Serviços da Gazeta das Caldas abertos na hora de almoço

Publicado a 27 de Agosto de 2010 . Na categoria: Breves . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Desde há alguns dias que os serviços de assinantes e de recepção de publicidade da Gazeta das Caldas estão abertos ao público entre as 9h00 e as 19h00, sem interrupção da hora de almoço.

Esta medida destina-se a facilitar a vida dos nossos assinantes e anunciantes, permitindo-lhe aceder aos nossos serviços a qualquer hora do dia.

Dragagens na baía de S. Martinho

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Enquanto a lagoa de Óbidos aguarda as desejadas dragagens, sistematicamente adiadas, a baía de S. Martinho do Porto foi subitamente brindada com uma draga que está desde há semanas a limpar o fundo do mar, numa operação que deverá durar dois meses.

A explicação é simples: a lagoa depende do Ministério do Ambiente e S. Martinho, por ser um porto, está sob a tutela do Ministério das Obras Públicas que, através do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, tem a missão de proceder às dragagens de conservação.

Aquele instituto executa com regularidade os trabalhos necessários para garantir o acesso das embarcações ao portos, como é agora o caso de S. Martinho, cuja baía estava muito assoreada, tendo as embarcações de recreio cada vez mais dificuldade em entrar e fundear junto ao porto.

A dragagem deverá estar concluída num prazo de dois meses.

Em contrapartida, em S. Martinho volta-se a falar no regresso daquela freguesia às Caldas da Rainha. Um movimento cívico tem distribuído encartes a denunciar a “política de betão” da Câmara de Alcobaça, em contraponto com a das Caldas que, pelos vistos, consideram exemplar.

Cadeira ajuda veraneantes de mobilidade reduzida no Bom Sucesso

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Está disponível na praia do Bom Sucesso, junto aos nadadores-salvadores, uma cadeira de rodas apropriada para deslocações na areia e acesso à água.

Também durante todo o mês de Agosto, vai estar junto à praia a Unidade Móvel de Saúde de Óbidos (UMS) para prestar apoio aos veraneantes. A viatura vai estar diariamente a cargo dos dois nadadores salvadores daquela praia e será ainda utilizada como posto de socorros móvel.

Esta será também utilizada para reforçar os alertas relativamente aos cuidados a ter com a exposição ao sol, nomeadamente protecção da pele e dos olhos, cuidados particulares com as crianças, prevenção da insolação e desidratação.

F.F.

Troféu das Maravilhas Naturais de Portugal criado em Alcobaça

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Foi em Alcobaça que nasceram os troféus que serão entregues aos vencedores e aos finalistas da eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”. Os troféus são uma criação da empresa SPAL, que já no ano passado tinha criado os prémios dos vencedores do concurso “7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”.

As 21 maravilhas finalistas – nas quais se incluem o arquipélago das Berlengas, em Peniche, e as grutas de Mira de Aire, em Porto de Mós – estão já a receber o respectivo troféu, o “Glow”, criado por Alda Tomás e inspirado na imagem do evento promovido pela New 7 Wonders Portugal. A designer diz que “com uma forma fluida, em consonância com a natureza, este troféu pretende ser mais do que uma peça de decoração, sendo a materialização de um sentimento genuíno pelo património natural português”. Para Alda Tomás, o “Glow” é “uma criação surpreendente”, resultado da “perfeita integração” entre forma e decoração.

Já o presidente da New 7 Wonders Portugal, Luís Segadães, salienta que “o envolvimento e a colaboração de empresas portuguesas prestigia o projecto e no caso da SPAL acrescenta elegância e qualidade”. Em comunicado, o responsável pela promotora da eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal” sublinha a importância deste tipo de votações para sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger alguns dos mais belos locais naturais do país. “Está provado que podemos proteger e preservar as belezas naturais do nosso país aos mais variados níveis”, refere Luís Segadães.

Lançada em Novembro de 2009, a eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal” decorre em pleno Ano Internacional da Biodiversidade e quer ser “o maior evento na área da sustentabilidade no nosso país em 2010” ao mesmo tempo que serve “como laboratório de uma iniciativa global que visa a preservação do ambiente”, que culminará em 2011, com a eleição mundial das “7 Maravilhas da Natureza”.

As votações dividem-se em sete categorias – Florestas e Matas, Grandes Relevos, Grutas e Cavernas, Praias e Falésias, Zonas Marinhas, Zonas Aquáticas Não Marinhas e Zonas Protegidas – e são já mais de 200 mil os votos contabilizados pela organização.

Para votar basta clicar em www.7maravilhas.sapo.pt até 7 de Setembro e seguir todas as indicações. Os resultados são conhecidos no dia 11 de Setembro, na ilha de S. Miguel, nos Açores.

J.F.

Entraram com o carro na praia depois de noite de copos

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Foto de João Ferreira

Dois jovens de Lisboa que estavam a passar férias em São Martinho acabaram a noite, já de manhã, com o carro enterrado na areia da praia da Foz do Arelho no dia 18 de Agosto.

Eram cerca das nove da manhã quando a viatura, que seguia na avenida do Mar, galgou o passeio e só parou no areal, destruindo os paus de três barracas da concessão do bar Ala Norte.

O proprietário da concessão, João Ferreira, contou que estavam a preparar-se para montar as barracas quando ouviram o barulho do carro a passar no passeio e viram-no a enterrar-se lá dentro. “Foi muito estranho ver o carro a entrar pela areia. Vinha com alguma velocidade”, explicou.

Dentro da viatura estavam os dois jovens, de 19 e 21 anos, que tinham estado toda noite num bar na Foz do Arelho. O condutor terá dito à GNR que tinha adormecido, mas acabou detido porque acusou uma taxa de alcoolémia de 1,7 gr/l de álcool no sangue.

Do acidente não resultaram ferimentos a pessoas e o proprietário da concessão optou por nem sequer pedir aos jovens que pagassem os estragos.

Duas pessoas ficaram feridas na noite de 24 de Agosto, pouco depois da meia-noite, na sequência do despiste de um carro de alta cilindrada na Estrada Atlântica.

Segundo um dos ocupantes do carro, ao passarem por uma curva apertada (quase junto a Salir do Porto) o condutor, que não tinha excesso de álcool no sangue, tentou travar e, como o piso estava molhado, acabou por sair da estrada e despistar-se.

Um motociclista de 25 anos morreu, a 20 de Agosto, na sequência de uma colisão com um veículo ligeiro, em Bom Vento (Bombarral).

De 16 a 23 de Agosto a GNR das Caldas registou na área do seu destacamento um total de 49 acidentes, dos quais resultaram ainda 26 feridos ligeiros e um grave.

No dia 18 de Agosto, às 11h40, a PSP da Nazaré deteve um homem com 62 anos que conduzia um veículo ligeiro de mercadorias apesar de ter a carta de condução apreendida desde Setembro do ano passado.

Um homem de 37 anos foi detido pela GNR de São Martinho, a 17 de Agosto, por se recusar a fazer o teste de álcool.

No dia 18 de Agosto um jovem de 20 anos foi detido por conduzir com uma taxa de alcoolemia de 1,38 gr/l, e no dia 19 outro indivíduo de 23 anos, no Bombarral, acusou 1,35 gr/l.

Na noite de 21 de Agosto a GNR das Caldas montou uma operação Stop em local que não quis divulgar e no qual fez cinco detenções por excesso de álcool e um por recusa de “soprar no balão”. Foram feitas 16 autuações.

No dia 22 de Agosto foi detido um homem na Salgueirinha por conduzir sem carta.

De 16 a 22 de Agosto os bombeiros voluntários das Caldas acorreram a 12 incêndios no concelho e um no Vau.

Roubou por esticão e foi apanhado

Um homem de 35 anos foi apanhado por polícias em Peniche, ao final da tarde de 17 de Agosto, quando fugia com uma mala roubada por esticão.

Os agentes da PSP circulavam numa viatura descaracterizada quando viram o ladrão a correr com uma mala de senhora debaixo do braço, ao mesmo tempo, que era perseguido por uma senhora (com 23 anos) a gritar.

Encetada uma perseguição, o homem foi interceptado alguns metros mais à frente.

A mala foi recuperada, tendo no seu interior um telemóvel, uma máquina fotográfica, uns óculos de sol e cartões bancários

Veículos e casas assaltadas

No dia 18 a PSP das Caldas recuperou dois veículos ligeiros de passageiros, que tinham sido furtados na cidade nos dias 11 e 16. Ambos os veículos foram avaliados pelos seus proprietários por um baixo valor (600 e mil euros).

No dia 23 foi apresentada uma queixa na PSP de Peniche pelo furto de um veículo ligeiro de passageiros, que estava estacionado na Marina. A viatura foi avaliada pelo proprietário em 24 mil euros.

A associação da Fanadia e uma casa em A-dos-Ruivos (Bombarral) foram assaltadas a 16 de Agosto. Nesse dia foram ainda apresentadas queixas pelo furto de fio de cobre em Salir de Matos e de bicos de rega na Amoreira, Óbidos.

A GNR das Caldas recebeu duas queixas pelo furto ao interior de veículos na Foz do Arelho e nas Caldas. Foi ainda assaltada uma viatura no Baleal e outra na Praia do Rei Cortiço. Na Benedita houve a registar um furto ao interior de um estabelecimento. De uma casa nas Gaeiras foram roubadas duas armas de fogo.

A 18 de Agosto a EDP voltou a apresentar queixa pelo furto de fio de cobre, desta vez nas Cruzes. No mesmo dia foi assaltada uma viatura no Baleal.

No dia 20 foram apresentadas quatro queixas pelo furto ao interior de viaturas em parques de estacionamento de restaurantes na Tornada. Em Óbidos roubaram uma mala que estava pousada num banco de jardim e na Moita (Alvorninha) assaltaram uma casa. Ainda nesse dia foi furtado um veículo e assaltada uma casa em São Martinho do Porto.

Um carro estacionado junto ao cemitério de Santa Maria, em Óbidos, foi assaltado a 21 de Agosto. No mesmo dia assaltaram a associação do Carregal (Óbidos) e uma outra viatura na Salgueirinha.

A 22 de Agosto foi apresentada queixa pelo furto ao interior de um veículo na Benedita. No parque de estacionamento da Praia D’El Rei e Bombarral foram três as viaturas assaltadas. Em São Martinho levaram um carro.

No dia seguinte houve também duas queixas pelo furto ao interior de viaturas na Foz do Arelho e Bombarral.

Emigrante caldense assassinado no Brasil

Um emigrante caldense no Brasil, Ramiro Antunes da Silva, foi assassinado a tiro na semana passada por dois indivíduos que se fizeram passar por compradores de imóveis na região de João Pessoa.

Ramiro Silva era proprietário da imobiliária Markland, em sociedade com a mulher, Ana Maria Lopes.

Segundo a mulher, a vítima tinha vários imóveis no Brasil e em Portugal. Mas, apesar de ser um milionário, Ramiro  comportava-se de forma discreta junto à comunidade portuguesa que vive neste estado“, disse, ao Diário de Notícias, Isaías Gualberto, da Delegacia de Homicídios de João Pessoa.

O emigrante era natural do Nadadouro, mas estava radicado no Brasil. Ramiro Silva terá sido atraído para uma armadilha por dois homens que demonstraram interesse em adquirir terrenos e que o terão amarrado e levado para a propriedade onde residia com a mulher, em Pituaçu (cidade de Conde). O homem foi morto com três tiros e a polícia não descarta a hipótese de a morte ter sido por encomenda.

Faziam corridas no IP6 e foram apanhados

A GNR de Torres Vedras apanhou quatro condutores na madrugada de 23 de Agosto quando estes faziam corridas em alta velocidade no IP6 e na estrada nacional 247 (entre Peniche e a Lourinhã).

Segundo João Amorim, comandante do Destacamento da GNR, esta operação resultou de uma investigação relativa à existência de corridas na via pública na região.

Dois dos condutores foram detidos no IP6 e os outros dois na estrada nacional 247.

As viaturas, que tinham sido transformadas, foram apreendidas. Os “pilotos” conduziam uma carrinha Audi, um BMW, um Peugeot 106 e um Honda Civic.

Após terem sido ouvidos no Tribunal de Peniche, os indivíduos, com idades entre os 21 e os 28 anos, ficaram a aguardar julgamento em liberdade, mediante termo de identidade e residência.

Pedro Antunes

pantunes@gazetacaldas.com

Abertas candidaturas para apoio aos prejuízos do mau tempo

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Estão abertas até 10 de Setembro as candidaturas a apoios às populações do Oeste que em Dezembro passado foram afectadas pelo mau tempo.

Os apoios, que além da região Oeste abrangem também vários concelhos dos distritos de Lisboa e Santarém, destinam-se à reconstrução ou reparação de habitações e explorações económicas que não estejam cobertas por seguros, bem como a outras necessidades sociais de cidadãos, associações ou empresas. De acordo com o edital dos Governos Civis de Leiria, Lisboa e Santarém, a ajuda cobre até 70% das despesas.

Caldas da Rainhas, Óbidos, Peniche, Bombarral, Cadaval, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Alenquer, Lourinhã e Arruda dos Vinhos são os concelhos oestinos abrangidos pelos apoios. A estes juntam-se Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Chamusca, Golegã, Mafra, Rio Maior, Santarém e Torres Novas.

Só nos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche e Bombarral o mau tempo que se fez sentir no dia 23 de Dezembro provocou prejuízos na ordem dos 2,5 milhões de euros, sobretudo em estufas e explorações agrícolas. O mau tempo de Dezembro – condições climatéricas consideradas excepcionais – atingiu também vários concelhos dos distritos de Lisboa e Santarém, estes últimos afectados principalmente pelas cheias do mês de Março.

J.F.

A Turismo do Oeste foi convidada para integrar o Fórum Centro de Portugal a fim de dinamizar a participação de estruturas da região Oeste naquela entidade, que foi criada há dois anos com o objectivo de abrir o aeroporto de Monte Real ao tráfego civil.

A entrada do Oeste – que tem interesse num aeroporto mais próximo da região desde que perdeu a Ota em favor de Alcochete – naquele fórum deverá formalizar-se numa reunião prevista para 23 de Outubro na Figueira da Foz.

O lobby do Centro reúne um conjunto alargado de personalidades de todos os partidos, bem como autarcas de toda a região e associações empresariais. Criado em 2008, tem vindo a fazer um trabalho discreto, conseguindo convencer o antigo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, a envolver-se nos estudos sobre a exploração comercial do aeroporto de Monte Real.

Os mesmos foram entretanto interrompidos desde que António Mendonça ficou com aquela pasta, mas o grupo conseguiu ser recebido na Assembleia da República por todos os partidos e pelo próprio primeiro-ministro, José Sócrates que, de forma directa e franca, disse ter “muitas dúvidas” sobre o projecto, mas se prontificou a colaborar com os estudos e a avançar com um investimento inicial se aqueles viessem a provar que o aeroporto aberto ao tráfego civil seria viável.

Ao que a Gazeta das Caldas apurou, José Sócrates foi confrontado com o flop da abertura da base aérea de Beja ao tráfego civil (uma decisão voluntarista de resultados praticamente nulos) e com o adiamento do aeroporto de Alcochete como dois argumentos para a emergência de uma nova infra-estrutura aérea na região Centro, visto que entre o Douro e o Tejo, onde vive a maioria da população portuguesa, não existe nenhum aeroporto.

Desta reunião, o Fórum Centro de Portugal obteve a promessa de que o governo continuaria envolvido nos estudos sobre a viabilidade de Monte Real pois só assim este poderá depois empenhar-se no financiamento e dinamização do projecto se aquela for provada.

António Carneiro, presidente da Turismo do Oeste – e que tem vindo a tomar algumas iniciativas avulsas para abrir Monte Real ao tráfego civil – disse que desconhecia a existência deste movimento do Centro porque os oestinos tinham andado muito envolvidos na causa perdida que foi a Ota. Mas agora pretende que o Oeste esteja em força representado naquele lobby para dar um empurrão a uma causa que é comum a ambas regiões.

CONSENSO ALARGADO

O Fórum Centro de Portugal tem como rosto mais visível o professor universitário e ex-deputado do CDS/PP, Manuel Queiró, num grupo que é caracterizado por uma grande heterogeneidade e no qual participam também Vital Moreira (eurodeputado pelo PS), Marinho Pinto (presidente da Ordem dos Advogados), Carlos Encarnação (presidente da Câmara de Coimbra), Carlos Fiolhais (professor universitário), o empresário Henrique Neto e vários presidentes de Câmara, professores universitários e associações empresariais.

Manuel Queiró disse à Gazeta das Caldas que este movimento surgiu de forma espontânea pela constatação de que o Centro de Portugal tem vindo a perder peso no que diz respeito aos modos de transporte rápidos do futuro. “O Centro de Portugal, em sentido lato a região que está entre o Douro e o Tejo, tem vindo a ser colocada numa posição complicada porque o futuro das áreas territoriais está hoje ligado a factores que não existiam no passado e que são a comunicabilidade internacional”, disse.

O também investigador na área do Desenvolvimento Regional diz que “é um tolice pensar as regiões portuguesas na sua comunicabilidade interna porque a troca de pessoas, bens e serviços se faz actualmente integrada no espaço europeu”.

Ora entre Vilar Formoso e Elvas não há nenhuma saída rápida para Espanha, nem rodoviária, nem ferroviária, dado que, sobre esta última, o abandono do desenho do “T deitado” (uma linha de alta velocidade Lisboa-Porto com saída a meio para Madrid) fez com que se privilegiasse a ligação Lisboa-Madrid por Badajoz.

Uma forma de quebrar este isolamento é a utilização do aeroporto de Monte Real, que resolve pelo menos o problema de acessibilidade internacional da região Centro Litoral (só no eixo composto por Marinha Grande, Leiria, Pombal e Coimbra vivem 900 mil pessoas).

“O AEROPORTO JÁ LÁ ESTÁ”

Uma das dificuldades do movimento é fazer passar a mensagem de que não se pretende construir mais um aeroporto em Portugal porque ele já existe. O aeroporto está lá, bem como o controlo aéreo e demais equipamentos aeroportuários. Só falta mesmo construir um terminal, o que é relativamente barato. “Não é preciso fazer nenhum aeroporto”, diz Manuel Queiró, arriscando mesmo que o slogan do movimento pode ser “o aeroporto já lá está”.

Este responsável diz que o projecto tem adversários. Há quem receie que o êxito de Monte Real comprometa Alcochete e também é certo que a Cova da Beira pretende ter um aeroporto de carácter regional.

Seja como for, os objectivos do Fórum Centro de Portugal, a que agora o Oeste vai aderir, não se esgotam só no aeroporto. Queiró diz que outras preocupações irão ser colocadas na agenda pública, como o isolamento e desertificação do interior e a necessidade de fazer da Estremadura espanhola um “hinterland” do Centro de Portugal.

Carlos Cipriano

Cebola volta a ser pretexto para cinco dias de festa em Rio Maior

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Rio Maior é a partir da próxima quarta-feira, 1 de Setembro, e durante cinco dias, a capital da cebola. Está de volta a Frimor – Feira Nacional da Cebola, à qual se alia a 4ª Mostra de Carnes Certificadas, com artesanato, gastronomia, diversões e muita animação no Pavilhão Multiusos da cidade.

Num certame que se realiza desde o século XVIII com a cebola a assumir o protagonismo, participam anualmente várias dezenas de ceboleiros, muitos dos quais do concelho das Caldas da Rainha. Longe dos tempos em que D. José o instituiu como uma feira franca, em 1770, os atractivos deste certame vão muito além dos produtos da terra. Prova disso, são os cerca de 100 mil visitantes que por lá terão passado na edição de 2009.

Entre eles estão os concertos que anualmente compõem o programa da Frimor. Este ano o destaque vai para a presença no Pavilhão Multiusos dos Quinta do Bill e dos Santos e Pecadores, nos dias 1 e 2, respectivamente. O desfile de moda RM Fashion (dia 3), um festival de fanfarras e o tributo aos Xutos & Pontapés (dia 4) e Edna Pimenta (dia 5) são outros ‘cabeças de cartaz’ numa feira onde não faltam DJ’s, momentos de folclore e animação para os mais pequenos.

Uma Feira da Saúde, com rastreios diversos, colóquios, recriações de actividades tradicionais, momentos de cozinha ao vivo, uma corrida de touros, a tradicional mostra económica, equipamentos de diversão, um concurso de montras e a 1ª feira de artesanato urbano e artigos em segunda mão são outros atractivos de uma feira que extravasa os limites do Pavilhão Multiusos e promete atrair milhares de pessoas a vários pontos da cidade.

A organização é da Câmara Municipal local, e de acordo com o vereador Nuno Malta, pretende-se “que esta feira volte a estar no mapa dos interesses regionais como antes esteve”.

A Frimor abre as suas portas às 12h00 nos dias úteis e às 10h00 no fim-de-semana. O encerramento está marcado para as 24h00. A inaugurar o certame vai estar, às 11h00 do dia 1 de Setembro, o ministro da Agricultura, António Serrano.

J.F.

Programa da Frimor 2010

1 de Setembro – Dia do Ceboleiro | Dia da Carne Barrosã

11h00 – Inauguração da Feira, pelo ministro da Agricultura, António Serrano

15h00 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

15h30 – Feira da Saúde (Rastreios Diversos, Educação Para A Saúde)

16h00 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

17h00 – Cozinha ao Vivo e Prova de Vinhos (Espaço Gourmet – Pavilhão Multiusos)

20h30 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

22h00 – Concerto “Quinta Do Bill” (Palco Principal)

23h30 – Animação com Dj (Tenda Dos Bares)

2 de Setembro – Dia Da Carne Marinhoa

12h00 – Abertura do Certame

15h00 – Colóquio sobre o Proder (Local: Cooperativa Agrícola De Rio Maior)

Animação no Espaço Infanto-Juvenil

15h30 – Feira da Saúde

16h00 – Colóquio sobre “As relações Portugal-Brasil: Parcerias Económicas para o Desenvolvimento” (Biblioteca Municipal)

Animação No Espaço Infanto-Juvenil

17h00 – Cozinha ao Vivo e Prova de Vinhos (Espaço Gourmet – Pavilhão Multiusos)

20h30 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

22h00 – Concerto “Santos & Pecadores” (Palco Principal)

23h30 – Animação com Dj (Tenda Dos Bares)

3 de Setembro – Dia da Carne Arouquesa

12h00 – Abertura do Certame

15h00 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

15h30 – Feira da Saúde

16h00 – Colóquio: “As Relações Portugal – Cabo Verde: Geminações, Cooperação E Parcerias” (Biblioteca Municipal)

Animação No Espaço Infanto-Juvenil

17h00 – Cozinha ao Vivo e Prova de Vinhos (Espaço Gourmet – Pavilhão Multiusos)

18h30 – Inauguração da Exposição de Pintura “Viagens” De Umbelina Ribeiro (Galeria Municipal De Exposições)

20h30 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

21h30 – Desfile de Moda: “Rm Fashion” (Palco Principal)

23h30 – Animação com Dj (Tenda Dos Bares)

4 de Setembro – Dia da Região de Turismo do Algarve

10h00 – Abertura do Certame

10h30 – Encontro Nacional de Coleccionadores (Org. Junta De Freguesia De Rio Maior | Pavilhão Gimnodesportivo)

15h00 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

15h30 – Feira da Saúde

16h00 – Recriação Etnográfica da “Safra Tradicional do Sal” (Org. Aldeias Do Sal | Local: Marinhas Do Sal)

Colóquio : “CPLP: Espaço Privilegiado de Cooperação Descentralizada e de Empreendedorismo” (Biblioteca Municipal)

Animação no Espaço Infanto-Juvenil

16h30 – Festival de Folclore

Rancho Folclórico e Etnográfico da Ribeira de Fráguas

Grupo de Danças e Cantares de S. João da Ribeira

Rancho Folclórico de Arco da Memória

17h00 – Cozinha ao Vivo e Prova de Vinhos (Espaço Gourmet – Pavilhão Multiusos)

20h00 – 4º Desfile de Fanfarras pelas Ruas da Cidade (Org. Bombeiros Voluntários de Rio Maior)

21h00 – 1º Festival de Fanfarras dos Bombeiros de Rio Maior (Org. Bombeiros Voluntários de Rio Maior | Estádio Municipal)

23h30 – Concerto com a Banda “Tributo Xutos” (Palco Principal)

23h30 – Animação com Dj (Tenda Dos Bares)

5 de Setembro – Dia da Carne de Porco

10h00 – Abertura do Certame

1º Feira de Artesanato Urbano e Artigos em 2ª Mão (Org. Junta de Freguesia de Rio Maior | Jardim Municipal)

15h00 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

15h30 – Feira da Saúde

16h00 – Prova de Vinhos (Espaço Gourmet – Pavilhão Multiusos)

Animação no Espaço Infanto-Juvenil

16h30 – Festival de Folclore (Palco – Rua António Barata)

Rancho Folclórico da Freguesia de Fráguas

Rancho Folclórico de Chãos

17h00 – Corrida de Touros à Portuguesa

Rui Salvador – Ana Batista – Gilberto Filipe

Forcados Amadores de Azambuja e Ap. Moita

20h30 – Animação no Espaço Infanto-Juvenil

21h30 – Entrega de Prémios do Concurso de Montras (Palco Principal)

22h00 – Concerto com a banda brasileira “Edna Pimenta” (Palco Principal)

23h30 – Animação com Dj (Tenda dos Bares)

Feira de Usados no Cadaval para ajudar animais abandonados

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Vai ter lugar a 28 de Agosto, das 10h00 às 18h00, junto à Câmara do Cadaval, a quarta edição da Feira de Usados, um certame organizado pela Associação Protectora dos Animais local.

O certame tem como objectivo angariar fundos para apoiar os cuidados aos animais abandonados que a associação tem a seu cargo.

Todo os dias, os animais recolhidos pela APAC têm de ser alimentados e tratados. Para além do tratamento das doenças de que alguns padecem quando são recolhidos, há também esterilizações, desparasitações e vacinações a serem feitas, o que acarreta elevados custos.

Para quem quiser e puder dar o seu contributo em prol dos animais sem dono do concelho, bastará adquirir algum dos diversos artigos, em bom estado de conservação, que a APAC terá à disposição, a preços reduzidos.

P.A.

Este consumo que nos consome

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As últimas duas décadas da vida portuguesa

da adesão à Comunidade Europeia até à actualidade

António José Telo, professor com vasta obra no campo da História, Defesa e Relações Internacionais, afoitou-se a analisar a História Contemporânea de Portugal e o primeiro volume dedicado ao período entre o 25 de Abril e o fim do Bloco Central, em 1985, mostrou tratar-se de uma obra de fôlego, didacticamente estimulante e com uma comunicação ousada, adequada ao grande público mas sem concessões a simplismos ou quebras de rigor.

O segundo volume, recentemente surgido, comprova que António José Telo continua bem sucedido nesta arriscada incursão pelo quase presente e pela agitação de factos ainda susceptíveis de alguma rectificação e novos e abrangentes olhares (“História Contemporânea de Portugal, do 25 de Abril à actualidade”, por António José Telo, Editorial Presença, 2008).

Ascensão e queda do cavaquismo

Cavaco Silva não é um ilustre desconhecido quando ganhou o congresso da Figueira da Foz, é um professor e economista experiente, conhece perfeitamente os dossiês que Portugal subscreveu para aderir à Comunidade Europeia, pretende governar com o PSD sozinho. É um tímido, fala com dificuldade mas convence as pessoas, na direita e no centro. Dá uma imagem de sinceridade, está convicto da modernização de Portugal, promete desenvolvimento e pôr a nossa economia próxima dos níveis europeus. Ganha eleições para o governo, perde as presidenciais, Cavaco e Mário Soares vão formar durante dez anos uma dupla que a prazo tem sérias repercussões no realinhamento partidário. Por exemplo, o CDS ficou a partir daí em permanente contorcionismo como aliado menor do PSD ou como um partido instável entre o populismo eurocéptico e um partido de regime que diz publicamente ter preocupações sociais. O PCP vê partir o seu líder histórico e assiste desconfortado à emergência de um período dourado da economia portuguesa, assiste à consolidação da economia de mercado que sempre abominou mas já não tem meios para recusar, vendo, impotente, adensar-se o tecido das classes médias. O PRD, uma mera emanação de Eanes, é um fogo-fátuo, corresponde a um protesto não só do eleitorado convencional do PS como de alguns dos seus quadros. Com o fim da crise do Bloco Central e a eleição de Mário Soares, o discurso do PRD torna-se impróprio para consumo, o partido mostra-se irrelevante e um belo dia desapareceu. O PS vive horas difíceis a partir da eleição de Vítor Constâncio e outros líderes, incapazes de ofuscar a dinâmica do cavaquismo. A hora de Guterres ainda não tinha chegado.

Cavaco Silva começa por governar em minoria e só após a dissolução da Assembleia da República, em 1987, é que o PSD ganha com uma maioria expressiva acima dos 50%. António José Telo enuncia as seis características do cavaquismo: uma forma de fazer política entre os trabalhos árduos do líder e a ressonância que lhes é dada pelos media; o cavaquismo é a fulanização por excelência, tudo se apaga à sua volta, os gabinetes de comunicação mostram o chefe ao serviço do país; o cavaquismo é a centralização do poder tanto em termos de Estado como de partido; o partido apaga-se perante o Executivo e perde importância como correia de transmissão de ligação à sociedade – é a governamentalização da vida partidária; na sua fase ascendente, o cavaquismo tem a capacidade de mobilizar sectores de opinião e públicos que normalmente escapam à máquina do PSD; o cavaquismo é um discurso nacional formulado e expresso como uma não ideologia, é o servir a pátria sem paixões partidárias, absorvido pela modernização e pela integração europeia. Com a argúcia que lhe é peculiar, Soares embarca nesta onda, cria as presidências abertas, transforma-se no mediador privilegiado entre as massas insatisfeitas e o Governo que tudo promete resolver. Iniciava-se um ciclo de reformas estruturais que levaram ao apagamento do gonçalvismo, à reforma da estrutura económica e financeira da sociedade, à consolidação do Estado Providência, ao primeiro ciclo de reformas da Defesa e da Segurança, a um novo tempo de relações internacionais. Em 1991, Mário Soares é reeleito com mais de 70%, Cavaco só se preocupa com a estabilidade para garantir o desenvolvimento. Nesse mesmo ano, o PSD volta a ganhar as eleições com mais de 50%. Guterres começa a sobressair com o esgotamento do cavaquismo: não é acintoso, reinstala a dimensão cultural no discurso político e começa a convencer uma sociedade cansada com excessiva governamentalização em que as clivagens dentro do PSD ganharam ressonância pública. No início de 1995, Cavaco confirma que não será candidato à chefia do PSD, é a partir deste momento, dada a falta de figuras de primeiro plano dentro do partido do Governo, que os olhares se põem sobre a mensagem refrescada de Guterres. Em Outubro desse ano o PSD é afastado da governação. Fazendo um balanço desses anos, diz o autor que a obra reformadora de Cavaco é um dos grandes acontecimentos do século XX em Portugal, ficou muito incompleta e não é exagero dizer-se que José Sócrates trabalho no encalço de completar essas reformas, sempre na miragem do grande salto da modernização e do desenvolvimento.

Os tempos da maioria rosa, o seu colapso, as peripécias seguintes

Guterres traz novas mensagens: fala no modelo irlandês de desenvolvimento, aposta na melhoria da qualidade da educação, anuncia o reforço do modelo de solidariedade social. No início ainda havia prosperidade mas o desafio de Portugal entrar no Euro( moeda única) exigiu desde cedo ao controlo dos défices orçamentais. Em 1996, Jorge Sampaio é eleito presidente. Guterres não só tem um discurso novo como soube captar múltiplos independentes alguns dos quais se irão tornar alguns dos seus principais conselheiros. A máquina partidária do PS também se apaga e Guterres parece acolher uma corte de pequenos grupos onde pontificam um franciscano e um ex-dissidente do PCP. O PCP é confrontado com a decadência e da implosão da URSS, assiste-se à reconstituição do espectro político à sua esquerda e assim irá surgir o bloco de esquerda. Manuel Monteiro parece trazer dinâmica ao recém-formado PP mas, dada a incomodidade do seu discurso vir envolto do liberalismo, revelou-se desajustado face ao PSD. Quanto ao PSD, entrou num novo ciclo de confrontos internos até à liderança de Durão Barroso.

A queda do poder rosa prende-se igualmente  com o agravamento da situação económica internacional. Ainda se tentou mascarar a dívida pública mas a situação das contas públicas começa-se a agravar-se em 2002. Como escreve o autor, a imagem de Guterres sofre com a depressão económica e algumas das suas características que antes eram muito apreciadas, como a capacidade de diálogo e a flexibilidade, passam agora a ser encaradas como sinal de fraqueza. As autárquicas de fins de 2001 são o grande sinal do esgotamento do guterrismo, a sua estratégia chegara a um beco sem saída, com a agravante de um buraco financeiro se ter tornado medonho. Para António José Telo, o executivo inicial de Guterres não entendeu Portugal em 1996 precisava no essencial de complementar as reformas de fundo de Cavaco. O aumento das despesas públicas de Guterres contribuiu para um alargamento da solidariedade social e também para um aumento das despesas na Educação e na Saúde. Mas o país ficou mal equipado para enfrentar a crise que deflagrou em 2001. A Saúde, por exemplo, revelou-se incapaz de dar um pulo qualitativo.

Após a demissão de Guterres, realizaram-se eleições em Março de 2002 e o PSD ganhou com pouco mais de 40%, tendo feito alianças com o CDS/PP. É um programa de Governo defensivo, uma experiência singular na vida do PSD, habituado a governar na crista da onda. Iniciava-se um novo período de austeridade que não foi bem comunicado à população. O primeiro grande sinal de instabilidade é dado pelas eleições para o Parlamento Europeu, de Junho de 2004 em que o PS tem uma vitória significativa. Logo a seguir aparece a candidatura de Durão Barroso à Presidência da Comissão Europeia e Pedro Santana Lopes é nomeado primeiro ministro. É um executivo igualmente singular: o Governo de Santana Lopes fica na completa dependência do Presidente da República, é um tempo de governação com muita comunicação desencontrada, muito bruá, incidentes, acusações,contradições, e um discurso muito próprio de Santana Lopes que é permanentemente demolido nos jornais. A demissão de Ferro Rodrigues, do PS, que se insurgira pela nomeação de Santana Lopes leva à chegada em Março de 2005 do Executivo liderado por José Sócrates. Este, durante a campanha, propõe novos desafios, com destaque para o plano tecnológico, a qualificação da democracia, o desenvolvimento sustentável e a afirmação de Portugal no mundo. O espantalho do défice, no entanto, tomou conta das prioridades da governação: um rigoroso programa de saneamento financeiro é anunciado, com aumento de receitas e contenção de despesas. António José Telo opta, compreensivamente, por não fazer uma avaliação do actual Executivo, mas reconhece que Sócrates procura em certas áreas+ concluir a obra de reforma inacabada dos governos cavaquistas. Segue-se uma leitura sobre as diferentes fases por que passou a III República: a via socialista ou a transição para o socialismo; construção de um novo sistema em que o cavaquismo teve uma posição fulcral; e uma terceira fase ainda inacabada em que não se vislumbra facilmente qual é o modelo que irá emergir do quadro de crise e de relativa estagnação em que vivemos. Igualmente o autor debruça-se sobre a rigidez dos partidos e o aparecimento de grupos de cidadãos e de novas formas de democracia participativa.

Portugal e o mundo

António José Telo procede a uma leitura minuciosa sobre as relações externas de Portugal depois do 25 de Abril. A descolonização foi o eixo central da primeira fase, sujeita a múltiplos factores onde não é descabido falar da fase evoluída da guerra na Guiné até ao quase apagamento da Guerra em Angola, com as pressões da guerra fria, os múltiplos interesses internacionais à volta de Angola, como, em menor escala, á volta de Moçambique. Igualmente são analisadas as influências dos EUA, da URSS, da Espanha e da Europa no seu todo. Em 1977, começa o processo de adesão à CEE, sinuoso, nem sempre bem negociado mas coroado de êxito em 1985. A dupla Cavaco Soares revelou-se também estimulante na abertura da frente das relações internacionais a outros países, quer no quadro Atlântico, quer na premonição da internacionalização da nossa economia, pensando-se na China, no Brasil e no Leste Europeu.

O último capítulo da obra tem a ver com as promessas por realizar no campo económico e porventura constitui o pilar da leitura do autor procurar ampliar ao período da governação de Sócrates. É um olhar sobre o fio condutor da política económica do cavaquismo e do modo como se procurou atrelar o nosso destino na integração europeia. É um balanço das reformas de Cavaco que ninguém pode ignorar, quer pela extensão quer pelo desígnio. Igualmente é importante o olhar sobre a economia do guterrismo e dos seus constrangimentos em saber responder devido às dificuldades estruturais. O autor recorda algumas das reformas de Sócrates como o PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Pública) que parecia ser a grande reforma da administração depois da de Mouzinho da Silveira.

Esta, em síntese, a obra de análise a que se aventurou António José Telo. Pelo seu fôlego, pela quantidade de dimensões analisadas, pelo rigor dos juízos emitidos, não é temerário vaticinar a importância que estes dois volumes virão a ter na bibliografia obrigatória  da História Contemporânea de Portugal.

Beja Santos


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