Zé Povinho evita “embandeirar em arco”, mas não pode deixar de se regozijar com a perseverança com que a Mohave Oil & Gas Corporation continua a estudar o subsolo de Aljubarrota em busca de gás natural ou de petróleo, descoberta que bem poderia ajudar o país a sair do buraco em que se encontra.
Dez anos para confirmar uma suspeita antiga é muito tempo, mas a empresa norte-americana é persistente e não desarma. E a fiar-se no instinto de Joe Berardo, que há dois anos comprou uma participação desta empresa, Zé Povinho não pode deixar de ficar com a pulga atrás da orelha em relação àquela expectativa.
Que se fure toda a região, se isso for necessário para encontrar tão preciosa energia. O povo agradece, e com certeza as contas da autarquia alcobacense também saem a ganhar, bem como os lucros da Mohave, que então serão mais merecidos do que nunca.
Zé Povinho considera que os portugueses não devem ficar parados à espera deste tipo de “euromilhões”, mas felicita a Mohave por esta saudável insistência.
Não se culpe só o governo nem os decisores actuais. A Refer e a CP têm culpas no cartório no que diz respeito ao estado a que chegou a linha do Oeste. Uma porque não investiu e a outra porque tem desinvestido.
A Refer, enquanto responsável pelas infra-estruturas ferroviárias, tem desperdiçado recursos em obras faraónicas pelo país (muitas delas não ligadas directamente à ferrovia), mas nunca avançou com um projecto de modernização para a linha do Oeste. É certo que tem sido competente na sua manutenção e conservação, o que faz com que esta infra-estrutura esteja longe da degradação. Mas tem passado o tempo à espera do “grande projecto de modernização” quando, ao longo de décadas poderia ter feito investimentos faseados, pelo menos ao nível da sinalização e de cruzamentos activos, que tinham implicações directas na redução dos tempos de percurso.
Já a CP tem sido um case study de como gerir mal uma linha com enorme potencial de mercado e de como baixar os braços perante a concorrência (neste caso da rodovia pela A8). Para o Oeste têm vindo sempre os piores comboios, os horários são maus, as correspondências com o resto da rede não existem e a estratégia tem sido o cortar nos serviços. Os seus gestores dizem que são medidas de racionalização. Zé Povinho contrapõe que de racionalização em racionalização se chega à pessimização total.











