Uma questão de aviário ou a passarada de Rafael

Publicado a 25 de Maio de 2012 . Na categoria: Destaque Opinião Painel . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Um dos temas que, recentemente, mais tem ocupado as páginas dos jornais, o tempo das televisões e a atenção dos bloguistas, é a ovocultura.
Espantoso assunto para um país que se encontra na bancarrota!
Pelo que me foi dado perceber, há cerca de doze anos, a União Europeia legislou sobre as condições de habitabilidade das galinhas poedeiras com o objectivo de garantir o direito destes animais a viverem em boas condições de espaço e de salubridade, por respeito pela respectiva qualidade de vida, pela qualidade dos seus ovos e, em última análise, pela segurança alimentar e pela saúde pública.
Como é usual no nosso país, todas as entidades envolvidas permitiram que o atraso atingisse o limite do aceitável no que respeita à aplicação das medidas impostas pelos regulamentos europeus a este sector de actividade. Neste momento de crise generalizada e de escassez de liquidez, os avicultores encontram-se, parece, na impossibilidade de cumprirem a lei, correndo-se o risco da eliminação dos galináceos e, consequentemente, de nos faltarem os ovos.
E, ironia das ironias, tudo isto se passa numa área de negócio em que Portugal tem sido mais do que meramente auto-suficiente, uma vez que chega a exportar o excedente da produção para países de galinhas menos proficientes na sua postura …
Longe de mim pôr em causa a necessidade de optimização das condições das galinhas poedeiras. E os porcos? Em que condições se permite que (sobre)vivam? E os coelhos? Nenhum destes grupos de animais importa, meramente porque não põem ovos? E a questãozinha da saúde pública? Umas vezes sim, outras nem tanto?…
Está visto que não percebo nada destes assuntos. Contudo, a ignorância não apaga a preocupação.
Agora o que eu sei é que no seu último jornal, «A Paródia», Rafael Bordalo Pinheiro retratou o estado da economia de um modo magistral e com uma actualidade impressionante; desenhou uma galinha a que chamou «A Economia – a Galinha Choca».

Mais sobre Uma questão de (…)

A maior rua das Caldas não tem esgotos

Publicado a 16 de Março de 2012 . Na categoria: Breves Correio Leitores Opinião . há uma resposta a este artigo.

Sou uma cidadã caldense e venho expor o seguinte: resido em Caldas da Rainha, na Rua Carreira do Gado, por sinal a maior rua desta cidade, dado que se inicia na Lagoa Parceira, e acaba em Tornada.
Tem esta rua este nome em homenagem à família Gama, que atravessava este percurso para levar o gado à pastagem!
Contudo, a indignação dos moradores de tamanha rua é que nela não existem esgotos!
Já foi exposto perante a autarquia, e também perante a Junta de Freguesia Nª Srª do Pópulo, esta situação, e nada nos é informado, em concreto, por quem de direito.
Gostava de salientar que como homenagem à família Gama, tivessem escolhido este nome horroroso… Mas já que o escolheram, então também devem dignificá-la e fazer com que os moradores nela se sintam bem, tendo o direito de qualquer cidadão a que sejam postos os esgotos necessários.
Com o devido respeito, face à notória eficácia desse prestigiado jornal Gazeta das Caldas, gostava que publicassem esta nota para ver se nos ajudam a resolver este problema. Não se compreende que em pleno século XXI ainda aconteça esta situação, numa rua tão afamada que é, como já referi, a maior desta cidade!

Isabel Coutinho

NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta à Câmara das Caldas da Rainha, convidando-a a comentar, mas não obteve qualquer resposta por parte da autarquia.

«Coincidências Voluntárias» de Rocha de Sousa

Publicado a . Na categoria: Breves Opinião Rubricas Semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Rocha de Sousa (n. 1938) retoma alguns dos seus temas de sempre. Comecemos pela origem do título: «Durante as minhas incursões em diferentes campos operativos de carácter artístico, assumi na primeira exposição da AICA (Secção Portuguesa) a condição paralela de pintor e de crítico de arte, pela base demonstrativa de um quadro meu baptizado com o título Coincidências Voluntárias». Depois a possível definição do que é um quadro: «Todos os quadros são projectos falhados no mais nobre sentido da expressão – são uma soma de destruições, segundo a palavra cintilante de Picasso, e eu entendo-os em parte assim, sentimentos, recomeços, dilacerações, uma luta contra a indiferença».
Pintor e crítico de arte, eclético e sonhador, este autor foi também jornalista: «alcancei por mero acaso a área do poder transitando do Jornal do Fundão para um jornal da tarde, o Diário de Lisboa. Foi um bom tempo de aprendizagem, sob a vista afiada do Vítor Silva Tavares e do escritor José Cardos Pires».  As mudanças no mundo da Arte do século XX dão origem a um comentário: «Nunca a arte sofreu tão profundas e consequentes mudanças. Claro que não é difícil apontar causas de ordem tecnológica e técnica, o advento da fotografia, o cinema, imperativos sociológicos e culturais». A memória da guerra está também presente: «estivera nessa guerras sem nome e sem préstimo, pelas picadas de Angola, logo no início do pesadelo em 61, ouvindo os estalos das balas cortando o ar por cima das cabeças e vendo no pó, na orla dos ataques, o medo dos meus colegas traduzido pela linguagem das rajadas de disparos em resposta, cada pontaria ao caso para dentro da floresta, cabrões a romper as gargantas, insultos inúteis de quem nos mobilizava durante vinte minutos contra a margem terrosa do capim».  Voltando ao princípio, um desafio: «A obra de arte é um espaço do desejo, da comunicação e da revolta»  – disse o autor num papel para os alunos nas Belas Artes.
(Editora: Edita-me, Capa: Miguel Ministro, Revisão: Patrícia Figueiredo)

José do Carmo Francisco

Em 2003 requeri à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, ao abrigo do estatuto de deficiente, um lugar de estacionamento para o meu carro, na rua Maria Ernestina Martins Pereira.
O pedido foi deferido em 03/06/2003 Ref. 7258.
Só passado dois meses veio o então responsável (chefe Sousa) pelo pelouro de trânsito indicar o sítio onde ficava o carro. Acontece que passados cerca de três meses a placa foi removida, sem qualquer justificação, para o Largo João de Deus.
O lugar anteriormente ocupado pelo meu carro tem sido utilizado continuamente pelos meus vizinhos, como de parqueamento privado se tratasse, para as suas quatro viaturas.
Caberá perguntar: será que os procedimentos legais não devem ser respeitados, nomeadamente, por quem tem a obrigação de os aplicar?
Perante a situação descrita e tentando obter resposta à pergunta anteriormente formulada, enviei várias cartas ao Sr. Presidente da Câmara Municipal, para as quais não obtive qualquer resposta.
É de lamentar que sejam concedidos discricionariamente direitos a quem legalmente não os tem e sejam prepotentemente só negados a quem os tem.
Com efeito, em virtude de ser deficiente, a lei inequivocamente concede-me o direito de dispor de um lugar para o estacionamento da minha viatura o mais próximo possível da minha residência.
O que apenas pretendo é o exercício desse direito.
Lamento, profundamente, que numa sociedade democrática ainda subsistam tiques de autoritarismo totalitário que levam a que de uma forma discricionária e prepotente não sejam minimamente respeitados os direitos que a lei consagra.

Allan de Sousa

NR – O nosso jornal fez chegar cópia desta carta à Câmara Municipal para que esta se pronunciasse, mas não obtivemos qualquer resposta.

«A Monarquia do Norte» de Rocha Martins

Publicado a 8 de Março de 2012 . Na categoria: Opinião Rubricas Semanais . Seja o primeiro a comentar este artigo.

Esta obra em dois volumes corresponde à reedição actual do trabalho do jornalista Rocha Martins (1879-1952) que era vivo ao tempo dos acontecimentos e entrevistou alguns dos protagonistas duma época em que se tentou de novo estabelecer a Monarquia em Portugal. Em 19 de Janeiro de 1919, um grupo de militares e civis, chefiados por Henrique Paiva Couceiro, proclamou a Monarquia no Porto. Paiva Couceiro estava contra as atitudes internacionalistas dos Governos da I República e avançou com um grupo de conservadores, ex-republicanos e monárquicos para uma acção que definiu como patriótica e nacionalista. O rei D. Manuel II nunca sancionou nem incentivou essa revolta. Esse foi um dos factores que contribuíram para a derrota de Paiva Couceiro e, a prazo, para a ascensão ao poder do Partido Democrático.
Tal como na actualidade, era a classe média que em 1919 tudo ia aguentando: «Todos os dias apareciam novas casas de crédito; os palácios magníficos em que se transformavam os casarões pombalinos da Baixa eram todos templos do Dinheiro; um luxo desordenado se arvorava e os proletários unidos, sindicalizados, venciam nas suas reclamações, indo afectar a classe média, a escravizada, a esfaimada, mercê da sua inércia. O grande camartelo, o pilão rijo dos magnatas especuladores, descia sobre a bigorna do Trabalho, mas no meio encontrava falripas, palhas, destroços, um mundo enorme de desditosos que constituía um heterogéneo vazadouro: era a classe média».
Jornalista que nuca deixou de o ser (Diário Popular, A Vanguarda, Jornal da Noite, Ilustração Portuguesa) foi na República depois de 1945 que José Rocha Martins viu os seus artigos gritados pelos ardinas – «Fala o Rocha, tá o Salazar à brocha!». Nestes dois volumes se faz História e se pratica com brilhantismo a suprema arte da reportagem.
(Editora: Bonecos Rebeldes, Capa: Fernando Martins, Revisão: António Bárcia)

José do Carmo Francisco

CHON: entre o som e a fúria

Publicado a 2 de Março de 2012 . Na categoria: Breves Correio Leitores Opinião . Seja o primeiro a comentar este artigo.

O poder dos Estados democráticos requer não apenas que o seu princípio de legitimação seja o voto como também que no seu exercício se proceda à divulgação no espaço público das matérias que se encontram em processo de elaboração para posterior legislação.
Só assim a participação pública pode exercer o seu direito de opinião e de proposta para que as soluções encontradas não fiquem sujeitas à tirania do curto e sejam criadoras do mais largo consenso esclarecido.
Neste quadro geral, considero que, no tocante à matéria da reorganização da saúde no âmbito regional, que se liga directamente com o estatuto do CHON, fomos postos perante um enorme véu de ignorância, sem informação fundamentada da proposta do Governo, que alimenta suspeitas, equívocos, precipitações que só contribuem para a erosão da imagem do actual Governo e do poder autárquico, na sua dança titubeante em que conta a verdade e o seu contrário.
É plausível pensar que a nível central paire indefinição e incerteza a nível conceptual quanto ao que deve ser feito, a que se acresce a precipitação voluntarista de ir para a frente com uma decisão tomada com base no medo do Titã (Troika) e numa fé economicista de curto prazo.
Mas isso deveria constituir razão acrescida para aquele, mostrando capacidade para converter o disjuntivo “isto ou aquilo” no aditivo “isto e aquilo”, partilhar com o poder regional, com os trabalhadores hospitalares (cujo ponto de vista feito de experiência concreta e saber é um dado fundamental em toda a apreciação), com a comunidade local todos os aspectos atinentes à dita reorganização.
Assim, a tecnicidade e complexidade do assunto exigiria que o decisor político procurasse a obtenção do mais amplo consenso, através de uma deliberação no espaço público.
Não tem sido neste sentido que o poder central se tem orientado. Como se comprova pela actuação que a Câmara de Peniche tomou, ao surgirem rumores na comunicação social sobre a reorganização da saúde, de pedir por duas vezes (há quatro e há três meses) uma audiência ao ministro da Saúde, mas sem ter recebido resposta.
A justeza da atitude da Câmara de Peniche, leva-me a interrogar se a autarquia das Caldas teve idêntico procedimento. O que é certo é que, nas últimas duas semanas, esta, directa ou indirectamente, desmultiplicou-se numa série de iniciativas políticas, que a Gazeta das Caldas divulgou nas suas duas últimas edições: um comunicado da Comissão Política do PSD; a realização de uma Assembleia Municipal, no dia 21 de Fevereiro (note-se que por convocatória do PS); e uma conferência de imprensa da Câmara, no dia 20 de Fevereiro.
Considero que há vários aspectos positivos do conteúdo divulgado, nomeadamente o empenhamento da Câmara em ser parte activa da solução do Termal e o apelo a todos os partidos na defesa do Hospital, se possível enriquecido com novas valências. É um bom ponto de partida a assumir na prática concreta e continuada.
Mas considero que esta atitude da Câmara é tardia, na medida em que não surgiu como iniciativa autónoma e só foi tomada para responder aos desafios da oposição e para dar sequência ao pedido de uma audiência ao ministro da Saúde, com carácter de urgência, tomada na reunião do Conselho Executivo da Comunidade Intermunicipal do Oeste, a 9 de Fevereiro.
Dado que as notícias da comunicação social sobre o encerramento de valências hospitalares e unificação da gestão hospitalar no âmbito do CHO (Centro Hospitalar do Oeste), sediado em Torres Vedras, se iniciaram já há cerca de quatro meses, interrogo-me como munícipe se tal facto não terá preocupado a autarquia.
E se a resposta for positiva, então o que fez? Limitou-se a esperar ou a olhar para o lado? Ou pediu alguma audiência como o senhor ministro da Saúde? E se essa entrevista foi pedida, porque não foi divulgada? E se nada se fez, pelo menos porque não foram informados os munícipes no site da Câmara da reunião da Comunidade Intermunicipal do Oeste referida, a 9 de Fevereiro, onde o senhor Presidente esteva presente e onde, face às perplexidade sobre o novo enquadramento da saúde regional, se pediu uma audiência ao senhor ministro?
Interrogo-me também, em face da atitude contemporizadora expressa no comunicado da comissão política do PSD em relação às posições do poder central quanto ao novo regime do Hospital, como pôde o Presidente da Câmara afirmar na reunião da Assembleia Municipal que a gestão daquele ficaria nas Caldas e algumas valências seriam reforçadas?
Que valor têm estas afirmações quando se sabe que o novo modelo de gestão será unificado no CHO, a sediar em Torres Vedras, tal como se depreende da comunicado da Comissão Municipal de Acompanhamento do Hospital de Peniche de 15 do corrente? (cf. última edição da Gazeta). Trata-se de expressar um estado de alma do senhor Presidente ou há alguma informação credível que garanta a convicção expressa?
Concluindo: no meio desta confusão voluntária, alguma tramóia se vai urdindo no Olimpo, com a prepotência encapotada por um sentido oportunista por parte da ARS de descer às bases para informar do inelutável, com retoques que não alterem a substância.
A Câmara não teve uma visão estratégica sobre o assunto, tomando a iniciativa de se apresentar ao Ministério da Saúde como um interlocutor com um plano próprio sobre o assunto, assumido com a oposição, ficando assim na dependência da decisão central e limitando-se a um esforço, ainda assim meritório, de minorar os males.
É este o sentido principal das afirmações prestadas nos auditórios referidos pelo senhor Presidente da Câmara, em que se distingue, a custo, o certo do provável ou do hipotético.
O poder local, que emana dos munícipes, desligitima-se in actu sempre que não faz valer a força das suas razões e se submete contra-natura à teimosia do pater famílias, que decide que assim é porque assim tem de ser, apenas e só.
Não terá isso acontecido mais uma vez por inércia de quem está no terreno?

Vasco Tomás

Tolerância de ponto I

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Na minha qualidade de leitor semanal do vosso jornal desde 1966 não pude deixar de ficar surpreendido ao ler A Semana do Zé Povinho onde é feita uma relação de coerência entre o presidente desta autarquia e de outras no que se refere à tolerância de ponto dia de Carnaval. Passo a citar: toda a questão que deu origem  a uma seta para cima, questionando-me se estaria o nosso jornal a prestar uma boa informação aos seus leitores no qual me incluo semanalmente desde 1966. Isto ao comparar o Dr. Fernando Costa a outros presidentes que, esses sim, decretaram tolerância de ponto nas suas autarquias.
Mas mais: a ser correcta a informação da Gazeta, que motivos teriam existido para que se tivesse exigido tamanho esforço aos participantes no corso carnavalesco, obrigando o desfile na noite de sábado e às 15 horas de Domingo?
Concluo agradecendo uma melhor explicação do nosso jornal pois ao que parece não terá sido decretada nenhuma tolerância oficial de ponto. E assim sendo, o Dr. Fernando Costa deveria ser incluído naqueles que não mandaram às malvas a atitude déspota, insensível e cinzenta do primeiro ministro….
Com os meus cumprimentos de leitor assíduo.

António Henriques Barros

O direito e o dever a aprender – a aprendizagem ao longo da vida

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São conhecidos os pontos fortes e os pontos fracos do actual modelo de educação e formação de adultos. Apesar dos problemas que ele enfrenta, nomeadamente, o de se olhar para a educação e formação de adultos como se só existisse a valência de Reconhecimento e Validação de Competências, o que não corresponde de todo à realidade, a verdade é que estamos no início de uma anunciada e profunda mudança de práticas políticas de educação e de formação de adultos, as quais, em princípio, irão ser divulgadas até ao final do presente ano lectivo, havendo a expectativa de que as mesmas sejam alavancadas num efectivo, funcional, e proficiente sistema de Aprendizagem ao Longo da Vida.
As expectativas é que esse futuro sistema seja apoiado na criação/reforço das Redes Locais para a Qualificação, as quais se deverão afirmar através de arranjos institucionais locais, de geometria variável, aproveitando o significativo capital humano e social acumulado, visando uma acção colaborativa capaz de mobilizar conhecimentos, recursos (até aqui dispersos, ou exclusivamente comunitários), assumindo uma participação/acção de co-responsabilidade activa na implementação, local e regional, de Aprendizagem ao Longo da Vida, genuína e para todos.
Uma das vias possíveis para corresponder à importância estratégica da educação e da formação para o desenvolvimento de uma sociedade e de uma economia do conhecimento (Cf. Agenda de Lisboa, 2000), é proceder-se à avaliação dos programas de formação e educação de adultos implementados na última década, desenvolver uma reflexão crítica dos seus resultados, corrigir as suas disfuncionalidades, reconhecer as boas práticas e, tendo presente os objectivos da Estratégia Europa 2020 (European Cooperation in Education and Training-ECET/suporte para a cooperação europeia em educação e formação), implementar políticas continuadas e consequentes de Aprendizagem ao Longo da Vida em todo o território nacional e junto das nossas comunidades de emigrantes.
A Comissão Europeia entende por Aprendizagem ao Longo da Vida “todas as actividades de aprendizagem ao longo da vida, com o propósito de melhorar conhecimentos, aptidões e competências a nível pessoal, cívico ou profissional”, pressupondo estas actividades a disponibilidade de serviços de aconselhamento e orientação, de modo a apoiarem, ao longo de toda a vida, o percurso de aprendizagem e de formação individual de todos os cidadãos.
As baixas taxas de natalidade, em quase todos os países europeus, e o envelhecimento demográfico da população, aliados à crescente globalização dos mercados de trabalho e da imposição da sociedade de informação (v.g. redes sociais), obrigarão os governos nacionais a partilharem, de forma mais efectiva, a sua soberania, agora também no âmbito das políticas educativas, com especial enfâse no domínio da educação e formação de adultos.
O impacto da decisão de cedência de soberania, potenciará a afirmação de redes de Educação e Formação de Adultos, consistentes e insistentes, as quais têm como grande e mobilizador desafio o fomento e a implementação de práticas formativas, possibilitadoras do combate impiedoso às iliteracias, e da construção de práticas formativas profissionais, capazes de dinamizarem o empreendorismo e a criação de emprego.
Terá de ser uma vaga, mobilizadora de uma nova oportunidade, de um novo paradigma, pronunciada pelo lema dialógico do direito a aprender que a todos os cidadãos assiste, e do dever de aprender que a todos deve acompanhar.
O recente Seminário “Aprendizagem ao Longo da Vida: dificuldades e desafios”, realizado em Lisboa, resultante da louvável e corajosa iniciativa da Universidade Católica/Going Lifelong Learning, teve também o mérito de apontar alguns caminhos que deverão ser tidos em consideração pelos Ministérios da Educação e da Economia de Portugal, para efeitos do futuro/próximo enquadramento legal e operacional da educação e formação de adultos.
Desde logo, a necessidade de potenciar a criação de emprego, implementando uma cultura de formação e de autoformação, através da criação de Centros, ou Redes de Centros de Aprendizagem ao Longo da Vida (CALV);
Deverá possibilitar o fomento de uma “Oportunidades Contínuas”, para todos os cidadãos, baseadas no compromisso do “direito e o dever de aprender”, originando a vulgarização de práticas de “good will”;
Deverá favorecer a constituição, ou reconstituição, de Centros de Aprendizagem ao Longo da Vida, visando a literacia de jovens, adultos e seniores, constituindo-se tais centros como organizações formais, verdadeiras plataformas geradoras de indução de aprendizagens e de recursos formativos;
Empreender a construção de uma eficiente e proficiente Rede Nacional de Educação e Formação de Adultos, possibilitadora de uma continuada Aprendizagem ao Longo da Vida.
O sucesso deste desafio será assegurado se o mesmo for objecto de uma aposta política consensual, forte e despartidarizada, na sua implementação e consolidação, eficaz na sua sustentabilidade, e rigorosa na sua avaliação.
Os poderes locais e as empresas assumem aqui uma importância estratégica fundamental, quer na definição de programas formativos (para cidadãos activos e desempregados), quer na sustentabilidade dos mesmos, garantindo, com sucesso, níveis mais elevados de participação, de correlação socioeconómica e, consequentemente, de responsabilidade e interacção políticas.
Para esta discussão convém não esquecer o histórico do que foi, e tem sido, a educação e formação de adultos em Portugal, corrigindo as suas fragilidades e distorções, aproveitando as suas mais-valias e os seus predicados, de modo a que consigamos combinar, integralmente, a articulação em rede da Educação e Formação de Adultos, mantendo o Reconhecimento e Validação de Competências; com a formação presencial/profissional; com a formação “a distância”(E-Learning e B-Learning) ; com a dotação das condições técnico-financeiras necessárias para o sucesso dos Centros de Aprendizagem ao Longo da Vida, geridos por lideranças mobilizadoras, leves, desburocratizadoras e capazes de estimularem e motivarem a afirmação de uma nova respublica.
Por último, a questão que se coloca, na perspectiva da realização de uma reflexão que possibilite a definição de uma rede de Entidades que promovam boas práticas (good will), de educação e formação de adultos, é a de saber como é que a região Oeste vai enfrentar esta mudança de paradigma. Será de recomendar uma reflexão a ser feita com a participação de todas as entidades (e seus profissionais), que, nos últimos anos, desenvolveram projectos de educação e formação de adultos, ao nível de Registo e Validação de Competências, nomeadamente, os que se encontram sediados em escolas (D. Pedro em Alcobaça; Agrupamento de Escolas Fernão do Pó, no Bombarral; Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro das Caldas da Rainha; Agrupamento de Escolas da Lourinhã; Escola Secundária de Peniche; Escola Secundária Henrique Nogueira, de Torres Vedras), e os geridos por Centros de Formação, como o CENCAL (com núcleos em Alcobaça, nas Caldas da Rainha e na Marinha Grande), e a CERCINA, em Peniche.
Para esta discussão devemos ainda convocar todas as autarquias, as Escolas e todas as entidades de ensino profissional que, nos últimos anos, têm desenvolvido projectos aliciantes e profícuos, no âmbito da Educação e Formação de Adultos, nomeadamente, os desenvolvidos na Formação Contínua de Profissionais Activos, na formação de desempregados de longa e curta duração, no âmbito da Educação Sénior e no ensino de Língua Portuguesa para estrangeiros.
Todos não seremos demais.

Nicolau Borges
(Director de CFAE)

Carta aberta a todos os políticos e forças ativas do Oeste

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1º Lembrar o passado
As Caldas da Rainha tiveram a sua origem e desenvolvimento graças à existência do hospital.
Nas Caldas foi construído um dos primeiros hospitais termais do mundo, que deu ele próprio, o nome a esta cidade.
Nas Caldas foi constituído o primeiro Centro Hospitalar do país.
Até hoje o hospital das Caldas cresceu em termos de valências médicas e importância clínica.
Sempre esta cidade foi considerada uma cidade hospitalar.
A atração turística e a importância das Caldas está apenas na cidade hospitalar que somos e não no betão construído à volta dos seus Hospitais.
2º Falar do presente
Espero que os políticos eleitos por quase todos nós, não venham a ser lembrados como os primeiros que permitiram o princípio da decadência deste hospital e, talvez, o seu fim.
Espero também que não sejam os primeiros políticos que obriguem os futuros caldenses a nascerem noutro concelho.
Começo por vos perguntar se já se informaram sobre as capacidades físicas do Hospital de Torres para poder receber a cirurgia, a ortopedia e não sei o quê mais, atualmente instaladas no Hospital das Caldas.
Sei que esse espaço é menor e mais velho do que o do Hospital das Caldas. Sei também que o espaço físico onde funciona a urgência é pequeno e muito, muito mau.
Tem esse hospital camas suficientes para caberem os doentes da área de influência do Hospital das Caldas? O que eu sei é que o número de camas após o previsto fecho do Hospital pneumológico do Barro, é inferior ao do CHON.
Não vos assusta o hospital de Loures ter mais espaço e estar apenas a 17 minutos de Torres, mas a 79 Km das Caldas?
Dirijo-me agora directamente aos políticos do PSD e CDS do Oeste Norte, pedindo-lhes para seguir o exemplo do Primeiro-ministro que, como afirmou há pouco Marques Mendes, põe em primeiro lugar o país e depois o partido.
Se seguirem este exemplo vão colocar em primeiro lugar o concelho deixando de defender que as perdas das valências no CHON são inevitáveis. E não poderão defender que a perda de valências do nosso hospital é uma medida inevitável “por causa da Troika”.
Vão então pensar que, se queremos poupar e continuar a ter bons cuidados de saúde (e claro que temos de o fazer!) o caminho só poderá ser a criação de um único hospital na região Oeste que servirá as zonas de influência do Hospital de Torres e das Caldas.
Ora esse hospital quando for feito, terá que ser central à área da sua influência, a alguns quilómetros a norte de Torres. Não luto pelo local onde será construído, luto para que o seja e o mais rapidamente possível, pois sei que uma política de saúde pensada a médio prazo vai obrigar à  sua concretização.
Então porquê irem colocar o grosso das valências numa região afastada do centro da área geográfica de intervenção?
Não tenho partido político e muito menos filiação partidária e a única coisa que me faz criticar o PSD e o CDS é  o sentir que as pessoas desses dois partidos, ao aceitarem como dizem a inevitabilidade da perda das valências, estão a enganar as pessoas que os elegeram, permitindo a ida de cuidados de saúde para longe da área de residência dos seus eleitores, medida que, ainda por cima, irá trazer mais desemprego para a nossa região.
Senhores políticos, o momento é de uma gravidade extrema. Não pensem nos partidos mas nos eleitores, que não são tolos e distinguem bem os que lutam dos que só falam, só criticam e nada fazem.
Se nada fizerem, partidos políticos e forças vivas do Oeste, para que em unanimidade continuem esta luta em prol da nossa saúde e do nosso hospital, sofrerão as consequências políticas e históricas da vossa falência.
3º E o futuro?
A VMER, o nosso 112, deixa as Caldas e vai para Torres, já pensado pelo governo?
Fecho do hospital de Peniche, já pensado e acertado pelo governo.
Fecho do Hospital de Alcobaça, já pensado pelo governo.
Fecho do Hospital das Caldas num futuro próximo.
Ou seja:
Se várias valências saírem do hospital das Caldas claro que vai ser mau para todos nós no Oeste, o CHON é o maior empregador do Oeste Norte.
Se o governo verificar que é fácil tirar algumas valências, que importância tem tirar umas e não tirar todas? Tirando todas poupa mais, um hospital fechado é o ideal para gastar menos.
Com o Hospital de Torres a ter a maioria dos cuidados e o Hospital de Alcobaça a 75 Km de Torres, os doentes de Alcobaça terão de ir para Leiria que está apenas a 36 km.
Os partos de Alcobaça irão também para Leiria e como os de Torres já vão em parte para o Hospital de Loures, iremos ficar na zona Oeste com menos de 1500 partos, número mínimo para que se mantenha a maternidade, vislumbrando-se assim o fim dos serviços de ginecologia e obstetrícia e o fim dos partos nas Caldas.
Mas as medidas economicistas não vão terminar aqui. Prevejo que a Troika exija que, tendo em conta o prejuízo do Hospital de Torres, as valências desse Hospital passem para o recente Hospital de Loures, com mais espaço, maiores e mais modernas instalações e que está a uma distância de 37 km e a cerca de 17 minutos por auto estrada de Torres.
A drenagem das especialidades de Torres irá  para o Hospital de Vila Franca de Xira que dista 37 km de Torres e que também acabou de ser construído, tendo que ser rentabilizado.
Ora, como Caldas está a 44 km de Torres, será Loures, um hospital maior, o preferido pela população de Torres, que está farta do seu velho hospital, caso não se venha a construir um novo hospital no centro geográfico da zona Oeste.
E enquanto este não for construído, as valências que deixarão as Caldas acabarão por ir, primeiro para Torres e depois para Loures, a 79 km de Caldas. Se nada for feito, será onde de futuro nos iremos tratar.
Políticos do Oeste Norte:
Vocês só têm uma direção a seguir que é  a união de todos, deixando-se de querelas partidárias, que neste caso não fazem qualquer sentido, pois o momento é muito grave e como parece que ainda nada está decidido e apenas em estudo, ainda podem corrigir o que atrás está exposto. Devem lutar juntos em prol da população das Caldas e dos concelhos contíguos.
Os presidentes das câmaras e políticos do Oeste afetos ao governo têm que saber dizer não ao Ministério da Saúde e lutar pelo vosso eleitorado. Têm que colocar em primeiro lugar o Oeste e só depois os partidos. Foram eleitos para fazer por nós o melhor e aqui o melhor é, sem dúvida, impedirem o esvaziamento do nosso hospital o que poderá ser o princípio do seu fim.
Caso não o façam contribuem para a futura união Centro de Saúde/Hospital, ficando o Oeste apenas com Centros de Saúde nas Caldas, Alcobaça e Peniche.
Reclamo a vossa reflexão sobre este problema que nos afeta a todos, hoje, e as gerações futuras.
A população do Oeste tem que ter a convicção de que os nossos eleitos defenderão os nossos interesses.
Caso contrário, a História julgar-vos-á.

António Gaspar

Tolerância de ponto II

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Conforme o assunto supra citado, informamos V. Exas., que na vossa edição de 24/02/2012, onde publicam quais as juntas de freguesia que encerraram os seus serviços no dia de Carnaval, mencionaram que a Junta de Freguesia do Vau, estava encerrada, o que não é verdade, pois os serviços laboraram durante o período normal de funcionamento.
Salientamos que não recebemos qualquer telefonema de confirmação por parte do jornal, e parece-me estranho, publicarem uma noticia, apenas por um telefonema….
Gostaríamos portanto que procedessem à devida correcção na próxima edição.

Sónia Teresa Dias dos   Santos
(Junta de Freguesia do Vau)


NR – Gazeta das Caldas ligou para as juntas de freguesia de Óbidos, na Terça-feira de Carnaval, entre as 11h30 e as 12h00 e entre as 15h00 e as 15h30. A Junta do Vau foi uma das que não atendeu o telefone.
Aproveitamos para informar que a Junta de Freguesia da Amoreira (Óbidos) também laborou durante esse dia.
Na passada terça-feira, o  presidente da Câmara das Caldas contactou telefonicamente o nosso jornal para dizer que tinha dado a oportunidade a todos os funcionários da autarquia de não trabalhar na tarde de 21 de Fevereiro, em substituição da habitual tolerância de ponto do Entrudo.
Fernando Costa disse ainda que tinha dado instruções aos chefes de serviço para comunicar a todos que poderiam usufruir de meio-dia de folga.
O edil caldense garante que houve vários funcionários a usufruir dessa “benesse” em vários sectores da Câmara e dos Serviços Municipalizados.
Em relação à notícia do nosso jornal sobre o assunto, informou também que nesse dia só chegou aos Paços do Concelho às 16h00 porque de manhã tinha estado em reunião no ministério da Saúde e posteriormente na Assembleia da República.

C.C./P.A.


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