Hoje e amanhã há Caldas Late Night

Publicado a 24 de Maio de 2013 . Na categoria: Cultura Painel . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Hoje e amanhã, dias 24 e 25 de Maio, realiza-se mais uma edição do Caldas Late Night (CLN). O evento promete transformar a cidade e vai contar como é habitual com exposições, concertos, intervenções artísticas que terão lugar no espaço público e também nas próprias casa dos participantes que abrem as suas portas para dar a conhecer os seus projectos artísticos.
Segundo Francisca Branco, uma das organizadoras da 17ª edição desta iniciativa dos alunos da ESAD, já estão garantidas intervenções em locais como o Parque, Rodoviária, Rua das Montras, Silos, Largo do Hospital Termal e nas várias Praças. O evento este ano terá uma abertura oficial às 14h00 na Praça 5 de Outubro e  a habitual Guerra de Almofadas decorre em seguida, tendo-se transferido da Rua Heróis da Grande Guerra para a Praça da Fruta. O arraial popular também já está marcado para a Rua Leão Azedo e terá lugar  na noite de sexta-feira.
Ao todo, até ao fecho desta edição, já existiam 150 intervenções inscritas no evento. O CLN contou nas últimas semanas com  alguns eventos associados onde foi possível angariar alguns fundos para a sua concretização.
O CLN vai realizar-se pela 17º ano consecutivo e tem como tema “Onde está o Caldas?”. Esta grande festa, relacionada com a divulgação artística equivalente ao que se faz noutars cidades com a queima das fitas, atrai milhares de pessoas de fora da região, que durante dois dias terão oportunidade de contactar com várias formas de arte e de expressão.  O CLN só terminará quando o sol raiar, já domingo, com a habitual festa na escola, cuja organização vai estar a cargo do café Maratona.

N.N.

Welcome Summer regressa a Óbidos em versão baixo custo

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Dois anos depois, o Welcome Summer Óbidos está de regresso, desta vez com uma imagem de mini festival de baixo custo.
O evento, que terá lugar no Parque Tecnológico de Óbidos nos dias 15 e 22 de Junho e a 6 de Julho, foi concebido para receber até 2500 participantes por dia e destina-se a pessoas de toda a região e a turistas.
O empresário Daniel Mateus, que organiza o festival, explica que o conceito low cost que lhe está inerente, começa desde logo pelo preço da pulseira para os três dias, que é de 10 euros. Também serão vendidas pulseiras para cada dia, com um custo de sete, seis e cinco euros, respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiro dias do festival.
O recinto desta segunda edição vai ser composto por uma esplanada onde se poderá ouvir o som de bandas em acústico, um palco principal com bandas de covers e uma tenda, com capacidade para mais de 2000 pessoas, que irá acolher os Djs convidados. As portas do festival vão abrir todos os dias as 21h30, seguindo-se meia hora mais tarde a actuação na esplanada. Pela meia-noite terá início as actuações no palco principal e, duas horas mais tarde, começam os Djs na tenda.
Cada noite vai ter um tema. A 15 de Junho será a Noite Final de Aulas e o evento será inaugurado pela banda Os Oppidum, de Óbidos. Depois vão estar em palco os caldenses Declínios e na tenda o Dj Ride.
A 22 de Junho decorrerá a Noite Sexy Love com a presença, pela primeira vez em Portugal, da Dj Sabrina Boing Boing e também da Djoana. A associação Abraço vai oferecer preservativos.
A 6 de Julho comemora-se a Noite Bogani, com a presença do Dj nacional The Fox, acompanhado pelo obidense Dj Yama. Na esplanada actuará o grupo caldense Cauda de Tesoura e os Jim Dungo estarão no palco principal. Nessa noite o café será grátis.
O festival é organizado pelo empresário obidense Daniel Mateus  e tem um investimento que ronda os 10 mil euros. O evento conta com o apoio da autarquia, Óbidos Criativa e Parque Tecnológico.

Fátima Ferreira
fferreira@gazetacaldas.com

Um novo espaço de exposição de arte e antiguidades nas Caldas

Publicado a 20 de Maio de 2013 . Na categoria: Cultura Destaque . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Há um novo espaço nas Caldas dedicado às obras de arte, sobretudo à cerâmica, cuja abertura aconteceu na passada quarta-feira, 15 de Maio, Dia da Cidade.
Instalou-se na Rua da Liberdade, nº 18, onde antes estava a Pastelaria Conde e que agora vai dedicar-se à exposição e divulgação de obras de arte da colecção particular de Jorge Figueiredo Ferreira, caldense que encerrou um espaço similar em Lisboa e que agora decidiu abrir um espaço dedicado à arte na sua terra natal.
Será sobretudo destacada a cerâmica das Caldas e a cerâmica de autor. “Tenho a certeza que Bordalo Pinheiro entrou neste espaço”, disse o mentor deste projecto à Gazeta das Caldas. “A minha anterior inquilina disse-me que o seu pai, fundador do negócio da pastelaria, era amigo do artista”, acrescentou o mentor deste projecto, acrescentando que vai também estar disponível para realizar visitas, por marcação, a este espaço que tem como intuito dar a conhecer a sua colecção de arte particular.
Poderão ser apreciadas obras de Ferreira da Silva, Querubim e de vários ceramistas caldenses como José F. Sousa, José Alves Cunha e  de Francisco Gomes de Avelar. Da sua colecção fazem parte também peças de Armando Correia, de Eduardo Constantino e de Paulo Óscar. Integra ainda algumas pinturas como de Martins Correia.
Para este antigo marchand d’Art, de 59 anos, no futuro “poderão ainda realizar-se algumas exposição temáticas”, rematou.

N. N.

Sucesso do Falo do Beco abre caminho a mais iniciativas da Confraria do Príapo

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Foi um sucesso a iniciativa Falo no Beco, que teve lugar no sábado, 11 de Maio, no Beco do Forno. “Superou as nossas melhores expectativas”, disse Edgar Ximenes, presidente da Confraria do Príapo, que não podia estar mais satisfeito com a grande adesão do público ao evento, centrado em destacar a cerâmica erótica das Caldas.
O responsável contou que se vão repetir os eventos relacionados com os falos das Caldas, numa tendência para fazer eventos “cada vez melhores e com maior projecção” de modo a levar esta marca distintiva longe das fronteiras da cidade.

A festa anual da Confraria do Príapo decorreu durante todo o dia no Beco do Forno. De manhã houve uma exposição-venda das Malandrices que contou com a participação de vários autores e muito público. “Foi mesmo muito bom. Há muita gente interessada nesta temática”, disse o presidente da Confraria que considera que, aos poucos, se está a conseguir conquistar a cidade, “a ultrapassando o preconceito e a trazer as pessoas a verem que o tema é divertido, engraçado que não é ordinário e que é uma mais valia em termos culturais e comerciais”.
Houve momentos em que parecia que o Beco do Forno não chegava para tantos interessados em conhecer as diferentes propostas das malandrices, das mais tradicionais às mais contemporâneas e não só em cerâmica como também em doçaria.

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Uma noite intimista no Sana Silver Coast ao som de Tiago Bettencourt

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O Sana Silver Coast Hotel, nas Caldas da Rainha, foi o palco escolhido para o mais recente “Concerto Mais Pequeno do Mundo” da Rádio Comercial. No passado dia 4 de Maio um restrito grupo de pessoas teve oportunidade de assistir a um concerto verdadeiramente intimista de Tiago Bettencourt, o cantor e compositor que em 2003, e ainda como vocalista dos Toranja, com a música “Carta” foi catapultado para a fama.
Nestes últimos dez anos, Tiago Bettencourt afirmou-se a solo e participou em diversos projectos musicais. Ao longo da sua carreira muitos são os que se deixam encantar pelas letras e músicas únicas e “que fogem às fórmulas”, muitas das quais recuperadas no álbum “Acústico”, editado no ano passado.
Foi este o álbum que Tiago Bettencourt trouxe ao mini concerto nas Caldas da Rainha. Um espectáculo aberto apenas para 10 ouvintes da Rádio Comercial (e respectivos acompanhantes) que se surpreenderam com uma nova letra para a música “Carta” e para alguns (poucos) convidados.
O resultado: uma oportunidade única de ouvir alguns dos temas assinados pelo cantor natural de Coimbra num ambiente “familiar”. Quem o diz é o próprio Tiago Bettencourt, que à conta das férias passadas na Foz do Arelho e em São Martinho do Porto conhece bem a região. “Sinto-me em casa”, garantia no final de um concerto que arrancou dos presentes rasgados elogios.
Já mais complicada foi a proximidade (maior do que o costume) ao público. “Nunca fui aquela pessoa que no meio do grupo de amigos puxa da guitarra e começa a cantar, por isso é muito difícil para mim tocar para um grupo tão pequeno de pessoas. Ainda por cima, esta sala tem uma acústica muito boa e ouve-se tudo, qualquer cochicho, qualquer disparo de máquina fotográfica”, confidenciou.

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Já há uma história sobre as estadas de D. João V na Vila das Caldas

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Foi apresentado na tarde de domingo, 12 Maio, no CCC, o novo livro de Carlos Querido, “A Redenção das Águas – As peregrinações de D. João V à Vila das Caldas”. O foyer encheu-se de familiares, amigos e conhecidos deste autor que se divide entre a sua profissão de juiz e o seu amor à história e estórias locais. Da sua pesquisa ao século XVIII nacional e caldense, Carlos Querido deu agora à estampa esta obra, a primeira da editora Arranha-Céus, que assim inaugura uma colecção dedicada à História.
O autor esteve acompanhado pelo editar João Paulo Cotrim, a vereadora Maria da Conceição Pereira, a livreira Isabel Castanheira e o professor José Carlos Almeida.

“É provavelmente um dos melhores livros escritos sobre as Caldas”. Foi desta forma que Carlos Mota, director do CCC, se referiu a “A Redenção das Águas – As peregrinações de D. João V à Vila das Caldas” logo no início da sessão de apresentação deste romance histórico.
A apresentação da obra, decorreu no foyer do CCC e os convidados da mesa tinham atrás de si um belo cenário barroco que serviria depois da sessão para um espectáculo de marionetas. O grupo SA Marionetas, de Alcobaça, apresentou a peça também dedicada a um monarca, também João, mas desta vez o VI, que partiu com toda a corte para o Brasil.
O livro de Carlos Querido passa-se quando o rei absolutista D. João V visita as Caldas entre 1742 e 1750 pois este considerava que águas locais lhe curariam o corpo e a alma. Foi este o ponto de partida para uma viagem que Isabel Castanheira partilhou com os presentes, passando em revista obras que se referem à localidade, numa interessante resenha histórica. Referiu  excertos de textos de Júlio César Machado, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Luís Teixeira, Armando Ribeiro, Pinheiro Chagas, Manuel Alegre, Nicolau Tolentino de Almeida, Luís Teixeira, Maria Letizia Rattazzi, Fernando da Silva Correia, Miguel Torga, Gil Vicente, entre tantas outras personalidades que escreveram sobre as Caldas.

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“War(m) Up!” precede a “O Fim da Violência”

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Até ao final do mês está patente na Casa Bernardo, na rua Maestro Armando Escouto, a exposição colectiva “war(m) Up!” que antecede uma outra mostra de artes plásticas a inaugurar a 8 de Junho, intitulada “O Fim da Violência”, em que participam alguns dos mesmos artistas.
Esta sexta-feira, 17 de Maio, vão estar alguns dos participantes na Casa Bernardo para uma conversa sobre a exposição.
“O Fim da Violência” é a terceira de uma série de exposições, comissariadas por João Fonte Santa, em que os artistas plásticos fazem uma reflexão sobre a actual crise económica e política que estamos a viver. O título parte de uma citação atribuída a Gandhi: “a pobreza é a pior forma de violência”.
Depois da “contestação” e da “análise”, temas abordados nas duas primeiras exposições, a Casa Bernardo receberá trabalhos relacionados com a “utopia”.
“Se imaginarmos que a crise foi ultrapassada, que sociedade imaginamos ou propomos”, explicou João Fonte Santa.
Para este ciclo de exposições foi pedido aos artistas dois tipos de intervenções: as suas peças e uma contribuição para o projecto colectivo. Na primeira exposição cada artista fez uma “emissão” de notas de escudo, na segunda um cartaz com o tema “Portugal ano zero” e para esta terceira é pedido a cada artista que faça o levantamento de uma organização social auto-organizada, de cujo trabalho resulte um projecto para a transformação da sociedade.
Este projecto conta com a participação de António Caramelo, Inez Teixeira, Gustavo Sumpta, João Belga, João Fonte Santa, Mafalda Santos, Margarida Dias Coelho, Paulo Mendes, Pedro Amaral, Pedro Bernardo, colectivo Sara & André e Susana Gaudêncio.

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Dia Internacional dos Museus bem comemorado em toda a região

Publicado a 17 de Maio de 2013 . Na categoria: Breves Cultura . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Museu de Cerâmica (Caldas da Rainha)
O Museu da Cerâmica vai comemorar o Dia Internacional dos Museus a 18 de Maio, com demonstrações do trabalho do barro manualmente e na roda, com a presença de oleiros ao vivo no jardim.
Em simultâneo vão decorrer animações no jardim, com modelação de balões e coreografias musicais, assim como demonstrações de desenho livre dos alunos do Cencal nesse espaço. Os participantes poderão levar para casa as peças que produziram.
A Noite dos Museus conta com visitas guiadas à exposição permanente e exposições temporárias.
O Museu está aberto ao público entre 10h00 e a meia-noite. As entradas são gratuitas.

Museu Malhoa(Caldas da Rainha)

No dia 17 de Maio, pelas 18h00, será inaugurada a exposição  de desenhos inéditos de Malhoa e de Henrique Pinto, provenientes da colecção particular da família de Henrique Pinto.

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Mais de 200 actores juntam-se em A-dos-Negros para espectáculo comunitário

Publicado a 12 de Maio de 2013 . Na categoria: Cultura Painel . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Óbidos está apostado em manter viva a tradição dos Maios ou Maias, uma festividade ancestral ligada à celebração da vida e da natureza.

Iniciada o ano passado, a iniciativa “Maiando o Maio” é dinamizada por associações e particulares que voltam aos campos para apanhar as flores com que depois irão embelezar fontes e fontanários do concelho. O ponto alto desta edição será no próximo dia 18 de Maio com um espectáculo em A-dos-Negros, envolvendo a comunidade.

O espectáculo Bona Dea irá juntar, na noite de 18 de Maio, 200 actores na aldeia de A-dos-Negros. As linguagens do teatro visual, a música, a dança e o canto vão cruzar-se numa convivência festiva onde o público é convidado a visitar a aldeia através de um percurso pré-estabelecido. “Procurámos neste encontro com a aldeia uma forma de revisitarmos a festa “As Maias” e em conjunto com a comunidade local criar um espectáculo a partir deste universo, valorizando a ideia de celebração, de vida, de fertilidade, de renascimento, de força, de culto, de terra, de natureza”, explica Celeste Afonso, que dinamiza o projecto “Maiando o Maio” em conjunto com Teresa Perdigão.

Este espectáculo está a ser coordenado por Mafalda Saloio que, entre outras coisas, desenvolve trabalho com a comunidade, utilizando o teatro como um ponto de encontro e desenvolvimento humano. No início do espectáculo será entregue um guião com a sinopse e um pequeno mapa com o percurso.

Para a escolha da localidade jogaram elementos como a geografia do local, que é sinuoso e disperso, além de que A-dos-Negros já possui o levantamento das fontes existentes.

O evento “Maiando o Maio” começou na noite de 30 de Abril, na Porta da Vila (em Óbidos), com a preparação das maias, que depois foram colocadas nas aldrabas das portas e janelas das casas. A animação foi garantida por músicos locais e, por fim, juntaram-se todos para uma ceia comunitária.

Já nos dias 18 e 19 de Maio a população é convidada a adoptar uma fonte ou curso de água, e a enfeitá-lo com flores naturais. O objectivo é “sagrar as fontes e a água nesse fim-de-semana”, conta Celeste Afonso, acrescentando que este é também um pretexto para que se possa conhecer melhor o concelho.

Os vários centros de dia já adoptaram uma fonte e irão enfeitá-la, assim como os jardins de infância que, por trabalharem bastante a temática da reciclagem, irão decorá-las com flores de papel e de plástico. Teresa Perdigão e Celeste Afonso deixam um desafio a toda a população: era muito importante que quem tem uma fonte na rua ou no seu bairro se organizasse entre si e a enfeitasse. E não precisam de comprar flores, pois a ideia é “usar o que a natureza nos dá”, explicam.

O percurso com as fontes enfeitadas assinaladas será, posteriormente, divulgado para que a comunidade e os turistas as possam visitar.

Esta edição começou a ser preparada já o ano passado, com a comunicação do projecto às pessoas, que o receberam com bastante entusiasmo. “As associações e a comunidade, ao contrário do que poderíamos pensar inicialmente, foram extremamente receptivas”, explicou Celeste Afonso. O objectivo passa por continuar a envolver a comunidade, um ano em cada lugar, para que “fique este legado de trabalhar em conjunto”, concretiza.

Teresa Perdigão lembra que quando começaram a falar com as pessoas sobre as Maias ou Maios, ainda em 2011, estas inicialmente não reconheceram a tradição, mas recordam-se do dia em que tinham que se levantar cedo para não entrar o Maio em casa. “O que se pretende não é recriar, mas reviver e adaptar as festas e as celebrações aos tempos actuais”, explicou Teresa Perdigão, acrescentando que vêem as tradições como manifestação da identidade e da liberdade.

A festa das Maias é um rito ancestral que se tem perpetuado na vila de Óbidos, atestando a sua antiguidade e a continuidade da ocupação humana há mais de dois mil anos. A data foi inclusivamente escolhida para feriado de Óbidos, em inícios do século XX. Depois veio a ser substituída pelo dia 11 de Janeiro, que assinala a tomada de Óbidos aos mouros por D. Afonso Henriques.

Fátima Ferreira

fferreira@gazetacaldas.com

Da proibição à aceitação – como a Igreja encarou uma tradição milenar

A temática das tradições como afirmação da identidade e liberdade levou a professora Celeste Afonso e da antropóloga Teresa Perdigão a A-dos-Negros para um colóquio, no âmbito da iniciativa “Abril Cultural”, daquela Junta de Freguesia.

Teresa Perdigão falou das festividades feitas ao longo do ano, relacionadas com as actividades agrícolas, entre elas as Maias, em que havia o ritual de se levantarem muito cedo no primeiro dia do mês, para que o Maio não lhes entrasse em casa. Para evitar a preguiça, colocavam flores amarelas nas portas.

A antropóloga lembrou que os ciclos ligados à natureza, como a sementeira, a plantação e as colheitas, eram bastante festejados pelos povos antigos, muito ligados à terra. A Igreja Católica vai depois pegar nos antigos rituais e colocar-lhes uma ideologia cristã, explicou a oradora, que se lembra de assistir a celebrações onde o padre ia benzer os campos agrícolas.

Contudo, estas festas foram bastante reprimidas pela Igreja Católica ao longo dos tempos. De acordo com Celeste Afonso, estes rituais começaram a ser ligados com santos no século IV em Roma, com a tentativa de banir todos os actos pagãos e gentílicos. O primeiro documento oficial régio proibindo as Maias aparece em 1385, com D. João I a proibir todos os actos pagãos e a punir com o degredo da cidade a pessoa que continuasse a praticar este ritual. O documento acrescentava ainda que todos estavam obrigados a denunciar quem praticasse tais celebrações. “Estas festividades foram, de alguma forma, camufladas, mas não acabaram”, explicou Celeste Afonso, acrescentando que um em inícios de 1400 surge novo documento com penalidades ainda maiores para quem ousasse, por exemplo, festejar as Maias ou Janeiras.

No entanto, as tradições continuaram a persistir, sobretudo nos meios rurais, restando à Igreja incluí-las nas suas celebrações através de cantos litúrgicos e com a evocação aos deuses agora substituídas por santas católicas. Por exemplo, Bona Dea, a deusa romana da fertilidade, foi substituída pela Virgem Maria.

Já no século XVII a celebração das Maias é considerada inofensiva e passa a ser aceite.

“É importante perceber que estas festas contribuem para a nossa identidade”, afirmou Teresa Perdigão, acrescentando que a festa é um momento de “regeneração, mudança, transformação e liberdade, em que se podem fazer coisas que não se fazem no quotidiano”.

F.F.

Jazz do Valado dos Frades mantém-se fiel às origens

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Abriu da melhor maneira a 16ª edição do Festival de Jazz de Valado dos Frades com um concerto de Carlos Bica (contrabaixo), acompanhado por Carsten Daer (piano) e Hanno Stick (bateria), que juntou na Biblioteca Instrução e Recreio daquela vila várias centenas de pessoas.

O festival mantém a sua identidade e o seu público clássico, com espectadores fiéis que fazem centenas de quilómetros para assistirem, ou melhor, para participarem, neste ritual que transforma Valado dos Frades durante uns dias na capital do jazz em Portugal.

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