A 26 dias das eleições de 5 de Junho, Basílio Horta, o cabeça de lista pelo PS em Leira, esteve nas Caldas da Rainha naquela que foi uma das primeiras acções de pré-campanha dos socialistas no distrito. O candidato, que diz que quer ser “o deputado das empresas”, tomou o pulso a alguns dos bons exemplos do mundo empresarial da cidade e visitou a fábrica de faianças Bordallo Pinheiro, a Schaeffler Portugal e a Molde. Durante o dia, a comitiva socialista apresentou cumprimentos ao presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, e visitou o Centro Social da Associação Social e Cultural Paradense, no Chão da Parada.

O cabeça de lista do PS (ao centro) garante que “está do lado das empresas” e promete lutar pelo fim dos estrangulamentos que enfrentam os empresários
A escolha de Basílio Horta, um histórico do CDS-PP, para encabeçar a lista do PS no distrito de Leiria deu que falar. Mas agora que a surpresa passou, o antigo ministro do Comércio e Turismo, ministro de Estado e ministro da Agricultura, Comércio e PescaS (em governos de coligação PSD/CDS e PS/CDS) e presidente do Conselho de Administração da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (actualmente com mandato suspenso), quer que, uma vez eleito, os empresários o vejam como o seu deputado, “independentemente de votarem como entenderem”.
“Quero muito ser o deputado das empresas”, garantiu à saída da Molde, acrescentando que tem “muita experiência, durante muitos anos, de internacionalização” que quer pôr ao serviço do tecido empresarial. “Este é um dos aspectos fundamentais por que eu decidi voltar à Assembleia da República, reiniciar uma carreira que iniciei em 1975, porque realmente entendo que este é o momento em que alguém pode dar algo ao seu país e responder afirmativamente ao desafio que lhe é feito”, sustentou.
Nas Caldas da Rainha diz ter encontrado bons exemplos de que as empresas não se estão a resignar com a crise. Ao invés, “estão a reagir, a investir, a exportar, e isso é um bom sinal”. Além disso, encontrou aqui um bom exemplo de que o Estado deve ajudar as empresas em tempos de crise. “Se não fosse a ajuda dada à Bordallo Pinheiro, em que a Visabeira teve um papel determinante, nós tínhamos perdido uma das marcas mais importantes para o país”, afirmou. E ainda que em campanha se diga de tudo, o candidato do PS diz que há que admitir que a ajuda do Estado a empresas do sector automóvel, da cortiça, do têxtil e do vinho “foi dinheiro bem gasto, foram centenas de milhões de euros que se gastaram, mas para suportar as empresas. Não fosse feito esse investimento nessa altura, e hoje estaríamos pior que a Islândia”.
Basílio Horta compromete-se a “servir as empresas”, a apresentar no Parlamento propostas “que tirem alguns estrangulamentos”, como o licenciamento industrial, o acesso ao crédito, no qual defende a criação de um banco de fomento para a internacionalização, e os seguros de crédito. Medidas que acredita serem fundamentais para um distrito exportador, “com excelentes empresas, com excelentes empresários, com excelente mão-de-obra”, como diz ser o caso de Leiria.
Basílio Horta diz que não esquece a agricultura e as pescas, sectores em que o distrito também tem um grande peso e que também é preciso internacionalizar. Perante um défice da balança alimentar na ordem dos 3,5 mil milhões de euros, o candidato defende que “apoiando a agricultura seriamente, nós conseguimos substituir as importações e aumentar as exportações”. Além disso, “um país como Portugal deve ter uma reserva alimentar” que permita fazer frente a uma eventual crise no sector alimentar, que tanto impacto teria nas famílias.
Na passagem pelas Caldas, em que esteve acompanhado de alguns candidatos e dirigentes do PS, Basílio Horta fez questão de cumprimentar o presidente da autarquia, o social-democrata Fernando Costa. “Ele sabe bem que pode contar connosco”, afiançou, defendendo que a bem do distrito há que deixar as politiquices e os partidarismos de lado. “Eu venho aqui para trabalhar com os empresários, com os trabalhadores, com os pescadores, com os agricultores, é para isso que eu estou aqui, não é para querelas inúteis nem para suportar irritações, seja de quem for”.
Joana Fialho
jfialho@gazetacaldas.com