Zeladores municipais

Publicado a 25 de Junho de 2010 . Na categoria: Correio Leitores Opinião . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Entre aposentados e reformados interessados pelas suas freguesias poderia ser-lhes proposto, em regime de voluntariado, zelarem pelos espaços comunitários.
Como?
Convidarem indivíduos reformados, aposentados que demonstrem interesse pela sua cidade ou freguesia e estejam dispostos a colaborar e informar a autarquia sobre ocorrências e deficiências que encontrem no seu espaço comunitário:
1. Verificarem anomalias, buracos, iluminação pública, contentores de lixo, ecopontos, limpeza, acessos, estacionamento em cima de passeios, jardins, parques, floreiras, etc. etc. etc.
2. Localizarem as ocorrências, por escrito e fotografia, e apresentarem à Câmara Municipal e/ou Juntas de Freguesia, contribuindo com sugestões.
3. Como contrapartida e dignificação da tarefa, deveriam ser cordialmente recebidos e ouvidos,  valorizando-lhes o trabalho, apoiando-os na impressão das fotos tiradas aos locais e no  preenchimento  das ocorrência, anomalias, deficiências encontradas e até registar as suas opiniões e sugestões.
Para bem do nosso espaço comunitário, agradeço que estudem esta minha sugestão.

Artur Moura

Sugestão para as férias

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Ainda a propósito do apelo feito pelo Sr. Presidente da República –  “Vá para fora cá dentro”, para os portugueses se conterem e não desatarem a ir de férias para o estrangeiro, porque os tempos são de crise (calculo que todos os senhores ministros e deputados irão ser sensíveis a este apelo e darão o bom exemplo à Nação), gostaria de deixar aqui uma sugestão para as pessoas que, como eu, estão verdadeiramente a sentir a crise.
Estou desempregada depois de ter trabalhado muitos anos (comecei a sério aos 18) e tenho 45 anos, ou seja, estou há 15 anos fora de prazo para a idade limite que as empresas portuguesas querem porque o curriculum, a experiência e os conhecimentos não contam para nada. O meu marido trabalha na incerteza dos contratos sucessivos a prazo e ganha o ordenado mínimo nacional.
Ora, vivendo nós na zona das Caldas, a minha sugestão é que passemos as nossas férias de Verão na estação dos comboios da cidade.
Ela está sempre deserta – podemos repousar, bate lá bastante sol – ficaremos com  bronzeados dignos de quem esteve nas Caraíbas, e é lá que fica o armazém do Banco Alimentar Contra a Fome – sempre podemos ir petiscando, já que grande parte do tal ordenado mínimo é gasto praticamente em combustível para o membro do casal que ainda tem a sorte de ter emprego poder ir trabalhar. É que nem todos podemos viver na cidade e alguns meios rurais não têm transportes públicos.
Fica aqui a minha sugestão. Encontramo-nos lá então este Verão. Combinado? Boas Férias.

Ana Isabel Pinto

Quatro costelas partidas

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No dia 28 do passado mês de Maio tive o azar e a grande infelicidade de atropelar com o meu carro, a minha muito querida mulher, que graças a Deus já passou 81 primaveras.
Levei-a logo para a urgência do Hospital, cerca das 11 horas, de onde saiu às 16h30, tendo sido mandada para casa pelo Dr. Pedro Coito, que lhe disse que ela era de têmpera rija e que não tinha nada partido.
Passado dez dias, e sempre a queixar-se com dores, no dia 7 de Junho levei-a à urgência do Montepio Rainha D. Leonor, tendo sido observada pelo Sr. Dr. Vieira Lino, que segundo o raio X que lhe mandou fazer, lhe diagnosticou quatro costelas partidas.
Perante tal grave acontecimento, dirigi-me à directoria do Hospital para dar conhecimento ao Sr. Director da negligência do Dr. Pedro Coito.
Fui recebido pela secretária, D. Cristina, que me disse que o Sr. Dr. Nobre não estava, mas lhe transmitia o caso logo que ele chegasse, prometendo-me que me contactava, pelo que me pediu o meu contacto.
Passados já sete dias e sem receber qualquer esclarecimento, presumo que o Sr. Director não está interessado em averiguar a falta de profissionalismo do Sr. Dr. Pedro Coito.
Creio que estes casos não podem nem devem ficar omissos.
Creio até merecer a atenção da Direcção Geral de Saúde.

Carlos Raimundo

NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta ao Centro Hospitalar, que nos respondeu com o texto que a seguir transcrevemos.

Na sequência do email, datado de 15 de Junho de 2010, vimos informar que após análise da situação, a Direcção Clínica reuniu no dia 17 de Junho, pelas 16 horas com o subscritor da carta.
Efectivamente nos exames efectuados no dia do acidente o Médico que assistiu a esposa do Sr. Carlos Raimundo não visualizou fracturas nas costelas que, como é natural nestes casos, se tornaram mais evidentes, alguns dias após o traumatismo.
Embora de tal facto não tenha decorrido, qualquer consequência mais grave, para além do compreensível incomodo pela dor, nem tenha influenciado o tratamento instituído (repouso e analgésicos) a Direcção Clínica e o Conselho de Administração lamenta o sucedido e deseja as mais rápidas melhoras à esposa do Sr. Carlos Raimundo.
É de referir que, como sempre, o Conselho de Administração está sempre disponível para ouvir os Utentes seja através dos seus elementos ou das Direcções e Chefias do Centro Hospitalar do Oeste Norte, de molde a responder cabalmente às situações que lhes são colocadas.
Com os melhores cumprimentos,

Manuel Nobre
Presidente do CHON

Estrada de Macadame

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CCVI – «A PIDE não sabia que havia outra Feira das Vaidades»

Corria o ano de 1966, em pleno tempo da «estrada de macadame» quando comecei a ouvir com alguma regularidade a pergunta: «Já leste a crónica do Portela?» O Portela era Artur Portela que, ao tempo, assinava Artur Portela Filho. Eu estava desde 9-9-1966 no Departamento de Estrangeiro do BPA (na Rua do Ouro nº 110 primeiro andar) e quem fazia a pergunta entre si eram os nossos três mosqueteiros (José Palla e Carmo, Carlos Monjardino e Afonso Costa) a que se juntava, sempre que descia do segundo andar, o quarto mosqueteiro – Vasco Vieira de Almeida. Era inevitável. Os três mosqueteiros sempre foram quatro – os nossos em 1966 não fugiam à regra.
Um destes dias encontrei-me com Artur Portela (n. 1937) para uma conversa à volta dos seus próximos projectos literários. O depoimento foi combinado para a Revista Ler e o encontro aconteceu num Centro Comercial na Rua da Misericórdia ao lado da Muralha Fernandina de Lisboa. Foi uma conversa mesmo, mas mesmo, ao lado da História.
Mas não é sobre o depoimento para a Revista Ler que esta minha crónica se justifica. De facto no tempo da «estrada de macadame» eu lia as crónicas de Artur Portela e vale a pena recordar duas. Por exemplo os «cadernos de um burguês»: «É necessário ser-se moderno mas é perigoso ser-se modernista que é o mesmo que existencialista e quase tão aberrante como comunista. Na Idade Média odiava-se abertamente a cultura e mandava-se pendurar os pedaços de qualquer trovador talentoso para meter na ordem os que tivessem veleidades líricas. Hoje a cultura é admitida. Há até um certo respeito pela cultura. Um respeito desconfiado. Sente-se a necessidade de ter cultura geral que outra dá muito trabalho e não vale a pena. É preciso não se estar a Leste de todas essas coisas que vão acontecendo pelo Mundo. É urgente ter-se na ponta da língua uns dois nomes de romances de Thomas Mann, Huxley e Hemingway. Precisar bem que o Cubismo não foi antes do Impressionismo e que há dois Strauss, o das valsas e o a sério. Shakespeare é do tempo da rainha Isabel, claro que era a Bette Davis. Mas já não estamos tão certos quanto às relações entre Zola e Vittorio de Sica, se bem que saibamos que ambos têm qualquer coisa a ver com o realismo. Põe-se um problema: Carlos Magno teria mesmo invadido o Egipto ou, pelo contrário, foram os mouros que passaram os Pirinéus?»
Uma coisa que me espantava no tempo, eu era um miúdo, era a facilidade com que se dizia: «Eu trabalho para o Estado, fulano foi trabalhar para o capitalismo, foi para uma empresa!». Artur Portela fez o raio X do caso numa crónica: «Vêm de Económicas e Financeiras, de Engenharia, de Sociologia. Têm quarenta anos. São apolíticos. Estão na Assembleia Nacional, na Câmara Corporativa, nos Gabinetes Técnicos. Fazem sauna, são católicos progressistas e falam alto, forte. São a 3ª geração de 1926. A primeira era Mário de Figueiredo. A segunda, Ulisses Cortez. A terceira, Francisco Balsemão. A política, ela própria, globalista, surge-lhes como um romantismo. Não há política. Há políticas. Não há política. Há soluções. Portugal é um exercício. A Europa um exame de frequência. O desafio americano, um concurso. A EFTA, um treino. O Mercado Comum, um curso semestral. A Esquerda e a Direita deixam-nos indiferentes. São a nova aristocracia.» Existe algo de terrivelmente actual nestes dois textos citados.
Falta lembrar que um dia a PIDE foi às livrarias de Lisboa à procura do seu livro «Feira das Vaidades» para o apreender mas, por lapso assumido dos empregados das mesmas, os agentes levaram o homónimo livro do inglês William Thackeray. A apreensão só se consumou no dia seguinte quando o inspector da PIDE descobriu que aquela não era a «Feira das Vaidades» de Artur Portela Filho. Afinal havia outra edição…

José do Carmo Francisco

Crónica do Québec (Canadá) – Este país

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Decidi dar a estas pequenas crónicas o título de «Crónica do Québec (Canadá)», pois para quem não está muito familiarizado com a geografia socio-política deste país, poderá pensar que, à semelhança de Portugal, se trata de um todo uno e indivisível, com fronteiras definidas pelo menos desde os tempos da Colonização francesa.

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De Braços Abertos – Normas

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Os processos de trabalho são regidos por normas, as quais definem procedimentos, cargas de trabalho e tempos de execução. As normas regulam também comportamentos, constituindo um elemento essencial de cultura. Nas organizações mais estruturadas, as normas são definidas centralmente e formalizadas por escrito. Na maioria das empresas, contudo, as normas são orais e ditadas pelo patrão, podendo também emergir como regras implícitas a partir das práticas laborais e da interacção social.

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Histórias de Moedas com História – Peças que circularam com valor de moeda.

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AS TESSERAS

Esta palavra deriva dumas peças chamadas “tesseras” que entre os Romanos, eram objectos que lhes permitiam usufruir ou ter acesso a certos espectáculos, a balneários, jogos, etc. sem valor monetário.  Objectos, que hoje designaríamos por fichas.

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Semana do Zé Povinho

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Zé Povinho levanta os braços à S.A.Marionetas e aos “marretas” que teimam fazer dos bonecos a sua vida. De Alcobaça para o mundo, os bonecreiros têm dado provas do seu imenso talento e conquistado miúdos e graúdos. Prova disso é a distinção que recentemente receberam na República Checa, pelo seu trabalho na preservação e promoção de tão antiga arte de entretenimento. Sem nunca esquecer as suas origens, a companhia alcobacense tem primado por abordar episódios da História de Portugal, sobretudo daqueles que têm a ver com a sua cidade natal. Mas nunca se esquecem da sátira e do humor, que tanta falta fazem nos dias que correm.Atento às notícias que vão dando conta dos feitos da S.A.Marionetas, Zé Povinho não pode deixar de aplaudir a força de vontade inquebrável que tem sido demonstrada pelos seus responsáveis, que muitas vezes vêem negado o apoio das mais altas instâncias da Cultura em Portugal. Lamentavelmente, por vezes é mais fácil obter reconhecimento fora de portas…

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