Poesia dos Leitores
Balada do Gato Preto
(Caldas da Rainha)
Gato preto a meio da rua
Do Hospital para a Praça
Memória que continua
Infância, estado de graça
Cavacas são mais duras
São macios os beijinhos
Se a festa fica às escuras
Vinho é luz dos caminhos
Taberna do Clementino
É paragem derradeira
Minha terra, meu destino
Eu espero aqui a carreira
Foi lá abaixo à estação
Apanhar a automotora
Nunca falha a ligação
E não se pode ir embora
Caldas na segunda-feira
O pai, a mãe, as crianças
Numa carroça ronceira
São décimas das Finanças
Ou as letras reformadas
No Banco de Portugal
Com colheitas queimadas
Em quinzena de temporal
Altifalante diz a viagem
Segue o desdobramento
Nunca chove na garagem
Quente abrigo de cimento
Gato Preto que resiste
Ao tempo, grande erosão
Mesmo num dia triste
Adoça o meu coração
José do Carmo Francisco
Sr. João Camilo
Sentado no seu lugar
Com aquele seu estilo
Nunca nos fazia esperar
Era o sr. João Camilo
Foi em 75 que o conheci
E registo com agrado
Já tinha aquele bigode assim
Mas era muito mais magro
Era ele que me atendia
Quando a Gazeta eu ia receber
E com aquela sua energia
Trabalhou até morrer
À sexta-feira vinha sozinho
Sempre alegre e contente
De manhã bem cedinho
Dar o jornal a cada cliente
Fez-se caldense este forasteiro
Natural de Portimão
Trabalhou meio século inteiro
Ao serviço duma população
Fui um amigo silencioso
Nunca lho declarei
Aquele seu jeito cuidadoso
Eu sempre apreciei
Até ao fim da vida trabalhou
Sempre atento e perspicaz
Foi mais um amigo que nos deixou
Sua alma descanse em paz
António Clemente Caetano
Liberdade
Não te censuro,
Porque dizes
Sempre a
Verdade.
Porque não insultas
Nem humilhas o
Teu semelhante.
Porque no teu conceito
De cidadania
Imperam valores
Como:
Ética
Respeito
Sinceridade
Sensatez…
Não te censuro
Porque sabes criticar,
Porque olhas o
Outro teu irmão,
Não p’lo que veste,
Ou p’los sinais
De riqueza material,
Que exibe,
Mas p’lo que é
Intrinsecamente.
Cumpres a
liberdade.
Estou contigo
Meu irmão.
Somos livres.
Rui Pina
As Mentiras
Mentiras são formigas tresmalhadas,
coloridas, ávidas, desgovernadas,
borboletas sem flor para poisar,
barco sem remos, sem água,
estacionado na praia dos catraios,
onde cada um arranca uma tábua.
São a arma dos fracos, dos lacaios,
e empurram-nos para desfiladeiros,
donde raramente saímos inteiros.
Na floresta das hábeis mentiras
vivem bruxas e caçadores de safiras,
onde os pássaros perdem o pio,
e o vento passa de lado, ao arrepio,
para não se identificar.
E ainda me dizem com veemência,
que dos filhos devemos esconder a verdade.
E se eles a procuram noutros quadrantes,
na forma de mentiras cintilantes?…
No dia, no tempo da benevolência,
abre a porta às formigas tresmalhadas
e converte-as em formigueiro.
Decerto o barco voltará a navegar,
e o vento regressa para abençoar;
os pássaros, a floresta, o mundo inteiro!
Júlio Vaz Gomes
Primavera
Desabrocham flores
Cantam os passarinhos
A mocidade com seus amores
Vai dando abraços e beijinhos
Mocidade, mocidade
A Primavera da vida
Tem a beleza da idade
Que não voltará a ser vivida
Todos querem que a beleza
Perdure p’ra sempre nos anos
Mas podem ter a certeza
Que ela trará desenganos
Desenganos e arrelias
Todos temos de viver
Também virão alegrias
Que a vida irá trazer
Os dias da minha vida
São flores do meu jardim
Vivos de forma sentida
Não tenham pena de mim.
Rosa Maria
As moças das seis freguesias
As moças de Alguber
Andam quase sempre à toa,
E quando pensam em namorar
Só gostam de agradar
É aos pipis de Lisboa.
Não esquecendo as de Figueiros
Terra das bem empernadas,
Continuam sem enganos
Mas dos 13 aos 14 anos
Estão todas arrebanhadas.
Já as moças do Painho
São um pouco pensativas,
Mas são muito assenhoradas
Muito alegres e estimadas
E são muito divertidas.
As moças de A-dos-Francos
Nem todas elas usam xaile,
Mas quando vão a passear
Só gostam de se apresentar
É só à noite no baile.
Já as de São Gregório
Vivem lá no alto trono,
Já não têm tanta vaidade
Dos 12 aos 13 anos de idade
Todas elas já têm dono.
As moças de Santa Susana
Lugar onde se fazia uma feira,
Com as suas ideias simpatias
São muito reinadias
E amigas das brincadeiras.
Ai meninas vós sois a árvore
Com os seus frutos de fama,
Onde se enxerta o amor
Quem vai cedo colhe a flor
Quem vai tarde colhe a rama.
Silvino Inácio
“Nunca desistas de um sonho”
Nunca desistas de um sonho
Continua sempre a lutar
A vida é feita de barreiras
Que vais conseguir enfrentar
Para isso só tens de acreditar
Acreditar que irás conseguir vencer
Vais ver que não é difícil
Só basta mesmo querer
Mas tens de querer com muita força
E nunca empregar a palavra desistir
Porque realizar um sonho
É das melhores sensações que se pode sentir
E quando o teu sonho se tiver realizado
Vais sentir que foi missão cumprida
Porque nunca baixas-te os braços
E deste algo de bom à tua vida
E em tudo na vida devemos ser assim
Lutar para sempre conseguir vencer
Assim seremos muito mais felizes
E uma vida melhor poderemos ter
Daniel Silva
Alvorninha e os seus belos lugares
Santa Marta que bonita
Na sua alta colina
Na minha bela mocidade
As festas eram a minha rotina
S. Clemente ainda me lembro
A noite o terço ir rezar
Grandes festas se faziam
Todos a cantar e dançar
Trabalhia vem de trabalho
Que esta gente sempre faz
Quem trabalha sempre come
E sinal de haver paz
Vale do Forno é excelente
Pela sua localização
Em tempos havia muitos fornos
Onde se cosia o saboroso pão
Venda da Costa
Palavra que vem de venda
A sorte de grande aposta
Foi o mercado uma prenda
Venda da Natária tu és bela
Com as tuas gentes boas
Cada um tem a sua courela
Por isso fazem as lavouras
Vale Serrão com teu vale
Eras uma terra esquecida
Com a tua bela estrada
Assim já fostes protegida
Vila Nova estás em progresso
Na meia colina vistosa
A tua gente é unida
E bom ser orgulhosa
Zambujal terra encantadora
Dos tempos de então
Onde a festa do chouriço
E homenagem a Sto. Antão
Quero aqui pedir desculpa
Se alguma frase os ofende
Eu nestas quadras simples
Sempre procurei ir á realidade
Américo Marques
A Universidade Sénior das Caldas da Rainha
Nos meus tempos de estudante
Não dei valor ao saber.
Mas como diz o ditado!
Nunca é tarde para aprender.
Hoje já não sou a mesma!
E até não uso sacola.
Mas foi com muito interesse.
Que voltei de novo á escola.
Às aulas de informática
Vou sempre com curiosidade
Tenho gosto de aprender
Apesar da minha idade.
Ao bordado das Caldas
Dou especial atenção
Pois foi a nossa Rainha
Que nos deixou a tradição
A classe de inglês
Começou com aeiou
E agora que interessante
Já se diz: How are you?
Através destas quadras
Deixo um obrigada sentido
A quantos se dedicaram
A esta iniciativa.
Só espero que continuem
Este projecto de valor
Pois é muito importante
Estar na “Universidade Sénior”
Rosa Melo





