse.
Muitos outros se pronunciaram no mesmo sentido, mas Zé Povinho escolheu estas três figuras, com proveniências muito diferentes, mas que comungam no mesmo propósito, perante a indiferença e até sobranceria dos responsáveis pelas medidas divulgadas esta semana para Portugal.

Ao assumir o protocolo de entendimento com a troika no que dizia respeito à reestruturação administrativa do país e à diminuição de autarquias, o ministro Miguel Relvas fez o mais simples e aquilo que lhe poderia trazer menos custos políticos: eliminar freguesias e não tocar nos concelhos.
A Zé Povinho o “Dr.” Miguel Relvas faz-lhe lembrar aquele “herói” que batia nos pequenos com medo de afrontar os da sua dimensão.
Portugal deveria seguir os modelos de organização autárquica dos países mais avançados da Europa, que criam entidades de gestão do território com dimensão estratégica e que tenham protagonismo a nível nacional, mas também nos espaços mais alargados como a Europa, em que as regiões se batem denodadamente.
Por exemplo, a discussão feita na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha sobre as redução de freguesias, parte de uma visão defensiva, conformista e reactiva a uma imposição exógena.
Provavelmente impunha-se uma visão pró-activa, que antecipasse a evolução futura destes territórios nos próximos 20 ou 30 anos, durante os quais a população residente em permanência deverá diminuir aceleradamente, tentando-se assim evitar a manutenção de estruturas pesadas e redundantes, que a prazo serão inviabilizadas pelas próprias condições objectivas e meios disponíveis.
Seria talvez mais correcto pensar na articulação estratégica dos concelhos, utilizando as freguesias como peões de acção para atingir objectivos de criação de emprego e de valor, que servissem de alavancas de desenvolvimento no contexto mais alargado.
Mas isso o “Dr.” Relvas não quer ou não sabe fazer. Pôs o povo a discutir minundências e as oposições com os autarcas instalados a defenderem o stato quo. A falta de visão inebriou-os e mais tarde vai verificar-se que bastante do trabalho e das “guerras” vividas serviram para pouco, porque o mais importante ficou por fazer.
Afinal, como diz o povo, “é preciso que algo mude para que fique tudo na mesma”.
Zé Povinho não pode, por isso, deixar de lamentar estas visões tão curtas do ministro Adjunto, Miguel Relvas, que, para muitos, já passou do prazo de validade.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 14 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Zé Povinho quer aplaudir a realização do ArtShow. Não é todos os dias que se conseguem reunir 250 artistas de todo o país nas Caldas da Rainha, cidade que foi das artes e há muito que não via nada assim. Está, pois, de parabéns a empresária Paula Mendes e a sua equipa, bem como a própria Expoeste, que percebeu o potencial da iniciativa e abriu as suas portas para uma parceria onde a conjugação das boas vontades produziu bons efeitos.
O evento mostrou que contém em si sementes que poderão originar uma ainda melhor iniciativa no futuro, fazendo recordar os bons velhos tempos em que as Caldas recebia fóruns de cariz internacional, como os Encontros de Arte e as Bienais de Escultura e Desenho.
Zé Povinho faz uma vénia a todos os que fizeram do Art Show um local aprazível, aos artistas e aos cantores, sem esquecer os formadores e os artesãos. E espera que para o ano o evento regresse com mais força e mais apoios. À empresária Paula Mendes não lhe faltará a “garra” necessária para o repetir.

Nas últimas semanas Zé Povinho, para mal dos pecados dos portugueses, não tem tido grande dificuldade em escolher vítimas do seu juízo.
O governo de Passos Coelho e a troika, representando o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, têm dado com fartura razões para estes juízos negativos, mesmo que os portugueses, como outros povos sujeitos à mesma bitola, tenham algumas culpas no cartório.
Contudo, estes organismos internacionais, com técnicos altamente credenciados e pagos a peso de ouro, durante vários anos não ligaram ao que se passava nos países, podendo mesmo tê-los incentivado a práticas que agora condenam (e em que os países hoje mais intolerantes também já incorreram – a própria Alemanha já teve défices acima do permitido pela legislação comunitária).
Na última semana foi uma vez mais o senhor ministro das Finanças, Dr. Vítor Gaspar, que, num tipo intervenção habitual, com voz para adormecer os ouvintes, veio anunciar um “enorme aumento de impostos” para os portugueses. Isto depois de ter enumerado os vários “êxitos” no cumprimentos das medidas de austeridade (Zé Povinho nem quer pensar em como seriam as medidas se não tivesse havido esses “êxitos”!…)
Desta vez quase ninguém escapou. E até o ex-lider do PSD e também ex-ministro de vários governos, Dr. Marques Mendes, veio dizer que isto é um autêntico “assalto à mão armada” aos contribuintes e que estas medidas “matam” a classe média.
Zé Povinho acha que a mão não lhe deve ser leve e vem uma vez mais penalizar o ministro Vítor Gaspar, que, ainda por cima, deixou sobre a cabeça dos portugueses outra ameaça que é a de aumentar o IMI sem qualquer proporcionalidade ou rigor.

Editorial – Os 88 anos da Gazeta das Caldas

Publicado a 6 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais Opinião . há uma resposta a este artigo.

Com esta edição do nosso jornal, entramos no 88º ano de edição da Gazeta das Caldas, número redondo que na cultura oriental significa “fortuna e boa sorte”.
A nossa primeira homenagem é para os leitores, assinantes e anunciantes, que, juntamente com todos os muitos colaboradores do jornal, têm tornado possível este projecto que caminha esforçadamente para o centenário.
Criado em 1925 sob o signo do interesse pelas questões locais e regionais, o jornal redireccionou-se para este objectivo há cerca de 38 anos, depois de ter feito alguma inflexão para uma deriva de propaganda do regime salazarista, apesar de, mesmo assim, nunca se ter afastado deste objectivo inicial.
Hoje a Gazeta das Caldas tem uma projecção local, regional e nacional que o situa entre os jornais regionais de referência, quer pela tiragem, quer pelas vendas em banca e por assinatura, que o distingue dos jornais gratuitos que são distribuídos sem critério e que assim perdem naturalmente a sua base de assinantes e de leitores fiéis.
A crise que veio em 2008, mas que já se pressentia para a imprensa escrita, com a forte concorrência dos medias audiovisuais e mais recentemente da Internet, tem-nos obrigado a um esforço que, por vezes, não é compreendido por alguns leitores.
Somos obrigados a procurar receitas, de modo transparente, através das mais variadas formas, nunca esquecendo a procura de mais leitores e assinantes (cujo valor da compra em banca e da assinatura é precioso para dar sustentabilidade ao projecto), mas procurando novas formas de publicidade para além da tradicionais, como as campanhas e as novas formas de colaboração com outros parceiros locais e regionais.
Somos uma pequena empresa, com uma fórmula cooperativa, que não está ligada a nenhum grupo empresarial ou a fortunas pessoais, que vive exclusivamente das suas receitas e que nos últimos anos de crise, tem feito esforços imensos para equilibrar as contas, como tem acontecido com a maioria dos jornais regionais, nacionais e estrangeiros.
A estes esforços financeiros temos juntado preocupações de inovação e de criatividade que fidelizem os leitores habituais e capte novos leitores. Daqui lançamos um agradecimento aos muitos assinantes que ainda mantemos nos países de emigração portuguesa, que apesar de drástico aumento dos preços por via da suspensão do porte pago,  têm que suportar esse acréscimo.
Contudo, muitos compreendem esta situação e generosamente fazem o sacrifício de suportar este valor. Temos em alternativa a assinatura em suporte digital a preços semelhantes à assinatura em papel, que é uma forma de minimizar estes custos e receber o jornal pela internet no dia em que sai a público.
Procuramos desde há muitos anos que a Gazeta das Caldas seja o porta-voz dos interesses e preocupações dos residentes nas Caldas da Rainha e nos concelhos vizinhos, nomeadamente em Óbidos, mas também nos outros que nos circundam.
Por essa razão, iniciámos há algumas edições uma ronda de entrevistas pelos responsáveis autárquicos dos municípios do Oeste, cujo papel é fundamental para o desenvolvimento desta região, quer por acção, quer por omissão.
Num momento difícil para o nosso país, em que as dificuldades económicas e financeiras são grandes, ampliadas por muitas decisões menos correctas dos vários poderes, bem como pela falta de visão estratégica da Europa em que nos integrámos em 1986, achamos que a acção conjunta do poder regional é crucial para ultrapassar a crise.
Enquanto que alguns se digladiam pelas alterações estruturais nas freguesias, impunha-se antes que fosse aprofundada a preocupação de acção coordenada entre os concelhos, para evitar multiplicação de investimentos e para optimizar os custos e gastos, que se irão tornar dentro de pouco tempo insustentáveis para as populações servidas.
Talvez seja importante ver partir a geração de autarcas, alguns que se perpetuaram no poder e que não têm uma visão moderna e proactiva do desenvolvimento local e regional e do serviço eficiente aos seus munícipes.
Esperemos que isso seja uma janela de oportunidade para ultrapassar velhas birras e defesas de interesses que estão longe das populações no seu conjunto.
Só assim é possível gastar os recursos mais racionalmente e enfrentar os poderes centrais e comunitários das regras cegas e das decisões inconsequentes e muitas vezes parciais e prejudiciais.
Fazemos grande força para cumprir o desígnio oriental do significado deste 88º ano de vida da Gazeta. Assim os leitores, anunciantes, assinantes e colaboradores o queiram.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 5 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Em fim de mandato e sem possibili
dade de se recandidatar ao municí
pio das Caldas da Rainha, o Dr. Fernando Costa não se cansa de fazer declarações ousadas e inabituais em relação ao que era o seu comportamento em anos anteriores.
No congresso extraordinário da Associação dos Municípios, em Santarém, no passado fim de semana, Zé Povinho pode ouvi-lo a gritar que o povo português “está farto de pagar impostos” seja ao Governo seja às autarquias, opondo-se alto e bom som contra as propostas de criar novas taxas a favor dos municípios.
Já no congresso do PSD o Dr. Fernando Costa se tinha rebelado contra o IMI considerando que era “um perigo que aí vem”.
O autarca, depois de apoiar a manifestação da CGTP contra o governo do seu próprio partido, referiu que “hoje, em Lisboa, e bem, milhares de pessoas manifestaram-se contra o Governo. Amanhã, centenas de pessoas vão bater à porta da Câmara de Caldas por estar a levar mais pela água, pelo lixo e pelo IMI e por tantos outros impostos, e com razão”.
Zé Povinho está totalmente de acordo com o presidente da Câmara das Caldas, mas também acha que esta preocupação para não aumentar impostos ou taxas, não pode servir de justificação para a cidade e o concelho das Caldas funcionarem com serviços mínimos, em que as limpezas sejam mínimas, a promoção da cidade esteja reduzida a zero e o funcionamento da autarquia seja ineficiente por falta de pessoal capacitado.
Em tudo deve haver uma medida de retorno da despesa ou investimento feito, que crie uma dinâmica de desenvolvimento que crie novo emprego e mais actividade económica.
Contudo, atendendo ao momento que Portugal está a viver, a posição do Dr. Fernando Costa em relação às novas taxas parece acertada e merece o elogio de Zé Povinho.

Devido à sua origem, Zé Povinho tem
um alto sentido de humor. E este
fim de semana teve razão para rir ao máximo! Não é que, no meio da grave crise que os portugueses atravessam e que a muitos dá vontade de chorar, veio um consultor do governo dizer que os empresários que recusaram a TSU, são “ignorantes” e que não passariam no seu 1º ano de faculdade?
O dito consultor, António Borges de seu nome, falava no I Fórum Empresarial do Algarve e teve a sorte de só ter desses empresários ignorantes que não o fizeram engolir aquelas palavras. As reacções não tardaram e a maioria delas foi diplomática, mas o dito consultor não se coibiu de responder ao que chamou de “insultos”.
O Dr. António Borges sabe que a melhor defesa é o ataque, mas não evita que muitos portugueses veja nela o verdadeiro primeiro-ministro, que diz alto e bom som aquilo que o Dr. Passos Coelho não tem coragem de dizer e apenas o diz por meias palavras.
Zé Povinho acha que figuras como a do Dr. Borges são o melhor que há para o anedotário nacional e para os humoristas de serviço, que imediatamente ganham matéria para as próximas caricaturas nacionais.
Não fosse a situação tão grave para grande número de compatriotas do Zé Povinho – quais zépovinhos sem cheta e com as mãos a abanar – e estas histórias até podiam ter alguma graça. Ainda por cima vindas da boca de alguém a quem os contribuintes pagam uns milhares de euros mensais para ele pensar o futuro nacional, a meias com a reflexão do futuro da maior fortuna do país.
Quantas voltas dará na sepultura Bordalo Pinheiro por não poder estar cá hoje, para desafiar com a sua pena todos estes figurões?
Zé Povinho acha ainda mais piada aos putativos apoiantes das ideias de António Borges, apenas implorando para que eles mostrem as suas folhas de impostos…

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 28 de Setembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

É uma feliz coincidência que quando se perfazem 500 anos do Compromisso da Rainha, o  Hospital Termal (e parte da sua área envolvente) fique a um passo de ser classificado como monumento nacional pelo Estado português.
O edifício que representa a génese das Caldas da Rainha, em torno do qual se fundou uma terra que viria a ser cidade e que determinou grande parte do seu crescimento, dando-lhe também identidade e prestígio, é um símbolo poderoso que Zé Povinho aqui gostaria de relevar.
Numa altura em que se discute – quantas vezes de ânimo leve – o futuro do Hospital Termal, num momento particularmente difícil da história do país (e do próprio Hospital que está mais uma vez fechado por motivos bacteriológicos)f, esta classificação anunciada simboliza que o passado também tem uma palavra a dizer na construção desse futuro.
É pacífico entre os especialistas do património que o mais difícil deste processo já está feito e que é expectável que o Hospital e o Parque D. Carlos I e sua área envolvente venham, de facto, a ser classificados. Só falta agora que a Mata não fique de fora, coisa que só pode ser evitada se os caldenses se interessarem, exercendo a sua cidadania e propondo que a classificação abranja também aquele importante património histórico-natural.
Zé Povinho entende que só assim o Hospital Termal estará no epicentro deste alargado monumento nacional que muito deverá honrar as Caldas da Rainha, acrescentando-lhe valor e protegendo-o de devaneios menos respeitadores da sua identidade.

Zé Povinho acha inexplicável como funcionários subalternos (por muito que estejam nos topos das carreiras internas) das organizações como o Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, se arrogam no direito, em nome dessas organizações, de imporem programas de reajustamento económico de uma dureza incomensurável, que pode destruir países.
Não parece crível que estes actuem à margem das directivas que são dadas pelos responsáveis por aquelas organizações, respectivamente a ex-ministra francesa das Finanças Christine Lagarde, o ex-primeiro-ministro português, Durão Barroso e o ex-governador do Banco de Itália, Mário Draghi.
Os altos funcionários que vêm a Lisboa massacrar os portugueses não têm nenhum mandato celestial que lhes dê o direito de autonomamente exigirem decisões que estão a destruir um país, apenas invocando princípios e regras de uma putativa teoria económica e financeira, que pelos vistos não vai dar certa.
Eles pertencem a organizações em que Portugal é parte. E por muito que o país tenha cometido erros (muitas vezes incentivado e protegido por outros responsáveis das mesmas organizações) não há o direito de o tratar como pária ou pedinte.
Zé Povinho acha que na vida comum dos cidadãos ser-se devedor de um banco ou outra entidade não dá a estes o direito de o tratar como delinquente ou foragido, que é o que parece ser o tratamento de que Portugal está a ser alvo. Ainda para mais com a aprovação interna de alguns responsáveis governamentais.
Portugal e os seus representantes deveriam assumir a sua voz responsável e falar de igual para igual com estes credores, que afinal são representantes de organizações em que se é sócio e participante.
O facto de líderes internacionais, como Barroso, Draghi e Lagarde mais quererem parecer que os assuntos lhe passam ao lado e não são da sua responsabilidade, deixando aos seus subordinados a utilização de toda a espécie de instrumentos de tortura (económica e financeira), não pode ser aceite.
Eles terão de assumir as suas altas responsabilidades e não podem continuar a fazer declarações positivas em relação à resolução dos problemas da Europa no seu conjunto, e ignorarem olimpicamente as crises com que cada país se debate.
Zé Povinho não ignora a atitude daquelas três figuras, uma das quais até de origem portuguesa, e acha que os responsáveis máximos de Portugal, como dos outros países intervencionados, se deviam unir para os enfrentar nos vários palcos internacionais onde têm assento.

A semana do Zé Povinho

Publicado a 21 de Setembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Foi uma manifestação pacífica, mas não foi uma festa, embora organizadores e participantes não disfarçassem a sua alegria pelo êxito do protesto expresso em número de pessoas que a ele aderiram.
No sábado passado, nas Caldas da Rainha e em todo o país, muitos milhares de portugueses saíram à rua para mostrar a sua indignação contra as medidas de austeridade que progressivamente o governo tem lançado sobre a maioria, sem quase dar tempo de as pessoas respirarem ou se adaptarem.
Mas tudo tem um limite e desta vez o povo saiu à rua. Nas Caldas, apesar de serem pouco mais de mil pessoas, assistiu-se a uma das maiores manifestações depois do 25 de Abril. Zé Povinho gostou de ver como esta decorreu de forma ordeira, apesar da raiva de muita gente, que vive situações verdadeiramente dramáticas devido às políticas anti-sociais do governo.
Estão de parabéns os caldenses – os de todos os partidos e os que não têm partido nem neles se revêem – que deram esta verdadeira lição de cidadania, numa manifestação espontânea à margem dos sindicatos e das forças políticas partidárias. Foi cidadania e civismo em estado puro. E também pura indignação.

Na semana passada Zé Povinho acusou duramente Passos Coelho de ter desencadeado a crise que uniu o país contra si e o seu governo, não sendo descortinável nessa altura o papel desempenhado pelo seu companheiro de coligação, o CDS/PP de Paulo Portas.
Com o correr da semana, Zé Povinho entendeu de alguma forma como a coligação funcionou perante tão penoso e difícil problema, em que foi permitido saber o que acontece quando o parceiro da coligação prefere ausentar-se para o estrangeiro no momento em que o país se debate com problemas graves. Neste caso, os assuntos tratados à distância têm como consequência que as questões mais sensíveis sejam decididas controversamente, permitindo que à posteriori (e na sequência da imensa indignação levantada pelos milhares de manifestantes) um parceiro manifeste o seu desacordo perante tão problemática solução, no caso o forte aumento da TSU para os trabalhadores.
Paulo Portas mostrou ao seu companheiro do coligação, qual especialista em tratar a coisa pública que ele é, mas ficou mal na fotografia, pois para a opinião pública não passou favoravelmente a atitude e os seus colegas de coligação vão cobrar esta traição.
Mas também mal na fotografia ficou o ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, que tendo acompanhado e aceite o desenrolar do processo do aumento da TSU para os trabalhadores, não foi claro quando teve de o explicar e contrariou o que a maioria dos militantes do seu partido defendem hoje publicamente.
Não lhe basta desculpar-se, agora que foi ignorado nas reuniões do governo com a troika, o que demonstra o papel com que é encarado em tão crucial dossier, mas mesmo assim nunca explicou claramente as razões e justificações para tão “criativa” solução, que teve o capricho e a particularidade de juntar quase toda a gente contra.
Zé Povinho não aceita o oportunismo de Paulo Portas a tentar enterrar Passos Coelho, quando ambos estão no mesmo barco, nem a ingenuidade de Pedro Mota Soares de não ter percebido o sentir de pelo menos dos militantes do seu partido.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 14 de Setembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

A 20 de Fevereiro de 2009 Zé Povinho registou pela primeira vez o desempenho de Frederico Silva, jovem prodígio do ténis português e até manifestou, na altura, o desejo de o ver um dia “levantar um troféu do Grand Slam”.
Esse momento chegou, três anos e quase sete meses depois, provavelmente mais cedo do que o próprio Frederico poderia esperar.
O tenista caldense tornou-se no passado sábado o primeiro português campeão deste tipo de torneio (dos mais conceituados do mundo), no US Open de Nova Iorque. Conseguiu-o na variante de pares, no torneio reservado aos juniores, na companhia de um britânico, sinal que a velha aliança ainda dá alguns resultados.
É um feito brilhante – mesmo que a conquista não tenha sido na competição individual – deste prodígio do ténis nacional, grande esperança da modalidade em termos futuros. O próprio jogador confia nas suas capacidades e mostra a ambição reservada aos campeões: quer repetir o feito, mas na competição principal.
Numa altura como esta, em que a insegurança em relação ao presente e ao futuro é tão grande entre os portugueses, sobretudo entre os mais jovens, Zé Povinho arriscaria mesmo dizer que, com esta vitória, Frederico Silva é, pelos dias de hoje, um dos poucos portugueses satisfeitos.
Tal como o fez em Fevereiro de 2009, Zé Povinho volta a deixar o desejo que um dia o Frederico possa vencer novamente um Grand Slam, mas no circuito de elite, como pretende, elevando o ténis português e caldense a uma dimensão inimaginável há poucos anos atrás.

Por estes dias há também um português satisfeito. Ele chama-se Pedro Passos Coelho e é primeiro-ministro de Portugal. É difícil imaginar um governante mais sortudo e mais realizado. Ele tem uma ideologia neo-liberal na qual acredita piamente. Ele está convencido que o empobrecimento dos portugueses conduz a um aumento da competitividade nacional. Ele acredita que baixar as contribuições para a Segurança Social às empresas e aumentá-las aos trabalhadores fará criar mais emprego. Ele tem a convicção de que o aumento do desemprego conduz a uma desejável baixa dos salários e, logo, a uma vantagem comparativa da economia portuguesa na economia mundial. Ele está seguro que é necessário cortar com tudo o que seja público ou do Estado porque isso tornará os portugueses menos dependentes e mais empreendedores e competitivos.
Se as coisas não estão a correr dessa maneira, a culpa é certamente do país, que, sabe-se lá porquê, não encaixa na cartilha neo-liberal. Para o primeiro-ministro isso não é importante. Os parcos manuais de economia política em que ele tem fé dizem que é assim e assim continuará a ser.
Nunca, desde o 25 de Abril, houve um primeiro-ministro e uma equipa de governantes tão felizes, com tanta facilidade em pôr em prática as políticas em que acreditam. Têm uma maioria parlamentar (em coligação) e, sobretudo, têm o respaldo da troika. E assim, com as costas quentes, podem produzir os dislates que bem lhes apetecer. Faz lembrar aqueles miúdos da rua que só fazem maldades quando têm o pai por perto. Este governo tem também um paizinho próximo – a troika.
Alguém acredita que estas medidas de austeridade sucessivas são uma inevitabilidade e se destinam unicamente a pagar a dívida e reduzir o défice, satisfazendo os credores? Não. Estas medidas são ideológicas, são políticas, são um ajuste de contas com o próprio 25 de Abril, vindas da mais juvenil direita ultra-liberal. São políticas que envergonham muitos militantes do PSD e do CDS/PP, que já afirmam por aí que não se revêem neste governo.
Zé Povinho não duvida que o Dr. Passos Coelho é um homem feliz. Ele, o Dr. Vítor Gaspar e os restantes muchachos do seu governo (com excepção do Dr. Paulo Portas que, de forma cobarde, prefere estar ausente quando são anunciadas medidas de austeridade que há bem pouco tempo ele contestava em carta recente aos militantes). Mas Zé Povinho vê os restantes milhões de portugueses bastante infelizes. E revoltados. E por isso não pode deixar de expressar a sua mais profunda indignação para com esta equipa governativa que tantas malfeitorias têm feito aos portugueses.


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