Portugal sagrou-se no passado domingo Campeão do Mundo de matraquilhos no escalão de juniores e entre os cinco campeões está um obidense, de seu nome David Safadinho. Este jovem, residente no Olho Marinho, começou, como tantos miúdos, a jogar matraquilhos por brincadeira nos cafés. Quando percebeu que tinha algum jeito dedicou-se às competições oficiais e desde então tem conseguido alguns títulos importantes. Foi campeão regional no primeiro ano de competição, há três anos, e duas vezes vice-campeão nacional de duplas, com o irmão Ricardo.
Apesar de não ter tido apuramento directo para os mundiais de Nantes, França, o seu desempenho nas competições nacionais foi suficiente para chamar a atenção do seleccionador Victor Fonseca. E acabou por se revelar decisivo ao vencer a derradeira partida da final, que valeu o triunfo contra os holandeses.
Sem os apoios garantidos aos atletas apurados directamente, David assumiu parte dos encargos sobretudo para ter uma experiência diferente e enriquecedora, acabou por se sagrar campeão do mundo, ganhando claramente a aposta.
Numa altura em que o índice de confiança dos portugueses bate recordes negativos, esta é uma mensagem de que por vezes vale a pena arriscar. Por isso Zé Povinho não podia deixar de assinalar esta vitória portuguesa, e em particular deste jovem, num jogo que é tão tradicional em Portugal, mas no qual o país nunca tinha conseguido vitórias colectivas deste tipo.
Se a vida está difícil para os portugueses o que dirão os animais que devido às dificuldades de inúmeras instituições, não conseguem ver asseguradas as suas parcas refeições por carência de alguns euros.
Em causa nas Caldas da Rainha estão os patos do Parque D. Carlos I, menos vistosos que os inexistentes “pavões”, que até já mereceram um jocoso comentário televisivo do sr. Ministro Paulo Macedo, que desde há alguns dias deixaram de ter ração proveniente dos cofres do Estado.
Apesar de serem propriedade do Estado não contam com a benevolência dos seus responsáveis, naquilo que em qualquer país civilizado provavelmente nunca aconteceria.
Zé Povinho não está a ver que patos, cisnes e outros animais súbditos de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra, que se pavoneiam nos jardins do Palácio de Buckingham ou no castelo de Windsor, num país também a atravessar uma crise financeira grave com cortes orçamentais visíveis, sejam sujeitos a tão dura provação.
Mas no país de sua majestade uma atitude como a que foi tida pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste, por mais argumentos que invocasse, não teria perdão da população inglesa, tão ciosa dos direitos dos animais.
A insensibilidade, neste caso animal, da actual conjuntura obriga a solidariedades inesperadas, colocando a iniciativa privada a sustentar o património público, apenas proque este não sabe gerir aquilo que lhe podia dar retorno.
Zé Povinho não tem nada contra as parcerias que deviam existir entre a sociedade civil e o CHO para gerir o seu património, mas não admite que se deixem chegar as coisas à actual situação e se ande a mendigar ração à própria da hora, quando os stocks terminaram.
Pobres patos que tão mal tratados e considerados são. Certamente amanhã por falta de cumprimentos da lei dos compromissos do ministro Vítor Gaspar, seguir-se-ão a estes animais, os portugueses que têm mais de x anos, depois os que têm doenças mais complicadas e assim sucessivamente.
Isto terá mesmo de acontecer no nosso país sem o mínimo de senso ainda mais com tantos “pavões” a passearem-se por esse mundo em nome de Portugal?




