A Semana do Zé Povinho

Publicado a 11 de Janeiro de 2013 . Na categoria: Actualidade . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Portugal sagrou-se no passado domingo Campeão do Mundo de matraquilhos no escalão de juniores e entre os cinco campeões está um obidense, de seu nome David Safadinho. Este jovem, residente no Olho Marinho, começou, como tantos miúdos, a jogar matraquilhos por brincadeira nos cafés. Quando percebeu que tinha algum jeito dedicou-se às competições oficiais e desde então tem conseguido alguns títulos importantes. Foi campeão regional no primeiro ano de competição, há três anos, e duas vezes vice-campeão nacional de duplas, com o irmão Ricardo.
Apesar de não ter tido apuramento directo para os mundiais de Nantes, França, o seu desempenho nas competições nacionais foi suficiente para chamar a atenção do seleccionador Victor Fonseca. E acabou por se revelar decisivo ao vencer a derradeira partida da final, que valeu o triunfo contra os holandeses.
Sem os apoios garantidos aos atletas apurados directamente, David assumiu parte dos encargos sobretudo para ter uma experiência diferente e enriquecedora, acabou por se sagrar campeão do mundo, ganhando claramente a aposta.
Numa altura em que o índice de confiança dos portugueses bate recordes negativos, esta é uma mensagem de que por vezes vale a pena arriscar. Por isso Zé Povinho não podia deixar de assinalar esta vitória portuguesa, e em particular deste jovem, num jogo que é tão tradicional em Portugal, mas no qual o país nunca tinha conseguido vitórias colectivas deste tipo.

Se a vida está difícil para os portugueses o que dirão os animais que devido às dificuldades de inúmeras instituições, não conseguem ver asseguradas as suas parcas refeições por carência de alguns euros.
Em causa nas Caldas da Rainha estão os patos do Parque D. Carlos I, menos vistosos que os inexistentes “pavões”, que até já mereceram um jocoso comentário televisivo do sr. Ministro Paulo Macedo, que desde há alguns dias deixaram de ter ração proveniente dos cofres do Estado.
Apesar de serem propriedade do Estado não contam com a benevolência dos seus responsáveis, naquilo que em qualquer país civilizado provavelmente nunca aconteceria.
Zé Povinho não está a ver que patos, cisnes e outros animais súbditos de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra, que se pavoneiam nos jardins do Palácio de Buckingham ou no castelo de Windsor, num país também a atravessar uma crise financeira grave com cortes orçamentais visíveis, sejam sujeitos a tão dura provação.
Mas no país de sua majestade uma atitude como a que foi tida pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste, por mais argumentos que invocasse, não teria perdão da população inglesa, tão ciosa dos direitos dos animais.
A insensibilidade, neste caso animal, da actual conjuntura obriga a solidariedades inesperadas, colocando a iniciativa privada a sustentar o património público, apenas proque este não sabe gerir aquilo que lhe podia dar retorno.
Zé Povinho não tem nada contra as parcerias que deviam existir entre a sociedade civil e o CHO para gerir o seu património, mas não admite que se deixem chegar as coisas à actual situação e se ande a mendigar ração à própria da hora, quando os stocks terminaram.
Pobres patos que tão mal tratados e considerados são. Certamente amanhã por falta de cumprimentos da lei dos compromissos do ministro Vítor Gaspar, seguir-se-ão a estes animais, os portugueses que têm mais de x anos, depois os que têm doenças mais complicadas e assim sucessivamente.
Isto terá mesmo de acontecer no nosso país sem o mínimo de senso ainda mais com tantos “pavões” a passearem-se por esse mundo em nome de Portugal?

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 5 de Janeiro de 2013 . Na categoria: Destaque Sociedade . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Depois daquele que muitos consideram ter sido um dos anos mais difíceis para os portugueses, e no início de mais um novo ano que também não deverá ser fácil, Zé Povinho não pode ficar indiferente à ajuda que a Câmara Municipal de Alcobaça deu às famílias em maiores dificuldades. Em tempo de férias escolares, aquela autarquia garantiu as refeições de oitenta alunos das escolas do concelho.

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A Semana do Zé Povinho

Publicado a 17 de Novembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Zé Povinho está satisfeito com o facto do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor  (CEERDL) ter ganho o primeiro prémio BPI Capacitar 2012. Com o apoio monetário obtido, superior a 100 mil euros, pode esta prezada instituição caldense desenvolver ainda melhor o seu projecto de floricultura que dá cartas no mercado nacional, sobretudo na área das flores de corte, as coroas imperiais. Muita gente não sabe que este centro fornece, por exemplo, as cadeias Lidl e Pingo Doce e que a sua equipa de 14 colaboradores da floricultura integra nove com  incapacidades. O proporcionar emprego a estes elementos acabou por ser determinante para o CEERDL se sagrar vencedora do primeiro prémio (ex-aequo com o Centro Comunitário Paroquial da Ramada, de Odivelas) atribuído no âmbito da responsabilidade social do BPI.
Pelo esforço de sempre, pelo rigor e pela organização da instituição, Zé Povinho faz-lhe uma vénia e espera por muitos e mais projectos florescentes, como é este da floricultura.

Os leitores de Zé Povinho são os primeiros a não se surpreenderem com o facto de nos últimos meses as figuras escolhidas para a sua apreciação serem invariavelmente personagens de índole nacional e internacional. A tal não é alheio a crise económica e social que se vem agravando na União Europeia e muito especialmente em Portugal.
Daí que a escolha recaia com frequência em personagens que antes nem se ouviam falar no quotidiano da maioria dos portugueses, mas que determinam, dura e permanentemente, a vida dos portugueses do Minho à ilha do Corvo, como sói dizer-se.
Por tudo isto, Zé Povinho não ficou indiferente à visita de menos de seis horas a Portugal da chanceler alemã Ângela Merkel na passada segunda-feira, durante a qual garantiu que “Portugal vai conseguir cumprir o memorando de entendimento com a troika”. Ora acontece que em Portugal não há mais do que uma mão cheia de comentadores, especialistas ou responsáveis que o diga. Zé Povinho não se espanta que a chanceler alemã diga isso, porque é a mesma pessoa que despudoradamente afirma que “a política económica é 50% de Psicologia” e que “aquilo que nós temos é falta de confiança».
Pena que o primeiro-ministro português, Passos Coelho, esteja tão cego, surdo e mudo. Em vez de mostrar de alguma forma a trágica situação e, que o país e os portugueses estão a atravessar, prefere congratular-se perante a chanceler que demorou apenas dois anos a fazer aquilo que se previa demorasse seis.
Se este político acha que este é realmente o “único caminho possível”, provavelmente estará jogar a sua cabeça, uma vez que se ocorrer o que a grande maioria antecipa, ele não poderá mais manter-se no posto de primeiro-ministro e nunca terá a estátua que o seu secretário de Estados dos Transportes, Sérgio Monteiro, lhe augurou.
A verdade é que Portugal caminha a passos largos para um beco sem saída.
Por isso, e dados os sacrifícios gigantescos a que Merkel e Passos Coelhos estão a condenar o povo português, Zé Povinho não pode deixar de os acusar de tanta insensatez e insensibilidade social.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 4 de Novembro de 2012 . Na categoria: Breves Sociedade . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Na primeira vez que as comemorações do Dia do Exército se realizam fora de uma capital de distrito, Caldas da Rainha foi a feliz cidade contemplada para tão nobre evento. Essa escolha coube, sem margem para dúvidas, ao Chefe do Estado Maior do Exército, general Pina Monteiro, perante o qual Zé Povinho se coloca desde já em posição de sentido, prestando, na sua pessoa, homenagem aos militares do Exército Português.
O principal responsável por este ramo das Forças Armadas não esconde que as contenções orçamentais ajudaram a ditar a escolha das Caldas da Rainha, devido à sua boa acessibilidade, à existência da ESE para apoio administrativo e logístico e aos bons ofícios da autarquia local que acarinhou o evento.
Mas este general não teve pejo em relembrar a importância de um evento que foi decisivo para o 25 de Abril – a tentativa de golpe de 16 de Março de 1974, realizada a partir do quartel das Caldas, que colocou na altura a cidade nas páginas dos jornais do mundo inteiro e que, em Portugal, fez tremer o anterior regime de Marcelo Caetano.
Zé Povinho expressa, por isso, o seu apreço ao senhor general Pina Monteiro, a quem as Caldas da Rainha podem agradecer um fim-de-semana movimentado (calcula-se em 1400 o número de militares presentes mais as respectivas famílias), que teve certamente bons reflexos na economia local e constituiu igualmente um meio de colocar a cidade no centro dos acontecimentos nacionais.

O ministro da Defesa, Aguiar Branco, referiu no seu discurso do Dia do Exército que os “comentadores de fato cinzento e gravata azul”, ao colocarem em causa as Forças Armadas, representam um perigo para o país, maior do que qualquer outra ameaça externa.
Uma forma subtil de tentar aliar-se aos militares que nos últimos tempos – tal como a maioria dos portugueses – têm contestado as políticas de austeridade que também a eles afecta. Ao arranjar um inimigo comum – os “comentadores de fato cinzento e gravata azul” – o Dr. Aguiar Branco julgava obter assim a simpatia da tropa, que lá se vai arrastando como pode com cada vez menos meios.
Mas acontece que o senhor ministro não resistiu a criticar também as associações militares, que, segundo disse, se movimentam nos salões dos hotéis em reuniões para discutir política.
Zé Povinho acha que o discurso deste governante é demagógico e revela pouco sentido de Estado. Mais polido foi seguramente o do Chefe do Estado Maior do Exército que, de forma mais elegante soube fazer passar a mensagem de que o Exército está a atingir limites mínimos que põem em causa a sua operacionalidade e que precisa de mais equipamento.
Acresce ainda que, tal como tem acontecido com outros membros do Governo, o ministro da Defesa, não escapou também a alguns apupos e assobios do público, que não disfarçou a sua revolta contra o empobrecimento de que os portugueses estão a ser alvo.
Zé Povinho acha que só o aparato de centenas de homens fardados e o decoro perante altas patentes presentes na avenida 1º de Maio, impediu que a vaia fosse ainda maior, para maior incomodidade do senhor ministro.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 28 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Foi com regozijo que Zé Povinho soube que o comissário Nuno Carocha vai voltar a comandar a PSP das Caldas da Rainha numa altura em que a segurança assume um cada vez maior papel na cidade.
Há pessoas que fazem a diferença nos cargos que ocupam. Este oficial, quando passou pela PSP das Caldas há alguns anos, soube fazer essa diferença. Ainda como jovem sub-comissário, trouxe um novo alento à acção da polícia caldense e avançou com vários projectos que se distinguiram pela inovação.
Sensível ao que preocupa a população, o comissário Nuno Carocha irá com certeza ter uma atitude diferente daquela que nos últimos anos a PSP teve em relação às Caldas da Rainha.
Zé Povinho quer ver mais polícias a andar a pé pela cidade, um maior investimento na investigação policial e uma cultura de prevenção forte. Será importante também a relação da PSP com as entidades locais – inclusive a comunicação social – para que todas possam contribuir para um sentimento de maior segurança. Por tudo isto, seja bem vindo senhor comissário.

Em grande número de países desenvolvidos, como em certas instâncias supra-governamentais como a União Europeia, é usual existirem lobbies devidamente registados e reconhecidos que têm um acção mais transparentes junto dos órgãos decisórios.
Em Portugal essa prática nunca mereceu a devida atenção, exercendo-se o lobbiismo de forma encapotada e meia clandestina, ou na pior das hipóteses, através do sistema do amiguismo ou das cunhas.
O primeiro-ministro, Dr. Passos Coelho, foi interceptado fortuitamente numa conversa com o banqueiro José Maria Ricciardi, do BESI, que estava sob escuta judicial por razões ligadas ao processo Monte Branco.
Segundo os media, esta conversa não terá tido qualquer repercussão em termos de responsabilidade criminal, uma vez que o banqueiro apenas queria manifestar a sua discordância com a escolha pelo Estado português da empresa norte-americana Perella como consultora do Estado para as privatizações da EDP e REN.
Segundo o Dr. José Maria Ricciardi “para que não fiquem dúvidas (…) reafirmo que transmiti a vários membros do Governo a minha discordância pelo facto de o Estado ter contratado a firma norte-americana Perella por ajuste directo, quando se exigia, na observância do rigor e da ética, que se elegessem as assessorias financeiras através de concurso público”.
Naturalmente que o presidente do BESI tem todo o direito de manifestar publicamente a sua discordância com a decisão do governo sobre esse concurso, mas não deve é fazê-lo no segredo de telefonemas particulares com responsáveis governamentais.
O Dr. Ricciardi diz que falar com um governante “não é ilícito, nem irregular ou sequer censurável”. É claro que não, desde que qualquer português pudesse fazer o mesmo. Mas o banqueiro sabe que não é assim e que ele tem acessos privilegiados que o comum dos cidadãos não tem.
Para Zé Povinho seria mais lógico que em momento oportuno tomasse posição pública sobre o assunto, assumindo as devidas consequências, em vez de tratar estes assuntos de uma forma que indicia acesso privilegiado aos membros do governo, que a maioria dos portugueses, que têm os mesmos direitos, não dispõem. Por isso, por mais que brade aos céus, o banqueiro incorreu numa falta que Zé Povinho condena.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 21 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . há uma resposta a este artigo.

Zé Povinho é muito sensível a todos aqueles que sugerem passos positivos para o povo português e semanalmente encontra apelos e propostas para inverter o curso dos acontecimentos que se têm vivido nos últimos meses e anos.
Na última semana viu-se a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, reconhecer os erros de análise da sua própria organização em relação às decisões que foram impostas pela troika. Essas medidas de austeridade impostas aos países em assistência (como Portugal) não têm, contrariamente ao que se pensava, um efeito de 0,50 euros por cada euro de redução, mas um impacto muito maior, entre 0,90 e 1,70 euros. Por isso, a insigne directora, sugere que sejam concedidos a esses países mais anos para a sua recuperação (hipocritamente, o ministro Vítor Gaspar ironizou que não tinha compreendido bem isso e que teria de averiguar se era mesmo verdade ou se não passava de uma insinuação do economista nobel Paul Krugman, que tem sido crítico destas políticas).
Outra personalidade, esta nacional, que se pronunciou grave e tardiamente sobre o assunto, foi o actual Presidente da República, professor Cavaco Silva (cujas declarações também foram minimizadas pelo ministro Gaspar) que defende que “nas presentes circunstâncias não é correcto exigir a um país sujeito a um processo de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objectivo de défice público fixado em termos nominais.”
O professor Cavaco Silva ainda acrescentou que “devem ser definidas políticas que garantam a sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo e deixar funcionar os estabilizadores automáticos”.
Finalmente Zé Povinho ainda se revê nas declarações do anterior Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio que, em entrevista à SIC Notícias, também criticou duramente as medidas orçamentais anunciadas. “Já toda a gente percebeu que a austeridade rebenta com o país, com os portugueses e a sua esperança, com os direitos e até com a própria democracia”, disse.
Muitos outros se pronunciaram no mesmo sentido, mas Zé Povinho escolheu estas três figuras, com proveniências muito diferentes, mas que comungam no mesmo propósito, perante a indiferença e até sobranceria dos responsáveis pelas medidas divulgadas esta semana para Portugal.

Ao assumir o protocolo de entendimento com a troika no que dizia respeito à reestruturação administrativa do país e à diminuição de autarquias, o ministro Miguel Relvas fez o mais simples e aquilo que lhe poderia trazer menos custos políticos: eliminar freguesias e não tocar nos concelhos.
A Zé Povinho o “Dr.” Miguel Relvas faz-lhe lembrar aquele “herói” que batia nos pequenos com medo de afrontar os da sua dimensão.
Portugal deveria seguir os modelos de organização autárquica dos países mais avançados da Europa, que criam entidades de gestão do território com dimensão estratégica e que tenham protagonismo a nível nacional, mas também nos espaços mais alargados como a Europa, em que as regiões se batem denodadamente.
Por exemplo, a discussão feita na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha sobre as redução de freguesias, parte de uma visão defensiva, conformista e reactiva a uma imposição exógena.
Provavelmente impunha-se uma visão pró-activa, que antecipasse a evolução futura destes territórios nos próximos 20 ou 30 anos, durante os quais a população residente em permanência deverá diminuir aceleradamente, tentando-se assim evitar a manutenção de estruturas pesadas e redundantes, que a prazo serão inviabilizadas pelas próprias condições objectivas e meios disponíveis.
Seria talvez mais correcto pensar na articulação estratégica dos concelhos, utilizando as freguesias como peões de acção para atingir objectivos de criação de emprego e de valor, que servissem de alavancas de desenvolvimento no contexto mais alargado.
Mas isso o “Dr.” Relvas não quer ou não sabe fazer. Pôs o povo a discutir minundências e as oposições com os autarcas instalados a defenderem o stato quo. A falta de visão inebriou-os e mais tarde vai verificar-se que bastante do trabalho e das “guerras” vividas serviram para pouco, porque o mais importante ficou por fazer.
Afinal, como diz o povo, “é preciso que algo mude para que fique tudo na mesma”.
Zé Povinho não pode, por isso, deixar de lamentar estas visões tão curtas do ministro Adjunto, Miguel Relvas, que, para muitos, já passou do prazo de validade.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 14 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Zé Povinho quer aplaudir a realização do ArtShow. Não é todos os dias que se conseguem reunir 250 artistas de todo o país nas Caldas da Rainha, cidade que foi das artes e há muito que não via nada assim. Está, pois, de parabéns a empresária Paula Mendes e a sua equipa, bem como a própria Expoeste, que percebeu o potencial da iniciativa e abriu as suas portas para uma parceria onde a conjugação das boas vontades produziu bons efeitos.
O evento mostrou que contém em si sementes que poderão originar uma ainda melhor iniciativa no futuro, fazendo recordar os bons velhos tempos em que as Caldas recebia fóruns de cariz internacional, como os Encontros de Arte e as Bienais de Escultura e Desenho.
Zé Povinho faz uma vénia a todos os que fizeram do Art Show um local aprazível, aos artistas e aos cantores, sem esquecer os formadores e os artesãos. E espera que para o ano o evento regresse com mais força e mais apoios. À empresária Paula Mendes não lhe faltará a “garra” necessária para o repetir.

Nas últimas semanas Zé Povinho, para mal dos pecados dos portugueses, não tem tido grande dificuldade em escolher vítimas do seu juízo.
O governo de Passos Coelho e a troika, representando o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, têm dado com fartura razões para estes juízos negativos, mesmo que os portugueses, como outros povos sujeitos à mesma bitola, tenham algumas culpas no cartório.
Contudo, estes organismos internacionais, com técnicos altamente credenciados e pagos a peso de ouro, durante vários anos não ligaram ao que se passava nos países, podendo mesmo tê-los incentivado a práticas que agora condenam (e em que os países hoje mais intolerantes também já incorreram – a própria Alemanha já teve défices acima do permitido pela legislação comunitária).
Na última semana foi uma vez mais o senhor ministro das Finanças, Dr. Vítor Gaspar, que, num tipo intervenção habitual, com voz para adormecer os ouvintes, veio anunciar um “enorme aumento de impostos” para os portugueses. Isto depois de ter enumerado os vários “êxitos” no cumprimentos das medidas de austeridade (Zé Povinho nem quer pensar em como seriam as medidas se não tivesse havido esses “êxitos”!…)
Desta vez quase ninguém escapou. E até o ex-lider do PSD e também ex-ministro de vários governos, Dr. Marques Mendes, veio dizer que isto é um autêntico “assalto à mão armada” aos contribuintes e que estas medidas “matam” a classe média.
Zé Povinho acha que a mão não lhe deve ser leve e vem uma vez mais penalizar o ministro Vítor Gaspar, que, ainda por cima, deixou sobre a cabeça dos portugueses outra ameaça que é a de aumentar o IMI sem qualquer proporcionalidade ou rigor.

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 5 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Em fim de mandato e sem possibili
dade de se recandidatar ao municí
pio das Caldas da Rainha, o Dr. Fernando Costa não se cansa de fazer declarações ousadas e inabituais em relação ao que era o seu comportamento em anos anteriores.
No congresso extraordinário da Associação dos Municípios, em Santarém, no passado fim de semana, Zé Povinho pode ouvi-lo a gritar que o povo português “está farto de pagar impostos” seja ao Governo seja às autarquias, opondo-se alto e bom som contra as propostas de criar novas taxas a favor dos municípios.
Já no congresso do PSD o Dr. Fernando Costa se tinha rebelado contra o IMI considerando que era “um perigo que aí vem”.
O autarca, depois de apoiar a manifestação da CGTP contra o governo do seu próprio partido, referiu que “hoje, em Lisboa, e bem, milhares de pessoas manifestaram-se contra o Governo. Amanhã, centenas de pessoas vão bater à porta da Câmara de Caldas por estar a levar mais pela água, pelo lixo e pelo IMI e por tantos outros impostos, e com razão”.
Zé Povinho está totalmente de acordo com o presidente da Câmara das Caldas, mas também acha que esta preocupação para não aumentar impostos ou taxas, não pode servir de justificação para a cidade e o concelho das Caldas funcionarem com serviços mínimos, em que as limpezas sejam mínimas, a promoção da cidade esteja reduzida a zero e o funcionamento da autarquia seja ineficiente por falta de pessoal capacitado.
Em tudo deve haver uma medida de retorno da despesa ou investimento feito, que crie uma dinâmica de desenvolvimento que crie novo emprego e mais actividade económica.
Contudo, atendendo ao momento que Portugal está a viver, a posição do Dr. Fernando Costa em relação às novas taxas parece acertada e merece o elogio de Zé Povinho.

Devido à sua origem, Zé Povinho tem
um alto sentido de humor. E este
fim de semana teve razão para rir ao máximo! Não é que, no meio da grave crise que os portugueses atravessam e que a muitos dá vontade de chorar, veio um consultor do governo dizer que os empresários que recusaram a TSU, são “ignorantes” e que não passariam no seu 1º ano de faculdade?
O dito consultor, António Borges de seu nome, falava no I Fórum Empresarial do Algarve e teve a sorte de só ter desses empresários ignorantes que não o fizeram engolir aquelas palavras. As reacções não tardaram e a maioria delas foi diplomática, mas o dito consultor não se coibiu de responder ao que chamou de “insultos”.
O Dr. António Borges sabe que a melhor defesa é o ataque, mas não evita que muitos portugueses veja nela o verdadeiro primeiro-ministro, que diz alto e bom som aquilo que o Dr. Passos Coelho não tem coragem de dizer e apenas o diz por meias palavras.
Zé Povinho acha que figuras como a do Dr. Borges são o melhor que há para o anedotário nacional e para os humoristas de serviço, que imediatamente ganham matéria para as próximas caricaturas nacionais.
Não fosse a situação tão grave para grande número de compatriotas do Zé Povinho – quais zépovinhos sem cheta e com as mãos a abanar – e estas histórias até podiam ter alguma graça. Ainda por cima vindas da boca de alguém a quem os contribuintes pagam uns milhares de euros mensais para ele pensar o futuro nacional, a meias com a reflexão do futuro da maior fortuna do país.
Quantas voltas dará na sepultura Bordalo Pinheiro por não poder estar cá hoje, para desafiar com a sua pena todos estes figurões?
Zé Povinho acha ainda mais piada aos putativos apoiantes das ideias de António Borges, apenas implorando para que eles mostrem as suas folhas de impostos…

A Semana do Zé Povinho

Publicado a 28 de Setembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

É uma feliz coincidência que quando se perfazem 500 anos do Compromisso da Rainha, o  Hospital Termal (e parte da sua área envolvente) fique a um passo de ser classificado como monumento nacional pelo Estado português.
O edifício que representa a génese das Caldas da Rainha, em torno do qual se fundou uma terra que viria a ser cidade e que determinou grande parte do seu crescimento, dando-lhe também identidade e prestígio, é um símbolo poderoso que Zé Povinho aqui gostaria de relevar.
Numa altura em que se discute – quantas vezes de ânimo leve – o futuro do Hospital Termal, num momento particularmente difícil da história do país (e do próprio Hospital que está mais uma vez fechado por motivos bacteriológicos)f, esta classificação anunciada simboliza que o passado também tem uma palavra a dizer na construção desse futuro.
É pacífico entre os especialistas do património que o mais difícil deste processo já está feito e que é expectável que o Hospital e o Parque D. Carlos I e sua área envolvente venham, de facto, a ser classificados. Só falta agora que a Mata não fique de fora, coisa que só pode ser evitada se os caldenses se interessarem, exercendo a sua cidadania e propondo que a classificação abranja também aquele importante património histórico-natural.
Zé Povinho entende que só assim o Hospital Termal estará no epicentro deste alargado monumento nacional que muito deverá honrar as Caldas da Rainha, acrescentando-lhe valor e protegendo-o de devaneios menos respeitadores da sua identidade.

Zé Povinho acha inexplicável como funcionários subalternos (por muito que estejam nos topos das carreiras internas) das organizações como o Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, se arrogam no direito, em nome dessas organizações, de imporem programas de reajustamento económico de uma dureza incomensurável, que pode destruir países.
Não parece crível que estes actuem à margem das directivas que são dadas pelos responsáveis por aquelas organizações, respectivamente a ex-ministra francesa das Finanças Christine Lagarde, o ex-primeiro-ministro português, Durão Barroso e o ex-governador do Banco de Itália, Mário Draghi.
Os altos funcionários que vêm a Lisboa massacrar os portugueses não têm nenhum mandato celestial que lhes dê o direito de autonomamente exigirem decisões que estão a destruir um país, apenas invocando princípios e regras de uma putativa teoria económica e financeira, que pelos vistos não vai dar certa.
Eles pertencem a organizações em que Portugal é parte. E por muito que o país tenha cometido erros (muitas vezes incentivado e protegido por outros responsáveis das mesmas organizações) não há o direito de o tratar como pária ou pedinte.
Zé Povinho acha que na vida comum dos cidadãos ser-se devedor de um banco ou outra entidade não dá a estes o direito de o tratar como delinquente ou foragido, que é o que parece ser o tratamento de que Portugal está a ser alvo. Ainda para mais com a aprovação interna de alguns responsáveis governamentais.
Portugal e os seus representantes deveriam assumir a sua voz responsável e falar de igual para igual com estes credores, que afinal são representantes de organizações em que se é sócio e participante.
O facto de líderes internacionais, como Barroso, Draghi e Lagarde mais quererem parecer que os assuntos lhe passam ao lado e não são da sua responsabilidade, deixando aos seus subordinados a utilização de toda a espécie de instrumentos de tortura (económica e financeira), não pode ser aceite.
Eles terão de assumir as suas altas responsabilidades e não podem continuar a fazer declarações positivas em relação à resolução dos problemas da Europa no seu conjunto, e ignorarem olimpicamente as crises com que cada país se debate.
Zé Povinho não ignora a atitude daquelas três figuras, uma das quais até de origem portuguesa, e acha que os responsáveis máximos de Portugal, como dos outros países intervencionados, se deviam unir para os enfrentar nos vários palcos internacionais onde têm assento.

A semana do Zé Povinho

Publicado a 21 de Setembro de 2012 . Na categoria: Breves Crónicas semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Foi uma manifestação pacífica, mas não foi uma festa, embora organizadores e participantes não disfarçassem a sua alegria pelo êxito do protesto expresso em número de pessoas que a ele aderiram.
No sábado passado, nas Caldas da Rainha e em todo o país, muitos milhares de portugueses saíram à rua para mostrar a sua indignação contra as medidas de austeridade que progressivamente o governo tem lançado sobre a maioria, sem quase dar tempo de as pessoas respirarem ou se adaptarem.
Mas tudo tem um limite e desta vez o povo saiu à rua. Nas Caldas, apesar de serem pouco mais de mil pessoas, assistiu-se a uma das maiores manifestações depois do 25 de Abril. Zé Povinho gostou de ver como esta decorreu de forma ordeira, apesar da raiva de muita gente, que vive situações verdadeiramente dramáticas devido às políticas anti-sociais do governo.
Estão de parabéns os caldenses – os de todos os partidos e os que não têm partido nem neles se revêem – que deram esta verdadeira lição de cidadania, numa manifestação espontânea à margem dos sindicatos e das forças políticas partidárias. Foi cidadania e civismo em estado puro. E também pura indignação.

Na semana passada Zé Povinho acusou duramente Passos Coelho de ter desencadeado a crise que uniu o país contra si e o seu governo, não sendo descortinável nessa altura o papel desempenhado pelo seu companheiro de coligação, o CDS/PP de Paulo Portas.
Com o correr da semana, Zé Povinho entendeu de alguma forma como a coligação funcionou perante tão penoso e difícil problema, em que foi permitido saber o que acontece quando o parceiro da coligação prefere ausentar-se para o estrangeiro no momento em que o país se debate com problemas graves. Neste caso, os assuntos tratados à distância têm como consequência que as questões mais sensíveis sejam decididas controversamente, permitindo que à posteriori (e na sequência da imensa indignação levantada pelos milhares de manifestantes) um parceiro manifeste o seu desacordo perante tão problemática solução, no caso o forte aumento da TSU para os trabalhadores.
Paulo Portas mostrou ao seu companheiro do coligação, qual especialista em tratar a coisa pública que ele é, mas ficou mal na fotografia, pois para a opinião pública não passou favoravelmente a atitude e os seus colegas de coligação vão cobrar esta traição.
Mas também mal na fotografia ficou o ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, que tendo acompanhado e aceite o desenrolar do processo do aumento da TSU para os trabalhadores, não foi claro quando teve de o explicar e contrariou o que a maioria dos militantes do seu partido defendem hoje publicamente.
Não lhe basta desculpar-se, agora que foi ignorado nas reuniões do governo com a troika, o que demonstra o papel com que é encarado em tão crucial dossier, mas mesmo assim nunca explicou claramente as razões e justificações para tão “criativa” solução, que teve o capricho e a particularidade de juntar quase toda a gente contra.
Zé Povinho não aceita o oportunismo de Paulo Portas a tentar enterrar Passos Coelho, quando ambos estão no mesmo barco, nem a ingenuidade de Pedro Mota Soares de não ter percebido o sentir de pelo menos dos militantes do seu partido.


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