O Ministério da Saúde ainda não nomeou novo Conselho de Administração, nem diz quando espera fazê-lo, apesar de questionado pela Gazeta das Caldas na passada terça-feira.
Com uma administração demissionária, a gestão do CHON tende a degradar-se, esperando-se que não aconteça o mesmo que em Torres Vedras, cujo hospital esteve quase dois anos em gestão corrente por o governo não ter nomeado uma nova equipa.
Para o CHON a tutela deverá escolher apenas o futuro presidente, que se encarregará de formar uma equipa com pessoas da sua confiança. O objectivo é obviar um erro congénito do actual Conselho de Administração demissionário, formado por pessoas de origens diferentes, que foram “obrigadas” a trabalhar de forma colegial numa fusão, imposta pela tutela, de três hospitais (Alcobaça, Caldas e Peniche), transformados subitamente numa única entidade (CHON).
A especificidade do hospital caldense, cujo património e área fazem dele quase um segundo município, não terá sido bem compreendida por todos os elementos da administração, mais habituados a uma gestão hospitalar “tout court”, voltada para os cuidados médicos.
Daí a incompatibilidade, logo à partida, entre os administradores vindos de Peniche e de Alcobaça (Alexandre Farinha e Adelaide Afonso, respectivamente) e os “caldenses” Manuel Nobre, Rosário Sabino e Manuel Ferreira. Terá sido, inclusivamente, uma notícia da Gazeta das Caldas acerca de investimentos na antiga Casa da Cultura e na Parada, que suscitou algumas discordâncias no Conselho de Administração acerca da aplicação dos recursos do CHON.
Neste particular, a administradora Rosário Sabino foi frequentemente acusada por alguns dos seus pares de “despesista”.
Conciliação difícil para equipa formada artificialmente
Por outro lado, e no que dizia respeito a decisões acerca do hospital das Caldas, a administradora Adelaide Afonso reivindicava idêntico tratamento para o “seu” hospital de Alcobaça, como se este tivesse a mesma dimensão do caldense.
As discussões no Conselho de Administração tornaram-se frequentes nos últimos meses, tendo, a poucas semanas da formalização do pedido de demissão, chegado a agressões verbais e a um ambiente dificilmente compatível com a boa gestão de uma instituição que é, no caso das Caldas, simplesmente a maior empregadora do concelho – 1500 postos de trabalho directos e indirectos.
Manuel Nobre terá procurado sempre consensos impossíveis, evitando exercer a sua autoridade de presidente de um órgão que, sendo colegial, deve ter liderança e pensamento estratégico, coisa que não chegou a existir (apesar de, neste caso, por culpa da tutela e das suas indefinições acerca do futuro do CHON, com particular relevo para o Hospital Termal).
A situação financeira do Centro Hospitalar tem vindo a agravar-se, embora já seja grave há muitos anos. O hospital das Caldas esgota-se no serviço de urgências, onde são pagas autênticas fortunas a médicos em horas extraordinárias e a empresas fornecedoras de médicos para assegurarem aqueles serviços. Em Peniche, uma dessas empresas já não recebe há alguns meses.
Nas Caldas gerou controvérsia o facto de algumas consultas externas estarem a funcionar em equipamentos amovíveis, cujo aluguer custa mensalmente milhares de euros aos cofres do CHON, em vez de em instalações construídas de raiz.
O futuro Conselho de Administração terá, pois, uma herança difícil para gerir. E no hospital correm os boatos e as perguntas do costume: quem será o presidente? Um médico ou uma administrador-delegado? Será da “casa” ou virá de “fora”? Perguntas às quais, provavelmente, nem o próprio Ministério da Saúde terá ainda resposta.
Carlos Cipriano







Qui tranquille volet vivere, nec agat multa. Quem quiser viver tranqüilamente, não cuide de muitos negócios. Qui tranquille volet vivere, nec privatim agat multa, nec publice. [Sêneca, De Tranquillitate Animi 12] Quem quiser viver tranqüilamente não deve tratar de muitos negócios particulares nem públicos.

