Abstenção recorde na reeleição de Cavaco Silva

Publicado a 28 de Janeiro de 2011 . Na categoria: Breves Política . há 3 respostas a este artigo.

Decorreram no passado domingo as eleições para a Presidência da República, que deram a vitória na primeira volta ao actual Presidente, Cavaco Silva, que, ao ter obtido 52,9% dos votos expressos, deixou a muita distância os restantes candidatos.
Contudo, este acto eleitoral, por razões diversas e que têm sido explicadas de várias maneiras pelos muitos comentadores que percorrem os jornais, écrans da TV e rádios, teve a maior abstenção de sempre neste tipo de eleições, atingindo os 53,4%, permitindo na mesma que o actual ocupante de Belém vencesse com mais de metade dos votos.
Mesmo assim perdeu mais de meio milhão de votos em relação há cinco anos, no que foi seguido também por Manuel Alegre, com 19,8% dos votos expressos, desta vez também candidato apoiado pelo PS e pelo BE, que perdeu mais de 200 mil votos em relação à eleição de 2006, em que se apresentava como candidato independente e que então bateu o candidato apoiado pelo PS, Mário Soares.
As surpresas nesta eleição foram o candidato independente Fernando Nobre, com 14,1%, que ficou na terceira posição com quase 600 mil votos e José Manuel Coelho, o candidato sui generis da Madeira, que obteve 189 mil votos, correspondendo a 4,5% dos votos expressos. O candidato do PCP, Francisco Lopes, segurou 7,1% da votação habitual na sua área partidária e o deputado do PS, Defensor de Moura, que concorreu como independente, ficou-se pelo 1,6% dos votos.
O fenómeno nacional desta votação foi também visível, tanto no distrito de Leiria, como na região Oeste, tal como em cada um dos concelhos destas duas áreas.

Cavaco Vence nas Caldas com 57% e em Óbidos com 55%

A abstenção no concelho das Caldas da Rainha e no de Óbidos foram sensivelmente idênticas à do país, o que mostra que o fenómeno foi bastante generalizado, o que deve merecer alguma reflexão aos actores políticos nacionais de todas as áreas.
O número de eleitores tantos nas Caldas como em Óbidos aumentaram substancialmente desde as últimas presidenciais, fruto de novos residentes e do novo método de atribuir a localização da residências aos portugueses, tendo subido no primeiro concelho cerca de 10,8% e no segundo cerca de 5%.
Contudo o número de votantes em ambos os actos eleitorais desce de 2006 para 2011 respectivamente 15% e 12%.
Outro fenómeno que se observou no conjunto do país e também nos concelhos do Oeste e do distrito de Leiria foi o aumento dos votos em brancos e dos votos nulos. Nas Caldas os brancos aumentaram de 2006 para agora 264% e em Óbidos 218%. Os nulos, ou seja votos mal utilizados ou anulados pelos eleitores, aumentaram nas Caldas 102% e em Óbidos 71%.
Pode-se ainda referir que Cavaco Silva venceu em todas as freguesias de Caldas da Rainha e de Óbidos, a muita distância dos restantes contendores, com a surpresa de Fernando Nobre ter ganho nas Caldas da Rainha a Manuel Alegre. Este nem na Foz do Arelho, praia que frequenta regularmente, conseguiu obter mais votos.
Surpreendente também foi o número de votos conquistado nas Caldas pelo candidato madeirense, José Manuel Coelho, que quase alcançou o candidato do PCP, Francisco Lopes.
Finalmente, nas Caldas da Rainha Cavaco Silva obteve este ano menos 30% dos votos do que em 1995 quando concorreu (e perdeu) contra Jorge Sampaio. No concelho de Óbidos ocorreu idêntico fenómeno com Cavaco a perder quase 400 votos em relação a 1995.

Em Alvaiázere Cavaco domina totalmente

No distrito de Leiria é no concelho de Alvaiázere que Cavaco Silva domina com 81% dos votos expressos, enquanto que no concelho da Marinha Grande, pelo contrário, Cavaco só obteve 37% dos votos, com os restantes a repartirem-se por Alegre, Nobre e Lopes.
Na região Oeste também no concelho da Lourinhã Cavaco Silva consegue 66% dos votos, com os restantes repartidos em partes iguais por Alegre e Nobre, seguidos de Coelho, Lopes e Moura.
O concelho no Oeste com menor votação relativa no vencedor foi Alenquer com 43%, com Alegre a seguir com 14% e Nobre com 9%.
Nas páginas interiores desta edição da Gazeta das Caldas o leitor encontrará vários quadros que lhe darão uma panorâmica de todos os resultados na região.

Crónica do Québec (Canadá) – Caisse d’Économie des Portugais

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A comunidade portuguesa da zona de Montreal é constituída por cerca de cinquenta mil pessoas, dispersas pela metrópole central e pelas múltiplas pequenas cidades e vilas circundantes. O nosso grupo étnico faz hoje parte das chamadas comunidades antigas, a exemplo de outros grupos de europeus como os italianos ou os gregos, que chegaram a estas paragens durante as grandes vagas migratórias que tiveram lugar nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado.
Naturalmente, e como acontece noutros países acolhedores de imigrantes todas estas diferentes etnias têm tendência a criarem serviços próprios de apoio às necessidades de todos os dias, com instituições  de vária ordem onde, desde a direcção até à parte mais baixa do organigrama da entidade em causa, se pode comunicar na língua mãe de cada um. Como já mencionei numa crónica anterior, se é um facto que os portugueses de Montreal dirigem algumas, poucas, indústrias, é sobretudo na actividade comercial que demonstramos maior vigôr, não fosse esta, a razão da partida dos navegadores lusos desde os finais do século XV. Hoje, e um pouco por todo o lado onde exista um português, é indubitavelmente através da restauração, que somos mais conhecidos como grupo. Costumo dizer que, atendendo ao depauperado erário nacional, os bons restaurantes portugueses espalhados um pouco por todas as latitudes, são hoje os melhores e mais baratos embaixadores da nossa cultura e das nossas gentes.
No entanto, a organização portuguesa mais representativa em Montreal, é sem margem de dúvidas a nossa Caixa de Economia.  Nos finais da década de sessenta do século XX um pequeno grupo de visionários, e a exemplo do que a comunidade italiana por exemplo, já tinha feito, decidiu criar uma instituição que pudesse fornecer a todos nós um amplo leque de serviços financeiros, que, se numa fase inicial se limitavam aos depósitos e empréstimos, hoje alargam-se a outros produtos mais complexos. O sistema bancário do Canadá é, numa situação imutável desde que aqui cheguei há mais de trinta anos, dominado pelos mesmos cinco grandes bancos que operam em todo o país, da costa do Atlântico à do Pacífico. Depois, cada província tem ainda alguns  bancos mais pequenos e regionais, e organizações de crédito que funcionam em estruturas cooperativas, cuja actividade era  inicialmente direccionada em exclusivo para o apoio financeiro, junto dos grandes espaços agrícolas com pequenas densidades populacionais, e onde normalmente as grandes instituições bancárias cotadas em bolsa, estão menos presentes. Numa atitude plena de realismo, os fundadores da Caixa dos Portugueses, agregaram-se ao maior grupo cooperativo e financeiro da província, as, por todos conhecidas, Caisses Desjardins, do nome do seu fundador Alphonse  Desjardins (1854-1920). O capital social destas cooperativas financeiras é pertença de todos os que com elas têm relações comerciais, e trata-se dum montante simbólico de apenas cinco dólares por cada conta aberta. Desde  que aqui cheguei em 1976 e nela abri a minha primeira conta, com os poucos dólares que ganhei no meu primeiro emprego num dos grandes hoteis da cidade, sempre a nossa Caixa manteve este pequeno montante inalterado.
Durante todos estes anos tem tido uma existência normal, de altos e baixos, mas se exceptuarmos uma fase verdadeiramente tumultuosa e complicada há já alguns anos, tem cumprido a sua missão de forma satisfatória. Qualquer português incapaz de comunicar numa das duas línguas oficiais do Canadá, pode, a custos inferiores aos dos bancos, obter junto dos seus balcões todos os serviços bancários de base, e no caso de necessitar produtos mais sofisticados é direccionado para os serviços centrais do grupo Desjardins. O leitor que desconheça o funcionamento destas instituições perguntará, então se todos os cooperantes detêm uma quota igual como são distribuídos os lucros, quando os há? Ao contrário dos bancos cotados em bolsa que distribuem os mesmos através de dividendos que são função do número e do tipo de acções de cada um, aqui os lucros são distribuídos em função do montante e do tipo de produtos que cada cliente detém na instituição. É na nossa modesta opinião uma forma justa de remuneração como é igualmente justo que os diferentes tipos de produtos retribuam de forma igualmente diferente o cliente, sempre em função do risco assumido por este, ou do potencial de lucro subjacente ao produto disponibilizado pela Caixa.
Nestas situações nunca se pode agradar a gregos e troianos, e claro, os credores, depositantes da Caixa nunca estarão de acordo com os devedores, beneficiários de empréstimos da mesma. Sendo uma situação salutar, já menos salutar são as lutas intestinais na praça pública, que surgem regularmente, com longos artigos nos jornais em língua portuguesa de Montreal, onde, através de discussões fulanizadas se degladiam publicamente e à boa (ou má) maneira nacional, sobre questões que não deveriam extravasar o interior das organizações. Por uma questão de respeito por todos os clientes e funcionários, e sobretudo da actual gerente da instituição, que ao assumir as suas funções encontrou múltiplos e graves problemas por resolver, mas que, numa gestão sóbria e cuidada conseguiu reconquistar a confiança da comunidade na mesma, entendo que um mínimo de reserva e de decoro se deveria sobrepôr a egos demasiado elevados, e sobretudo, se considerarmos ainda que um dos intervenientes na recente polémica, tem responsabilidades acrescidas, que lhe advêm do facto de ter efectuado toda a sua actividade profissional no seio dum dos citados cinco grandes bancos canadianos. Mas enfim, às vezes o que parece não é!

J.L. Reboleira Alexandre
jose.alexandre@videotron.ca

Rotários caldenses promovem iniciativa de apoio ao Banco Alimentar

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O Rotary Club das Caldas da Rainha realiza na próxima segunda-feira, 31 de Janeiro, pelas 20h30, no restaurante A Lareira, um jantar-palestra, com Ana Bessa, presidente do Banco Alimentar do Oeste.
Com esta iniciativa pretendem dar a conhecer o “trabalho meritório” que esta instituição tem vindo a fazer na região e sensibilizar a população para o “grave problema social que a nossa sociedade está a sofrer, assim como as várias formas de o minimizar”.
Neste evento será também atribuída pelo clube caldense e Fundação Rotária Portuguesa, uma bolsa de estudo a uma aluna do ensino superior. Esta iniciativa é complementar à atribuição dos prémios anuais, oferecidos em Setembro e que este ano distinguiu todas as escolas dos concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos, contemplando duas dezenas de jovens.
O custo do jantar é de 20 euros por pessoa, revertendo metade a favor do Banco Alimentar contra a Fome. Os interessados em participar poderão fazer a sua reserva, até dia 30 Janeiro, na Papelaria Vogal (ou 262841549) ou no Escritório Advogados Dr. Nuno Ribeiro (262842601).

F.F.

Nazaré eleita zona piloto da Televisão Digital Terrestre

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Os nazarenos terão que se preocupar já este ano com a mudança dos seus equipamentos de televisão. É que a partir de 13 de Outubro cessará a emissão analógica terrestre e todos os equipamentos terão que suportar a Televisão Digital Terrestre (TDT).
A vila piscatória foi eleita pela Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) como uma das zonas piloto para a implantação do novo sistema de televisão digital, a par com Alenquer e Cacém, onde a emissão analógica vai cessar a 12 de Maio e 16 de Junho, respectivamente. A TDT vai proporcionar mais serviços de programas de televisão, mais qualidade de imagem e de som e a possibilidade de usufruir de serviços interactivos e a recepção de conteúdos em alta definição.
No processo de mudança para a TDT deverão ser envolvidas as instituições de poder local e outras entidades locais relevantes e às populações das zonas piloto vão chegar campanhas de informação para que todos estejam preparados para o switch-off, designação da cessação das emissões de televisão analógica terrestre.
A ANACOM diz que as zonas piloto são “zonas confinadas, em que há maior capacidade de controlo de factores adversos” e que o período de testes vai permitir “afinar os procedimentos de preparação da cessação das emissões analógicas terrestres em todo o território, minimizando os riscos associados a tal operação”.
Fora das zonas piloto o sinal analógico deverá ser desligado a partir de Janeiro de 2012 e até 26 de Abril do mesmo ano, limite imposto pela União Europeia para a transição para a TDT. Os planos da ANACOM indicam que a 12 de Janeiro será apagado o sinal analógico na faixa litoral do território continental. Seguem-se as regiões autónomas dos Açores e Madeira a 22 de Março de 2012 e, finalmente, todos os restantes emissores e retransmissores do país até 26 de Abril.
A ANACOM acrescenta ainda que actualmente as emissões de TDT já estão disponíveis para cerca de 87% da população portuguesa, mas o novo sistema só é suportado pelos televisores mais recentes. Os equipamentos mais antigos vão necessitar de descodificadores que permitam o acesso à TDT, que já estão a ser comercializados. Isto no caso de quem recebe a emissão televisiva em canal aberto, situação em que a autoridade diz estarem 1,5 milhões de casas no país.

Joana Fialho
jfialho@gazetacaldas.com

Os pais fazem questão de salientar que apesar dos colégios terem gestão privada, nenhum dos alunos paga para frequentar as escolas

Um grupo de pais de alunos que frequentam os colégios Rainha D. Leonor, nas Caldas da Rainha, e Frei São Cristóvão, em A-dos-Francos, aderiu ao movimento “SOS Educação”, que contesta os cortes nos financiamentos dos contratos de associação entre o Estado e escolas particulares, tendo preparado para esta semana uma série de acções de contestação.
Para os dias 27 e 28 estava previsto que os alunos não entrassem nas escolas para terem aulas, mas vão estar presentes em frente aos estabelecimentos como forma de protesto. Para a manhã de 27 de Janeiro estava também prevista a realização de um cordão humano no colégio Rainha D. Leonor.
Na passada terça-feira, dia 25, alguns pais caldenses participaram num “cortejo fúnebre” até ao Ministério da Educação, em Lisboa, com dezenas de caixões, num protesto contra os cortes no financiamento.
“O objectivo desta manifestação é dar nota à ministra e ao secretário de Estado de que a recente alteração da legislação põe em causa a sobrevivência das escolas, leva à asfixia e pode condená-las ao encerramento”, afirmou João Asseiro, porta-voz do SOS Movimento Educação, que convocou o protesto.
João Asseiro exigiu a revogação da portaria que define um apoio anual por turma de 80.080 euros, menos cerca de 10 mil euros do que a verba reclamada pela Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).
Os encarregados de educação dos alunos do colégio Rainha D. Leonor começaram a ficar mais sensibilizados para esta questão depois de em Janeiro terem recebido uma missiva da escola a alertar para alterações dos horários.
Segundo Paula Rente, directora do colégio, com as mudanças no contrato com o Estado já no decorrer do ano lectivo foram obrigados a fazer algumas alterações. “Tivemos de tomar medidas que, face à redução orçamental, nos permitam subsistir até ao final do ano”, explicou.
A directora disse ainda que a solução foi aplicar uma norma prevista no contrato colectivo de trabalho relativamente às regras quanto à elaboração do horário lectivo dos docentes. O professor ganha o mesmo valor de salário base, mas foram acrescentadas mais duas horas lectivas e duas horas não lectivas por semana, de acordo com o acordo colectivo de trabalho. Até aqui a norma era os professores trabalharem 22 horas lectivas por semana, considerando que as restantes 10 horas seriam dedicadas à preparação das aulas e correcções de trabalhos e testes.
“A nossa principal preocupação foi ajustarmo-nos à nova realidade e isso foi bem aceite por todos. A qualidade do ensino continua a ser a mesma”, garante.
Para a directora, o facto de este colégio ter apostado em professores jovens por quererem construir um projecto com docentes em início de carreira que trouxessem novas ideias e um outro espírito, tornou-se agora uma vantagem com a alteração das regras de funcionamento.
É que no caso das escolas com docentes que tenham muitos anos de serviço, e em que o seu vencimento é muito superior (a progressão de carreira é automática), com as alterações às regras, o problema reveste-se de maior preocupação.
“Até agora a base para o cálculo do contrato de associação era a massa salarial. Quanto mais antigos fossem os professores, mais atractivo seria o contrato porque a verba atribuída pelo Estado para a gestão era uma percentagem sobre o valor da massa salarial dos professores”, explicou.
A responsável garante que tem agora um corpo docente estabilizado, de 82 professores, e que a quase totalidade está efectiva na empresa. Mas foi necessário dispensar professores que tinham sido contratados no início do ano lectivo e outros que estavam a tempo parcial.
Paula Rente acredita que mesmo com os cortes no financiamento o colégio Rainha D. Leonor poderá continuar a funcionar, mas com muitos sacrifícios. A directora aceita que se façam cortes, mas não tão radicais e que “não inviabilizem estes projectos”.
No colégio Frei Cristóvão foram também aplicadas as normas do contrato colectivo de trabalho para fazer face a estes cortes. Com as alterações aos horários foram dispensados três professores, um deles do ensino especial, com base na extinção de posto de trabalho.
O director do colégio, Francisco Dionísio, lamenta que “as regras tenham sido alteradas a meio do jogo” e teme que a situação possa a vir a piorar ainda mais no futuro. Esta escola tem agora 37 professores.
Pais elogiam colégio

Ana Paula Caiado, tem seis filhos, dos quais três são alunos estudam no colégio Rainha D. Leonor, e sublinha “a boa qualidade de educação que eles têm tido nesta escola”. Prova disso, referiu, são os resultados obtidos nos rankings nacionais.
A encarregada de educação salienta que se os colégios encerrarem portas por falta de verbas, os 1800 alunos que frequentam os dois estabelecimentos de ensino vão sobrelotar as  outras escolas do concelho.
Nuno Sousa, que tem uma filha a estudar no 5º ano do colégio Rainha D. Leonor, associou-se a esta causa por achar que está a ser feita uma injustiça. “O ensino aqui prestado é de extrema qualidade e é gratuito para os nossos filhos”, sublinha.
Os pais fazem questão de salientar que apesar dos colégios terem gestão privada, nenhum dos alunos paga para frequentar as escolas (ao contrário do que algumas pessoas pensam) pois é o Estado que paga uma determinada quantia por cada aluno inscrito. Acreditam também que estes estabelecimentos de ensino saem mais baratos ao Estado. “Pelas contas que se têm feito, cada aluno fica mais barato nestas escolas do que no ensino público”, salientou Nuno Sousa.
Fernando Carvalho, pai de uma aluna também deste colégio, tem participado nas audiências com alguns grupos parlamentares da Assembleia da República com vista a sensibilizar os políticos para este problema. Na sua opinião, trata-se de uma questão ideológica que faz com que se oponha a gestão pública e a gestão privada. “Mas esta escola prova que a gestão privada pode ser mais eficiente. Esta escola sempre aceitou todos os alunos e, com o mesmo dinheiro ou menos do que as outras, consegue obter óptimas posições no ranking nacional”, sublinhou.
Os pais e alunos estão a recolher assinaturas para uma petição pública dirigida à Assembleia República a exigir a suspensão das medidas previstas por entenderem que põem em causa a garantia de continuidade do aluno na mesma escola ao longo de todo o seu percurso escolar “uma vez que os contratos apenas garantem o ciclo” e da própria escola “em virtude do corte orçamental ser da ordem dos 30%”.
Os signatários querem também que seja revisto o valor atribuído para o ano lectivo corrente, clareza nas contas com a descrição detalhada de todos os encargos das escolas do Estado e das com contrato de associação.
No Facebook multiplicam-se também as mensagens de apoio de alunos, ex-alunos e de pais que não poupam elogios ao ensino do colégio Rainha D. Leonor.

O investimento foi privado

A construção destes dois colégios no concelho das Caldas foi decidida em 2005, depois de goradas as expectativas da construção de duas escolas públicas que estavam previstas há vários anos e que nunca foram concretizadas.
A 21 de Fevereiro de 2005 a Assembleia Municipal das Caldas aprovou a alienação de dois terrenos municipais ao grupo GPS – Educação e Formação (que entretanto cresceu para 25 estabelecimentos) para a construção dos dois colégios.
O terreno em Santo Onofre, onde era para ser construída a escola 2, 3 do Estado, foi vendido por 50 mil euros e o de A-dos-Francos por 20 mil euros. A venda foi efectuada na condição dos edifícios se destinarem exclusivamente a estabelecimentos de ensino. O não funcionamento da escola durante cinco anos importa a reversão do direito aos terrenos a favor do município.
A empresa garante que o acesso à escola é livre, sem qualquer tipo de constrangimentos de ordem económica, social ou cultural, e em igualdade com as escolas de iniciativa estatal.
O interesse desta empresa deveu-se ao facto de as Caldas ser nessa altura o concelho de toda a região de Lisboa e Vale do Tejo com mais carência de salas de aula no ensino secundário. A Câmara terá posto como condição apoiar a escola em Santo Onofre se fosse feita outra em A-dos-Francos.
Na altura, o vereador Tinta Ferreira interveio na Assembleia explicando que as escolas pretendiam acolher os alunos que estavam em excesso na rede pública. Existia então um excesso de dois mil alunos do quinto ao 12º ano de escolaridade no concelho, segundo a Carta Educativa que estava a ser elaborada. “Há uma previsão de que o número aumente nos próximos dez anos e esse excesso traz problemas às escolas secundárias caldenses”, afirmou Tinta Ferreira.
As obras começaram nesse ano e os colégios abriram a tempo para o ano lectivo 2005/06.
Como os colégios integram a Rede Escolar Pública, através do contrato de associação, o ensino é gratuito para os alunos e subsidiado pelo Estado.
A partir do ano lectivo 2006/07 o colégio Rainha D. Leonor passou a ter 1º Ciclo privado, pago pelos pais, e sem qualquer subsídio do Estado.

Fenprof apresentou queixa contra grupo GPS

A Fenprof apresentou uma queixa na Autoridade para as Condições de Trabalho contra o grupo empresarial GPS, S.A., que detém os colégios caldenses, entre outros.
Sem referir especificamente os estabelecimentos caldenses, a federação de sindicatos dos professores afirma em comunicado que se começa a instalar “um clima insuportável que se abate sobre os docentes, através da ameaça e da prática de ilegalidades diversas”.
Os sindicalistas falam dos despedimentos, alteração de horários de trabalho, transferências de estabelecimento e utilização ilegal do período experimental para despedir.
Em comunicado a Fenprof denuncia ainda que “muitos docentes de estabelecimentos de ensino particular estão a assinar, ‘voluntariamente’, declarações em que aceitam que os seus salários sejam reduzidos”.
Para os sindicatos “é inaceitável que as entidades patronais confrontem os seus trabalhadores com este tipo de situação e os induzam a, ‘voluntariamente’, aceitarem tais cortes”.
Isto porque entendem que a decisão não corresponde a qualquer acto verdadeiramente livre “pois nenhum trabalhador aceita, em plena liberdade e voluntariamente, que reduzam o salário que aufere quando este corresponde ao que se encontra legalmente estabelecido”.
A Fenprof diz ainda que existem pressões e chantagens latentes por parte das direcções dos colégios “que levam os docentes a assinar as declarações, sob ameaça implícita de desemprego”.
Segundo o comunicado da Fenprof, “nem todos estão dispostos a tal e alguns dos professores que não assinaram essas declarações estão disponíveis para, caso os seus salários sejam reduzidos ou sobre si se exerça qualquer acto de retaliação, avançar para os tribunais”.
No entanto, a Fenprof reafirma a sua posição de disponibilidade “para, no âmbito da negociação sobre o Contrato Colectivo de Trabalho, serem encontradas soluções que garantam que não haverá despedimentos, nem reduções de salários”.

Pedro Antunes
pantunes@gazetacaldas.com

Orquestra Académica Metropolitana actua amanhã no CCC

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A flautista Adriana Ferreira vai actuar com a Orquestra Académica Metropolitana

Amanhã, dia 29 de Janeiro, pelas 21h30, actuará no CCC das Caldas da Rainha, a Orquestra Académica Metropolitana (OAM) – dirigida por Jean-Marc Burfin – com a flautista Adriana Ferreira. Serão interpretadas obras de Mozart, Liebermann e Milhaud. No ano passado a flautista, então com 19 anos, foi laureada com o 1° Prémio do Concurso Internacional de Flauta Carl Nielsen e prepara a conclusão da licenciatura em Musicologia na Universidade Paris-Sorbonne, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian.
A sua agenda inclui apresentações em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Finlândia e Estados Unidos.
A OAM estreou-se em 1993, na sequência da criação da Academia Nacional Superior de Orquestra – uma instituição única no país, destinada a formar músicos profissionais nas áreas de instrumento e direcção de orquestra.
Os bilhetes custam sete euros e cinco para menores de 24 ou maiores de 65 anos. Na compra de dois bilhetes, há 50% de desconto no terceiro e a oferta do quarto bilhete.
No dia 5 de Fevereiro vai subir ao palco do CCC a peça “Super Silva” que pretende ser uma homenagem ao actor Raul Solnado. Do elenco fazem parte Tozé Martinho, Miguel Dias, Patrícia Candoso, Florbela Menezes, Daniel Garcia, Ricardo Vieira e Bruno Santos. Os bilhetes custam entre os 10 e os 12,50 euros mas há descontos nos bilhetes família.

Ópera e Rodrigo Leão em Fevereiro

No próximo dia 13 de Fevereiro será representada “Rigoletto” – uma ópera em três actos com música de Giuseppe Verdi e libreto de Francesco Maria Piave – por um grupo do Teatro Nacional de Ópera. No dia 18 de Fevereiro será a vez de Rodrigo Leão apresentar nas Caldas o seu espectáculo “Instrumental   2011”, que se caracteriza por ter um registo diferente daquele com que tem marcado encontro com o público.
Esta nova “viagem” do compositor português terá o título de Instrumental e será efectuada com um Ensemble de dimensões mais reduzidas – um quinteto com o próprio Rodrigo Leão em teclados e ainda um trio de cordas e um acordeão. “Pretendo que metade do reportório sejam composições novas”, refere o compositor, que vai alertando para o facto de alguns desses temas poderem a vir ser posteriormente desenvolvidos em versões vocais. Será, por isso, uma oportunidade única para ouvir estas peças neste contexto específico, concentrando a acção e a atenção no lado exclusivamente musical da produção artística de Rodrigo Leão.
No dia 26 de Fevereiro actuará Joel Xavier, um prestigiado guitarrista português com 20 anos de carreira. Apresentará o espectáculo “Back to the blues 20’Years The After”.

Natacha Narciso
nnarcis@gazetacaldas.com

Pinto Monteiro: «violência sobre idosos é silenciosa e silenciada»

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Promovido pelo Instituto de Segurança Social, IP realizou-se nos dias 20 e 21 um amplo encontro de âmbito nacional sobre violência e idosos no auditório da Escola Superior de Comunicação Social em Benfica.
O encontro arrancou com Francisco George a assinalar o choque entre o ideal do envelhecimento activo (saúde, segurança, participação) e o problema do aumento da esperança de vida pois nem sempre mais vida é mais qualidade.
O Procurador-Geral da República não estava previsto usar da palavra mas acabou por se referir ao facto de tanto a violência escolar como a violência doméstica terem mais visibilidade enquanto a «dos idosos é silenciosa e silenciada porque o idoso prefere não denunciar». Depois de sublinhar que há 550 mil inquéritos em Portugal, todos merecem atenção mas só se fala de três ou quatro, apelou à Juntas de Freguesia que conhecem os problemas no terreno e concluiu: «Um país que trata mal os idosos não tem dignidade».
Helena André, ministra do Trabalho e da Solidariedade, sublinhou que não se estimam alterações nas taxas de natalidade com a inevitável progressão do envelhecimento, o que exige estratégias inovadoras por parte do Governo. Depois de reconhecer que há situações ocultas numa realidade complexa (violência física, psicológica, financeira) prometeu que o Executivo tudo fará para alterar a situação apostando na prevenção e tornando mais acessíveis os recursos sociais e de saúde.
Carlos Andrade (União das Misericórdias) começou por referir vários equívocos nesta matéria (velhice como sinónimo de decadência e violência sobre idosos como caso de sociedades atrasadas) para concluir que o seu sector luta por uma sociedade onde a população sénior veja os seus direitos respeitados.
Alberto Ramalheira (União das Mutualidades) começou por afirmar: «Uma sociedade que não respeita os seus idosos cava a sua ruína». E prosseguiu: «Conhecemos apenas a ponta do iceberg num mar de resignação; a realidade deve ser melhor conhecida». Apelando a uma melhor atitude na família e na Escola, lembrou que o amparo dos pais na velhice já aparece na Bíblia e concluiu que as Mutualidades têm respostas sociais a nível local com mais de 2,5 milhões de beneficiários.
Francisco Ramos chamou a atenção para o paradoxo da época: viver mais tempo mas sem qualidade numa situação que se agrava nos próximos anos com a diminuição da fecundidade. E concluiu: «daqui a 40 anos o número de idosos será 2,5 vezes superior ao dos jovens; hoje são um quarto da população, daqui a 40 anos serão 50 por cento. Os cuidados continuados são um direito das pessoas, não uma obrigação da sociedade».
Vindo do País Basco, Roberto Pereira revelou que das 4.880 pessoas maltratadas em 2010 mais de 50 por cento sofreram agressões psicológicas e físicas dos seus filhos tendo havido neste campo um aumento de 16,25 por cento desde 2005.
Isabel Baptista (CESIS) referiu que embora a violência doméstica seja cada vez mais conhecida as mulheres e as idosas estão quase ausentes na investigação.
Ana Gil recordou que desde 2002 a Organização Mundial de Saúde considera a negligência (intencional ou por omissão) sobre os idosos uma matéria de saúde pública. Sublinhando que não há números exactos e que este é um assunto quase invisível apelou para a criação de uma Comissão Nacional de Protecção dos Direitos das Pessoas Idosas.

Mais idosos e mais instituições mas que instituições?

Margarida Pedroso Lima de Coimbra referiu sobre as Instituições que é tão importante defender as escolhas pessoais dos utentes como compreender os salários pequenos e a pressão a que estão sujeitos os empregados.
Célia Leite lembrou algumas pequenas coisas que podem suavizar a ida dum idoso para uma instituição: uma mobília, um gato, um periquito. Porque a instituição não é apenas as paredes e as regras; há as pessoas.
Helena Cadete, técnica há 40 anos, referiu: «A sociedade não se apercebeu do facto de haver um grupo com mais de 80 anos a aumentar». Lembrou que a OMS preconiza o envelhecimento activo e referiu, em caso de dependência física grave, gostar de ter perto de si pessoal habilitado, bem formado em termos humanos e profissionais.
Manuel Caldas de Almeida arrancou sorrisos ao referir os novos idosos de «jeans e de brinco na orelha» e para de seguida perguntar: «No futuro mais idosos e mais instituições mas que instituições?» Concluiu: «Eles precisam de respeito e querem ser felizes na sua casa, seja ela a sua casa ou o Lar».
Margarida Cerqueira trouxe de Aveiro estatísticas provando que os mais novos dão pouco valor à preparação da velhice enquanto os mais velhos apresentam imagens globalmente negativas, o mesmo acontecendo entre as freguesias rurais e urbanas. Referiu igualmente que os profissionais de saúde se impacientam com os idosos e a Comunicação Social os desvaloriza.
João Lázaro da APAV recordou os idosos abandonados nos Hospitais pela família durante as férias sublinhando que o assunto é ainda subterrâneo na sociedade. Depois de recordar o ano de 1999, Ano Internacional do Idoso, lembrou a ideia errada de que o idoso não é de novo bebé e concluiu: «o regime jurídico está desenquadrado da realidade».
O intendente Marco Martins da PSP historiou o papel da Polícia desde a Idade Média, lembrou a Constituição de 1976, sublinhou a ideia de que a PSP deve colaborar em vez de interferir concluindo que desde 1995 os programas de Proximidade e Escola Segura envolvem 900 elementos e 148 salas de atendimento a apoio a vítimas – menores, idosos, mulheres, deficientes e vítimas recentes de crime.
Para Paulo Machado «violência é violação de direitos» mesmo sendo uma realidade oculta no Portugal dual (interior versus litoral, rural versus citadino) que tem regiões onde 40 por cento das pessoas são idosos.
Carlos Poiares (Lusófona) advertiu que a nova esperança de vida coloca novas interrogações; há mitos a desconstruir e modelos a mudar. Lembrou Mitterrand e a sua frase «É possível viver de outra maneira». E prosseguiu: «Uma nova gramática de direitos deve saltar do papel para a prática, do escrever para o fazer». Definiu o actual estado de coisas como uma «civilização de plástico» onde há mais avós que netos e o que importa é a pensão (primeiro) e a herança (depois). A própria arquitectura não respeita esta estatística no planeamento da cidade.

Não há nada mais assustador que a ignorância em acção

Paula Guimarães do Montepio Geral lembrou esta frase de Goethe para referir o facto de haver em Portugal 100 mil pessoas incapazes de gerir o seu património mas sem que o Tribunal decida os seus direitos e sem o código civil mudar. Desde 1999 um grupo de juristas faz sugestões ao Ministério da Justiça e à Segurança Social: o problema não é haver novos órgãos mas sim a falta de vontade de trabalhar com os procedimentos actuais. Teresa Cadavez da Provedoria de Justiça explicou que o seu serviço recebe queixas, envia recomendações e defende direitos mas de modo informal. Com idosos cada vez mais pobres e dependentes, são precisas respostas adequadas às situações actuais pois 52 por cento dos contactos na Provedor de Justiça são de idosos. As queixas de maus tratos passaram de 171 em 2007 a 215 em 2010.
Valter Hugo Mãe lembrou que o seu livro «A máquina de fazer espanhóis» é sobre o Mundo visto por um homem de 84 anos. Depois de recordar a sua relação com a idade (Há uma velhice em mim desde pequeno) e com a escrita (Escrever é um modo mágico de parar o tempo e o efémero) lembrou a infância (Tinha pena das coisas indefesas) e concluiu: «Devíamos crescer para sermos melhores e não para sermos mais tristes».
Zé Pedro (Xutos e Pontapés) advertiu que a música pode e deve unir as pessoas tendo recordado as horas passadas com o pai a ouvir jazz no gira-discos trazido de Hong Kong no regresso de Timor. Depois de afirmar ser a vida uma constante aprendizagem concluiu: «A música acalma as pessoas porque cria paciência e só com paciência se aprende».  Eunice Muñoz, neta de uma actriz e de uma amazona, mãe de seis filhos, actriz consagrada, referiu aspectos da sua personagem (Tia Alice) numa telenovela cujo cenário é uma comunidade piscatória. Depois de referir a sua ligação aos jovens actores (esteve em Cascais com alunos de Carlos Avillez) advertiu: «Devia existir outra estima para com os idosos quando ouvem mal e se deslocam com dificuldade».
No final Ana Gomes sublinhou que as 500 pessoas presentes são veículos da luta contra a violência sobre os idosos pois este encontro é um ponto de partida para ir mais longe. Edmundo Martinho concluiu os trabalhos dando conta das expectativas altas perante recursos escassos – obrigando a Segurança Social a trabalhar cada vez melhor. Finalizou: «Estes dois dias ajudaram a fazer melhor o nosso trabalho; há muitas formas de violência, às vezes no silêncio. Temos muito que aprender».

José do Carmo Francisco

Como era antigamente a minha rua na Nazaré?

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O Museu Dr. Joaquim Manso, na Nazaré, vai levar a cabo, em parceria com a Universidade Sénior da vila, a segunda edição das “Conversas de Algibeira” e o tema escolhido para este ano é “A Minha Rua”.
Pretende-se que os mais velhos recuperem memórias da rua onde nasceram ou residem, através de trabalhos de escrita criativa, desenho, pintura ou fotografia.
A iniciativa visa contribuir para a partilha de memórias e para a recuperação de espaços em constante mudança, seja pelo aumento da construção imobiliária, seja pelas novas ocupações económicas da vila piscatória. E isto obriga muitas vezes a alterações em hábitos locais enraizados.
De acordo com a organização da iniciativa, “a peculiaridade do traçado das ruas nazarenas e dos ‘pátios’ enquanto espaços de sociabilização, sobretudo feminina, é um dos elementos a reforçar com o projecto”. Por isso, a tónica deverá ser posta tanto na descrição física da rua, como nas relações de vizinhança e na socialização das quais aquele espaço é palco.
Os trabalhos deverão ser entregues até meados de Maio, seguindo-se uma sessão pública de apresentação dos mesmos. Os interessados em participar no projecto deverão contactar o secretariado de apoio à Universidade Sénior, no gabinete de Acção Social da Câmara Municipal da Nazaré, ou pelo telefone 262550012.

J.F.

NERLEI debate política fiscal

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A Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria promove no próximo dia 2 de Fevereiro, quarta-feira, um seminário dedicado ao impacto das políticas orçamental e fiscal para 2011 na competitividade das empresas.
O seminário, que tem início às 14h30 nas instalações da associação em Leiria, vai contar com diversos painéis. O primeiro, dedicado às “Medidas Fiscais do Orçamento do Estado para 2011” conta com Maria dos Prazeres, do Centro de Estudos Fiscais da Direcção-Geral dos Impostos. Segue-se o “Impacto da Política Orçamental para 2011 no Crescimento Económico” por João Ferreira do Amaral, do Instituto Superior de Economia e Gestão e membro do Conselho Económico e Social, e por fim “As Políticas Orçamental e a Competitividade das Empresas”, com o Revisor Oficial de Contas Vítor Almeida.
O seminário destina-se a empresários, quadros de empresas, gestores, dirigentes e quadros da administração pública, bem como profissionais da área financeira.
Dois dias depois, a Nerlei promove um outro seminário, desta feita sobre o novo código contributivo. Orlando Antunes é o orador de uma iniciativa que pretende esclarecer as empresas sobre as alterações introduzidas com o novo código contributivo.
Orlando Antunes é director da Unidade de Identificação, Qualificação e Contribuições do Centro Distrital de Segurança Social de Leiria, Inspector Superior dos Serviços de Fiscalização da Segurança Social e foi Técnico Superior de Orçamento e Conta Especialista da DGO – Ministério das Finanças. Nas instalações da Nerlei, a partir das 09h00, fala para assessores jurídicos, directores e técnicos de recursos humanos, responsáveis dos departamentos administrativos e de pessoal, administradores, directores que tenham que tomar decisões relativas a pessoal, quadros de Instituições de Solidariedade Social e da administração pública.
O programa detalhado e mais informação sobre a participação no seminário estão disponíveis em www.nerlei.pt.

J.F.

O resultado esperado, diz Lalanda Ribeiro

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Lalanda Ribeiro ao lado de Cavaco Silva quando o Presidente reeleito veio às Caldas em campanha, no passado dia 10 de Janeiro

A vitória de Cavaco Silva à primeira volta nas presidenciais de domingo não surpreendeu o mandatário concelhio da candidatura apoiada pelo PSD e CDS-PP, Lalanda Ribeiro. “Foi um resultado que estávamos confiantes que iria acontecer”, afirmou à Gazeta das Caldas na noite de domingo, numa sede do PSD onde não se contava mais de uma dúzia de pessoas e onde faltava o habitual entusiasmo dos ‘jotas’, sempre tão presentes nos actos eleitorais. Já na sede do CDS-PP, partido que também apoiava Cavaco Silva, não estava ninguém.
Por volta das 21h30, na sede dos social-democratas imperava o silêncio e os olhos atentavam na televisão, que transmitia o discurso do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e depois para ouvir José Sócrates.
“Está muito frio”, ouvia-se no espaço, e talvez isso ajudasse a explicar a fraca afluência à sede. Ou isso, ou o facto da reeleição de Cavaco Silva não ser propriamente uma surpresa.
A percentagem de votos que o Presidente reeleito obteve no concelho das Calda da Rainha (57,49%) também não foi surpresa, dada a proximidade aos 57,97% obtidos nas presidenciais de 2006. A surpresa foi “a percentagem obtida pelo candidato Manuel Alegre que foi mais baixa que a de há cinco anos e a boa percentagem que teve o candidato Fernando Nobre”.
Lalanda Ribeiro não deixou também de salientar a votação de José Manuel Coelho. “Se calhar foi um voto de protesto que levou a que estes candidatos tivessem umas percentagens boas”, admite.
Habituado às andanças políticas, o mandatário admitiu ainda esperar a elevada abstenção que se verificou em todo o país. “A própria forma como a campanha decorreu, com os ataques que foram feitos por quase todos os candidatos, excepto Fernando Nobre, ao candidato Cavaco Silva não dignificaram a campanha e não mobilizaram as pessoas”, afiança Lalanda Ribeiro.
Outra razão que aponta para a abstenção é “o estado em que está o país, a desmotivação em que estão as pessoas, o desacreditar em que estão a ficar os partidos políticos, embora esta não seja uma eleição em partidos, mas sim em candidatos”. Lalanda Ribeiro acredita que “as pessoas estão desgostosas com a classe política e isso reflectiu-se nas eleições”.

Joana Fialho
jfialho@gazetacaldas.com


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