“República a Banhos” recria como era hospital termal há cem anos

Publicado a 30 de Dezembro de 2010 . Na categoria: Cultura Destaque . Seja o primeiro a comentar este artigo.

O Museu do Hospital e das Caldas acolhe, até 16 de Janeiro, a exposição “República a Banhos” , integrada nas Comemorações do Centenário da República. Esta é a oportunidade para conhecer como seriam algumas das áreas do Hospital há um século atrás já que foi recriado no espaço de exposições temporárias o gabinete do director, uma enfermaria, a zona de portaria/secretaria e uma área de lazer para os aquistas.
Foi também publicado o livro “República a Banhos – O Hospital termal e a I República” que dá a conhecer melhor como se deu a passagem da monarquia para a Republica e que consequências teve naquela instituição.

Na exposição pode visitar-se o gabinete do director do hospital. Era Augusto Cybron que dirigia os destinos do Hospital, desde 1903

“Em vez de uma exposição convencional quisemos inovar algo e decidimos recriar um pouco do quotidiano do Hospital há cem anos atrás”, palavras de Dora Mendes, técnica do Museu do Hospital e das Caldas, enquanto fazia a visita guiada pelo espaço de exposições temporárias, agora “transformado” no Hospital Termal de há 100 anos.
“Não quisemos apresentar apenas documentos, decidimos recriar o ambiente de como seria o hospital na época”, prosseguiu a responsável, dando a conhecer os diferentes núcleos que compõe a mostra. Estes são o gabinete do director do Hospital Termal, uma das enfermarias (Sta. Maria), uma zona de secretaria e portaria e outra de lazer e convívio para os aquistas, onde não falta um piano e  os jornais da época que podem ser consultados. Não faltam também os móveis, mobiliários e objectos da época, que fazem parte da colecção daquele espaço museológico.
Há vários pormenores curiosos para conhecer in loco como os bilhetes que eram usados para os banhos que eram similares aos usados nos comboios e tinham que ser igualmente validados.
Pouco tempo depois de ter sido implantada a República,  o Hospital Real das Caldas  passa a designar-se apenas Hospital das Caldas da Rainha D. Leonor, num homenagem à sua fundadora. Nesta altura foram também destruídas as armas reais que havia nos edifícios que fazem parte do conjunto hospitalar e também foram picadas as coroas que encimavam o cunhal do Paço e as que estavam no portão das cavalariças.
“No quotidiano do hospital notámos que não houve grandes alterações causadas pela implantação da República, os problemas continuaram e já então o hospital se debatia com falta de fundos”, disse Dora Mendes.

A crise das finanças do Hospital também no início do século

Segundo texto de Hugo Araújo,  “Da Corte à República” que integra a publicação “Republica a Banhos – O Hospital termal e a I República” “o facto das conta da instituição, consideradas um encargo para o Estado não gozarem da melhor saúde, favorecia as discussões em torno de algumas ideias como a do arrendamento dos Pavilhões e da exploração do Casino  por particulares, coisa que já vinham sendo discutida desde bem antes de 1910”.
Este autor ainda defende que a então vila, agora com a República perdeu “a firme relação que mantinha com a Coroa e o papel de sala de visitas que desempenhara com os diferentes monarcas, especialmente nos últimos reinados”.
O 5 de Outubro nas Caldas foi um marco simbólico da mudança que “levou a Corte a desaparecer das Caldas e lhe trouxe a então jovem República”. Este então novo regime fez-se sentir ao nível politico e sobretudo em questões burocrática, e menos no quotidiano do cidadão comum.
Augusto Cymbron era o então director do Hospital (desde 1903) e envolveu-se nalgumas polémicas visto que pertencia a um dos movimentos republicanos então formados na cidade. Antes da instauração da República, este responsável organizou uma grande recepção ao Rei D. Manuel II  nas Caldas mas logo a seguir à queda da monarquia, o mesmo apressou-se a  dar apoio ao novo governo, distanciando-se do ex-regime.
Augusto Cymbron acabou por ser exonerado do cargo em 1913 mas o médico açoriano acabaria por ser reconduzido como director do Hospital Rainha D. Leonor  em 1914 e a permanecer no  cargo durante uma década.
Em Setembro de 1911 foi publicado em diário de governo da Republica um relatório de melhorias para o Hospital Termal, tema já então pertinente pois questionava-se como gerir todo o património a cargo do hospital que então  necessitava de sustentabilidade financeira pois já iam bem longe os tempos em que o hospital recebia os foros e as rendas do tempo da rainha fundadora, D. Leonor.
As dificuldades financeiras eram tema e a árdua tarefa da gestão patrimonial já se discutia há 100 anos.  Segundo texto de Tânia Jorge, também incluído em “República a Banhos – O Hospital Termal e a I República”,  “a observação do funcionamento do Hospital afirma que a exploração do balneário em 1910 representava cerca de metade da receita da instituição  e que o parque e o Club não representavam  tanto como se fazia crer “.
A comissão, autora do relatório, defendia por isso “o valor  do estabelecimento termal assentava na qualidade das suas águas termais e não no brilho das suas diversões, o Hospital pode e deve ser sem receio mais hospital do que Club”. Segundo a  investigadora, o relatório aponta como sugestão apostar na melhoria das instalações do balneário e para a  criação de comodidades e assistência clínica de forma a disponibilizar todos os meios de cura.
“República a Banhos”  inclui um programa de visitas guiadas para as escolas com o objectivo de dar a conhecer um  pouco do hospital termal de há um século atrás. As marcações para as actividades educativas podem ser efectuadas por tel. 262 830 300 ou através do e-mail mushospcaldas@sapo.pt

Natacha Narciso
nnarciso@gazetacaldas.com

Alunos das escolas escreveram 1600 cartas pelos direitos humanos

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Estudantes da Raul Proença participaram activamente nesta iniciativa

Realizou-se, a 10 de Dezembro em algumas escolas da região, a X Maratona de Cartas, promovida pelo Núcleo Oeste da Amnistia Internacional (NOAI). Participaram estudantes da Escola Secundária Raul Proença, dos Agrupamentos de Escolas D. João II, de S. Martinho do Porto e do Cadaval e da Escola Secundária com 3º ciclo de Madeira Torres (Torres Vedras) e no total foram escritas 1607 cartas. No total nesse dia em Portugal foram escritas 4765 missivas. “Foi uma óptima participação dos alunos desta região”, disse Teresa Mendes, presidente da NOAI que é também professora. “Esta foi uma excelente ocasião para mostrar aos estudante que podemos contribuir para terminar com as muitas violações de direitos humanos que acontecem no mundo”, acrescentou.
Alguns dos participantes ainda não conheciam esta iniciativa, Maratona de Cartas, que  acontece em todo o mundo à mesma hora e que tem como objectivo escrever o maior número possível de cartas sobre os casos e acções urgentes da Amnistia Internacional, para apoiar, individualmente, as vítimas de violação dos Direitos Humanos.
O evento nasceu na Secção Polaca da Amnistia Internacional há onze anos e  o seu conceito é simples: durante 24 horas são escritas cartas usando casos das acções urgentes e os resultados são surpreendentes. No ano passado foram escritas milhares de cartas, que resultaram na melhoria das condições das pessoas visadas nas acções urgentes.
Este ano as missivas visam contribuir para o caso de  Saber Ragoubi, homem que foi condenado à morte na Tunísia, acusado de pertencer a uma organização terrorista – o que ele nega. O julgamento foi injusto e ele foi condenado com base numa “confissão” que alega ter feito sob tortura. O tribunal aceitou a confissão sem investigar as alegações de tortura.
Outro caso é o de  Mao Hengfeng que tem sido repetidamente detida na China devido ao seu activismo em defesa dos direitos reprodutivos das mulheres e em apoio das vítimas de desalojamentos forçados. Actualmente, cumpre 18 meses de “Reeducação pelo trabalho” e afirma ter sido espancada.
O marido de Khady Basséne, Jean Diandy, foi preso por soldados em 1999 no Senegal e desde aí que não é visto. Khady Basséne luta por saber a verdade acerca do que aconteceu e aguarda compensação financeira pelo desaparecimento.
Norma Cruz  enfrenta perigo constante devido ao seu trabalho de documentar e exigir justiça em casos de violência contra as mulheres na Guatemala. Recebeu dezenas de ameaças de morte e os seus agressores não foram apresentados à Justiça.
Outro dos casos é o de famílias ciganas – no total cerca de 100 pessoas – que foram desalojadas à força das suas casas em Miercurea Ciuc na Roménia e necessitam ser realojadas. A maior parte delas está agora a viver em condições insalubres e desumanas em barracas de metal junto a uma estação de tratamento de esgotos.

Natacha Narciso
nnarciso@gazetacaldas.com

Maga trouxe ilustração a vários espaços da cidade

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O Festival MAGA, a Mostra de artes e afins, que deu destaque à ilustração entre os dias 9 e 19 de Dezembro, foi uma iniciativa do Atelier Arte e Expressão que teve como evento central a Exposição Colectiva de Ilustração que decorreu no espaço Ceres (nos Silos) e que contou com a participação de 53 artistas, entre eles um grupo de autores que se dedica à ilustração infantil.

O Festival  MAGA, a Mostra de artes e afins, que deu destaque à ilustração entre os dias 9 e 19 de  Dezembro, foi uma iniciativa do Atelier Arte e Expressão que teve como evento central a Exposição Colectiva de Ilustração  que decorreu no espaço Ceres (nos Silos) e que contou com a participação de 53 artistas, entre eles um grupo de autores que se dedica  à ilustração infantil.
Este ano foi propositada a disseminação do evento noutros espaços da cidade.  Na rota da iniciativa esteve a loja My Generation que ofereceu a oportunidade dos participantes “falsificarem” as capas dos seus discos preferidos ao passo que no Bar Rifa, na Foz do Arelho foi feita uma exposição de postais ilustrados e que tem sido um sucesso entre miúdos e graúdos. Este espaço  – que desde a sua abertura tem promovido actividades que envolvem artistas e público em geral – ainda mantém uma instalação no espaço do bar com os postais e que acabou por assinalar o encerramento do festival Maga.
No passado dia 18 de Dezembro, estiveram presentes no Bixo Mau o colectivo Nosferatoon x Anim@ll que apresentou um espectáculo áudio visual de cerca de uma hora onde se aliou musica retro variada ( desde o genérico dos Marretas a Led Zepplin) com vídeo de animação ( do clássico desenho animado a filmes de animação premiados).
Ao som de música colocada por Anim@ll, Nosferatoon, mistura vídeos variados trabalhados no momento com efeitos visuais de forma a complementar o som o colectivo pretende desta forma, conciliar músicas e imagens que à partida não se imaginam a passar em simultâneo.
No Maratona o destaque foi dado às fanzines. No evento do festival que ali decorreu  foram lançadas as publicações “Nas Fraldas da Rainha”, “PunkArte”, “Fun zero” e “Salão Coboi”.
Para realizar o Maga os custos rondaram os cinco mil euros e a iniciativa foi financeiramente apoiado pelo Instituto Português da Juventude. Contou com o trabalho voluntário de uma equipa de cerca de uma dezena de pessoas.

N.N.

Trabalhadores mostram indignação e revolta em reunião da Assembleia Municipal

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Os trabalhadores dos serviços e Câmara Municipal de Caldas da Rainha vão no próximo dia 28, pelas 21h30, mais uma vez participar na reunião da Assembleia Municipal, para demonstrar publicamente o seu descontentamento face à falta de coragem do seu presidente, em tomar uma decisão de os valorizar salarialmente.
Os trabalhadores do município das Caldas vão participar na reunião da Assembleia Municipal que irá decorrer no próximo dia 28 de Dezembro.
Na última reunião com o STAL, que teve lugar na passada semana ficou claro que o presidente da Câmara e restante executivo não foram sensíveis aos argumentos apresentados ao longo de dois anos pelo Sindicato, nomeadamente ao facto de a grande maioria dos funcionários do município não auferirem mais do que seiscentos euros por mês.
Por este motivo, os trabalhadores dos Serviços Municipalizados e Câmara Municipal das Caldas da Rainha decidiram mais uma vez, em plenário, participar na reunião da próxima Assembleia Municipal, demonstrando o seu desagrado pela falta de atitude do presidente que, escudando-se em informações infundadas de legalidade, impossibilitou a atribuição de direitos, a valorização salarial e a dignidade profissional dos seus trabalhadores.

A direcção regional de Leiria do STAL
Leiria, 23 de Dezembro de 2010

Boneco articulado da Foz venceu segunda Snow Parade

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Em primeiro lugar ficou o “Arti”, em segundo a proposta do Jardim de Infância Nossa Senhora do Pópulo e em terceiro a do pelo Jardim de Infância do Reguengo da Parada

O boneco criado pela Escola da Foz do Arelho foi o vencedor da segunda edição do Snow Parade, que decorreu entre os dias 17 e 19 de Dezembro. A iniciativa contou com a participação de 24 bonecos de neve, criados por pelos alunos de várias escolas e IPSS’s do concelho e que estiveram em exposição entre a Rua das Montras e a Rua Miguel Bombarda, numa iniciativa organizada pelo Ponto de Ajuda (Santa Casa da Misericórdia).
O “Arti” foi o vencedor do concurso pois obteve 211 votos da população seguido em segundo pelo boneco do Jardim de Infância Nossa Senhora do Pópulo (com 133 votos) e por fim o exemplar feito pelo Jardim de Infância do Reguengo da Parada que obteve 127 votos.
Segundo a organização houve 1211 votos colocados na urna, o que para o Ponto de Ajuda significa que há interesse por parte da população nesta iniciativa. Os autores dos três bonecos mais votados receberam como prémio material escolar oferecido pela Staples.
Nesta segunda edição houve mais três bonecos do que na edição de estreia e registaram-se também algumas inovações em relação ao ano anterior com bonecos cujas luzes eram alimentadas a energia solar ou outros com baterias e sensores de movimento. Constata-se também que a maioria das escolas tem preocupações com o meio ambiente visto que a maioria usou matérias recicláveis para criar os seus bonecos.
O Ponto de Ajuda gostaria que a Snow Parade ganhasse raízes e que fosse uma referência na agenda da programação natalícia da cidade. Esta entidade conta realizar a terceira edição próximo do Natal de 2011.

N.N.

Arrepiado Team – Uma das melhores épocas da equipa

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É com enorme orgulho e satisfação que o Arrepiado Team termina o ano de 2010, considerando uma das melhores épocas da equipa, não só pelo excelente trabalho que conseguiram como também pelo retorno que obtiveram. Foi um ano de muito esforço e trabalho de norte a sul do país e restante Europa, com um total de mais de 40 espectáculos, percorrendo mais de 68mil Km mostrando a todos o grande profissionalismo que os identifica, atingindo todos os seus objectivos e procurando novos desafios.

Mais informações em Gazeta das Caldas impressa

Cerâmica de Autor passa a ser presença regular no Céu de Vidro

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Foi ao som de alguns músicos do grupo Caldas Handsaw Massacre que se realizou um brinde de Natal a 23 de Dezembro, no Céu de Vidro, que teve como mote celebrar a regularidade com que a cerâmica contemporânea de autor passará a marcar presença mensal no Parque D. Carlos I.

Foi ao som de alguns músicos do grupo Caldas Handsaw Massacre que se realizou um brinde de Natal a 23 de Dezembro, no Céu de Vidro, que teve como mote celebrar a regularidade com que a cerâmica contemporânea de autor passará a marcar presença mensal no Parque D. Carlos I.
Além das canções de bandas sonoras de filmes, interpretadas ao serrote, foi servido um lanche com o apoio de algumas empresas caldenses e a participação dos alunos do curso de Turismo da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro.
A partir de agora, a Associação Três Cês, em parceria com o Centro Hospitalar, vai passar a promover um evento dedicado à cerâmica contemporânea que acontecerá sempre aos segundos fins de semana de cada mês, associando esta realização à Feira das Velharias. “Pretendemos criar o hábito nas pessoas virem aqui ver cerâmica contemporânea, de grande qualidade técnica e estética”, disse Mário Reis, um dos dirigentes da Associação Três Cês. Este responsável explicou que nestas exposições-venda mensais haverá sempre a presença dos autores ligados às Caldas e depois “contaremos com a presença de alguns convidados, começando pelos nossos associados”. O Colectivo Três Cês tem ceramistas contemporâneos de várias zonas do país.
Segundo aquele responsável a associação quer continuar a trabalhar em parceria com outras entidades caldenses. Esta iniciativa quer ainda preencher o grande vazio que se estabelece entre a realização das Festas de Cerâmica que têm uma periodicidade bienal.
“Tenho a certeza que num futuro breve este será um evento de referência nas Caldas”, disse Mário Reis em relação às realizações no parque D. Carlos I. Estas exposições-venda dirigem-se também ao público que visita as Caldas que assim tem aqui uma oportunidade de conhecer a cerâmica que é criada hoje na região.
Nesta exposição de Natal aos  autores ligados às Caldas Ana Sobral, Carlos Enxuto, Mário Reis e Paulo Óscar juntaram-se Miguel Neto, Nadine Gueniou, Paulo Óscar, Martim de Santa Rita & Carmina Anastácio e ainda Carlos Neto & Ana Lousada.
Todos foram unânimes em que este local, cheio de histórias ligadas à cultura, se adequa à apresentação da cerâmica contemporânea e que o evento poderá contribuir para uma maior divulgação das suas obras.
Os três elementos dos grupo Caldas Handsaw Massacre, que trouxeram canções de filmes, deixaram o convite para estarem presentes a 19 de Março no grande auditório do CCC onde prometem um espectáculo com novidades.

Natacha Narciso
nnarciso@gazetacaldas.com

De Braços Abertos – Despertar

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Aproxima-se o dia em que chegarão as medidas de austeridade e todos sentiremos as consequências da governação incompetente e mentirosa deste país. Até agora, “apenas” sentiam dificuldades os desempregados e aqueles cujos negócios ou actividades por conta própria eram afectados pela falta de oportunidades. A maioria dos cidadãos, entretanto, mantinha os seus rendimentos (os funcionários públicos até foram aumentados) e, ao invés de sentir uma redução do poder de compra, até o via incrementado por virtude da baixa significativa dos preços de muitos bens de consumo e serviços. Em breve, todos ficaremos mais pobres e aqueles que vivem no limbo orçamental terão de mudar de vida ou soçobrarão. Portugal está à beira de acordar de um pesadelo e perceber que a realidade confirma o sonho mau. Este é o nosso verdadeiro réveillon (despertar) e os três reis magos – F, M e I – já vêm a caminho, não de Belém mas de S. Bento.
Tudo isto era mais do que previsível (e evitável), se os cidadãos tivessem a cultura, o conhecimento, a informação e o interesse pela coisa pública que, lamentavelmente, não têm. Estou profundamente convicto de que a responsabilidade maior pelos sacrifícios impostos aos portugueses é daqueles que permitiram, por acção ou omissão, que se instalasse na governação do país um grupo de indivíduos de competência e idoneidade mais do que duvidosa, os quais trataram de ocupar e controlar a maioria dos lugares estratégicos do aparelho do Estado, da administração pública e dos institutos e empresas dominadas pelo poder político, no mínimo para benefício de interesses próprios, espúrios e ilegítimos, e, em casos como o do processo “Face Oculta”, para o assalto à propriedade colectiva através de burla e furto qualificado, corrupção activa e passiva, associação criminosa e tráfico de influências, entre outros. Contudo, não há aqui nada de novo, sempre foi assim: o mal instala-se quando o bem se desresponsabiliza e revoga.
Evidentemente que, nestas condições, qualquer dificuldade económica ou financeira, de origem nacional ou internacional, nos atingiria com a maior violência e com as piores consequências, pois o país não estava preparado para as enfrentar. Mas cabe perguntar: quantas personalidades sábias e credíveis, de diferentes quadrantes políticos e sociais, alertaram atempadamente para as falhas do sistema, as políticas erradas, as imprudências, os desmandos e as trafulhices a que se assistiu sucessivamente ao longo dos anos? Que atenção e consideração se deu a essas vozes que, por não se calarem, foram ofendidas, humilhadas, perseguidas e prejudicadas? Que valores foram preferidos e priorizados, em detrimento de outros que foram secundarizados e desprezados? Nesta história triste e ruinosa do Portugal contemporâneo, pode não haver santos, mas alguns são claramente mais pecadores do que outros, e por essa condição devem ser responsabilizados.
Aqui chegados, o importante é sobreviver. Cada um saberá de si, mas importa que todos nos preocupemos com todos, sobretudo com os mais fracos e dependentes – as crianças, os idosos, as pessoas com deficiência, os desempregados – a quem esta brutal e insensível governação não hesita em desproteger. Nunca a solidariedade dos portugueses foi tão necessária e decisiva como hoje, requerendo-se muita iniciativa e criatividade. Depois, é essencial que os cidadãos abram os olhos e não se deixem enganar, que vivam o presente mas cuidem mais do futuro, que abandonem preconceitos e sejam realistas, que sejam menos desconfiados e mais vigilantes, que não tenham medo nem preguiça de mudar, que olhem mais para os valores e menos para a barriga, que se interessem mais pelo bem comum do que pela mesquinhez. Os próximos meses, talvez anos, vão doer muito, já o sabemos, faltando-nos ainda ter a confiança de que os sacrifícios valerão a pena. Janus, deus do tempo e das portas, celebrado pelos romanos no primeiro dia de Janeiro, olha simultaneamente para o passado e o futuro, lembrando-nos que, afinal, tudo tem um antes e um depois. Se, à meia-noite, comeu as doze passas ouvindo as doze badaladas, confie nos seus desejos e lute por eles.

José Rafael Nascimento
jn.gazeta@gmail.com

Oeste Sustentável vai apostar nos edifícios em 2011

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A agência Oeste Sustentável –

A agência está a elaborar projectos para a poupança na energia na região Oeste

pretende, em 2011, avançar com projectos na área dos edifícios, especialmente na construção sustentável, certificação energética de edifícios públicos e diagnósticos energéticos no sector residencial.
Ao nível do aproveitamento de recursos renováveis estão planeados vários projectos de promoção e desenvolvimento, nomeadamente através do diploma de mini-produção a ser publicado em decreto-lei no início do próximo ano.
A Oeste Sustentável quer também avançar com um projecto de valorização por vermicompostagem, que possibilitará reduções significativas na produção de resíduos para aterro. Do seu plano de actividades fazem ainda parte a aposta na mobilidade sustentável, cooperação internacional, educação criativa para a sustentabilidade, fundo social de energia e um fundo regional de carbono.
Em 2010 a agência realizou um estudo de optimização energética no edifício da OesteCIM, a promoção do veículo eléctrico, o contributo para a revisão do diploma de micro-produção e o apoio aos projectos municipais.
Foi também iniciado o estudo da matriz energética dos concelhos e região Oeste e o inventário das emissões de gases com efeito de estufa. Este estudo servirá de base para elaboração do plano de sustentabilidade da região, planos de acção locais e utilizará metodologias enquadradas com os critérios considerados no âmbito do Pacto dos Autarcas.
Foi ainda feito um ponto de situação do projecto de optimização da iluminação pública no Oeste. Uma das vertentes consiste na implementação de 527 relógios astronómicos com vista à garantia de uma gestão eficaz do horário de utilização da iluminação pública, estimando-se reduções no custo com consumo eléctrico na ordem dos 200 mil euros anuais.
Este ano já foram instalados cerca de 20% dos postos de transformação, que se reflecte numa poupança aos municípios cerca de 190 mil euros.
Está também a ser desenvolvido um estudo para a melhoria da eficiência na iluminação pública, através da substituição da tecnologia existente pela tecnologia a LED. Com este projecto a agência prevê poupanças de aproximadamente quatro milhões de euros anuais na região, evitando-se a emissão de mais de 20 mil toneladas de dióxido de carbono.
O presidente da Oeste Sustentável, Telmo Faria, disse tratar-se de um plano de actividades “muito forte e ambicioso”, pelo que espera que a região possa estar à altura.
O autarca apelou à colaboração de todos para poderem concretizar aquela agenda, que considera de nível internacional. “Se a conseguirmos concretizar o Oeste será, do ponto de vista ambiental, um território dos mais reconhecidos no quadro europeu”, disse.
Telmo Faria lembrou ainda que em seis meses de funcionamento foram feitas 17 reuniões do conselho da direcção.
A agência tem como associados os municípios do Oeste, entidades públicas e privadas, e conta com um financiamento proveniente de fundos europeus. Para se auto-sustentar a agência conta com o pagamento de cotas anuais dos associados.

Fátima Ferreira
fferreira@gazetacaldas.com

Já começaram as promoções e os saldos nas Caldas

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Há várias lojas nas Caldas que na segunda-feira, 27 de Dezembro apresentavam promoções atractivas oferecendo descontos de metade do preço dos seus produtos. A época oficial de saldos começou no dia seguinte 28 de Dezembro, mas em vários espaços do comércio tradicional os descontos iam já entre os 30 e os 50 e nalguns casos até um pouco mais.
Gazeta das Caldas fez uma pequena ronda por comerciantes de vários sectores e constatou que foram fracas as vendas de Natal. Este foi um dos Natais menos concorridos na cidade que precisa de urgentemente criar atractivos para recuperar o vigor comercial de outrora, na opinião desses comerciantes.

Os comerciantes queixam-se dos graffiti que surgem por todo o lado

“Já tenho promoções cujos descontos chegam aos 50%”, dizia Deolinda Gonçalves, na passada segunda-feira, proprietária de duas lojas de roupa para crianças, a Kikas e a Metro Kids.  Os saldos para esta comerciante “servem principalmente para escoar stocks”, acrescentou.
O Natal “foi pior que nos outros anos” e, na opinião desta empresária, “as pessoas reduziram as compras por causa da crise” e, por  outro lado, há quem  se guarde para aproveitar os descontos dos saldos.
Os saldos oficialmente só começaram a 28 de Dezembro, quarta-feira, mas algumas lojas antecipam um pouco fazendo promoções, reduzindo os preços entre 30 ou até em 50% antes da data prevista.
Para a empresária, a cidade precisava de ter uma melhor sinalização e sinalética para quem vem de fora e  sobretudo é preciso criar ”mais atractivos para atrair pessoas do exterior”.
Nuno Jesus -  responsável da Açoteia, Vasari, Crazy e Romã – já tinha na passada segunda-feira descontos que atingiam até metade do preço original.
“Vendeu-se mas as quantidades não têm nada a ver com o que se vendia há uma década…”, disse o empresário que concorda que 2007 ainda foi um ano razoável mas desde então para cá, as vendas têm vindo a decrescer. Este ano terão diminuído cerca de 30% em relação ao Natal anterior.
Os saldos servem para escoar stocks até porque “precisamos de realizar dinheiro para reinvestir, em muitos artigos até perdemos dinheiro”.
Na sua opinião “há muita oferta e as pessoas não têm poder de compra”. Também considera que hoje se dá maior importância aos preços baratos e menos à qualidade dos produtos.
Este ano também considera que houve pouca divulgação do comércio tradicional e houve menos actividades de animação, “para atrair clientela às Caldas”. Teme que a crise mundial ainda venha a prejudicar mais países pequenos como Portugal.

“Muito menos gente nas Caldas às compras de Natal”

Durante o período de Natal houve muito menos gente do que nos outros anos, apesar de parecer que as ruas estavam repletas, especialmente aos fins de semana e na véspera de Natal. Contudo é opinião unânime de vários comerciantes da cidade das áreas do vestuário, livros, café, restauração ou electrodomésticos, que a procura caiu drasticamente. Preocupa-os que as pessoas que moram nesta região estejam a transferir as suas compras para outras cidades em redor como Torres Vedras, Alcobaça, Santarém ou Rio Maior  “que se tornaram muito mais sugestivas e atraentes do que as Caldas da Rainha”, disseram Dulce e Alexandre Tomás, responsáveis das lojas Túnicas.  Essas pessoas “vêm em menor número e menos vezes”, acrescentaram.
Paulo Feliciano, do Restaurante Pachá diz que é notória a diminuição de pessoas sobretudo ao sábado de manhã, que era sempre forte em termos comerciais.
Isabel Castanheira, da Livraria 107, achou surpreendente que na Gazeta das Caldas fossem anunciadas milhares de pessoas e depreende que terá sido num momento especifico e devido a alguma actividade de animação pois na verdade “houve uma enorme diminuição de pessoas”.
A comerciante diz que nos dois dias antes do Natal é que se sentiu de facto um ligeiro aumento nas vendas. Ao longo do ano a livreira sentiu um decréscimo nas vendas na ordem dos 20% em relação ao ano anterior.
A empresária queixa-se que num das zonas mais comerciais e agora pedonal, na Rua Heróis da Grande Guerra “há graffities com asneiras, há várias zonas mal iluminadas, caixotes do lixo cheios, buracos na calçada e fios pendurados em tudo o que e postes que ficaram da aparelhagem que deu música de Natal no ano passado”.
O grupo de comerciantes acha que o desempenho individual não é o mais importante pois “sem o todo não conseguimos ir a lado nenhum e houve dias no período de Natal que parecia que tinham todas fugido”, dizem.
Acham que as Caldas era a cidade natural para as compras para as pessoas desta região e que isso hoje já não é verdade, “deixou de ser assim, as pessoas estão a preferir outras localidades”.
Os comerciantes dizem que o Natal em 2007 foi o último Natal diferente, “pois vinha muita gente de fora para ver as obras que tornaram a Rua Heróis da Grande Guerra pedonal”. Dizem que as pessoas querem é novidade e para tal terá contribuído a acção de muitos comerciantes de colocar as árvores de Natal no exterior dos seus estabelecimentos.
“A imagem da cidade é mal vendida”, disse Paulo Feliciano, que gostaria de ver maior divulgação e que fossem criados atractivos para chamar pessoas de fora.

Falta de atractivos leva ao declínio da cidade comercial

“O decréscimo nas vendas deste Natal representa a decadência das Caldas enquanto cidade comercial e pior que isso arriscamo-nos a que, se nada for feito, o centro da cidade vai ficar morto”, disseram. Notaram que antes se fosse preciso fechavam as lojas muito para lá da hora de jantar ao passo que este ano em alguns dias “às 18h00 fechava-se a porta pois não havia ninguém na rua”.
Em relação ao Natal de 2009, o Café Creme também sentiu uma diminuição nas vendas “na ordem dos 30% a 40%”, disse Vítor Brito, responsável daquele estabelecimento.
A Benetton Underwear não aposta para já nos saldos, prefere iniciar os descontos na próxima segunda-feira. Cecília Oliveira diz que o decréscimo nas vendas “se tem sentido de forma diária e há muito menos gente a circular nas ruas”. No ano passado na sua loja “éramos três e não tínhamos descanso, este ano éramos duas e estivemos paradas muitas vezes”. Aponta o dedo ainda para a falta de sinalização, sinalética, estacionamento e uma deficiente circulação de trânsito.
“A cidade está a morrer aos poucos”. Palavras de  José Ventura, da loja Electrolider que acha que os comerciantes precisam de ter aliados fortes como a Câmara e a ACCCRO de modo a ultrapassar este momento que entende mais difícil para o comércio tradicional.
Dantes ir às compras significava Caldas da Rainha enquanto que agora as pessoas escolhem outros destinos como, por exemplo, Torres Vedras ou um outro grande ponto de atracção, o Shopping de Leiria.
“Nós precisamos de novidades constantes para continuar a atrair pessoas”, disse Alexandre Tomás que ainda acrescentou que, como os tempos estão difíceis  e não há dinheiro para manter regularidade nas realizações, então que as poucas que se façam “sejam bem programadas, comunicadas e acima de tudo tenham qualidade”. Não existir atractivos para quem visita a cidade significa, para este grupo de comerciantes das mais variadas áreas, o declínio acentuado e mais lojas fechadas que vão ocorrer em pleno coração da cidade.

Natacha Narciso
nnarciso@gazetacaldas.com


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