O Hotel Lisbonense na rubrica Ontem & Hoje

Publicado a 17 de Novembro de 2012 . Na categoria: Breves Correio Leitores Opinião . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Eu, Vincent Craveiro Martins, assinante nº 14799, venho por este meio, em carta aberta, contrariar informações erradas dadas na publicação da Gazeta das Caldas de 2 de Novembro de 2012, na rubrica Ontem & e Hoje, num artigo da autoria da Exma. Senhora Isabel Xavier, referente ao Grand‘ Hotel Lisbonense.
Como interessado nestas matérias do Património Histórico das Caldas da Rainha, li o referido artigo, tendo verificado existir alguma inverdade referente à história do Hotel, o que denota falta de rigor na investigação para a produção do referido artigo, se é que houve.
Merece o artigo os seguintes reparos:
1º No primeiro parágrafo refere que a origem do nome “Lisbonense” dado ao Hotel terá como razão provável a sua localização geográfica, ou seja estar situado na rua Oriental do Passeio (actual Av. Manuel Figueira Freire da Câmara), “zona de entrada da Vila das Caldas para quem vinha de Lisboa”
Não é essa a origem mas sim uma homenagem de Vicente Paramos à sua esposa, Júlia Xavier Paramos, e um tributo à cidade de Lisboa que o acolheu aquando da sua emigração da Galiza Para a capital de Portugal.
2º Vicente Paramos não é oriundo de Tuy, conforme referido no segundo parágrafo que diz “a existência desta unidade hoteleira ficou a dever-se a Vicente Paramos originário de Tuy”. A verdadeira origem de Vicente Paramos é um pequeno povoado de se nome, San Xoán de Paramos, (5 km de distância Tuy) próximo de Guillarei na província da Galiza, Espanha.
Podemos confirmar isso com a própria família Paramos que ainda se encontra com descendência nas Caldas da Rainha.
3º A família já possuía um Hotel na zona de Sintra, é na década de oitenta, e não setenta como está citado no artigo, que esta família veio para as Caldas, abrindo o primeiro Hotel Lisbonense na rua do Olival de Cima nº28 (actual Rua General Queirós), Cito livro de Vasco Trancoso intitulado “Caldas da Rainha: um contributo iconográfico através do bilhete postal ilustrado editado até meados do século XX” . Testemunha de tal é o caro Hermínio de Oliveira, alfarrabista local, de Caldas da Rainha que viveu neste prédio e se recorda de ainda verificar vestígios da passagem do Hotel Lisbonense neste edifício.
4º A data 1890, no portão de entrada do Hotel indica o ano em que se construiu o primeiro edifício do Hotel Lisbonense, a partir desta data sofreu 3 grandes ampliações que iriam até à primeira década de 1900, como se podem verificar em postais publicitários da época e em clichés de Júlio Paramos, filho do fundado do Hotel. De Evidenciar que estas ampliações no tempo foram observadas aquando da demolição das paredes e interior do Hotel.
5º O presidente Óscar Carmona esteve no Hotel Lisbonense não só em 1927, como está referido no artigo, mas também em 1935, aquando da inauguração da estátua da Rainha D. Leonor, tendo almoçado no Hotel, com a companhia da comitiva e o Cardeal Cerejeira, patriarca da Sé e Diocese de Lisboa e Fernando Pessa, jornalista da época, existindo documentos fotográficos em base online do Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa, (código de referência no arquivo: PT/TT/EPJS/SF/001-001/0037/1828J)
6º Vicente Paramos faleceu em 1922 e não em 1933 com referido no artigo, pois na obra: “Grand Hotel Lisbonense de Caldas da Rainha”, de Vincent Craveiro Martins, do ano de 2012 surgem documentos digitalizados tais como Letras bancárias com datas anteriores a 1933, endereçadas a “Viúva e Filhos de Vicente Paramos”, o que sustenta que o ano de falecimento foi 1922. Tal afirmação pode ser confirmada no assento de óbito do ano de 1922, presente no Cartório Paroquial de Caldas da Rainha.
Faço estes reparos humildemente fundamentados com anos de pesquisa e no trabalho que realizei, ainda em contexto académico na ESAD (Escola Superior de Artes Decorativas) e que presentemente se encontra em edição da minha autoria, disponível na Biblioteca Nacional (deposito Legal: PT- 337296/11), na Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha e que eu terei todo o gosto de disponibilizar para qualquer duvida que ainda possam restar.
Sem mais a acrescentar, bem-haja, viva Caldas da Rainha e a história desta “Cidade Termal”.

Vincent Martins

A resposta de Isabel Xavier

Relativamente à carta de Vincent Craveiro Martins a propósito do texto que escrevi sobre o Hotel Lisbonense para a rubrica Ontem e Hoje, publicado na Gazeta das Caldas  de 2 de Novembro de 2012, quero esclarecer os seguintes aspetos:
1º) O conhecimento que fui adquirindo sobre o Hotel Lisbonense provém essencialmente da leitura cuidada da imprensa caldense, principalmente da que corresponde aos finais do século XIX e aos inícios do século XX, com destaque para o jornal O Círculo das Caldas. Também consultei a Gazeta das Caldas para períodos posteriores.
2º) É certo que a informação histórica recolhida através da imprensa pode, por vezes, não merecer total confiança, podendo haver alguma falta de rigor nas notícias dadas nos jornais da época. No entanto, é natural e razoável que se indique Tuy como terra de origem de Vicente Paramos por ser a localidade de referência na zona geográfica em que se insere.
3º) Com mais razão pode (igualmente) ser imputada alguma falta de rigor às informações recolhidas através de entrevistas, principalmente quando elas são prestadas na terceira pessoa e passadas algumas gerações, por mais idóneas que sejam (e são) as pessoas entrevistadas. Quando assim é, normalmente, procura-se cruzar a informação recolhida com outras fontes, por exemplo a imprensa, à falta de documentação mais fidedigna. Aliás, não há informação que deva ser considerada como uma verdade absoluta, que exclua qualquer outra possibilidade alternativa, ou qualquer outra hipótese interpretativa.
4º) Que o primeiro hotel que a família Paramos possuiu nas Caldas da Rainha se situava na rua que veio a chamar-se General Queirós, sabia-o eu bem. Contudo não me pareceu pertinente prestar essa informação num comentário expressamente dedicado a duas imagens do hotel nas instalações situadas junto do Parque.
5ª) A origem da designação “Lisbonense”, avançada da por João B. Serra no livro 21 anos pela História, 2003, Edições PH (p. 214), para além de apresentada por mim como “provável”, parece-me ser bem mais plausível do que a que é defendida por Vincent.
6º) Quanto à indicação da década de 70 do século XIX para a vinda da família Paramos para as Caldas e da década de 80 para a edificação do hotel, baseio-me num texto a que tive acesso através de Leonor Laranjeira, a quem muito agradeço, com dados por ela recolhidos junto da família Paramos. A interpretação que faço da data de 1890 inscrita no portão do Hotel Lisbonense decorre da leitura do jornal O Círculo das Caldas de 11 de Junho de 1893.
7º) Inadvertidamente, escrevi 1933 em vez de 1922 ao referenciar o ano da morte de Vicente Paramos. Do lapso cometido me penalizo e peço desculpa à Gazeta das Caldas e seus leitores, bem como à família Paramos.
8º) O facto de o Presidente da República Óscar Carmona ter estado nas Caldas da Rainha hospedado no Hotel Lisbonense noutras ocasiões para além da que referi, não invalida que tenha estado dessa vez (1927). Como se calcula, presidiu a essa referência um critério de escolha a título de exemplo. Aliás, muitos outros acontecimentos e notícias podiam ser acrescentados aos que refiro. Por exemplo, o almoço servido no Hotel Lisbonense aos congressistas do Primeiro Congresso Internacional de Turismo realizado em Portugal, em 1911, aquando da sua vinda às Caldas; a abertura de uma sucursal do Hotel Lisbonense na Figueira da Foz em julho de 1898; as referências ao Hotel Lisbonense nas revistas e jornais nacionais de que possuo informação, etc. É preciso fazer escolhas, tanto mais quando se pretende evitar um texto demasiado extenso para o fim a que se destinava.
9º) Resta dizer que para o texto que escrevi sobre o Hotel Lisbonense me preocupou essencialmente uma abordagem do significado que esse equipamento turístico foi tendo na vida das Caldas da Rainha, numa análise que fosse (também) para além do hotel, que o contextualizasse. Os espaços e as vicissitudes por que passam dizem muito das localidades em que se inserem e da sua história.
Não quero acabar esta minha resenha sem cumprimentar o Vincent pelo trabalho e pelo esforço que tem colocado em prol do conhecimento do Hotel Lisbonense. Devo, no entanto, alertá-lo para o facto de que isso não deve impedi-lo de reconhecer a validade do estudo que outros têm realizado sobre o mesmo tema. Não atribuo a Vincent nenhumas outras intenções ou más vontades para além das que ele evidencia no texto que escreveu e das que estão implícitas no próprio ato de o ter escrito. Termino, manifestando a minha indisponibilidade para voltar a este assunto mesmo que ele venha a ter futuros desenvolvimentos.

Isabel Xavier

O Orçamento Participativo nas Caldas da Rainha

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Em 2013 o Orçamento Municipal de Caldas da Rainha vai ter uma verba de 150 mil euros para investir em projectos propostos por cidadãos. É justo reconhecer o papel dos dois vereadores do PS na Câmara Municipal que protagonizaram esta proposta. A partir de agora os munícipes têm ao seu dispor uma ferramenta de efectiva proximidade às decisões da Câmara Municipal e uma possibilidade de propor e escolher os projectos onde o Município vai gastar o dinheiro. Pessoalmente, creio que é um bom ponto de partida e o aumento da verba a inscrever anualmente dependerá também do interesse e participação dos cidadãos no processo.
Estamos neste momento em plena discussão do Orçamento Participativo para inscrição do exercício de 2013 e esta primeira discussão padece de alguns problemas e limitações. Todo o processo teve início em 2 de Outubro e as propostas têm de estar aprovadas até final de Novembro, para integrarem em tempo útil o Orçamento Municipal de 2013. Esta compressão dos prazos e aceleramento do processo veio a revelar um conjunto de limitações e contradições que não foram resolvidas nas duas Assembleias Participadas inicialmente previstas, e por pressão da participação dos cidadãos alargadas a uma terceira em benefício da transparência do processo e da efectiva participação dos cidadãos.
Termos um Orçamento Participativo em Caldas da Rainha é um bom ponto de partida para estimular a participação da população. Como também já afirmámos em sede de Assembleia Participada, mais importante do que os resultados, é o desenrolar do processo. Mais importante do que dizer aos cidadãos que o dinheiro é investido em iniciativas propostas por eles, é saber como são escolhidos os projectos, e de que maneira. Por isso foi tão contestada a decisão que a CMCR trouxe à segunda Assembleia Participada, que “matava” a parte mais importante do Orçamento Participativo: a participação activa dos cidadãos e a possibilidade de fazerem escolhas, votando nos 13 projectos concorrentes. Felizmente, os três vereadores presentes lá perceberam, que estavam a “cavar a sepultura” do OP à nascença, e inflectiram caminho aceitando um recuo na rejeição da maioria de projectos e remetendo a decisão para uma terceira sessão da Assembleia Participada.
Mas o OP também é um ponto de chegada. O primeiro OP em Portugal foi realizado em Palmela no ano de 2002. Depois disso outros municípios aderiram a este modelo de estímulo à participação. Podemos citar alguns exemplos: Lisboa, Odemira, Odivelas, Cascais, Oeiras. Como mais recente Aveiro, que na sua primeira experiência de OP teve uma adesão de quase 700 munícipes. A nível mundial, podemos apontar o OP da cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, desde 1987 – é o caso mais estudado por todas as universidades do mundo que se debruçam sobre esta matéria.
Cá por Caldas a discussão pública do OP também tem história. Em 2001, este assunto foi tema recorrente em muitas sessões da Tertúlia Noites da Galáxia, que tinha lugar então na Livraria Galeria Nova Galáxia. Os impulsionadores deste assunto foram o professor António Maria de Sousa, e o ceramista e escultor Armando Correia. Pessoas atentas e cultas, com uma visão cosmopolita do mundo, com perspectivas avançadas da democracia,. É justo também mencionar aqui os contributos do Eng. Lacerda Fonseca, grande conhecedor e estudioso dos temas da participação e do aprofundamento das democracias. Justo também será reconhecer o papel do deputado do BE à Assembleia Municipal, Fernando Rocha, desde sempre um activista do OP.
Creio que devemos reconhecer alguma ingenuidade aos vereadores do PS. A pressa de concretizar um processo participativo em dois meses, quando o mesmo leva cerca de nove meses a um ano, revela também a precipitação de alguém que propôs um modelo sem o estudar. O oportunismo da proposta, em ano pré-eleitoral, é demasiado evidente para virem agora acusar outros de eleitoralismo. E quererem projectar nos outros, o que não conseguem reflectir no seu próprio espelho é deselegante.
É importante que o OP sobreviva ao seu “ano zero” e possa fazer um caminho de acordo com as boas-práticas que têm vingado noutras geografias. Para além das divergências naturais de quem faz política activa e defenda visões diferentes para os mesmos assuntos, é mais importante o caminho colectivo de aprofundamento da democracia. Que esta primeira experiência nos sirva de ensinamento, para transformarmos as limitações deste ano em potencialidades do próximo.

Lino Romão

A responsabilidade social da Sonae

Publicado a 28 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Correio Leitores Opinião . há uma resposta a este artigo.

Ontem deparei-me com uma situação a que não pude ficar indiferente. Aliás, acho que se ficasse indiferente estaria a cometer um grave delito por omissão.
Quando me dirigi ao Continente de Caldas da Rainha para comprar fiambre de peru, verifiquei que as funcionárias punham de lado os cantos do produto (com aproximadamente 350/400g cada). Questionadas sobre esse procedimento, confirmaram a minha suspeita: todas as sobras da charcutaria, os cantos das barras, aparas, frangos assados que não tenham sido vendidos, bem como demais comida ali confeccionada (há sempre uma sopa e um prato do dia e salgados vários) têm como destino o lixo!
Estamos a falar de uma quantidade considerável de comida que é desperdiçada todos os dias, numa empresa que pertence ao grupo Sonae, que se auto-intitula socialmente responsável.
Nem as funcionárias têm autorização para consumir estas sobras, nem para as doar a ninguém.
Se esta atitude é reprovável em todos os tempos, neste tempo que vivemos é completamente condenável!
Ainda mais sabendo que, por força das minhas funções, tenho conhecimento que há habitantes desta área geográfica que, por variadas razões, estão a passar sérias privações.
Vou utilizar todos os meios ao meu dispor para fazer com que o Continente autorize alguma ou algumas IPPS a fazer a recolha desta comida e a entregá-la ou a disponibilizá-la a quem dela precisa!
Peço-vos encarecidamente que façam o mesmo!

Orlanda Pereira Costa

NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à Sonae, convidando-a a replicar, mas não obteve qualquer resposta

Um espaço público num estado deplorável

Publicado a 14 de Outubro de 2012 . Na categoria: Breves Correio Leitores Opinião . há uma resposta a este artigo.

Venho por este meio informar que o jardim público que rodeia o condomínio Vila Pouquet e que é cuidado pelos funcionários da Junta de Freguesia de Santo Onofre encontra-se num estado deplorável conforme se pode verificar nas fotografias em anexo.
É verdade que semanalmente vejo os ditos funcionários no local a regar parte do jardim, mas regando sobretudo os passeios e estrada alcatroada, gastando milhares de litros de água e deixando sistematicamente o jardim mal cuidado.
Resido neste condomínio há três anos e meio e é visível que o jardim se encontra cada vez em pior estado de conservação.
A relva não é cortada em todo o jardim, as plantas e palmeiras não são podadas e cuidadas, há arbustos de ervas daninhas da altura de pessoas adultas, a maior parte do jardim só vê água quando chove (no entanto ela é desperdiçada na estrada e passeios), não há recolha do lixo que aparece no jardim (deixado pelo público que por lá passa… que na verdade também não tem caixotes ou papeleiras disponíveis no local).

Mais sobre Um espaço público (…)

Eu, social-democrata, confesso…

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Nunca se falou tanto de Cidadania. Mais que Ética e Educação é o conjunto de Direitos e Deveres que cada cidadão tem, previstos na Lei. O resto são ideias que podem vir a ser Lei, mas enquanto não o forem, são boas intenções, e todos sabemos qual o local das boas intenções…
Com tantos maus exemplos na História, como tantos ainda não perceberam que os extremismos não podem ser levados a sério como possibilidade de Governo, Sistema ou Regime? Fascismos, ditaduras ou comunismos, não servem para construir uma sociedade livre e democrática. Nem aqueles que são preparados toda a vida para o serviço público estão aptos, pois caem como os mortais (vide família real britânica e espanhola).
Para uma economia e sociedade saudáveis, falta aos ricos e aos governos perceber que é positivo aumentar os ordenados mais baixos. A circulação de capital é positiva, podendo os pobres e classe média consumir ou aplicar em poupança, satisfazendo necessidades, eliminando-se assim a contestação social.
Há que melhorar a política de contratação, com novos líderes e bons profissionais em todas as áreas, ao invés da mentalidade errada que o 9º ano vale tanto como o licenciado, ou que quem tem idade não presta para trabalhar, apenas como desculpa para ordenados baixos, trazendo ineficácia às empresas (às vezes, falência). Talvez falte à Indústria e quota comercial caldense modernizar, formar e inovar.
A situação da formação profissional em Caldas, como no país, não é a melhor, onde muitos não formam adequadamente. Precisamos de formação adequada ao mercado de trabalho, com bons formadores. Em Caldas da Rainha, a oferta é nula em termos de Gestão ou Economia. Defendo ainda que quadros médios e superiores, públicos e privados, façam formação anual, pois muitos estão desfasados das novas realidades (muitos nem sabem ligar um computador).
Em Caldas, há quem defenda que ter poucas chefias é bom. Se forem competentes, sim. É terrível perceber que nas empresas, públicas e privadas, há regras impeditivas à rotatividade de chefias, dificultando aos melhores serem promovidos. Contratar gente sem capacidade e em part-time nos lugares de chefia (Administradores, Diretores, Gerentes), contribui para o afundanço das empresas, associações e região, assim como para o aumento do desemprego (quantos são administradores em dezenas de empresas?). Limite na acumulação de lugares, traria mais emprego e motivação dos trabalhadores, melhor gestão dos processos e não uma gestão “à distância”, conferindo também notoriedade a quem realmente trabalha.
O aumento do IRS ou a agregação de freguesias não resolvem problemas económicos ou políticos. Todos percebemos que o problema não está no Partido ou Ideologia, mas sim nas pessoas: se são honestas, se defendem os interesses do Estado ou os lobbies, se promovem bons profissionais ou os seus amigos. No fundo, mais que um chefe, precisa-se de líderes. E precisamos de Justiça!
Mexer nas PPP, no BPN, Sócrates e outros, são assuntos que a Lei não permite, perdendo o Estado biliões, mas pode-se violar a Constituição para cortar subsídios aos trabalhadores?
Muitos falam em crescimento económico e poucos em desenvolvimento económico. O crescimento é quantitativo e pode não significar melhorias (10 alunos e 10 computadores, ao passar para 15 computadores são 50% de crescimento económico, mas má gestão). Precisamos de Desenvolvimento, ou seja, gerir melhor os recursos humanos e materiais à disposição, não um frenesim de investimento que se pode traduzir em crescimento económico sem atingir metas de desenvolvimento.
Falta formação para viver o mundo que nos rodeia, pois a formação educacional nas escolas é deficitária. Quem sai da escola tem falta de maturidade social.
Defendo a politização das escolas (não a partidarização), pois só assim se construiria uma sociedade culta, que traria melhor gestão da Polis. Como advogamos Cidadania pro-activa se esta não é ensinada? Ser Cidadão do Mundo é muito mais que marchar em manifestações. É preciso saber de Economia, Politica, Sociologia, Psicologia, História, Filosofia e Direito para se ser Cidadão de plenas capacidades. A “escola da Vida” traz o resto.
Portugal vive à direita e pensa à esquerda. Todos querem consumir, mesmo que não tenham capacidade. Todos querem ser ricos, mas não partilhar a sua riqueza. Todos querem respeito pela sua privacidade, mas concordam com o controlo social.
O Capitalismo adormece-nos e desvirtua os nossos ideais, sendo imperativo repensá-lo.

Jorge Santos

Sou professora e estou indignada

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Estou indignada com os governantes, conselheiros e “eminências pardas” do meu país (e não é de agora).
Estou indignada com algumas expressões do primeiro ministro (“que se lixem”)
Estou indignada por muitos portugueses ainda não estarem indignados.
Estou indignada com os alunos que continuam em não valorizar a escola, de que dependem, para serem cidadãos respeitados e conscientes.
Estou indignada por não respeitarem os professores, auxiliares e seus colegas.
Estou indignada por ter alunos que andam na escola há pelo menos nove anos e nem sequer conseguiram aprender como comportar-se numa aula.
Estou indignada com o vocabulário que os alunos usam na sala de aula, expressões de calão para disfarçar linguagem asneirenta.
Estou indignada com a falência do papel da família e as consequências que tem na vida escolar e na sociedade.
Estou indignada por os alunos não considerarem a sua família, desconhecendo muito do que lhes é relativo.
Estou indignada por as escolas públicas da minha cidade terem horários Zero enquanto o Colégio, financiado por dinheiro dos contribuintes, está sobrelotado. Os impostos dos professores efetivos da escola pública pagam o seu futuro desemprego.
Estou indignada por haver professores da escola pública que matriculam os seus filhos no Colégio, cavando a sua própria sepultura (eles lá sabem).
Estou indignada com os cartazes das manifestações, mas aplaudo as manifestações.
Gostava que o toque a reunir de mobilização nacional não fosse “Que se lixe a Troika”, por ser calão e por não ser a Troika que devemos culpabilizar.
Por estar indignada fui ontem (29 de Setembro) à manifestação e fiquei ainda mais indignada com o que li e ouvi.
As palavras de ordem de outros tempos, tão galvanizadoras, tão cheias de significado, tão corretas, deram lugar ao mau gosto, à brejeirice rasca, à asneira gratuita.
Uma menina erguia um cartaz que dizia “Coelho se tens c… não concorras às próximas eleições” enquanto a mãe orgulhosa a protegia com um braço por cima dos ombros.
Crianças que exibem cartazes obscenos com a conivência dos pais são potenciais fontes de problemas na escola, julgando que podem dizer tudo nas aulas aos seus professores porque os pais até apoiam.
Um membro do meu sindicato gritava no megafone frases ridículas como
“Há uma linha que nos separa do Coelho e do Gaspar, é a bola de Berlim que nos deixa sem ar”. Felizmente que quem desfilava não repetia.
Atrás, ouvia outra palavra de ordem que se referia ao “coelhinho” e outras infantilidades.
Cartazes a mandarem os nossos governantes para os mais variados sítios e nenhum recomendável numa manifestação de trabalhadores, de cidadãos eleitores que se querem responsáveis. O único sítio para o qual devem ser mandados é “para a rua”.
“Fora com o FMI”, foi outra das palavras de ordem mais ouvidas. Mas, será que quem diz estas frases sabe o seu significado?
Fora com quem não pediu para entrar? Fora com quem veio financiar?
Fora com quem tem garantido o pagamento do meu salário?
Um dos eternos problemas dos portugueses é a culpa, a qual é sempre dos outros e nunca nossa. É sempre da “sociedade”, dos “patrões”, dos “trabalhadores”, do “atual governo”, do “governo anterior”, do “25 de Abril”, do “rei Afonso Henriques”.
Desci os Restauradores até ao Terreiro do Paço com vontade de “sair dali” por ouvir tanto disparate de professores que proferiam frases inadmissíveis.
Quem quer ser respeitado tem que se dar ao respeito.
Depois dos pais e alunos lerem e ouvirem os protestos dos professores na rua, o que é que vão pensar e dizer de nós?!
Como é que lhes vamos exigir respeito pela instituição escolar, pelos seus professores quando insultamos gratuitamente e publicamente os nossos governantes?!
Se estamos indignados enquanto professores, se estamos desesperados enquanto cidadãos, isso não pode levar a que percamos a nossa dignidade com estes protestos obscenos e ridículos.
Quando finalmente cheguei ao Terreiro do Paço já o comício estava no fim.
Ainda ouvi o hino da Intersindical, a Internacional e o Hino Nacional.
Desde há uns tempos que sinto que as letras destes hinos estão ultrapassadas e que era necessário dar-lhes uma atualização. Os tempos mudaram, é um facto.
Porém, ultimamente, mudaram para pior, e, de repente a célebre frase “do trabalho contra o capital” ganhou novamente sentido e, para mim, até um novo sentido. Não por estar contra o capitalismo enquanto sistema económico e político, mas por estar contra o capitalismo financeiro improdutivo e pela desvalorização do fator trabalho, pela diminuição do seu preço. Quando pensávamos que o salário mínimo deveria aumentar para proporcionar melhores condições de vida aos trabalhadores menos qualificados, assistimos a jovens licenciados a ganharem menos que o salário mínimo estabelecido.
Estou indignada. Muito indignada com o meu país.

Cristina Mendonça de Sousa

In memoriam: ao amigo e colega professor Coutinho

Publicado a 28 de Setembro de 2012 . Na categoria: Breves Correio Leitores Opinião . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Sendo sempre estúpida a morte, a tua foi-no por maioria de razões.
Esperavas estar a fazer o que era o bem, minorar o sofrimento inútil de um cão acorrentado, libertando-o, e veio o reverso trágico de uma recompensa.
A nebulosa que envolve o que nesse transe fatídico ocorreu, há-de dissipar-se e fazer-se luz. Se crime houve, que a justiça puna o seu autor com exemplaridade. Mas o irreparável da tua morte, Coutinho, fica a gritar para sempre o seu sem-sentido.
Guardo de ti a verticalidade das tuas atitudes, destemidas, ousadas, como uma herança que fica a pairar na memória dos que te conheceram, convocando-as à sã rebeldia que animou a tua vida.
O teu espírito livre, dissidente e desassombrado, sobretudo em relação ao que bulia com a tua consciência, foi a bandeira que a tua vida desfraldou, e por isso foste, muitas vezes, malquisto ou mal interpretado.
Essa independência pessoal ciosa congraçava ao mesmo tempo com o sentido do outro, que nunca querias importunar por nada deste mundo.
Como exemplo, relato o que um amigo comum (o Baptista) me disse: “aconteceu que um dia, quando convidei o Coutinho para uma viagem no seu carro, ele recusou (para não ser incómodo àqueles com quem viajava), dizendo: vou no meu carro, um samurai acompanha-se sempre do seu cavalo”.
A par destes traços de personalidade, ressumava a tua presença uma imensa bonomia e ternura: tinhas o sentido da amizade e da camaradagem bem vivas.
O mesmo se verificava em relação aos animais, que estimavas como se humanos fossem. A história do cão que querias salvar toma aqui o seu sentido. Ou o seu sem-sentido, da morte por um cão.
À família enlutada, os meus sentidos pêsames.

Vasco Tomás

Falecimento do Doutor Miguel Montenegro de Andrade

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Faleceu aos 93 anos o Doutor Miguel Montenegro de Andrade, Professor Catedrático de Mineralogia e Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e um bom amigo do concelho das Caldas da Rainha.
Embora só com grande atraso tenha a notícia chegado ao nosso conhecimento, julgo, mesmo assim, que deve esta Assembleia manifestar o seu voto de pesar, bem como apresentar à família as devidas condolências.
Este ilustre homem de ciência, doutorou-se em Ciências Geológicas tendo leccionado nas Universidades de Coimbra e depois no Porto, onde chegou a Professor Catedrático em 1962. Na Universidade do Porto deu aulas a mais de uma geração de alunos e foi director do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico, ao mesmo tempo que foi investigador e publicou dezenas de trabalhos científicos, alguns dos quais sobre a região caldense e suas áreas limítrofes.
Passou à situação de Professor Jubilado em 1992 e com uma mais ampla liberdade, mobilizou o seu velho entusiasmo para continuar incessantes buscas e pesquisas, mais em particular na área das Caldas e por todo o nosso oeste estremenho, a zona da sua predilecção, pela qual desde à muitos anos se apaixonara sem reservas.
Natural de Santo Tirso, coube ao acaso trazê-lo até Tornada, que considerou sua terra adoptiva. Aqui fez a sua base logística, de onde partia à descoberta das riquezas mineralógicas e geológicas do concelho das Caldas e áreas circundantes. Pesquisador inato, sabedor, percorreu durante anos a fio cumeadas e arribas, grutas e pedreiras, em todo o lado procurando e colhendo amostras da sua especialidade. A ele se deve a descoberta de  verdadeiras raridades mineralógicas e geológicas e a preservação de algumas autenticas jóias naturais. Exemplares que hoje são belas peças de Museu ou enriquecem valiosas colecções didácticas, distribuídas às escolas.
É neste contexto, que o Professor Montenegro de Andrade descobre, no início dos anos 70, as Grutas de Salir do Porto, embora com acesso restrito a bem da sua conservação, não deixam de ser um ex-libris desta localidade. Embora de dimensão mais modesta que a das suas congéneres da Serra d’Aire, as Grutas de Salir do Porto são todavia belíssimas, admiráveis em pormenores raros ou inéditos, cuja existência não se verifica nas suas irmãs de maior tamanho, onde a natureza não se apurou da mesma forma. Inestimável património, foi obra e mérito do Professor Montenegro de Andrade ter descoberto e trazido ao conhecimento público a existência do que constitui uma dádiva valiosa e perene oferecida à Freguesia de Salir do Porto e ao concelho das Caldas da Rainha.
Por este motivo, a Junta de Freguesia de Salir do Porto lhe dedicou uma Rua com  o seu nome. Pela mesma razão, se outras mais não houvesse – e houve, sem dúvida, a nível da divulgação das Caldas no meio académico e cientifico e da sua esclarecida e activa postura na defesa local dos valores ambientais e ecológicos, foi o Professor Doutor Miguel Montenegro de Andrade credor do nosso apreço e reconhecimento, pelo que, além dos pêsames à família, é de justiça que à sua memória dediquemos este momento de singela homenagem.

Abílio Luís
Presidente da Junta de Freguesia de Salir do Porto

O abastecimento de água na Serra do Bouro

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Permita-me que, por meio do jornal que V. Exa. dirige, faça uma pergunta pública:
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha garante a salubridade da água distribuída pela rede pública dos Serviços Municipalizados, em toda a sua extensão e apesar das rupturas frequentes que aparecem na canalização pública por manifesta falta de manutenção e de investimento na sua reconstrução?
Já fiz directamente este pergunta por escrito aos Serviços Municipalizados e não tive resposta.
E a sua justificação é simples: no passado dia 28 de Agosto, ao princípio da tarde, a água que me saía das torneiras (moro no Cabeço da Vela, na Serra do Bouro) começou a ficar com cor terrosa. Pouco depois, abria-se mais uma ruptura na canalização.
As rupturas, como tantas vezes se vê pelas zonas de água à superfície, não acontecem de repente. A canalização, velha e revelha, vai abrindo. Durante um tempo indeterminado, a água que chega às torneiras domésticas está em contacto directo com a terra, a poeira e toda a espécie de micro-organismos e porcarias que se encontram no solo. E essa água é salubre? Pode ser bebida em condições de segurança?
Não basta ter exames feitos que não consideram o efeito das fissuras da canalização!
E, já agora, há que acrescentar que depois da ruptura, ficou mais um remendo na rua. O remendo é de terra batida e já se nota que o buraco está a abrir-se por efeito da passagem de toda a espécie de veículos.
É o 24º remendo numa rua de 1600 metros de comprimento e onde só mil metros ainda mantêm uma pálida imagem do alcatrão que em tempos os cobriu depois de terem recebido, ao longo dos anos, um total de 23 remendos destinados a tapar mais do que 23 rupturas.
A exorbitância que pagamos aos Serviços Municipalizados pela água de duvidosa salubridade que bebemos devia ser utilizada para resolver este tipo de problemas!

Pedro Garcia Rosado

NR- Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à Câmara das Caldas, convidando-a a replicar ou comentar, mas não obteve resposta.

O abastecimento de água no Chão da Parada

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Venho por este meio denunciar o que se passa no Chão da Parada, relativamente ao abastecimento de água e de electricidade!
É rara a semana, em que os cortes destes serviços não acontecem!
Sou morador a tempo inteiro, no Chão da Parada, desde 2008.
Ainda hoje, dia 21/09/2012, a água que saía das torneiras, esteve durante bastante tempo a sair  castanha, impossibilitando qualquer utente de a utilizar!
Relativamente ao fornecimento de electricidade, passa-se o mesmo, os cortes são frequentes, deixando os habitantes em estado de “choque”, temendo por ficar com os produtos, que têm no frigorífico, nas arcas congeladoras e os aparelhos eléctricos (TV, computadores, etc,) fiquem danificados!
A propósito, recebi agora a factura dos Serviços Municipalizados, referente ao consumo de água, (10/08/2012 a 14/09/ 2012). É de 56,85 euros e o valor de diversos é de 41,20 euros!
Meus senhores, não sei exactamente a que diz respeito estes diversos, mas a verdade é esta: com o valor destes diversos (41,20 euros), não seria para termos uma qualidade de serviços, sem reclamações  da parte dos consumidores?

Fernando Santa-Bárbara

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