Assinalou-se ontem, 28 de Outubro, o Dia Mundial da Terceira Idade, proclamado pelas Nações Unidas com o propósito de alertar para as condições económicas, sociais e afectivas dos mais velhos. Em Alcobaça, a efeméride vai ser comemorada amanhã, dia 30, com uma tarde de fado que junta as vozes de Anita Guerreiro e Emanuel Moura.
Anita Guerreiro conta com mais de meio século de carreira, onde o fado e o teatro de revista têm desde sempre um papel principal e na tarde de amanhã promete interpretar temas tão conhecidos como “Cheira bem, cheira a Lisboa” ou “O Fumo do meu cigarro”. Emanuel Moura é um artista nascido no Bárrio, concelho de Alcobaça, que canta o fado numa vertente mais humorística.
Duas gerações distintas deste estilo musical tão português, que sobem ao palco de Alcobaça, acompanhados por José Alves à guitarra portuguesa, Max Raimundo na viola fado e João Júlio na viola baixa. O espectáculo tem início às 15h00 e os bilhetes custam cinco euros.
J.F.
A Biblioteca Municipal acolhe no domingo, dia 31 de Outubro, um conjunto de actividades que prometem animar a tarde de Outono de miúdos e graúdos, a partir das 15h00. A tarde começa com a leitura animada de uma história infantil com a República como tem principal. Também para crianças, até aos 14 anos, decorre o ateliê “Técnicas Criativas de Pintura”, que pretende introduzir os mais novos em diferentes técnicas de desenho e pintura.
Já para os que preferem ficar a conhecer o espaço celeste, o astrónomo Máximo Ferreira orienta duas sessões de astronomia no Planetário da Biblioteca Municipal. As viagens guiadas pelo coordenador do Centro de Ciência Viva de Constância têm partida marcada para as 15h30 e 16h30.
As inscrições para as actividades, que são gratuitas, devem ser feitas no próprio dia na Biblioteca Municipal da Nazaré.
J.F.
No próximo Domingo, 31 de Outubro, pelas 15h00, vai realizar-se na Sociedade de Instrução Musical, Cultura e Recreio, em A-dos-Francos um encontro de bandas que tem por objectivo assinalar o Dia Mundial da Música.
No concerto vão actuar as bandas filarmónicas do Centro Recreativo e Musical de Outeiro Grande e da Sociedade de Instrução Musical, Cultural e Recreio de A-dos-Francos. As entradas são livres.
N.N.
O título desta crónica, em Português e como facilmente compreenderão significa, Liberdade 55.
No Québec, a expressão Liberté 55 era slogan publicitário corrente, que nos entrava e continua a entrar ainda que em menor escala, em casa, através das companhias de seguros e outros conselheiros financeiros, nem todos muito honestos, sobretudo até finais de 2007. Isto é, antes da actual crise financeira começar a dar os primeiros sinais no ano seguinte de 2008.
Respondia-se assim, à ambição de todos os trabalhadores poderem começar a gozar uma merecida reforma a partir dos 55 anos. Na altura parecia fácil a concretização de tal objectivo, e sobretudo, para nós portugueses que conheciamos todos, variadíssimos casos de amigos e familiares que se reformavam, ou aposentavam em Portugal pouco depois dos 45 anos. Afinal, o direito à reforma ainda nem tem sequer um século de existência e é normal que as pessoas após determinado número de anos de trabalho ininterrupto achem que o Estado ou alguém que o substitua lhes pague durante todos os anos que lhes restam de vida , uma existência desafogada e sem outra preocupação que não seja, viver.
Mas a evolução demográfica no século XXI não é a mesma da dos inícios do século XX. Dentro de 40 anos a percentagem de pessoas com mais de 65 anos atingirá 27% na América do Norte, e na Europa pior ainda, será de 34%. O Québec estará mais perto das percentagens europeias que das norte americanas. Nas próximas décadas (as décadas dos nossos filhos afinal) a percentagem de pessoas ditas, idosas, aumentará de forma exponencial, e a nosssa sociedade tornar-se-á numa sociedade de cabelos brancos.
Para fazer face a esta situação, as autoridades canadianas (em Portugal, como de costume, daqui a alguns anos….) discutem permanentemente o tema, trabalho após a reforma. É que, apenas nos sete anos entre 1998 e 2005 e no Québec, a percentagem de homens entre 65 e 74 anos que ocupam um trabalho remunerado passou oficialmente de 14% para 23%. Segundo alguns, se a estes juntarmos todos aqueles que trabalham, como sói dizer-se, «por debaixo da mesa», esta percentagem ultrapassaria largamente os 40%. No caso das mulheres de 65 a 74 anos, e durante o mesmo período, a percentagem daquelas que ocupam oficialmente um posto de trabalho remunerado passou de 7% para 10%.
Resumindo, o slogan publicitário «Liberté 55», sob a forma de reforma completa e definitiva, apenas beneficia uma ínfima parte da população. Trata-se de uma situação positiva ou negativa? Há diversas opiniões sobre isto.
No entanto, uma coisa parece certa: contrariamente à opinião popular, deixar de trabalhar não é prejudicial à saúde.
No entanto aqui, a maioria das pessoas tem uma visão flexível da reforma. Normalmente procura-se uma diminuição progressiva e calculada do tempo dedicado, ou passado no trabalho. Quer isto dizer, ter o controlo sobre o tempo que dedicamos ao trabalho, o que afinal, ainda escapa à grande maioria das pessoas. Segundo o investigador inglês, Michael Marmont, o maior ou menor controlo que os indivíduos exercem sobre o seu trabalho é um factor determinante da sua longevidade e do seu estado de saúde. Quanto maior fôr o controlo (logo menor o stress) que exercemos sobre o nosso trabalho, maior longevidade e com melhor saúde viveremos.
Considerando que a maioria das pessoas que trabalham após a idade de reforma, aumentando assim os seus rendimentos, o fazem por necessidade, a população canadiana procura actualmente um compromisso entre trabalho e reforma pura e simples. Se a isto juntarmos o facto de que a maioria das pessoas que trabalham depois da idade de reforma retiram algum prazer da sua actividade e que todo o saber acumulado por longos anos de vida activa não deverá de forma alguma ser pura e simplesmente abandonado, constituindo um activo que as sociedades desenvolvidas não podem desprezar. O que deveremos conseguir é que nesta última fase activa da vida de cada um, deverá ser o trabalho a adaptar-se às pessoas e não o inverso, isto é, serem as pessoas a adaptar-se ao trabalho
J.L. Reboleira Alexandre
jose.alexandre@videotron.ca
Os habitantes da pacata aldeia do Carvalhal (Bombarral) foram surpreendidos na passada sexta-feira, 22 de Outubro, com uma invasão de jornalistas na sequência da detenção naquele local de um alegado mafioso italiano.
Denominada pela PJ de Leiria como operação “Máfia do Oeste”, a acção policial desencadeada nessa madrugada culminou com a detenção de sete indivíduos, dos 25 aos 50 anos, de várias nacionalidades “presumíveis autores materiais de crimes de burla qualificada, furto e viciação de veículos, receptação, associação criminosa e branqueamento de capitais”, conforme foi explicado num comunicado daquela polícia.
Um dos detidos, Giovanni Lore, de nacionalidade italiana, tinha pendente um mandado de detenção europeu por estar ligado à máfia siciliana.
A investigação, que durou cerca de quatro meses, resultou em buscas domiciliárias na região Oeste, nas detenções e na apreensão de diversos veículos de alta cilindrada, computadores, uma arma de fogo, documentação comercial e carimbos.
Segundo a PJ, os documentos apreendidos eram relativos a firmas clonadas para concretização dos desígnios criminosos.
Segundo o Correio da Manhã, através da clonagem de empresas com existência legal, o grupo comprava produtos alimentares em grandes quantidades, que encaminhava para um armazém grossista no concelho de Torres Novas e daí seguiam para lojas em Espanha. Mas tratava-se tudo de uma burla em grande escala porque os produtos não eram pagos.
Gazeta das Caldas tentou obter mais comentários do responsável da PJ de Leiria, Carlos do Carmo, mas este respondeu que não teria mais nada a acrescentar ao que tinha sido divulgado.
Os detidos foram presentes ao tribunal de Leiria e as medidas de coação dos seis homens só seriam conhecidas depois do fecho desta edição. A cidadã brasileira que também foi detida nesta operação, e que estaria em situação ilegal em Portugal, foi notificada para abandonar o território nacional.
Operação foi notícia em Espanha e Itália
A operação foi também noticiada na comunicação social italiana, nomeadamente através da agência noticiosa ANSA, que destacava A detenção de quatro italianos em Portugal. Apesar de menção a Giovanni Lore, as notícias em Itália foram escassas e pouco desenvolvidas.
Em Espanha o assunto teve mais destaque, uma vez que Giovanni Lore teria alegadamente negócios de pescado e marisco em Vigo. Segundo o jornal Faro de Vigo, um outro dos detidos, Antonino Pepe, é indicado pela GuardIa Civil espanhola como sendo lugar-tenente do alegado mafioso naquela localidade.
O jornal refere que, para além da polícia espanhola suspeitar de tráfico de droga em grande escala, Antonino Pepe faria extorsão em nome do grupo agora detido.
O Faro de Vigo adianta ainda que outro dos detidos é técnico informático e seria o responsável pelo controlo dos transportes ilegais efectuados pelo grupo.
Ainda segundo a publicação espanhola, Giovanni Lore teria em Espanha um estilo de vida ostensivo (o mesma faria agora em Portugal) que chamara a atenção das autoridades. O italiano terá sido detido pela polícia espanhola que o extraditou para Itália, mas voltou a Vigo um mês depois, não se sabendo se terá fugido ou sido posto em liberdade.
Os espanhóis suspeitam que a partir de Vigo os italianos distribuíam armas e droga por toda a Galiza e norte de Portugal. O dinheiro seria branqueado através de empresas de marisco e pescado.
População do Carvalhal apanhada de surpresa
Na aldeia do Carvalhal a detenção dos italianos tem sido o principal tema de conversa. Embora as televisões e jornais tenham apenas estado no local no dia em que estes foram detidos, o efeito da surpresa que este caso causou ainda perdurava nos dias seguintes.
Giovanni Lore não tinha como costume andar pela aldeia, preferindo frequentar outros locais no Bombarral, Santarém e Lisboa. Mas Gazeta das Caldas sabe que o italiano chegou a usar o posto Internet gratuito da Junta de Freguesia do Carvalhal.
Mesmo os vizinhos mais próximos não desconfiavam de nada de suspeito na casa. Os italianos alugaram a Vivenda do Sossego a um português que tem um negócio de transportes e costuma estar em Inglaterra em trabalho.
Maria José, que habita a poucos metros daquela vivenda, viu muitas vezes os italianos na varanda, mas apenas se recorda de Giovanni Lore por ser “um homem muito grande”. No entanto, salienta que “toda a gente ficou admirada” com a operação da PJ.
O maior aparato terá sido causado pelos jornalistas no local, porque da detenção ninguém viu nada. No Cintrão, onde foi detida a cidadã brasileira que seria a companheira de Giovanni Lore, houve quem desse pela operação por ter sido realizada já durante a manhã.
“Deus que os mantenha longe de nós”, foi o desabafo de Maria José que deverá transmitir o sentimento geral da aldeia.
Viatura de atropelamento mortal encontrada nas Caldas
Foi encontrada pela PSP numa oficina das Caldas da Rainha a viatura que esteve envolvida num atropelamento mortal ocorrido na madrugada de 22 de Outubro na avenida da Índia, em Lisboa.
Segundo a agência Lusa, o veículo foi apreendido para investigações, mas está já identificado o presumível condutor, que se pôs em fuga após o incidente.
A vítima, um cidadão mexicano a viver em Portugal, foi transportada para o Hospital de São Francisco Xavier, onde acabou por morrer. O comando da PSP distrital de Leiria afirmou ao nosso jornal não ter mais informações sobre este caso.
De 18 a 25 de Outubro a GNR das Caldas registou na área do seu destacamento territorial um total de 50 acidentes, dos quais resultaram 14 feridos ligeiros.
Na noite de 19 de Outubro a polícia das Caldas deteve um jovem de 18 anos que conduzia sem ter carta. No mesmo dia um indivíduo de 29 anos foi detido na Benedita por conduzir um veículo apreendido. Ainda nesse dia a GNR do Bombarral deteve um homem de 33 anos por conduzir sob o efeito do álcool.
No dia 24 de Outubro, pelas 9h00, a PSP de Peniche deteve um homem com 24 anos que conduzia com uma taxa de álcool no sangue de 1,35 gr/l.
Na noite seguinte a GNR deteve cinco pessoas, com idades entre os 22 e os 65 anos, que conduziam com excesso de álcool (taxas dos 1,84 aos 2,99 gr/l). As detenções decorreram em Trás Outeiro, Óbidos, Pataias, Pó e Caldas da Rainha.
Na Ponte Seca, a 25 de Outubro, foi detido um ucraniano por permanência ilegal em Portugal. No Bombarral detiveram um homem que conduzia com 2,04 gr/l.
Assaltos na região
O proprietário de uma casa em Peniche apresentou na PSP, a 20 de Outubro, uma queixa pelo furto de 3.800 euros em dinheiro, um computador portátil, dois telemóveis, um relógio em prata e diversos artigos em ouro. O acesso à casa foi feito depois de ter sido partido o vidro de uma janela.
Nessa madrugada foi assaltada uma escola em Alcobaça, tendo sido furtado o dinheiro que se encontrava nas mesas de matraquilhos. Foram ainda danificadas diversas portas, janelas e mobiliário.
Três viaturas furtadas nos dias 23 e 25 de Outubro foram recuperadas nessas mesmas noites pela PSP das Caldas da Rainha. No dia 19 também foi recuperado outro automóvel furtado nas Caldas.
No dia 22 também a PSP da Nazaré recuperou uma viatura furtada no dia anterior naquela vila. Um dia antes, foi recuperado pela PSP das Caldas uma mota furtada a 20 de Outubro. Em todos estes assaltos a PSP recolheu dados para a investigação técnica.
No dia 19 de Outubro foi assaltada uma casa na Atouguia da Baleia. No dia seguinte a EDP apresentou uma queixa na GNR de Óbidos pelo furto de cabo de cobre na Sancheira Grande. Nas Caldas houve um furto ao interior de um veículo.
A 21 de Outubro a GNR recebeu queixas pelo furto interior de um bar na Benedita, de um veículo nas Caldas e uma casa em Vale Maceira.
No dia seguinte assaltaram uma casa na Carrasqueira (Vidais), um veículo na Serra D’El Rei e um café em Vale Covo (Bombarral). A GNR de Óbidos recebeu queixas pelo furto ao interior de uma igreja e de um café.
Em Santa Catarina, no dia 23, foram assaltados dois veículos e no Arelho um outro. Foi ainda assaltada uma outra viatura no Sobral do Parelhão. No dia 25 foi assaltada uma casa na Amoreira e outra no Bombarral.
Pedro Antunes
pantunes@gazetacaldas.com

Paulo Inácio, Pedro Passos Coelho e Fernando Costa. Três vozes que em uníssono apontam o dedo ao PS pela situação que hoje se vive no país
Tinha acabado há apenas cerca de uma hora a primeira ronda de negociações do Orçamento de Estado entre PS e PSD e o líder dos social-democratas, Pedro Passos Coelho, entrava em Alcobaça numa sala com várias centenas de militantes e simpatizantes que saudavam aquele que, acreditam, “será o próximo primeiro-ministro de Portugal”.
Em terras de Cister, na noite do passado sábado, 23 de Outubro, Passos Coelho deixou a garantia de que o objectivo do maior partido da oposição “não é tornar um orçamento mau num orçamento bom, é aliviar as famílias e as empresas portuguesas num orçamento que será mau mas que pode ser importante para trazer alguma esperança para muitos portugueses”.
Numa altura em que o PSD ponderava o chumbo ou a (mais provável) viabilização do Orçamento através da abstenção, o líder do partido salientou que a união é fundamental para ultrapassar “um tempo extremamente difícil”. E numa altura destas, Passos Coelho lançou a pergunta: “Como é que foi possível que o futuro imediato do país estivesse neste dramatismo, dependente da viabilização do Orçamento de Estado e quem tem responsabilidade por ter deixado Portugal chegar a esta situação?”.
A pergunta ganha ainda mais pertinência quando se chega ao fim de um ano em que houve cortes nas verbas das autarquias, os salários da função pública foram congelados, se aumentaram os impostos e “o Estado foi buscar mais receita que nunca” e quando se fazem as contas se percebe “que o resultado foi quase tão mau como há um ano atrás”.
Passos Coelho prometeu não votar o Orçamento “de olhos fechados”, justificando assim a necessidade da ronda de negociações entre os grupos liderados por Teixeira dos Santos (actual ministro das Finanças do PS) e Eduardo Catroga (ex-ministro das Finanças do PSD no terceiro mandato de Cavaco Silva). Mas mesmo admitindo a viabilização, não deixou de apontar que este é “um Orçamento irrealista”, que exige dos portugueses “um esforço brutal” para atingir uma meta que duvida que se consiga alcançar: um défice inferior a 3% até 2013.
Porque acredita que a proposta do PS é composta de “medidas muito drásticas que podem deixar o país sem poder respirar e sonhar com o futuro”, o líder do PSD garantiu que a abstenção da sua bancada “depende de que não matemos o doente com a cura” e aponta um exemplo – “se o saque fiscal que está contido no Orçamento for por diante, muitas famílias não serão capazes de cumprir com os seus compromissos”.
O que Passos Coelho quer é “que não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertar o cinto e a folgá-lo”, porque não tem dúvidas que de são as famílias com rendimentos mais baixos que mais sofrem com as propostas do PS.
Mudança precisa-se, no país e no distrito
Numa noite em que o repasto contou com o tão alcobacense frango na púcara e com vinho da Cooperativa Agrícola de Alcobaça, coube a Fernando Costa, presidente da Câmara das Caldas da Rainha e da Distrital de Leiria do PSD, um dos mais aplaudidos discursos. Bem ao seu estilo, o autarca não se coibiu de apontar a culpa ao Governo do PS pelo facto de “estarmos de tal forma anémicos, doentes, ligados à máquina” e aos credenciados comentadores, políticos reformados e ao Presidente da República por não terem conseguido antever a situação para a qual se caminhava com Sócrates à frente dos desígnios do país.
Reclamando que o que se pede agora aos portugueses é uma “suspensão da democracia”, Fernando Costa questionou “que privilégio, que prémio tem este primeiro-ministro, que leva o país ao abismo e os portugueses não podem mudar de primeiro-ministro?”. É que pelo facto de haver eleições presidenciais em Janeiro, as eleições legislativas antecipadas só se poderão realizar a partir de Maio. E o líder da distrital defende que a tão necessária mudança só terá sucesso se for com Passos Coelho a ocupar o cargo de primeiro-ministro.
Olhando para o distrito de Leiria, a necessidade de mudança ganha uma significativa visibilidade. De um dos distritos mais competitivos e industrializados, Leiria tornou-se no quinto distrito em falências, marcado quase diariamente por encerramento de empresas e pelo aumento do desemprego. Pelas contas de Fernando Costa, a cerâmica está reduzida a 10% daquilo que foi noutros tempos, os moldes a 30%, a indústria de madeiras a 20%. “Como é que o país pode sobreviver? É preciso ter capacidade produtiva para exportar”, apontou.
O edil acredita que as dificuldades económicas dos dias de hoje advêm “da forma descuidada como há 10 ou 15 anos se negociou com a União Europeia, em que se destruiu a agricultura”. Um erro ao qual se junta a destruição das pescas. “Já não bastava a importação do petróleo, como agora 70% da nossa alimentação também tem que vir do estrangeiro”. Apoiar o empreendedorismo e a competitividade é a palavra de ordem, para que o país saia deste “estado de anemia”.
A solução passa, defende, pela ascensão de Pedro Passos Coelho ao poder. E enquanto isso não acontecer, Fernando Costa diz recear pelo país, por já não acreditar no Partido Socialistas, na sua competência e boa-fé. A nível distrital, o líder apelou à união e à resolução dos problemas dentro de casa e não na praça pública.
A noite de sábado serviu ainda para o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Paulo Inácio, salientar a importância dos projectos fundamentais para o seu concelho: um hotel de cinco estrelas e um museu da Língua Portuguesa no Mosteiro, a requalificação da Linha do Oeste e um novo Hospital em Alcobaça. Já Pedro Pimpão, presidente da distrital da Juventude Social-Democrata reforçou o apoio dos ‘jotas’ ao líder do partido.
No jantar-conferência decorreu ainda a tomada de posse do novo presidente da concelhia alcobacense do PSD, João Paulo Costa, eleito na noite anterior com um total de 100 votos favoráveis, num escrutínio ao qual se apresentou em lista única e no qual há ainda a registar dois votos contra e um branco.
Joana Fialho
jfialho@gazetacaldas.com
A União das Mutualidades Portuguesas assinalou nas Caldas da Rainha a 23 de Outubro o Dia Nacional do Mutualismo, com palestras e a entrega dos prémios “Mutualismo e Solidariedade 2009” e “Inovar para Melhorar”.
A ministra do Trabalho e da Segurança Social, Helena André, também marcou presença para realçar o trabalho feito pelo movimento mutualista e apelar a uma estreita parceria entre aquelas entidades e o Estado.
O Montepio Rainha D. Leonor, que comemora este ano o seu 150º aniversário, foi distinguido nessa cerimónia com o prémio “Mutualismo e Solidariedade 2009”. O galardão foi descrito pelo presidente do Conselho de Administração da União de Mutualidades Portuguesas, Alberto Ramalheira, como uma forma de chamar a atenção para as instituições que se tenham notabilizado por acções a favor do mutualismo. “É uma maneira de dizer que o movimento está vivo e que é capaz de dar resposta à sociedade em que vivemos”, disse o responsável.
O prémio foi recebido por Carlos Santos, presidente da Assembleia Geral do Montepio, que destacou a sua importância como um marco do trabalho de várias gerações ao nível da inserção do mutualismo e de dádiva aos outros.
Carlos Santos afirmou que num momento social complicado como o que se atravessa, as pessoas sentem que “há fragilidades, mas que estas podem ser ajudadas a combater com a ajuda mútua”. E esse apoio não deverá ser exclusivo do Estado Social que atravessa actualmente “sérias dificuldades, senão mesmo uma falência técnica”.
A instituição caldense, que conta com cerca de 8000 associados, prossegue com um conjunto vasto de projectos na área social. Estão em fase de conclusão as residências protegidas, existe um projecto para a criação de uma nova clínica no centro da cidade e um outro para dar apoio à criança. “Tudo o que seja ajudar a construir algo de melhor nas Caldas e na região é um objectivo para o Montepio”, referiu Carlos Santos.
Nesta cerimónia, que juntou no CCC representantes de diversas associações mutualistas de todo o país, foi também premiado José Robalo Martins, associado da União das Mutualidades Portuguesas e seu actual director. “É um exemplo vivo de solidariedade mutualista em Portugal”, disse Alberto Ramalheira, reconhecendo-lhe o serviço prestado e a forma discreta como o faz.
Maria de Belém Roseira, presidente da mesa da Assembleia da União das Mutualidades Portuguesas, caracterizou o homenageado como sendo “uma pessoa insubstituível”, destacando as suas qualidades humanas e profissionais.
Este ano foi também instituído o prémio “Inovar para Melhorar”, que tem por finalidade dar testemunho das boas práticas produzidas pelas entidades ligadas ao mutualismo. A Associação de Socorros Mútuos de Ponta Delgada (Açores) foi a vencedora, entre cinco concorrentes, com um projecto que lhe permitiu a obtenção de um certificado de qualidade, fazendo dela a primeira associação do género no país com este diploma da área farmacológica.
Foi ainda distribuído pelos presentes a revista comemorativa dos 150 anos do Montepio, editada pela Gazeta das Caldas em colaboração com os corpos gerentes do Montepio, e o livro “Mutualismo com Jornalistas Dentro”, da autoria de Mário Branco, jornalista e um grande dinamizador do movimento.
Estreitar parcerias entre Estado e associações mutualistas
A ministra do Trabalho e da Segurança Social, Helena André, enalteceu o esforço e trabalho feito pelo movimento mutualista em Portugal e deixou o voto de confiança no seu potencial futuro e apelou a uma estreita parceria com o Estado.
A governante lembrou que o movimento tem a sua origem na necessidade sentida pelos cidadãos em se organizar colectivamente para fazer face aos riscos e insegurança gerados pela industrialização e modernização das sociedades. Em Portugal o mutualismo surge na segunda metade do século XIX, resultante da manifestação de vontade livre e solidária dos cidadãos.
O movimento foi-se consolidando ao longo dos anos, permitindo “atenuar de forma significativa os níveis de incerteza e vulnerabilidade a que segmentos da nossa população estava submetida”, disse Helena André.
A governante destacou que o papel destas associações está consagrado na vida do país e que cabe ao Estado apoiar e fiscalizar as actividades com vista à prossecução dos seus objectivos de solidariedade social.
“O dinamismo a que temos assistido ao longo dos anos ainda é uma realidade pois existem 96 associações mutualistas registadas”, deu nota, acrescentando que por isso mesmo o actual governo tem como uma das áreas prioritárias de intervenção o reforço da parceria com o sector social.
A mais recente expressão desta política é a criação do Conselho Nacional para a Economia Social, que tem como missão avaliar e acompanhar as estratégias e propostas ligadas à dinamização da política social.
Helena André reconhece que as restrições orçamentais terão impactos negativos, mas garantiu que o governo estará atento aos sinais da sociedade e que terá soluções para os mais frágeis.
O encontro teve como convidado o professor da Universidade de Coimbra, Pedro Ferreira, que abordou o tema da “economia social versus economia social de mercado”, defendendo que a economia deve estar ao serviços das pessoas como instrumento e não como um objectivo.
“É necessário globalizar o mundo do ponto de vista dos cidadãos e isso passa pela economia social”, disse o matemático, que afirmou ter sentido neste dia a responsabilidade acrescida de falar sobre mutualismo na cidade que viu nascer, em 1485, o hospital termal como primeira obra de misericórdia da Rainha D. Leonor.
“O mutualismo e o seu enquadramento legal” foi abordado pelo jurista e vice-presidente da União das Mutualidades Portuguesas que fez uma “viagem” pelo desenvolvimento deste movimento, que actualmente gera activos na casa dos três milhões de euros e tem mais de um milhão de associados.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetacaldas.com
O candidato à presidência da, Fernando Nobre, esteve em Peniche e nas Caldas no passado dia 21 de Outubro. Na visita que fez à fábrica de cerâmica Molde, destacou a aposta que está a ser feita na exportação, como o caminho a seguir pelo tecido empresarial. “No orçamento do ano que vem o governo aponta para um aumento das exportações de 7,2%, mas tal só será exequível se tivermos muitas empresas como esta”, disse.
Depois de tomar contacto com a produção e ter conversado com alguns dos trabalhadores, o candidato realçou que aquela fábrica é a prova de que há “portugueses empreendedores e criativos”, evidenciando o destino que é dado à produção e a qualidade do material produzido. Por outro lado, Fernando Nobre mostrou-se solidário com as preocupações do administrador da empresa, Joaquim Beato, sobre as dificuldades que este tem de acesso ao crédito bancário.
“Temos que estar particularmente atentos para mostrar disponibilidade de investimento junto de pessoas que são inovadoras, que apostam no risco e na exportação”, defendeu.
Para Fernando Nobre o sector das exportações é vital para o reequilíbrio das contas públicas e “só há uma maneira de competir – é apostando na extrema qualidade e inovação”, disse.
Depois da Molde, Fernando Nobre foi recebido pelo executivo na Câmara das Caldas e à noite proferiu uma palestra no auditório caldense, onde defendeu que o país está no fim de um ciclo e que é necessário implementar uma mudança nas relações entre governantes e governados e na participação da sociedade civil na governação da nação.
“Só podemos melhorar se tivermos uma administração pública particularmente atenta e aberta ao público em geral, coragem de reestruturar o Estado, melhorar o funcionamento da Justiça, ter um nível de exigência na educação, sermos criativos e se soubermos arriscar abrindo-nos para o mundo”, sintetizou.
Joaquim Beato, responsável da Molde, diz que é com satisfação que esta empresa recebe todos quantos a querem visitar e que este interesse é sinónimo que as Caldas ainda tem uma “ligeira conotação com a cerâmica e os que vão sobrevivendo arriscam-se a ser visitados”, ironizou. O responsável da empresa que exporta toda a sua produção, maioritariamente para os Estados Unidos, norte da Europa e França reconhece que é impossível crescer sem crédito bancário.
Joaquim Beato disse ainda que é preciso repensar a estratégia do país, devendo-se apostar na indústria, que é quem fixa as pessoas.
HÁ MUNICÍPIOS A MAIS
Antes das Caldas, Fernando Nobre esteve em Peniche, onde foi recebido pelo presidente da Câmara, António José Correia – que classificou de “autarca dinâmico” -, onde se inteirou da realidade local.
Um dos assuntos em destaque foi a diminuição das transferências do Orçamento de Estado para as autarquias, com o candidato a mostrar a sua preocupação pelo facto de muitas autarquias já não terem possibilidade de se endividar mais e não poderem concretizar os projectos.
Fernando Nobre chamou ainda a atenção para a necessidade de se ter que abordar, a breve prazo, a reforma administrativa do país. “Temos 308 municípios, em que cerca de uma centena tem menos de 10 mil habitantes”, disse, defendendo que o país deve ser repensado como um todo e não como múltiplas capelinhas isoladas. O objectivo é fazer uma reflexão sobre como os novos tempos, as acessibilidades e as tecnologias podem fazer um Estado mais moderno, eficaz, operacional e menos dispendioso.
O candidato já anda em pré-campanha pelo país há algum tempo e faz um balanço positivo deste périplo. Tem visto uma face positiva, de gente dinâmica e empreendedora, mas também o lado mais negro, que é uma profunda desigualdade e exclusão social, sobretudo relativamente aos idosos e falta de esperança para os jovens.
A directora de campanha de Fernando Nobre para o sul do distrito de Leiria, Teresa Serrenho, foi a responsável pelas escolhas dos locais a visitar e referiu que escolheu esta fábrica de cerâmica caldense pelo bom exemplo que representa.
O dia 21 foi escolhido porque Fernando Nobre tinha estado nas Caldas há precisamente seis meses, na qualidade de representante da AMI, e prometeu voltar mais tarde com o “chapéu” de candidato presidencial.
A visita pelo distrito de Leiria englobou visitas ainda a Leiria, Pombal e Nazaré.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetacaldas.com
Zé Povinho tem andado atento ao que se está a passar com as candidaturas para as eleições presidenciais e se já não são de esperar imprevisto previamente ao acto que vai decorrer no início do próximo ano, tem, no entanto, apreciado alguns faits divers dos vários candidatos.
Por exemplo Fernando Nobre levantou uma questão interessante e que pode ser crucial em tempos de dificuldades económicas e financeiras e que tem a ver com a reforma administrativa do país.
Afirmou acertadamente que Portugal “tem 308 municípios, em que cerca de uma centena tem menos de 10 mil habitantes”, pelo que se justificaria plenamente fazer uma reforma que concentrasse esforços, meios, recursos e em que todos saíssem a ganhar.
Também o candidato e actual Presidente da República, Cavaco e Silva, na sua declaração de recandidatura, prometeu fazer uma campanha eleitoral gastando metade do que é permitido por lei e optando por não utilizar cartazes nas vias públicas. Se levar até ao fim o seu propósito poderá inaugurar um novo processo de propaganda eleitoral mais limpo e económico. E dará mais oportunidades aos candidatos que tem menos meios. Zé Povinho só espera que não leve a sua parcimónia à recusa da participação em debates com todos os outros candidatos.
Giovanni Lore, 50 anos, 1,85 me
tros de altura e 120 quilos de peso.
É este o alegado mafioso siciliano, detido na semana passada pela Judiciária numa vivenda do concelho do Bombarral. Segundo as notícias, ele é um chefe da máfia muito procurado e com cadastro também em Espanha, de onde conseguiu escapar à tangente das autoridades daquele país, por actividades criminosas idênticas às que desenvolvia agora em Portugal. Por essas e por outras, tem também um mandado de busca da Interpol.
É, pois, fácil de constatar que os tempos não estão de feição para este italiano que está agora atrás das grades.
Mas Zé Povinho fica mesmo surpreendido é com a atracção que a região Oeste exerce para a actividade criminosa internacional – depois dos etarras de Óbidos, os sicilianos do Bombarral…
É certo que a PJ deu-lhes caça e tratou da ocorrência. E Zé Povinho bem que lhes poderia tecer elogio público pelo seu desempenho. Mas não o consegue fazer e não disfarça aqui o seu desagrado pelo mau gosto da escolha do nome “Máfia do Oeste” para a operação daquela polícia. Os oestinos não gostam de certeza de ser identificados com as práticas de Giovanni Lore. Ou será que se criminosos se escondessem no Algarve, no Porto, em S. Bento ou em Belém, a PJ lhes chamaria “Máfia do Algarve”, “Máfia do Porto”, “Máfia de S. Bento” ou “Máfia de Belém”?

O evento atraiu milhares de pessoas e teve um nítido impacto económico, sobretudo na hotelaria e restauração da região
Durante uma semana Peniche foi a capital mundial com a realização do Rip Curl Pro Portugal, atraindo milhares de visitantes e esgotando a capacidade hoteleira do concelho e de parte da região.
A etapa do circuito mundial de surf, que decorreu de 7 a 18 de Outubro, juntou em Peniche os melhores surfistas, entre eles o mítico Kelly Slater que viria a ganhar a prova.
A vitória em Portugal poderá contribuir para que o norte-americano Kelly Slater, uma lenda do surf, possa ganhar o seu 10º título como campeão mundial, aos 38 anos de idade.
Segundo a imprensa nacional, Kelly Slater elogiou Peniche, desde a variedade de ondas até às pessoas, passando pelos restaurantes. “É um local excitante”, afirmou.
Certo é que durante estes dias todos os caminhos foram dar a Peniche e as redes sociais de muitos caldenses e oestinos foram “inundadas” com fotografias do evento.
O presidente da Câmara, António José Correia, salientou à Gazeta das Caldas que o impacto económico é muito significativo, não só do ponto de vista imediato, mas também para o futuro.
Para já, quem ganha mais é o sector hoteleiro e da restauração, mas também as escolas de surf. “As pessoas já conhecem os melhores locais e os próprios empresários têm apostado na sua promoção”, afirmou o autarca, que sublinhou que este evento é uma forma de combater a sazonalidade do turismo.
A Câmara também criou um espaço próprio, a tenda da capital da onda, ao qual aderiram muitas pessoas.
A boa notícia é que já está garantida a presença da prova em Peniche para o próximo ano e António José Correia adianta que está garantida a presença da Rip Curl até 2014.
“Isto resulta da satisfação dos surfistas, patrocinadores e da organização”, concluiu o presidente da Câmara, que também começou este ano a dedicar-se à prática do surf. “Aconselho a toda a gente, para se abstraírem dos problemas”, disse.
Pedro Antunes
pantunes@gazetacaldas.com







