Manuel Ferreira, Manel Russo, ou simplesmente Manel. Por cá, e entre nós, conhecido como “Manel d’Ovar”, tendo sido aliás dessa forma que fizemos questão de espalhar a boa nova da sua recuperação através de uma noite em sua homenagem, na ASCP (Associação Cultural e Social Paradense) no dia 31 de Março. O amigo Manel protagonizou durante muitos anos noites de fados, de variedades, farras entre amigos e madrugadas repletas de boa energia. Muito fado, muita música de intervenção, muitas anedotas e muitas histórias. Acima de tudo, um contador de histórias – faladas, expressadas e cantadas.
O Manel sofreu há cerca de dois anos e meio um AVC, que o colocou numa posição bastante vulnerável. Contudo, e superando todas as expectativas da comunidade médica, assistimos a uma recuperação lenta mas incrível, sob o ponto de vista de evolução e da boa disposição com que ele enfrenta uma luta diária. Está neste momento dependente na sua mobilidade, mas totalmente livre de qualquer preconceito ou complexo de inferioridade, como de resto sempre nos habituou.
Há homens que por mais que tenham realizado, se mantêm numa total penumbra, fugindo dos holofotes, por iniciativa própria, dando tudo com uma generosidade enorme, colocando acima de tudo o interesse da coletividade.
Fala-vos do meu grande amigo Luís Barreto.
O Luís Barreto da Secla. Era assim que era conhecido. São vários irmãos, todos jogavam ténis, todos são Barreto, logo a distinção para identificar-mos o Luís era acrescentando o nome da empresa onde trabalhou e que tanto amou. Se alinhavo estas letras é porque perdi um amigo. Alguém que eu muito admirava.Conheci o Luís Barreto, quando entrei no CCC (Conjunto Cénico Caldense), vindo do teatro da Escola Rafael Bordalo Pinheiro.
Percebi no imediato, como era afetuoso, para com os mais novos.
O brilho que deixava irradiar dos seus olhos, demonstrando uma alegria enorme por ver chegar gente nova ao CCC, onde a sua mulher a Estefânia Barreto, representava como poucos e tantos êxitos deu às Caldas.
Foi no tempo da sua Presidência, que se sentiu uma maior abertura à participação dos jovens, inclusive a dançar, pelas mãos do Zé Correia.
Foi no seu tempo de Presidente da Direção, que um jovem como eu participou no elenco diretivo.
Foi no seu tempo que um grupo de jovens dentro do CCC, escreveu, encenou e representou a peça “Caldas Dia a Dia”, que originou grande burburinho, tendo sido proibida de voltar a ser representada pela Pide.
Foi com ele à frente do CCC, que jovens levaram à cena a peça de teatro, proibidíssima, de Bertolt Brecht, “A Exceção e a Regra”.
Incomodado pela pide, nunca se queixou, nunca se exibiu, mantendo aquele registo que sempre o caracterizou.
O Luís Barreto, obreiro de uma nova era que então se iniciou no CCC, teimava em não aparecer, em não se mostrar, preferindo o princípio de que tudo o que acontece nunca é obra de um mas de um grande número de pessoas.
Devo ao Luís Barreto, ter-me dado a possibilidade de ir mais alem, de ver aumentado em mim a curiosidade.
A ele se deve a recuperação da Azenha, na Quinta de St. António, transformando aquele espaço, naquilo que todos desejávamos que fossem as nossa vidas, um espaço livre e de liberdade.
Com ele assisti ao vivo na Azenha do Inferno, ao Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, ao Padre Fanhais, Luís Cila, José Jorge Letria, Fausto, e tantos outros.
Aquele espaço foi na minha juventude a possibilidade do meu encontro com uma certa rebeldia saudável, onde pontificavam artistas, escritores, pintores, e outros intelectuais.
Foi lá que pude começar a apreciar obras plásticas do Ferreira da Siva, Figueiredo Sobral e outros.
Foi lá que pela primeira vez vi um poster com a imagem do Che Guevara.
Este espaço fantástico onde a poesia pela voz da Estefânia Barreto me abria horizontes de esperança.
Mas o Luís Barreto tinha ainda um grande coração solidário. Eu mesmo fui também beneficiário dessa veia solidária e amiga.
Cada um de nós cresce envolto num casulo cujas referências nos marcam pela vida fora.
Tenho-me como um homem feliz, pois as referências que estão no meu coração são muitas.
O Luís Barreto não foi para mim um pai, nem um irmão mais velho, nem um protetor, nem um educador, nem um mestre, ele foi o que sempre quis ser, um anónimo, um espaço, um ser, que tínhamos que descobrir, que tínhamos de encontrar, para depois desfrutar para toda a vida.
Adeus meu grande Amigo. Um grande beijo.
Jorge Sobral
Sou portador do cartão de assinatura Nº 15967 Caldas da Rainha/Óbidos e uso todos os dias o comboio para ir e vir do local de trabalho.
Ontem, dia 17/04/2012, cerca das 22h20, liguei para s linha de apoio 808208208 da CP, a confirmar se o comboio regional 6411 Meleças/Caldas da Rainha estava previsto realizar-se, uma vez que a greve de maquinistas está em curso.
O assistente que me atendeu disse: “este comboio não está previsto realizar-se esta semana!”
Fiquei muito surpreendido, mas aguardei na estação de Óbidos pois pretendia ir até às Caldas da Rainha.
Contrariamente ao que o assistente referiu, o comboio 6411 2não previsto”, chegou a Óbidos às 22h48. Pontual!
Nesse comboio vinha o revisor Nuno Trindade, ao qual relatei a situação, ou seja, a informação dada pelo call center. O revisor aconselhou-me a reclamar por escrito.
Tendo ligado cerca das 22h20, a essa hora já o assistente tem a possibilidade de verificar e informar-me da realização ou não do comboio, visto o mesmo ter saído de Meleças às 21h09.
Assim sendo, muitos utentes não usam este e outros horários, por motivo das informações erradas dadas ao utente através da linha de apoio.
Não é a primeira vez que esta situação acontece e não pode continuar assim. A CP perder passageiros, tendo passe ou não!
Rui Pinheiro
NR- Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à CP, que nos fez chegar a seguinte resposta:
A Linha de atendimento 808208208 tem informação sobre as previsões de perturbações nos serviços de Longo Curso e Regional, por via da greve convocada pelo Sindicato Nacional de Maquinistas que se encontra a decorrer.
Estas informações, como já referido, devem ser consideradas como previsões, sendo as mesmas actualizadas frequentemente no decorrer da greve.
No entanto, é importante referir que a greve é uma situação resultante do exercício de um direito consagrado na Lei e que transcende a vontade da Empresa, sendo a adesão à mesma uma decisão pessoal dos colaboradores. Por essa razão, existem alguns casos em que, comboios que não estariam previstos ser realizados, acabem por circular devido à comparência de última hora de colaboradores, acontecendo também situações contrárias, que nos são impossíveis de evitar.
Ana Maria Portela
Olá, minha linda,
Hoje acordei com vontade de te contar uma história.
Nesta história não há fadas, nem príncipes e princesas com vestidos compridos cheios de brilhantes.
Nesta história há um povo e no meio dele, dois jovens, um homem e uma mulher, que tiveram a felicidade de viver os episódios que te irei narrar.
Mas toda a história tem de ter um princípio não é?
Então vamos lá.
Era uma vez uma terra, bonita, cheia de árvores que se enchiam de flores das mais diversas cores na Primavera, no Verão com os frutos mais suculentos e apetitosos, quando chegava o Outono as folhas transformavam-se em finas partículas com a cor de ouro e com a chegada dos frios e chuvas do Inverno estas caíam, deixavam as árvores despidas para se banharem à vontade e ficarem limpas e cheias de força para a época em que as flores nelas tornariam a nascer.
Uma terra com mar e praia, aonde se poderiam construir na areia os castelos dos nossos sonhos. Rios lindos que desciam das montanhas, alguns vinham de terras distantes, e entravam nas cidades para nos alegrarem, para serem admirados, para nos alimentar com a sua água límpida e boa.
Nesta terra tão bonita vivia um Povo triste.
Estás a perguntar como era possível as pessoas estarem tristes quando estavam rodeadas de coisas tão belas, não é verdade?
Como em todas as histórias, e esta não é diferente, também havia gente má, e era gente má, chamemos a eles “Tiranos”, que governava aquele Povo.
Estes senhores, os Tiranos, queriam todas as riquezas para eles. As jóias de princesas eram para as mulheres, os carros para eles, os brinquedos bonitos eram para as filhas deles, até na comida e nos doces tinham o mesmo comportamento. Tinham casas muito lindas, com piscinas e grandes jardins. E tinham exércitos para os proteger, vários tipos de exército, como mais à frente hás-de compreender, isto porque tinham medo que o Povo um dia se revoltasse e exigisse poder comer também daquela comida boa, ou que os filhos pudessem brincar com bonecas tão bonitas como as que eles tinham.
O Povo, chamemos a todos os outros Povo, andava cansado, triste, com medo desses exércitos, para um dos quais os filhos eram obrigados a ir, porque havia uma guerra lá muito longe, em outras terras que diziam que também faziam parte daquele País.
O Povo trabalhava todo o dia, saía muito cedo de casa e só voltava à noitinha. Tinha muito pouco dinheiro, até para ter comida em casa suficiente para se alimentar. Nem todos os meninos do Povo iam à escola, o que fazia com que houvesse muita gente que não sabia ler e escrever. Os pais estavam sempre cansados porque tinham de trabalhar fora muitas horas e recebiam muito pouco dinheiro, as mães andavam tristes porque não podiam comprar comida boa, ou roupa suficiente ou ainda brinquedos para os filhos.
Só para tu teres uma ideia como os Tiranos eram malvados, o Povo não podia ler, aqueles que sabiam ler, todos os livros que queriam, o mesmo se passava com a música ou o cinema.
No meio deste Povo, triste como já te mostrei, havia uns Jovens, lutadores, aguerridos, corajosos, que acreditavam que tudo poderia mudar, que um dia haveria igualdade entre todos.
Estes Jovens também tinham medo dos Tiranos, mas como eram muito corajosos lá inventavam maneiras de não serem apanhados e maltratados pelos Tiranos.
Como estes Jovens não queriam ir para a tal guerra que havia lá muito longe, ligaram-se, falaram também com os Jovens que pertenciam ao tal exército dos Tiranos e que estavam condenados a irem para essa guerra.
Falaram muito, planearam tudo com muito cuidado e baixinho para que os Tiranos os não ouvissem. Não foi fácil, eles tiveram de ter muito trabalho para que tudo viesse a correr bem.
No dia em que viram que estava tudo tão bem combinado, em que os Jovens acreditaram que nada podia falhar, eles resolveram fazer uma Revolução.
Foi num dia de Primavera, no dia dos anos da tua mãe, que nessa época ainda não tinha nascido.
E sabes como eles começaram essa Revolução?
Com música. É verdade, com música.
A música era o sinal que a Revolução tinha começado. Primeiro cantou-se na rádio a canção “E depois do adeus”, que, para quem estivesse ligado à Revolução, nas noutras partes da cidade, queria dizer que a Revolução tinha começado, depois foi outra canção chamada “Grândola Vila Morena”, que queria significar que estava tudo a correr bem.
Quando o Povo se apercebeu que o exército que tinha os seus filhos, os Jovens, tinha vindo para a rua para tirar o poder aos Tiranos, juntou-se a eles.
As ruas encheram-se de pessoas, os Tiranos encheram-se de medo, ficaram com o medo que dantes o Povo tinha. Uns fugiram, outros foram presos.
O Povo nas ruas abraçava-se, cantava, sorria, finalmente tinha-se tornado feliz, finalmente tinha-se tornado livre.
E a partir desse 25 de Abril, os pais já não estavam tão cansados porque começaram a trabalhar menos horas e a receber mais ordenado, porque não tinham de dar aos Tiranos grande parte dele. As mães podiam comprar melhor comida para as refeições e uma ou outra gulodice para os filhos, estes já podiam ir para as escolas, já iam tendo os seus brinquedos bonitos.
A guerra que havia lá longe, naquelas terras que diziam que pertenciam a este país deixou de existir e também aqueles povos se tornaram felizes.
Os Jovens já podiam ler o que queriam, escolher as músicas que queriam ouvir e ver os filmes que lhes interessavam.
E quando falo, no princípio desta narrativa, de dois jovens que viveram nesta época, refiro-me ao teu avô Fred e a mim, que na altura festejámos com muita alegria estes acontecimentos.
Foi desse 25 de Abril, que saiu o Portugal aonde tu vives agora. Por isso é importante termos um cravo vermelho por perto, recordando uma revolução que foi feita com flores e que por isso ficou conhecida como a Revolução dos Cravos.
Hoje, o dia é dupla comemoração, pois a tua Mamã também faz anos. E se há Revoluções importantes na vida das pessoas o nascimento de uma filha, com as qualidades que a tua Mamã tem, é a maior felicidade que alguém pode ter.
É um dia feliz.
Um beijo da
Avó Guida
Margarida Sousa
Corria branda a noite; o Tejo era sereno
a riba silenciosa; a viração subtil;
a Lua, em pleno azul, erguia o rosto ameno;
no Céu, inteira paz; na terra pleno Abril.
Tomás Ribeiro, in Judia
Era um enorme jardim. Flores, claro, imensas; cravos – vermelhos e de outras cores, alguns até raiados; rosas, também variadas e, as mais lindas de todas, para meu gosto – princípe-negro; e outras, muitas outras sardinheiras, alecrim, alfazema, salvas, papoilas, urzes, tojos, margaridas, violetas, amores-perfeitos…
O jardim era tão grande, tão grande que até tinha serras, lagos, era atravessado, em vários sentidos, por rios com muitos peixes e era banhado pelo mar em extensas praias que quase o contornavam.
Era mesmo um “jardim à beira-mar plantado”.
Também havia imensas árvores de fruto: olivais, laranjais, pinhais, soitos (castanheiros), amendoais, figueirais, assim como, de certo modo dispersos, carvalhos, nogueiras, choupos e plátanos. Lindas “alamedas de plátanos”.
No Verão as searas ondulavam com as brisas suaves fazendo lembrar o mar em dias calmos.
Ora, o descuido, a despreocupação, digamos mesmo o desleixo e o acolhimento consentiram que aquela bela natureza se fosse degradando.
Os rios, outrora límpidos, ficaram sujos e malcheirosos – os peixes morreram todos – as matas e os jardins foram sendo invadidos por heras, silvas, grama e outras ervas daninhas…até capim, planta exótica.
Só vos digo que estes jardins estavam de tal modo impenetráveis e mal tratados que se as plantas falassem e as árvores chorassem seria um colossal coro de lamentações.
Até que…até que…há sempre alguém que diz: Basta!
Dinis, disse o Afonso, procura o Vasco, telefona ao Nuno e ao Henrique, chama o João e o Sérgio, há que conversar…
São precisos homens e mulheres de boa vontade que queiram recuperar estes nosso espaço e permitir que o amanhã – nossos filhos e netos – o desfrutem plenamente.
Decidido!
Toda a gente se entusiasmou, todos ao trabalho – bons e maus, feios e bonitos, católicos, protestantes e ateus, brancos, pretos e ciganos – por que não? O jardim não deveria ser de todos e para todos?
Veio a Catarina com a sua foice, o José com a enxada, o Manuel com a tesoura de poda, o Alberto com a foice roçadoira, o Luís com um serrote, a Mafalda com um sacho, o Rui trouxe um ancinho e uma forquilha, o Bruno um podão, o Diogo um carro de mão, a Sofia e a Maria, um tractor, o Rafael uma pá grande e a Isabel, um pequenina, a Rosa uma sachola, o Hélder uma picareta. O Vasco trouxe uma grua enorme para as zonas mais difíceis, o Jorge e o Eduardo trouxeram um dumper.
- Vamps limpar isto, vamos limpar isto tudo…vamos conquistar o futuro, dizia o Militão com uma gadanha na mão.
Ei-los, povo unido, a caminho de uma nova aurora – Veleda (minha companheira de carteira), Agostinho, Maia, Ana, Bernardo, Raul, Cristina, Tomás, Paula, Vanda, Frederico, Fabião, Vítor, Otelo, Norton, Carolina, Ângelo, Flausino e Cláudio, Sócrates, Humberto, Gedeão, Mário, Álvaro, Alcina, Natália, Rosalina, Viriato, enfim vieram todos, todos não, quase todos. Embora atrasado, veio a correr o Gil, super suado e afogueado, dizendo:
- Eu sou o futuro, eu também quero trabalhar!
- Mãos à obra, mãos à obra.
Coragem e força minha gente, não é a primeira vez que estes trabalhos são feitos. Atrás de quem suja tem sempre de vir alguém que limpe.
Os mais confiantes e optimistas ainda os trabalhos estavam a começar e já anteviam os filhos e netos a nadar nos rios, a jogar à bola, ao pião e à bilharda, a escorregar nos escorregas, a fazer rodas contando, gozando os jardins, plenamente.
Os trabalhos foram árduos e morosos, mas…finalmente…missão cumprida!
Aquela Primavera – tempo de renovo – aquele Abril fora o mais lindo das nossas vidas.
Rebentaram festas populares, por tudo quando era sítio. Era a adiafa. O máximo meninos. O máximo meninos! Tudo era numa nice!
Um fungagá colossal, alegria a jorros. Toda a gente brincou, dançou, se divertiu à grande e à francesa. Foguetes estralejavam e ribombavam continuamente. Imaginem um colossal circo a derramar uma alegria também colossal..
Gigantones, cabeçudos, palhaços, zés-pereiras com os seus bombos, bandas de música tocando nos coretos e nas ruas, bailes em todos os cantos. Um charivari apoteótico.
Uma parodia total, uma verdadeira parodia. Resplandecentes fogos de artificio entonteciam-nos naquelas noites escuras, assim se festejando o final da escura noite.
Bem, o quintal está limpo, evite-se, agora, novas poluições, pois não pode haver saúde fora da natureza, uma natureza ecologicamente pura, bem entendido. Vamos instalar muitas estações de tratamento de lixos e esgotos e evitemos o desenvolvimento do escalracho e outras plantas malsãs.
Gritemos a plenos pulmões: poluição, nunca mais! Poluição, nunca mais! Poluição nunca mais!
Que acham?
Temos ou não o dever de tratar dos jardins?
Temos ou não o direito de tratar dos jardins?
Jaime Rodrigues
Gozei em excelente companhia na semana passada uma oferta feita no Natal de 2011 através de uma caixinha com o título simpático de Smart Box. Até aqui tudo bem. Foram quase 24 horas de encantamento num espaço cujo nome dá logo a entender do que se trata – Casal da Eira Branca. A eira serve de terraço panorâmico abrindo o nosso olhar para um vale onde passa uma ribeira e onde chegam os sons das tarefas da agricultura. O casal (lugar) chama-se Infantes e fica na freguesia de Salir de Matos (Caldas da Rainha). Além da eira, espaço de lazer onde outrora foi ponto de trabalho de malhar e joeirar, o conjunto dispõe de jardim, piscina, biblioteca, bar com Internet e sala de estar. Em suma – uma maravilha, um carregador de baterias humanas num espaço sossegado mas bem perto das praias da Foz do Arelho e São Martinho do Porto sem esquecer os diversos encantos da cidade de Caldas da Rainha.
Onde a caixinha falha estrondosamente é no seu mapa de Portugal e na bizarra maneira de referir a sua geografia. Começa por chamar «Norte» ao Nordeste Transmontano e, a seguir, chama «Beiras» a tudo o que aparece entre o Rio Douro e o Rio Tejo mas depois estica a noção de Beiras não só ao clássico (Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral) mas também à Estremadura. Não faz sentido por exemplo a Casa do Patriarca em Atalaia – Vila Nova da Barquinha (que é muito mais para Norte, bem perto de Tomar) fazer parte de Lisboa e Vale do Tejo e o Casal da Eira Branca em Salir de Matos (que é mais para Sul, bem perto de Lisboa) surge como das Beiras quando é (e sempre foi) da Estremadura. O mapa anexo apesar de velhinho (e até por isso) mostra como as divisões eram no princípio do século XX em Portugal. Já agora não confundir – existe um outro espaço com o mesmo nome em Óbidos, na Travessa do Facho.
José do Carmo Francisco
Permita-me, senhor Director, uma réplica à carta do presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados e presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, senhor Fernando Costa, por o assunto ser de importância fundamental para todos os residentes do concelho.
1 – O presidente confirma que houve um aumento e que foi grave no que se refere aos consumidores que gastem mais de 5 metros cúbicos de água por mês. É significativo que escolha ele próprio a palavra “agravamento”.
2 – É pena, no entanto, que não nos diga qual a percentagem dos que vêem o seu consumo “agravado” porque consomem mais de 5 metros cúbicos e qual a dos restantes que só foram beneficiados porque são em menor número.
Um agregado familiar de duas pessoas que não sejam muito idosas e que bebam água e se lavem todos os dias, que cozinhem e que lavem roupa e louça (mesmo que à mão, neste caso) nunca consumirá menos de 5 metros cúbicos. E acredito que há uma percentagem muito significativa de consumidores (com agregados familiares de três e mais pessoas) que gaste muito mais do que isso.
Divulgue esses dados, senhor presidente!
3 – O agravamento do preço não vem apenas do preço da água gasta e o presidente foge da questão como o Diabo da Cruz: é brutal a percentagem que as rubricas “conta trat. esgotos” e “serviços diversos” ocupam na factura da água sem que se perceba para que serve esse dinheiro.
Eu vivo numa freguesia rural (Serra do Bouro) onde as rupturas da canalização pública são frequentes, onde são os próprios técnicos dos Serviços Municipalizados que dizem estarem podres os canos, onde o pavimento fica por reparar depois de cada ruptura. Onde, praticamente, os Serviços Municipalizados não gastam dinheiro nesses “serviços diversos” e no “trat. esgotos”.
Diga-nos, senhor presidente, em que é gasto o dinheiro da metade da factura que vai para essas enigmáticas rubricas!
4 – O presidente invoca outros factores, e até uma possibilidade em jeito de “se cá nevasse, fazia-se cá esqui” de termos todos de pagar ainda mais se os SMAS integrassem a CIMOESTE, para justificar o agravamento.
Preferia, senhor presidente, que nos dissesse – por ser factual e tendo em atenção a sua garantia de que até poupamos no IRS graças à sua acção na Câmara – quantos habitantes do concelho é que são beneficiados pela redução da taxa do IRS que vai para a Câmara por comparação com o número de habitantes do concelho que consomem mais de 5 metros cúbicos de água por mês e que sofrem o agravamento no preço da água que o senhor e os partidos todos nos quiseram impor.
Pedro Garcia Rosado
São como extensões das Lojas do Cidadão, em localidades com menor densidade populacional e pretendem dar resposta às populações e a serviços fornecidos por entidades centrais, como, por exemplo, revalidação ou substituição da Carta de Condução.
Em Caldas da Rainha, o PAC. funciona no edifício da Câmara Municipal, junto à portaria. No site da Câmara Municipal é referido em relação a este serviço “…A proximidade é a marca identificadora do Poder Local, vocacionado cada vez mais, para a prestação de serviços, cuja descentralização, graças às novas tecnologia não para de crescer”.
Só que, ao que parece, estas ”novas tecnologias” só mesmo na imaginação porque no local, impressora não há, fotocopiadora também não e os utentes têm de se deslocar ao PAC de Óbidos para serem devidamente atendidos.
Num dia da semana passada fui ao PAC no intuito de saber o que era necessário para renovar a carta de condução de ligeiros. Deram-me um papel com a informação, perguntei qual o prazo médio de entrega e fui-me embora, voltando passado dois dias, a fim de proceder à entrega/renovação dos documentos.
Aguardando a minha vez, fui reconhecida pela funcionária, que estando a atender outra pessoa, me perguntou se era para renovar a carta de condução. Após a minha resposta disse-me que não podia receber os documentos pois não tinha impressora. Perguntei-lhe porque é que não me tinha dado essa informação há dois dias atrás quando lá fui pois teria evitado perda de tempo. Disse-me que eu não tinha perguntado. Respondi-lhe que só podia estar a brincar. Perguntar-lhe o quê? Sabia lá eu que era preciso alguma impressora, ou que eles já deveriam ter os impressos pelo menos fotocopiados, como os seus colegas em Óbidos, PAC este para onde me disse para eu ir! Mais referiu não poder ter afixada ou dar informação de não ter impressora pois a qualquer momento a mesma podia chegar e além do mais as pessoas costumavam levar muito tempo para trazerem o atestado (?).
Mas a Odisseia não ficou por ai. Na segunda-feira dia 9 de Abril, à tarde, dirijo-me ao PAC de Óbidos e quando o funcionário me vê com o atestado médico chama-me e diz-me que aquele assunto era da parte da manhã. A seguir pergunta-me se vinha das Caldas (claro que mandam toda a gente para lá) e após a minha resposta voltou a questionar “Então não lhe disseram que era só de manhã?!”. Apeteceu-me gritar que não tinha perguntado, não senhor, mas teria de explicar tudo e o senhor que me atendeu até tinha sido simpático em me ter chamado e até me ter dado o famigerado impresso fotocopiado do IMTT para eu ir preenchendo.
Quanto ao PAC de Caldas já sabem, se forem renovar a carta de condução ou requerer outro serviço, perguntem se tem impressora, fotocopiadora, calculadora, papel, se podem imprimir em casa e entregar lá, qual o horário de alguns destes serviços nos PAC’s vizinhos e já agora pergunto eu aos serviços Administrativos da Câmara Municipal: será que custa assim tanto imprimir um impresso numa qualquer impressora da Câmara e depois fotocopiar umas dezenas e colocá-los à disposição dos utentes-contribuintes no Posto de Atendimento ao Cidadão?
Fátima Paramos
NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à Câmara das Caldas da Rainha que nos fez chegar o seguinte texto:
O PAC (Posto de Atendimento ao Cidadão) registou recentemente alguns problemas técnicos que condicionaram o funcionamento daquele serviço o que, naturalmente, lamentamos.
Aquando o surgimento das primeiras dificuldades técnicas, estas foram imediatamente reportadas aos serviços competentes da Administração Pública Central, que têm estado a trabalhar para as resolver.
Lamentamos uma vez mais o transtorno que esta situação possa ter causado não só à munícipe em questão, como a outros, esperando a sua breve resolução.
Gabinete de Imprensa
Há já alguns meses foi tornado público uma situação de incumprimento de uma empresa para com os seus colaboradores, o que já vai sendo um lugar-comum nos dias de hoje. A empresa é a IAM e os colaboradores são cerca de 30 professores de atividades extra curriculares que lecionam a atividade de inglês no concelho de Alcobaça.
Algumas medidas foram tomadas, tendo sido uma delas a resolução do contrato com tal empresa por parte da Câmara alegando o incumprimento de algumas cláusulas daquela no que concerne ao acordo estabelecido. No entanto, nem todas as obrigações foram observadas, visto que quatro meses volvidos, há ainda muitos professores que continuam sem os seus merecidos honorários. Nalguns casos estão por receber os meses de setembro, outubro e novembro.
Ao que parece, o Estado português tem mecanismos legais que permitem a uma entidade resolver um contrato com outra por não estarem cumpridos todas as cláusulas do caderno de encargos, mas tal entidade não dispõe de mecanismos – ou não quer fazer uso deles – que lhe permitam certificar-se de que os colaboradores que prestam o serviço são devidamente remunerados. Mais: não houve sequer o cuidado de se certificarem de que a lei seria cumprida pela entidade prestadora dos serviços aquando da contratação dos colaboradores na medida em que desde setembro de 2009 os colaboradores deveriam ser contratados em vez de continuarem eternamente na situação precária dos recibos verdes.
Resolvido o contrato em dezembro, urge novo contrato que permita o bom funcionamento das atividades de inglês.
A IAM foi dispensada, mas os colaboradores continuaram sem receber. Ainda assim, dedicados à causa e por respeito a toda a comunidade educativa, especialmente aos alunos, que são a razão da sua existência, muitos professores continuaram a vestir a camisola.
Em dezembro novo contrato, desta vez com a Futurschool. Mais uma vez novas promessas aos mesmos professores, continuação dos recibos verdes, os quais são exigidos antes do pagamento, prática ilegal, mas corrente para quem anda nestas andanças, e consequentemente os mesmos atrasos nos pagamentos.
Pelos primeiros meses é responsável a IAM, a qual tem arranjado um sem número de argumentos, no mínimo bizarros, para não cumprir com as suas obrigações.
A responsabilidade pelos pagamentos em falta desde dezembro recai sobre a Futurschool, que também nela trabalham pessoas muito criativas para encontrar argumentos que lhes permitem adiar as suas responsabilidades.
No contrato verbal que fizemos foi dada a garantia de que receberíamos pelos serviços prestados no décimo dia útil do mês seguinte ao mês dos serviços prestados. Numa reunião que tive com uma das suas representantes coloquei uma questão muito clara:
- “A Dra sabe que os tempos são difíceis, mas eu gosto de receber a horas, a vossa empresa está preparada para pagar a horas mesmos que receba de quem de direito com algum atraso?”
- “ Fique descansado que esse é um problema que nós resolveremos.”
Bela forma de resolver problemas! Basta não pagar e passar a vida a fazer promessas.
Consequentemente, há um grupo de cerca de 30 pessoas que pertencem a 30 famílias estando alguns sem receber o seu merecido vencimento desde Setembro. Quem assume responsabilidade por tal situação? E as vítimas, como sobrevivem? (…)
Eu, como profissional que sou, faço o meu trabalho o melhor que sei e nunca levo para a sala de aula qualquer problema que me aflija, seja ele pessoal seja profissional, pois os meus alunos merecem que eu dê o melhor de mim todos os dias e em todos os momentos. Tenho a certeza de que os meus colegas têm a mesma postura. No entanto, importa salientar que para que tenhamos uma escola de qualidade é necessário que se faça um trabalho de equipa onde nenhum dos seus elementos pode negligenciar os seus deveres.
Luís Costa
NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta às entidades visadas – IAM e Futurschool -, mas só a primeira respondeu.
A resposta da IAM
Como diretor desta empresa, sou a informar que essa informação não corresponde à verdade.
A empresa IAM esteve em falta com os vencimentos para os referidos professores, por esta não receber qualquer honorário por parte do Município, que foi a entidade promotora e contratante.
Este apenas procedeu ao pagamento no mês de Março de parte da verba devida, e o que só aconteceu depois de tomadas diligências judiciais, e com o esforço pressionante de alguns professores.
Podemos comprovar que a maioria dos professores já recebeu os seus honorários por estes terem enviado atempadamente o nº de horas lecionadas e acompanhadas dos restantes documentos exigidos e como era hábito.
Todos os Professores que assim procederam já receberam os seus honorários, e outros estão a receber.
Informo também que é do conhecimento de todos os professores que todo o processo dos pagamentos passa pela retificação do nº de horas lecionadas de setembro a novembro enviadas pelos próprios e as autenticadas pelos agrupamentos. Em alguns casos as horas não estão conformes as autenticadas pelos agrupamentos e que nos chegaram no final do mês de fevereiro.
Mais informo que o Contrato foi resolvido por a Camara Municipal de Alcobaça não pretender pagar os honorários à empresa IAM, como acontece com outras que estão e que estiveram nas mesmas funções.
A empresa IAM tem toda a Vontade de Pagar, até porque já o tinha feito no primeiro mês de trabalho (setembro) dos professores supracitados, e já o fez à maioria dos mesmos.
Como é de compreender, não há empresa que aguente os encargos das Atividades de Enriquecimento Curricular sem que as Autarquias cumpram com as datas de pagamentos que normalmente nunca passa dos 60 dias, e que neste caso se estendeu aos 210 dias.
Compreendemos a revolta de alguns professores, e lamentamos que depois de explicado inúmeras vezes o motivo dos atrasos e apelado à calma e paciência, tenham tomado este caminho.
Jorge Santos
Após o fecho da última edição da Gazeta, recebemos a seguinte missiva da Câmara Municipal, que publicamos na íntegra:
Em relação à rubrica publicada no Correio dos Leitores em 26/03/2012, sobre o tarifário aplicado pelos Serviços Municipalizados, cumpre-nos esclarecer que os valores apresentados pelo Sr. Pedro Garcia Rosado não estão correctos.
1º. No que respeita ao fornecimento 3 m3 de água o valor a pagar pelo fornecimento utilizando o tarifário anterior a 2012 somaria 4,89 euros. Aplicando o tarifário actual o valor em causa será de 4,59 euros.
2º. Já em relação ao saneamento para 3 m3, considerando as tarifas antigas, o valor a pagar seria de 5,05 euros, enquanto aplicando as tabelas actuais a importância em causa será de 5,22 euros.
3º. Considerando-se um fornecimento 5 m3 de água o valor a pagar pelo fornecimento utilizando o tarifário anterior a 2012 somaria 6,01 euros. Aplicando o tarifário actual o valor em causa será de 5,65 euros.
4º. Explicitando os custos associados ao pagamento de 5 m3 de saneamento, utilizando as tabelas antigas, o valor a pagar seria de 5,75 euros, enquanto aplicando as tabelas actuais a importância em causa será de 6,03 euros.
5º. De facto o valor a pagar pelo fornecimento de 10 m3 água, utilizando o tarifário anterior a 2012 somaria 8,81euros. Aplicando o tarifário actual o valor em causa será de 10,45 euros.
6º. No que concerne ao saneamento, relativamente a 10 m3, considerando as tarifas antigas, o valor a pagar seria de 7,50 euros, enquanto aplicando as tabelas actuais a importância em causa será de 9,71 euros.
7º. Verifica-se assim, considerando a globalidade do fornecimento respectivamente água e saneamento, que há uma redução nos valores a pagar pelos consumidores no caso os consumos atinjam 3 e/ou 5 m3 havendo um agravamento no que concerne aos consumidores cujo consumo ascenda a 10 m3/mês.
8º. Nenhuma das tarifas sofreu qualquer aumento nos últimos 4 anos.
9º. Desde 2008 que os SMAS estão obrigados por contrato com as Águas do Oeste a adquirir 2.000.000 m3 de água, no entanto, só em 2011 é que estiveram reunidas condições para que fosse possível adquirir todo o volume de água atrás referido. Este facto traduziu-se num aumento de custos para estes SMAS de aproximadamente 1.200.000 euros.
10º Situação similar ocorre com a utilização do emissário submarino, propriedade das Águas do Oeste, que no mesmo período, levou a um aumento de aproximadamente 100.000 euros.
11º. Para além deste acréscimo de custos, resultantes dos compromissos contratualizados com as Águas do Oeste, há que referir em igual período aumento do custo de energia, aumento da taxa de IVA e de combustíveis em aproximadamente 20%. Tudo isto se traduz num acréscimo de custos na ordem de 200.000 euros.
12º. Por último, um estudo elaborado no âmbito da CIMOESTE pela empresa Deloitte previa caso os SMAS viessem a integrar essa empresa, o aumento do tarifário previsto seria superior a 100%, podendo atingir num cenário mais desfavorável aumentos da ordem dos 200%.
13º. Há de facto um aumento que se justifica entre outras razões pelas atrás apresentadas, mas se for efectuada uma comparação entre o tarifário em vigor no Município das Caldas da Rainha e os tarifários em vigor em alguns municípios da Região Oeste, verifica-se que este é muito mais favorável pelos consumidores.
Presidente do Conselho de Administração do SMAS
Fernando Costa





